{"id":150399,"date":"2021-07-27T20:53:02","date_gmt":"2021-07-27T23:53:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150399"},"modified":"2021-07-27T20:53:02","modified_gmt":"2021-07-27T23:53:02","slug":"ilha-de-pascoa-nao-sofreu-colapso-ambiental-garantem-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ilha-de-pascoa-nao-sofreu-colapso-ambiental-garantem-cientistas\/","title":{"rendered":"Ilha de P\u00e1scoa n\u00e3o sofreu colapso ambiental, garantem cientistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150404\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Voc\u00ea provavelmente conhece esta hist\u00f3ria, ou uma vers\u00e3o dela: Os antigos moradores da Ilha de P\u00e1scoa cortaram todas as \u00e1rvores, talvez para fazer campos para a agricultura ou para erguer est\u00e1tuas gigantes para homenagear seus cl\u00e3s. Esta decis\u00e3o tola levou a um colapso catastr\u00f3fico, com apenas alguns milhares de habitantes restando para testemunhar a chegada dos primeiros barcos europeus em 1722.<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese do colapso ambiental da Ilha de P\u00e1scoa &#8211; ou Rapa Nui, no idioma nativo &#8211; fez sentido para os historiadores, e vem sendo contado como um fato h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que o colapso demogr\u00e1fico no cerne desse mito da Ilha de P\u00e1scoa realmente aconteceu?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 n\u00e3o, garante uma equipe de antrop\u00f3logos que afirma ter abordado a quest\u00e3o pela primeira vez com crit\u00e9rios objetivos.<\/p>\n<p>&#8220;Para Rapa Nui, grande parte da discuss\u00e3o acad\u00eamica e popular sobre a ilha gira em torno da ideia de que houve um colapso demogr\u00e1fico, e que esse colapso est\u00e1 correlacionado no tempo com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e mudan\u00e7as ambientais,&#8221; adiantou Robert DiNapoli, da Universidade Binghamton, nos EUA.<\/p>\n<p>Mas, acrescenta o antrop\u00f3logo, a verdade \u00e9 que os cientistas nunca antes reconstru\u00edram com precis\u00e3o os n\u00edveis de popula\u00e7\u00e3o da ilha para verificar se tal colapso realmente ocorreu; e, se ocorreu, em que escala.<\/p>\n<p>Foi justamente isso que DiNapoli e seus colegas fizeram agora.<\/p>\n<p><strong>A hip\u00f3tese do colapso ambiental da Ilha de P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p>Algum tempo depois de os humanos terem chega a Rapa Nui, entre os s\u00e9culos 12 a 13, a ilha outrora coberta de palmeiras foi despojada de todas as suas \u00e1rvores. Na maioria das vezes, os estudiosos apontam para o desmatamento estimulado pelo homem para abrir \u00e1reas para a agricultura e pela introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras, como os ratos. Essas mudan\u00e7as ambientais, afirma esse argumento, reduziram a capacidade da ilha de sustentar a popula\u00e7\u00e3o, o que ent\u00e3o teria levado a um decl\u00ednio demogr\u00e1fico.<\/p>\n<div class=\"imgMeioD\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"pure-img\" src=\"https:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/imagens\/010125210727-mito-ilha-de-pascoa-1.jpg\" alt=\"Colapso ambiental da Ilha de P\u00e1scoa \u00e9 um mito, garantem cientistas\" width=\"639\" height=\"449\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda\">A Ilha de P\u00e1scoa j\u00e1 foi coberta por palmeiras.<span class=\"creditoimg\"><br \/>\n[Imagem:\u00a0Robert J. DiNapoli et al. &#8211; 10.1038\/s41467-021-24252-z]<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, por volta do ano 1500, houve uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica no \u00edndice de Oscila\u00e7\u00e3o Sul, uma mudan\u00e7a que fez o clima de Rapa Nui ficar mais seco.<\/p>\n<p>&#8220;Um argumento \u00e9 que as mudan\u00e7as no meio ambiente tiveram um impacto negativo. As pessoas veem que houve uma seca e dizem: &#8216;Bem, a seca causou essas mudan\u00e7as&#8217;,&#8221; detalha o pesquisador Carl Lipo, membro da equipe. &#8220;Houve mudan\u00e7as, a popula\u00e7\u00e3o mudou e o ambiente mudou; com o tempo, as palmeiras se foram e, no final, o clima ficou mais seco. Mas ser\u00e1 que essas mudan\u00e7as realmente explicam o que estamos vendo nos dados populacionais por meio da data\u00e7\u00e3o por radiocarbono?&#8221;<\/p>\n<p><strong>Calculando popula\u00e7\u00f5es antigas<\/strong><\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos t\u00eam diferentes maneiras de reconstruir o tamanho de uma popula\u00e7\u00e3o usando medidas substitutas, como observar as diferentes idades dos indiv\u00edduos nos cemit\u00e9rios ou contando a quantidade de restos de resid\u00eancias. Esta \u00faltima medida pode ser problem\u00e1tica porque faz suposi\u00e7\u00f5es sobre o n\u00famero de pessoas que viveriam em cada casa e se as casas foram ocupadas ao mesmo tempo, explica DiNapoli.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica mais comum, no entanto, usa data\u00e7\u00e3o por radiocarbono para rastrear a extens\u00e3o da atividade humana durante um momento no tempo e extrapolar as mudan\u00e7as populacionais a partir desses dados. Mas as data\u00e7\u00f5es de radiocarbono tamb\u00e9m podem ser incertas.<\/p>\n<p>A novidade \u00e9 que a equipe desenvolveu um novo m\u00e9todo que \u00e9 capaz de resolver essas incertezas e mostrar como as mudan\u00e7as no tamanho da popula\u00e7\u00e3o se relacionam com as vari\u00e1veis ambientais ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos estat\u00edsticos padr\u00e3o n\u00e3o funcionam quando se trata de vincular os dados de radiocarbono \u00e0s mudan\u00e7as ambientais e clim\u00e1ticas, e \u00e0s mudan\u00e7as populacionais relacionadas a elas. Fazer isso envolveria estimar uma &#8220;fun\u00e7\u00e3o de verossimilhan\u00e7a&#8221;, ou fun\u00e7\u00e3o de probabilidade, que atualmente \u00e9 dif\u00edcil de calcular. A Computa\u00e7\u00e3o Bayesiana Aproximada, contudo, \u00e9 uma forma de modelagem estat\u00edstica que n\u00e3o requer uma fun\u00e7\u00e3o de verossimilhan\u00e7a e, portanto, oferece aos pesquisadores uma solu\u00e7\u00e3o alternativa.<\/p>\n<div class=\"imgMeioC\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"pure-img\" src=\"https:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/imagens\/010125210727-mito-ilha-de-pascoa-2.jpg\" alt=\"Colapso ambiental da Ilha de P\u00e1scoa \u00e9 um mito, garantem cientistas\" width=\"640\" height=\"646\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda\">A equipe criou v\u00e1rios modelos, com diferentes pressupostos, para monitorar as popula\u00e7\u00f5es antigas da Ilha de P\u00e1scoa. Nenhum dos modelos mostra um colapso populacional &#8211; ao contr\u00e1rio, houve um crescimento cont\u00ednuo at\u00e9 a chegada dos europeus.<span class=\"creditoimg\"><br \/>\n[Imagem:\u00a0Robert J. DiNapoli et al. &#8211; 10.1038\/s41467-021-24252-z]<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Popula\u00e7\u00e3o da Ilha de P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p>Usando essa t\u00e9cnica, os pesquisadores determinaram que a Ilha de P\u00e1scoa experimentou um crescimento populacional constante desde seu assentamento inicial (anos 1.100-1.200) at\u00e9 o contato com os europeus, em 1722. Ap\u00f3s essa data, dois modelos mostram um poss\u00edvel plat\u00f4 populacional, enquanto outros dois modelos mostram um poss\u00edvel decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a Ilha de P\u00e1scoa nunca teve mais do que alguns milhares de pessoas antes do contato com os europeus, e seu n\u00famero estava aumentando, em vez de diminuindo, concluiu a equipe.<\/p>\n<p>E a constru\u00e7\u00e3o das est\u00e1tuas moai, consideradas por alguns como um fator que contribuiu para o colapso, na verdade continuou mesmo ap\u00f3s a chegada dos europeus.<\/p>\n<p>Em suma, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que os ilh\u00e9us usaram as palmeiras agora desaparecidas para se alimentar, um ponto-chave de muitos mitos do colapso ambiental. Esta nova pesquisa mostra que o desmatamento foi prolongado e n\u00e3o resultou em eros\u00e3o catastr\u00f3fica &#8211; na verdade, as \u00e1rvores foram substitu\u00eddas por jardins cobertos com pedras que aumentaram a produtividade agr\u00edcola. Com isso, durante os per\u00edodos de seca a popula\u00e7\u00e3o pode ter tirado proveito da \u00e1gua doce infiltrada no solo.<\/p>\n<p>&#8220;Essas estrat\u00e9gias de resili\u00eancia tiveram muito sucesso, apesar do fato de que o clima ficou mais seco,&#8221; disse Lipo. &#8220;Eles s\u00e3o um bom caso de resili\u00eancia e sustentabilidade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Menos tecnologia e mais sabedoria<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores advertem que os proponentes da hist\u00f3ria do colapso ambiental da Ilha de P\u00e1scoa tendem a ver os novos dados e an\u00e1lises como um negador da mudan\u00e7a clim\u00e1tica &#8211; isso enfaticamente n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n<p>Mas eles ressaltam que as maneiras como os povos antigos lidaram com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ambientais n\u00e3o refletem necessariamente as crises globais atuais e seu impacto no mundo moderno &#8211; na verdade, eles podem ter muito a nos ensinar sobre resili\u00eancia e sustentabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma tend\u00eancia natural de pensar que as pessoas no passado n\u00e3o eram t\u00e3o inteligentes quanto n\u00f3s e que, de alguma forma, cometeram todos esses erros, mas na verdade \u00e9 o contr\u00e1rio,&#8221; disse Lipo. &#8220;Mesmo que suas tecnologias sejam mais simples do que as nossas, h\u00e1 muito a aprender sobre o contexto em que foram capazes de sobreviver.&#8221;<\/p>\n<div class=\"biblio\">\n<p><b>Bibliografia:<\/b><\/p>\n<p>Artigo:\u00a0<i>Approximate Bayesian Computation of radiocarbon and paleoenvironmental record shows population resilience on Rapa Nui (Easter Island)<\/i><br \/>\nAutores: Robert J. DiNapoli, Enrico R. Crema, Carl P. Lipo, Timothy M. Rieth, Terry L. Hunt<br \/>\nRevista: Nature Communications<br \/>\nVol.: 12, Article number: 3939<br \/>\nDOI: 10.1038\/s41467-021-24252-z<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea provavelmente conhece esta hist\u00f3ria, ou uma vers\u00e3o dela: Os antigos moradores da Ilha de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150404,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mito.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Voc\u00ea provavelmente conhece esta hist\u00f3ria, ou uma vers\u00e3o dela: Os antigos moradores da Ilha de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150399"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150405,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150399\/revisions\/150405"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}