{"id":150284,"date":"2021-07-25T11:28:53","date_gmt":"2021-07-25T14:28:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150284"},"modified":"2021-07-25T11:28:53","modified_gmt":"2021-07-25T14:28:53","slug":"dna-de-borboleta-de-93-anos-confirma-1a-especie-extinta-por-humanos-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/dna-de-borboleta-de-93-anos-confirma-1a-especie-extinta-por-humanos-nos-eua\/","title":{"rendered":"DNA de borboleta de 93 anos confirma 1\u00aa esp\u00e9cie extinta por humanos nos EUA"},"content":{"rendered":"<h2>Amostra de borboleta azul Xerce coletada em 1928 ajudou pesquisadores a comprovar que ela era uma esp\u00e9cie pr\u00f3pria \u2014 e n\u00e3o uma subpopula\u00e7\u00e3o de outra borboleta<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/G0A-GCvQ2V5vSEXE2apzWnArJ1U=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/07\/23\/270735_web.jpg\" alt=\" Considerada um \u00edcone da conversa\u00e7\u00e3o dos insetos, a borboleta azul Xerce foi extinta no in\u00edcio dos anos 1940 em fun\u00e7\u00e3o do desenvolvimento urbano na regi\u00e3o de S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos (Foto: Field Museum)\" width=\"638\" height=\"424\" \/>Considerada um \u00edcone da conversa\u00e7\u00e3o dos insetos, a borboleta azul Xerce foi extinta no in\u00edcio dos anos 1940 em fun\u00e7\u00e3o do desenvolvimento urbano na regi\u00e3o de S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos (Foto: Field Museum)<\/p>\n<p>Durante anos, uma d\u00favida pairou acerca da origem da extinta\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2015\/08\/borboletas-conseguem-lembrar-do-que-aprenderam-quando-eram-lagartas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">borboleta<\/a>\u00a0azul Xerce, que at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1940 sobrevoava com suas asas finas e iridescentes a regi\u00e3o de S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos: teria sido ela uma\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Meio-Ambiente\/noticia\/2021\/03\/brasil-abriga-10-das-especies-animais-que-serao-descobertas-no-futuro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esp\u00e9cie<\/a>\u00a0pr\u00f3pria ou uma subpopula\u00e7\u00e3o de outra borboleta, a azul prateado, que ainda vive no Oeste norte-americano? Responder a essa pergunta era especialmente importante porque, desde sua\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Meio-Ambiente\/noticia\/2020\/02\/meio-milhao-de-insetos-estao-ameacados-de-extincao-alertam-estudos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">extin\u00e7\u00e3o<\/a>, o animal \u00e9 tido como o primeiro inseto apagado pela\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Meio-Ambiente\/noticia\/2020\/10\/causamos-mais-acelerada-degradacao-da-natureza-desde-extincao-dos-dinossauros.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a\u00e7\u00e3o humana<\/a>\u00a0na Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Mas, em 2021, um peda\u00e7o min\u00fasculo de seu abd\u00f4men, coletado em 1928 e encontrado nas cole\u00e7\u00f5es antigas do Field Museum, em Chicago, foi o suficiente para que pesquisadores finalmente solucionassem o caso: a partir da extra\u00e7\u00e3o do DNA remanescente da borboleta de 93 anos, o grupo atestou que ela foi, de fato, uma esp\u00e9cie pr\u00f3pria\u00a0\u2014 e, portanto, a primeira a ser extinguida pelo homem. Os resultados foram publicados no peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<em><a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/full\/10.1098\/rsbl.2021.0123\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biology Letters<\/a><\/em> na \u00faltima quarta-feira (21).<\/p>\n<p>&#8220;Dar os primeiros passos e arrancar parte do abd\u00f4men [da borboleta de 93 anos] foi muito estressante, mas tamb\u00e9m foi meio estimulante saber que poder\u00edamos ser capazes de responder a uma pergunta que est\u00e1 sem resposta h\u00e1 quase 100 anos e que n\u00e3o podia ser respondida por nenhum outro caminho\u201d, avalia,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2021-07\/fm-f9071521.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em comunicado<\/a>, Corrie Moreau, diretora da Cole\u00e7\u00e3o de Insetos da Universidade de Cornell e pesquisadora no Field Museum.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, os cientistas precisaram usar uma pin\u00e7a que \u201cbeliscou\u201d um pequeno fragmento do abd\u00f4men do inseto ancestral. Em seguida, o material foi levado para an\u00e1lise no Laborat\u00f3rio de DNA Pritzker, no Field Museum. Ali, a amostra foi tratada com produtos qu\u00edmicos que permitiram ao grupo isolar os remanescentes do c\u00f3digo gen\u00e9tico da borboleta. Isso porque, explica Moreau, o\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Arqueologia\/noticia\/2021\/07\/mumia-de-ovelha-morta-ha-16-mil-anos-no-ira-tem-dna-sequenciado.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DNA<\/a> \u00e9 capaz de sobreviver por muito tempo ap\u00f3s a morte das c\u00e9lulas em que est\u00e1 armazenado.<\/p>\n<p>Mas a mol\u00e9cula ainda pode se degradar com o tempo. Por isso, o m\u00e9todo adotado pelo estudo consistiu em comparar v\u00e1rios segmentos do c\u00f3digo e, assim, indicar como seria a sua vers\u00e3o original. &#8220;\u00c9 como se voc\u00ea fizesse um monte de estruturas id\u00eanticas de Legos e depois as largasse. As estruturas individuais seriam quebradas, mas se voc\u00ea olhar para todas elas juntas, poder\u00e1 descobrir a forma da estrutura original&#8221;, resume Moreau.<\/p>\n<figure>\n<div id=\"standard_1\" class=\"st-placement standard_1 inImage\">\n<div class=\"st-adunit st-reset st-show\">\n<div class=\"st-adunit-ad st-reset\">\n<div class=\"st-display-render st-reset\">\n<div class=\"st-reset\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container open Leaderboard display-standard fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el fhxwyqa\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el f12xgewa\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el f1sh29th\">\n<div class=\"important-styled display-render x-to-close f9k8010\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Os cientistas precisaram usar uma pin\u00e7a que \u201cbeliscou\u201d um pequeno fragmento do abd\u00f4men do inseto ancestral. Em seguida, o material foi levado para an\u00e1lise no Laborat\u00f3rio de DNA Pritzker, no Field Museum, onde o material gen\u00e9tico ancestral da invertebrada foi extra\u00eddo (Foto: Field Museum)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/u42ikBLymoNZBgSR6-r2nZOCH2M=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/07\/23\/xfelix-grewe-corrie-moreau-field-museum.jpg.pagespeed.ic.xwmedi16x6.jpg\" alt=\"Os cientistas precisaram usar uma pin\u00e7a que \u201cbeliscou\u201d um pequeno fragmento do abd\u00f4men do inseto ancestral. Em seguida, o material foi levado para an\u00e1lise no Laborat\u00f3rio de DNA Pritzker, no Field Museum, onde o material gen\u00e9tico ancestral da invertebrada foi extra\u00eddo (Foto: Field Museum)\" width=\"640\" height=\"384\" \/><figcaption>Os cientistas precisaram usar uma pin\u00e7a que \u201cbeliscou\u201d um pequeno fragmento do abd\u00f4men do inseto ancestral. Em seguida, o material foi levado para an\u00e1lise no Laborat\u00f3rio de DNA Pritzker, no Field Museum, onde o material gen\u00e9tico ancestral da invertebrada foi extra\u00eddo (Foto: Field Museum)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao comparar o DNA da borboleta azul Xerces e o da azul prateada, os pesquisadores constaram que, embora as duas apresentem tra\u00e7os semelhantes, seus c\u00f3digos gen\u00e9ticos s\u00e3o distintos, o que significa que elas s\u00e3o esp\u00e9cies separadas. A descoberta s\u00f3 foi poss\u00edvel devido \u00e0s cole\u00e7\u00f5es de insetos mantidas pelo Field Museum, o que, segundo o estudo, destaca a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dessas amostras em museus.<\/p>\n<p>Mas,\u00a0para Moreau, o principal alerta por tr\u00e1s da pesquisa \u00e9 outro: a import\u00e2ncia da\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Um-So-Planeta\/noticia\/2021\/02\/jardins-residenciais-sao-fontes-de-alimento-para-insetos-polinizadores.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conserva\u00e7\u00e3o dos insetos<\/a>. A extin\u00e7\u00e3o da azul Xerces, considerada um \u00edcone da manuten\u00e7\u00e3o desses animais, \u00e9 creditada ao desenvolvimento urbano na regi\u00e3o de S\u00e3o Francisco. Uma das raz\u00f5es atribu\u00eddas ao seu apagamento foi o\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Meio-Ambiente\/noticia\/2021\/07\/desmatamento-esta-diminuindo-capacidade-de-amazonia-absorver-carbono.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desmatamento<\/a>\u00a0da vegeta\u00e7\u00e3o pertencente aos g\u00eaneros\u00a0<em>Lotus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Lupinus<\/em>, card\u00e1pio dessas invertebradas durante a fase larval.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos no meio do que est\u00e1 sendo chamado de apocalipse dos insetos \u2013 decl\u00ednios massivos de insetos est\u00e3o sendo detectados em todo o mundo&#8221;, observa a pesquisadora. &#8220;E, embora nem todos os insetos sejam t\u00e3o carism\u00e1ticos quanto a borboleta azul Xerces,\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Biologia\/noticia\/2021\/05\/abelhas-5-razoes-pelas-quais-nao-podemos-viver-sem-elas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eles t\u00eam enormes implica\u00e7\u00f5es no funcionamento dos ecossistemas<\/a>. Muitos insetos est\u00e3o realmente na base do que mant\u00e9m muitos desses ecossistemas saud\u00e1veis. Eles arejam o solo, o que permite que as plantas cres\u00e7am, que ent\u00e3o alimentam os herb\u00edvoros que, por sua vez, alimentam os carn\u00edvoros. Cada perda de um inseto tem um efeito cascata massivo nos ecossistemas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amostra de borboleta azul Xerce coletada em 1928 ajudou pesquisadores a comprovar que ela era<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Amostra de borboleta azul Xerce coletada em 1928 ajudou pesquisadores a comprovar que ela era","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150284"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150284"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150285,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150284\/revisions\/150285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}