{"id":150333,"date":"2021-07-26T12:30:03","date_gmt":"2021-07-26T15:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150333"},"modified":"2021-07-26T09:44:01","modified_gmt":"2021-07-26T12:44:01","slug":"crescimento-do-recife-de-coral-ao-sul-do-atlantico-foi-controlado-por-mudancas-nos-ultimos-5-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/crescimento-do-recife-de-coral-ao-sul-do-atlantico-foi-controlado-por-mudancas-nos-ultimos-5-mil-anos\/","title":{"rendered":"Crescimento do recife de coral ao sul do Atl\u00e2ntico foi controlado por mudan\u00e7as nos \u00faltimos 5 mil anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150334\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ap\u00f3s florescer em \u00e1guas quentes e tropicais que circundavam o sul do litoral paulista h\u00e1 cerca de 5 mil anos, uma queda de temperatura, ocorrida h\u00e1 3 mil anos, foi provavelmente o gatilho para que o crescimento do recife de coral mais ao sul do Atl\u00e2ntico fosse interrompido. A conclus\u00e3o \u00e9 parte de um estudo <strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0921818121000643\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<em>Global and Planetary Change<\/em>\u00a0por um grupo liderado por pesquisadores do Instituto do Mar da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a pausa, o Recife de Coral da Queimada Grande, pr\u00f3ximo \u00e0 ilha de mesmo nome no litoral paulista e descrito apenas em 2019, teve o crescimento retomado por alguns s\u00e9culos. A retomada provavelmente se deu por uma janela de oportunidade de condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis que durou pouco e, logo, o crescimento foi novamente interrompido. O fen\u00f4meno parece ser um padr\u00e3o observado em outros recifes coral\u00edneos marginais, como s\u00e3o conhecidas estruturas como essa que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es consideradas lim\u00edtrofes de sobreviv\u00eancia, como os recifes de Abrolhos, na Bahia.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise de amostras da estrutura recifal mostrou que, entre 5 mil e 3 mil anos atr\u00e1s, houve um hiato no crescimento do recife. Ele cresceu, parou de crescer, teve um pequeno crescimento numa janela de alguns s\u00e9culos e parou novamente. O que propusemos nesse trabalho \u00e9 que a varia\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar esses ciclos de crescimento, como seria esperado, mas, sim, as prov\u00e1veis varia\u00e7\u00f5es de temperatura da \u00e1gua e sedimenta\u00e7\u00e3o. E que isso pode se aplicar a outros recifes brasileiros\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/673148\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guilherme Henrique Pereira-Filho<\/a><\/strong>, professor do Instituto do Mar (IMar) da Unifesp, em Santos, e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Os recifes se formam quando corais se fixam em alguma superf\u00edcie no fundo do mar e formam col\u00f4nias. Com o tempo, os esqueletos das que morrem, compostos basicamente de carbonato de c\u00e1lcio, servem de base para novos esp\u00e9cimes, criando estruturas que podem chegar a v\u00e1rios quil\u00f4metros de extens\u00e3o e que atraem uma grande diversidade de outros organismos.<\/p>\n<p>O Recife de Coral da Queimada Grande tem cerca de 320 mil metros quadrados e margeia o lado oeste da Ilha da Queimada Grande, por sua vez distante cerca de 30 quil\u00f4metros da costa de Itanha\u00e9m, litoral sul de S\u00e3o Paulo. A estrutura come\u00e7ou a se formar h\u00e1 pouco mais de 5,5 mil anos e \u00e9 composta basicamente por uma \u00fanica esp\u00e9cie de coral,\u00a0<i>Madracis decactis<\/i>, mas habitada por peixes, algas, invertebrados e microrganismos.<\/p>\n<p>A estrutura foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/campus\/san7\/images\/Pereira-Filho_etal_2019__The_southernmost_Atlantic_Coral_Reef_-.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">descrita<\/a><\/strong>\u00a0h\u00e1 apenas dois anos pelo grupo de Pereira-Filho, enquanto os pesquisadores faziam observa\u00e7\u00f5es para um projeto\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/95814\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">financiado<\/a><\/strong>\u00a0pela FAPESP, que acabou incorporando os estudos do recife.<\/p>\n<p>A estrutura est\u00e1 a cerca de 15 metros de profundidade. Normalmente, recifes de coral est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos da superf\u00edcie, onde a temperatura mais alta e a entrada de luz s\u00e3o ideais para o crescimento das col\u00f4nias. Uma eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, portanto, poderia explicar uma parada no crescimento. Acontece que os registros geol\u00f3gicos d\u00e3o conta de que quando o recife surgiu, o n\u00edvel do mar na regi\u00e3o estava ainda mais alto, cerca de 4 metros acima do atual.<\/p>\n<p>\u201cEsse recife est\u00e1 numa condi\u00e7\u00e3o diferente dos outros. Mesmo quando voltou a crescer, h\u00e1 uns 2 mil anos, o n\u00edvel do mar ainda estava alto. Os recifes de Abrolhos, na Bahia, e Anchieta, no Esp\u00edrito Santo, tamb\u00e9m tiveram est\u00e1gios de crescimento e parada nos mesmos per\u00edodos, mas eles sempre estiveram muito pr\u00f3ximos da superf\u00edcie. Uma explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel, portanto, \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o da temperatura\u201d, diz Pereira-Filho, que integra o Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o Marinha (LABECMar) da Unifesp.<\/p>\n<p><strong>Recifes marginais<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram que durante o per\u00edodo de pausa de crescimento do recife, aproximadamente 3 mil atr\u00e1s, correntes mar\u00edtimas convergiram muito mais pr\u00f3ximas ao litoral paulista. Esse encontro provavelmente tornou as temperaturas regionais ainda mais baixas do que atualmente na regi\u00e3o em que o recife se desenvolveu.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o da conflu\u00eancia da Corrente do Brasil com a das Malvinas\/Falkland para latitudes mais ao norte proporcionou uma m\u00e9dia de temperaturas regionais mais baixas em boa parte do litoral brasileiro, impactando, portanto, o crescimento dos recifes coral\u00edneos.<\/p>\n<p>Atualmente, essa conflu\u00eancia est\u00e1 mais ao sul, tornando \u00e1reas como a de Abrolhos mais quentes e prop\u00edcias para o crescimento dos corais. No entanto, em Queimada Grande as condi\u00e7\u00f5es atuais parecem n\u00e3o ser mais favor\u00e1veis para o crescimento do recife, o que tem sido tema de novas pesquisas do grupo.<\/p>\n<p>\u201cAinda que o n\u00edvel do mar tenha contribu\u00eddo para a pausa no crescimento de Abrolhos e Anchieta, essa mudan\u00e7a de temperatura \u00e9 um dos elementos que provavelmente explicam o hiato nesses dois locais e em Queimada Grande ao mesmo tempo. Nossa conclus\u00e3o \u00e9 que esses recifes marginais s\u00e3o muitos suscet\u00edveis a varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, podendo ligar e desligar o crescimento muito rapidamente, de acordo com pequenas varia\u00e7\u00f5es ambientais\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>J\u00e1 o curto intervalo em torno de tr\u00eas s\u00e9culos em que os recifes voltaram a crescer, h\u00e1 mais ou menos 2 mil anos, provavelmente se explica por uma janela de oportunidade gerada pela combina\u00e7\u00e3o de fatores ambientais, incluindo o aumento da temperatura das \u00e1guas da regi\u00e3o. No entanto, esse per\u00edodo favor\u00e1vel ao crescimento recifal foi rapidamente interrompido, 2 mil anos atr\u00e1s, pelas maiores intensidades do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>Atualmente, o recife \u00e9 considerado senescente. Isso quer dizer que os corais n\u00e3o produzem carbonato de c\u00e1lcio suficiente para promover o crescimento da estrutura, como ocorre com recifes mais ativos. No entanto, a estrutura recifal ainda desempenha os mesmos pap\u00e9is ecol\u00f3gicos de um recife ativo, promovendo h\u00e1bitat para uma grande diversidade de algas, peixes, invertebrados e outros organismos.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade de corais e outros organismos produtores de carbonato de c\u00e1lcio est\u00e1 apenas mantendo a estrutura recifal. O que \u00e9 algo esperado em um recife ao sul do Altl\u00e2ntico, que est\u00e1 numa condi\u00e7\u00e3o lim\u00edtrofe. A estrutura do recife \u00e9 formada por uma \u00fanica esp\u00e9cie, mas a diversidade de outros organismos \u00e9 alt\u00edssima. \u00c9 um ambiente \u00fanico no Atl\u00e2ntico, num local onde nem seria esperado ter algo assim\u201d, comenta Pereira-Filho.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de um recife de corais na regi\u00e3o chamou ainda a aten\u00e7\u00e3o da sociedade e do poder p\u00fablico, criando condi\u00e7\u00f5es para que a \u00e1rea fosse considerada de interesse tur\u00edstico no plano de manejo da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Marinha (APA) do Litoral Centro, que abrange o entorno marinho da Ilha da Queimada Grande. Assinado em mar\u00e7o de 2021, depois de cerca de uma d\u00e9cada de discuss\u00f5es entre poder p\u00fablico e sociedade civil, o documento serve como diretriz para a gest\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o (leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/35091\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/agencia.fapesp.br\/35091\/<\/a><\/strong>).<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o do recife e as discuss\u00f5es em torno de sua conserva\u00e7\u00e3o renderam tamb\u00e9m um document\u00e1rio, lan\u00e7ado em mar\u00e7o deste ano e dispon\u00edvel no YouTube https:\/\/youtu.be\/u1uTI9P93tI. Com ele, pesquisadores, gestores e membros da sociedade civil organizada tentam chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de conserva\u00e7\u00e3o do local.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Growing at the limit: Reef growth sensitivity to climate and oceanographic changes in the South Western Atlantic\u00a0<\/em>pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0921818121000643\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0921818121000643<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s florescer em \u00e1guas quentes e tropicais que circundavam o sul do litoral paulista h\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150334,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/recifes_corais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ap\u00f3s florescer em \u00e1guas quentes e tropicais que circundavam o sul do litoral paulista h\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150333"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150333"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150336,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150333\/revisions\/150336"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}