{"id":150342,"date":"2021-07-26T13:30:48","date_gmt":"2021-07-26T16:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150342"},"modified":"2021-07-26T10:23:40","modified_gmt":"2021-07-26T13:23:40","slug":"terremotos-indicam-que-marte-tem-um-nucleo-maior-que-o-estimado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/terremotos-indicam-que-marte-tem-um-nucleo-maior-que-o-estimado\/","title":{"rendered":"Terremotos indicam que Marte tem um n\u00facleo maior que o estimado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150343\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dados analisados pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2019\/07\/20\/noticias\/conheca-a-tecnologia-que-permitiu-que-a-missao-apollo-11-fosse-um-sucesso\/\">m\u00f3dulo de pouso InSight<\/a>\u00a0indicam que Marte tem detalhes diferentes do que se pensava: seu n\u00facleo pode ser maior, seu manto, mais denso e sua crosta, mais fina do que se pensava em estimativas anteriores tiradas por\u00a0<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/editorias\/ciencia-e-espaco\/\">cientistas<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas por tr\u00e1s do InSight (sigla em ingl\u00eas para \u201cExplora\u00e7\u00e3o Interior usando Investiga\u00e7\u00f5es S\u00edsmicas, Geod\u00e9sia e Transporte de Calor\u201d), os novos resultados podem n\u00e3o apenas nos ajudar a compreender melhor o passado e presente de Marte, mas tamb\u00e9m estimar forma\u00e7\u00f5es em outros planetas de constitui\u00e7\u00e3o mais rochosa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-230055\" src=\"https:\/\/img.olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-marte-1024x640.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/img.olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-marte-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/img.olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-marte-300x188.jpg 300w, https:\/\/img.olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-marte-768x480.jpg 768w, https:\/\/img.olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-marte-150x94.jpg 150w, https:\/\/img.olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-marte.jpg 1200w\" alt=\"Imagem mostra rachadura no ch\u00e3o vinda de terremotos. An\u00e1lises de tremores em Marte indicam que seu n\u00facleo \u00e9 bem maior do que pens\u00e1vamos\" width=\"638\" height=\"399\" \/><figcaption>Terremotos em Marte geraram estimativas diferentes do que imagin\u00e1vamos sobre o tamanho da crosta, manto e n\u00facleo do planeta vermelho. Imagem: Karen Grigoryan\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cIsso \u00e9 como ter uma caixinha trancada e tentar determinar o que h\u00e1 dentro dela apenas com algumas informa\u00e7\u00f5es gerais do lado de fora\u201d, disse Brigitte Knapmeyer-Endrun, uma pesquisadora da Universidade de Col\u00f4nia, na Alemanha, e autora principal de um dos tr\u00eas estudos baseados nos dados do m\u00f3dulo InSight.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, a\u00a0<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/terremotos\/\">sismologia<\/a>\u00a0\u00e9 algo relativamente jovem, com a ci\u00eancia tendo come\u00e7ado na Terra apenas em 1889 ao investigar o terremoto que deu origem ao Jap\u00e3o. Depois, astronautas da Apollo posicionaram sensores na Lua, mas a capta\u00e7\u00e3o s\u00edsmica destes era limitada a algumas ondas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Por isso, planetas e corpos de concep\u00e7\u00e3o rochosa ainda s\u00e3o um mist\u00e9rio para n\u00f3s. No caso dos terremotos de Marte e o impacto disso em seu n\u00facleo, cientistas vinham estudando o assunto por meio do impacto de\u00a0<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/meteoritos\/\">meteoritos<\/a>, explora\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie e observa\u00e7\u00f5es gravitacionais e magn\u00e9ticas de orbitadores \u2013 tudo no intuito de especular de forma aprofundada sobre o que \u00e9 o interior do planeta vermelho.<\/p>\n<p>Anteriormente, modelos cient\u00edficos estipulavam que a crosta de Marte tinha espessura de 110 quil\u00f4metros (km) \u2013 bem mais grossa do que a da Terra, que fica entre 5 e 70 km. Agora, gra\u00e7as a uma an\u00e1lise mais aprofundada das ondas de choque (especificamente, ondas prim\u00e1rias \u2013 ou \u201cP\u201d \u2013 e secund\u00e1rias \u2013 ou \u201cS\u201d), \u00e9 poss\u00edvel determinar pontos de origem dos tremores.<\/p>\n<p>Funciona assim: no evento de um terremoto (\u201cmartemoto\u201d?), as ondas P e S viajam em rotas perpendiculares entre si. Isso significa que, ao percorrer seus trajetos de volta ao seus pontos de origem, elas eventualmente se cruzam. Esse ponto de cruzamento \u00e9 o epicentro \u2013 ou ponto de in\u00edcio \u2013 do tremor.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 certo \u00e9 que, sob o m\u00f3dulo InSight, n\u00f3s temos pelo menos duas camadas da crosta\u201d, disse Knapmeyer-Edrun. A camada mais pr\u00f3xima tem espessura aproximada de 10 km, com as ondas viajando por ela bem mais lentamente do que se pensava antigamente. \u201cA camada mais alta \u00e9 provavelmente fraturada por repetidos impactos de meteoritos ao longo das eras, desde a forma\u00e7\u00e3o da crosta, e ela tamb\u00e9m pode ter sido alterada quimicamente\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a segunda camada tem aproximadamente 20 km e est\u00e1 mais conservada que a anterior, o que faz com que as ondas viajem mais r\u00e1pido por ela.<\/p>\n<p>Uma suposta terceira camada \u00e9 que deixa as coisas mais incertas, j\u00e1 que Knapmeyer-Edrun n\u00e3o consegue determinar se ela \u00e9 de fato uma camada da crosta, ou se j\u00e1 come\u00e7a, ali, a transforma\u00e7\u00e3o para o manto. \u201cPrecisamos de mais estudos para realmente determinar o que \u00e9 cada camada, individualmente\u201d. Entretanto, ela estima que a espessura dessa parte fique em torno de 39 km e seja feita de um material diferente das duas anteriores.<\/p>\n<p>J\u00e1 um segundo outro estudo, assinado por Amir Khan, pesquisador da Universidade de Zurique na Su\u00edca, analisa exclusivamente ondas de baixa frequ\u00eancia. O especialista explica que, ao contr\u00e1rio dos terremotos na crosta superior de Marte do estudo anterior \u2013 que funcionam com alta frequ\u00eancia e ocorreram perto do InSight, esta pesquisa avalia as ondas menores, que viajam mais a fundo no manto at\u00e9 o n\u00facleo do planeta.<\/p>\n<p>Segundo as conclus\u00f5es, o manto se estende por algo entre 400 e 600 km \u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2020\/06\/30\/ciencia-e-espaco\/formacao-do-manto-da-terra-gerou-duas-faces-distintas-no-planeta\/\">mais que o dobro da Terra<\/a>. Isso porque Marte tem apenas uma \u00fanica \u2013 gigantesca e praticamente est\u00e1tica \u2013 placa tect\u00f4nica, ao contr\u00e1rio das sete m\u00f3veis da nossa casa. Embora similares, a placa de Marte tem uma concentra\u00e7\u00e3o de ferro bem maior.<\/p>\n<p>Usando informa\u00e7\u00f5es de outros estudos, Khan determinou que a crosta de Marte tem entre 13 e 21 vezes mais elementos radiativos enriquecidos que produzem calor do que o manto \u2013 bem mais do que o registrado pelo orbitador explorat\u00f3rio Global (MGS, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>\u201cO MGS mediu apenas o conte\u00fado radiativo da superf\u00edcie, mas agora n\u00f3s descobrimos que a crosta inteira \u00e9 enriquecida de forma relacionada a essas estimativas, o que significa que aquilo que vimos na superf\u00edcie n\u00e3o \u00e9 o mesmo que vimos em profundidades maiores\u201d, explicou Khan.<\/p>\n<p>Finalmente, o terceiro estudo considerou apenas as ondas S, e como elas s\u00e3o refletidas pelo n\u00facleo do planeta. Explicando: ondas de baixa frequ\u00eancia n\u00e3o conseguem viajar por dispositivos l\u00edquidos \u2013 e o n\u00facleo de um planeta geralmente \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2021\/05\/25\/ciencia-e-espaco\/erupcao-maior-vulcao-mundo\/\">constitu\u00eddo de magma<\/a>. Neste caso, os cientistas analisaram pontos de onde as ondas S come\u00e7avam a desviar de seus trajetos originais, determinando assim o local onde, possivelmente, se inicia o n\u00facleo.<\/p>\n<p>Em termos num\u00e9ricos: avaliando os terremotos de Marte, os cientistas conclu\u00edram que seu n\u00facleo come\u00e7a a uma profundidade de 1.560 km, aproximadamente \u2013 algo maior do que se pensava antes. A grosso modo, um n\u00facleo maior implica em menos densidade. As novas medidas indicam que o n\u00facleo tem menos teor de ferro, uma descoberta que necessitou da infus\u00e3o de elementos mais leves, como enxofre, carbono, hidrog\u00eanio ou oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>\u201cSe esses elementos mais leves estiverem no n\u00facleo em grandes quantidades, talvez tenhamos que revisar nossos modelos sobre como o planeta se formou, para determinarmos como eles se originam do n\u00facleo, e n\u00e3o do mando ou, no caso do hidrog\u00eanio, deixando o planeta inteiramente antes do previsto\u201d, disse Simon St\u00e4hler, tamb\u00e9m pesquisador de Zurique, e autor do terceiro estudo.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, todos os tremores identificados estavam abaixo da magnitude 4 da escala Richter \u2013 em termos comparativos, se ocorressem na Terra, voc\u00ea s\u00f3 os sentiria se estivesse pr\u00f3ximo de seu epicentro.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o dos tr\u00eas estudos \u00e9 relativamente simples: se o n\u00facleo de Marte \u00e9 maior, ent\u00e3o o manto \u00e9 mais fino. Isso implica em uma aus\u00eancia na camada isolante de perovskita de silicato, uma subst\u00e2ncia abundante na Terra que ajuda a conservar o calor interno. Sem isso, o n\u00facleo de Marte resfria a um ritmo mais r\u00e1pido, o que por sua vez traz um impacto maior no seu campo eletromagn\u00e9tico \u2013 justamente aquilo que fez o planeta prender a sua atmosfera h\u00e1 bilh\u00f5es de anos. Vale lembrar que, com a redu\u00e7\u00e3o do campo eletromagn\u00e9tico, Marte hoje quase n\u00e3o tem atmosfera.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados analisados pelo\u00a0m\u00f3dulo de pouso InSight\u00a0indicam que Marte tem detalhes diferentes do que se pensava:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150343,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/terremoto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Dados analisados pelo\u00a0m\u00f3dulo de pouso InSight\u00a0indicam que Marte tem detalhes diferentes do que se pensava:","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150342"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150342"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150345,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150342\/revisions\/150345"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}