{"id":150477,"date":"2021-07-29T09:00:10","date_gmt":"2021-07-29T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150477"},"modified":"2021-07-28T20:37:03","modified_gmt":"2021-07-28T23:37:03","slug":"peixe-leao-invade-o-meio-ambiente-brasileiro-e-coloca-especies-nativas-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/peixe-leao-invade-o-meio-ambiente-brasileiro-e-coloca-especies-nativas-em-risco\/","title":{"rendered":"Peixe-le\u00e3o invade o meio ambiente brasileiro e coloca esp\u00e9cies nativas em risco"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"entry-subtitle font-weight-medium\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150478\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Animal n\u00e3o tem predadores e pode ter chegado naturalmente por meio do Mar do Caribe; pesca, coleta e prote\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o as principais alternativas para controlar o predador<\/h2>\n<p>Peixe-le\u00e3o \u00e9 o nome popular de um g\u00eanero de peixes marinhos e venenosos. A esp\u00e9cie mais famosa \u00e9 a\u00a0<em>Pterois volitans<\/em>, origin\u00e1ria da regi\u00e3o do Indo-Pac\u00edfico. O animal foi avistado no Brasil pela primeira vez em 2014. Agora, um novo estudo analisou a captura da esp\u00e9cie e confirma que\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10530-021-02575-8\">o peixe-le\u00e3o est\u00e1 invadindo o meio ambiente brasileiro<\/a>. O problema j\u00e1 \u00e9 enfrentado na regi\u00e3o do Caribe e em pa\u00edses como Estados Unidos e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Conhecido por seu formato diferente e suas cores vivas, o\u00a0<em>lionfish\u00a0<\/em>se tornou uma esp\u00e9cie ornamental muito comercializada por aquaristas. \u00c9 prov\u00e1vel que um desses exemplares de aqu\u00e1rio tenha sido despejado no mar, o que deu in\u00edcio \u00e0 invas\u00e3o nos Estados Unidos no final da d\u00e9cada de 1980.\u00a0Outra possibilidade \u00e9 que o furac\u00e3o Andrew, que atingiu o Estado da Fl\u00f3rida em 1992, tenha destru\u00eddo um aqu\u00e1rio e acidentalmente os peixes acabaram no mar.\u00a0Desde ent\u00e3o, o animal se espalhou pela regi\u00e3o e causa preju\u00edzos ambientais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Hudson Tercio Pinheiro, pesquisador do\u00a0<a href=\"http:\/\/cebimar.usp.br\/pt\/\">Centro de Biologia Marinha<\/a>\u00a0(CEBIMar) da USP, comenta que o peixe-le\u00e3o tem um comportamento predat\u00f3rio bem espec\u00edfico. Ele fica im\u00f3vel em recifes de corais, at\u00e9 que uma presa passe na frente, ent\u00e3o ele ataca e por meio de suc\u00e7\u00e3o engole o animal.<\/p>\n<p>\u201cAs nossas esp\u00e9cies nativas n\u00e3o s\u00e3o adaptadas para evitar esse tipo de preda\u00e7\u00e3o, elas acabam se tornando presas f\u00e1ceis\u201d, afirma. Outro problema \u00e9 que o peixe-le\u00e3o se reproduz em taxas elevadas e n\u00e3o tem predadores nos ambientes invadidos. Por esses motivos, ele desequilibra a cadeia alimentar.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que esses animais tenham chegado no Brasil vindos naturalmente do Caribe, onde ele tamb\u00e9m \u00e9 invasor, atrav\u00e9s de correntes mar\u00edtimas. Entretanto, a possibilidade de introdu\u00e7\u00e3o no mar por aquaristas n\u00e3o foi descartada. Nos \u00faltimos meses foram capturados tr\u00eas peixes-le\u00f5es na costa brasileira: dois na foz do rio Amazonas, no Amap\u00e1, e um no arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha. Os registros anteriores foram feitos no Rio de Janeiro.<\/p>\n<h3><span id=\"Invasao-biologica\"><strong>Invas\u00e3o biol\u00f3gica<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A bioinvas\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno que acontece quando uma esp\u00e9cie se estabelece e se espalha por uma regi\u00e3o da qual ela n\u00e3o \u00e9 nativa. Segundo Ricardo Augusto Dias, professor da\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.fmvz.usp.br\/\">Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia<\/a>\u00a0(FMVZ) da USP, esse processo pode ocorrer naturalmente, mas \u00e9 intensificado pela atividade antr\u00f3pica.<\/p>\n<p>\u201cO que ocorre quando h\u00e1 interfer\u00eancia humana, seja ela intencional ou n\u00e3o, \u00e9 o aumento das taxas de invas\u00e3o, al\u00e9m da possibilidade de introdu\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos que n\u00e3o poderiam ser transportados sem o aux\u00edlio humano.\u201d\u00a0Dias comenta que o transporte internacional tamb\u00e9m pode intensificar a invas\u00e3o biol\u00f3gica. \u00c9 o caso, por exemplo, do\u00a0<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/coral-exotico-tem-se-alastrado-e-causado-impactos-ambientais-na-costa-brasileira\/\">coral-sol<\/a>, introduzido no Brasil acidentalmente ao ser carregado por navios e plataformas de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desequil\u00edbrio da cadeia alimentar, esse fen\u00f4meno representa um risco ao ocasionar mudan\u00e7as comportamentais, fisiol\u00f3gicas e introduzir doen\u00e7as. De acordo com o professor, entretanto, nem todos os impactos s\u00e3o prejudiciais. \u201cQuaisquer invas\u00f5es devem ser prontamente identificadas e avaliadas, para que seja implementado seu manejo, se necess\u00e1rio\u201d, diz.<\/p>\n<p>No caso do peixe-le\u00e3o, as an\u00e1lises s\u00e3o todas negativas, principalmente por conta da preda\u00e7\u00e3o e do risco \u00e0 biodiversidade. \u201cNossas ilhas oce\u00e2nicas s\u00e3o cheias de esp\u00e9cies end\u00eamicas\u201d, comenta Pinheiro. \u201cEsse \u00e9 o principal problema, uma esp\u00e9cie invasora colocar em risco a fauna exclusiva dessas ilhas, que n\u00e3o existe em nenhum outro lugar do mundo\u201d, acrescenta. A competi\u00e7\u00e3o com predadores nativos tamb\u00e9m pode prejudicar atividades como a pesca e o turismo.<\/p>\n<h3><span id=\"Manejo\"><strong>Manejo<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Ao todo, s\u00e3o cerca de 540 esp\u00e9cies invasoras no Brasil, como o javali e a til\u00e1pia. Quando um animal invasor se estabelece, \u00e9 quase imposs\u00edvel erradic\u00e1-lo. Entretanto, existem algumas estrat\u00e9gias que podem auxiliar no seu controle. Nos pa\u00edses que j\u00e1 enfrentam o peixe-le\u00e3o, a pesca e a captura s\u00e3o as principais medidas de conten\u00e7\u00e3o. Apesar de ter espinhos venenosos, sua carne n\u00e3o tem toxinas e \u00e9 adequada para o consumo humano.<\/p>\n<p>O ideal, entretanto, \u00e9 impedir a chegada e o estabelecimento de invasores. \u201cA melhor forma de se proteger de qualquer invas\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s da conserva\u00e7\u00e3o dos ambientes naturais\u201d, afirma Pinheiro. \u201cSe voc\u00ea tem um ambiente mais preservado, voc\u00ea ter\u00e1 maior competi\u00e7\u00e3o natural e resili\u00eancia, ou seja, um ambiente capaz de se proteger por si s\u00f3\u201d, completa. A cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o e manejo s\u00e3o alternativas para evitar o peixe-le\u00e3o nos ambientes em que ele ainda n\u00e3o chegou.<\/p>\n<p>Para o professor Dias, ainda n\u00e3o existem muitas a\u00e7\u00f5es concretas de controle das esp\u00e9cies invasoras no Brasil. Ele ressalta, entretanto, que essa discuss\u00e3o est\u00e1 ganhando espa\u00e7o. \u201cIsso traz muita esperan\u00e7a, mas trata-se somente de um primeiro passo no manejo da invas\u00e3o biol\u00f3gica no Brasil. Ainda estamos muito atrasados nesse ponto.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Animal n\u00e3o tem predadores e pode ter chegado naturalmente por meio do Mar do Caribe;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/peixe_leao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Animal n\u00e3o tem predadores e pode ter chegado naturalmente por meio do Mar do Caribe;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150477"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150480,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150477\/revisions\/150480"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}