{"id":150064,"date":"2021-07-21T13:26:23","date_gmt":"2021-07-21T16:26:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150064"},"modified":"2021-07-21T13:26:23","modified_gmt":"2021-07-21T16:26:23","slug":"leste-da-amazonia-vira-fonte-de-carbono-e-passa-a-emitir-mais-co2-do-que-absorve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/leste-da-amazonia-vira-fonte-de-carbono-e-passa-a-emitir-mais-co2-do-que-absorve\/","title":{"rendered":"Leste da Amaz\u00f4nia vira fonte de carbono e passa a emitir mais CO2 do que absorve"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"entry-subtitle font-weight-medium\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150065\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Entre 2010 e 2018, a parte oriental do bioma liberou, proporcionalmente, uma quantidade 10 vezes maior desse g\u00e1s de efeito estufa do que o oeste da floresta tropical<\/h2>\n<p>A Amaz\u00f4nia \u00e9 tradicionalmente vista como um sumidouro de carbono, uma regi\u00e3o que mais absorve do que emite para a atmosfera di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>). Mas a maior floresta tropical do planeta d\u00e1 sinais de que sua capacidade de retirar do ar o principal g\u00e1s de efeito estufa est\u00e1 seriamente comprometida, em especial em sua por\u00e7\u00e3o oriental. Entre 2010 e 2018, o leste da Amaz\u00f4nia se comportou como uma n\u00edtida fonte de CO<sub>2<\/sub> para a atmosfera, ou seja, mais emitiu do que absorveu esse g\u00e1s, segundo um novo estudo coordenado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com a participa\u00e7\u00e3o de colegas de outros institutos e universidades do Brasil e do exterior.<\/p>\n<p>Em uma \u00e1rea de cerca de 2,2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados (km<sup>2<\/sup>), que vai do centro-norte do Par\u00e1 at\u00e9 o norte de Mato Grosso, a libera\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>\u00a0foi, proporcionalmente, cerca de 10 vezes maior do que no oeste da Amaz\u00f4nia, um territ\u00f3rio que se estende pelo Brasil e pa\u00edses vizinhos e engloba o triplo do tamanho da parte leste (<em>ver quadro abaixo<\/em>). Mais \u00famida e preservada, a se\u00e7\u00e3o ocidental do bioma tamb\u00e9m apresentou um balan\u00e7o de carbono (soma de todas as emiss\u00f5es e absor\u00e7\u00f5es) preocupante durante os nove anos de coleta de dados atmosf\u00e9ricos. No entanto, no setor oeste, a transi\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de sumidouro para a de fonte de carbono parece ainda estar no come\u00e7o, embora j\u00e1 se insinue.<\/p>\n<p>Esses c\u00e1lculos e interpreta\u00e7\u00f5es fazem parte de um estudo publicado na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista\u00a0<em>Nature,\u00a0<\/em>que analisou a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do ar em diferentes regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia. O avan\u00e7o das queimadas e do desmatamento na sua parte oriental s\u00e3o apontados pelos autores do artigo como as principais causas de essa regi\u00e3o ter se tornado uma fonte de carbono. Com menos \u00e1rvores em p\u00e9, a capacidade de retirar CO<sub>2<\/sub>\u00a0da atmosfera, via fotoss\u00edntese, diminui. Se, al\u00e9m de cortada, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 queimada, o carbono que estava armazenado na biomassa da planta retorna diretamente para o ar. Tamb\u00e9m as \u00e1reas degradadas da Amaz\u00f4nia, em que h\u00e1 mais mortalidade de \u00e1rvores em raz\u00e3o de efeitos decorrentes das queimadas e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, contribuem para aumentar a coluna das emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que as \u00e1reas com desmatamento superior a 30% do seu total emitiram muito mais carbono do que as com uma taxa de desflorestamento inferior a 20%\u201d, comenta a qu\u00edmica Luciana Vanni Gatti, do Inpe, coordenadora do estudo financiado pela FAPESP. \u201cDados meteorol\u00f3gicos indicam que, nos \u00faltimos 40 anos, a parte leste foi o setor da Amaz\u00f4nia que sofreu o maior aumento m\u00e9dio de temperatura e a maior redu\u00e7\u00e3o de chuvas durante a esta\u00e7\u00e3o de seca na regi\u00e3o, entre agosto e outubro.\u201d<\/p>\n<p>Nessa por\u00e7\u00e3o da floresta, a temperatura m\u00e9dia no per\u00edodo de estiagem subiu mais de 2 graus Celsius (\u02daC) e a incid\u00eancia de chuvas diminuiu em pelo menos 25%. No oeste da Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m houve eleva\u00e7\u00e3o da temperatura e diminui\u00e7\u00e3o das chuvas entre 1979 e 2018, mas a um ritmo menor, no m\u00e1ximo 1,7 \u00baC de aumento t\u00e9rmico e redu\u00e7\u00e3o de 20% da pluviosidade m\u00e9dia. Na Amaz\u00f4nia, um m\u00eas \u00e9 considerado seco quando chove, em m\u00e9dia, menos de 100 mil\u00edmetros no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O estudo atual \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o de um projeto coordenado por Gatti, que, em 2014, rendeu um artigo publicado com destaque de capa na\u00a0<em>Nature<\/em>. Aquele primeiro estudo usava a mesma metodologia de coleta de dados adotada no atual trabalho, mas abrangia um per\u00edodo de apenas dois anos, 2010 e 2011. O novo artigo agregou mais sete anos de informa\u00e7\u00f5es de campo. \u201cNo trabalho de 2014, mostramos que um ano extremamente seco, como 2010, levava a Amaz\u00f4nia a emitir mais carbono do que um ano com clima dentro do esperado, como 2011\u201d, explica a bi\u00f3loga Luana Basso, membro da equipe de Gatti, que atualmente faz est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na Universidade de Leeds, no Reino Unido. \u201cO foco, ent\u00e3o, era na vari\u00e1vel tempo. Agora nossa \u00eanfase \u00e9 mostrar como se comporta o balan\u00e7o de carbono em \u00e1reas da Amaz\u00f4nia com diferentes n\u00edveis de desmatamento, de queimadas e de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que serviram de base para o mais recente artigo envolveu um extenso trabalho de campo. Com o emprego de um avi\u00e3o de pequeno porte voando entre 300 metros e 4,4 quil\u00f4metros de altitude, os pesquisadores recolheram a cada dois meses amostras do perfil do ar sobre quatro pontos da Amaz\u00f4nia: Alta Floresta, em Mato Grosso, no sudeste da regi\u00e3o; Santar\u00e9m, no Par\u00e1, no nordeste; Rio Branco, no Acre, no sudoeste; e Tabatinga, no Amazonas, no noroeste. Em alguns anos, as amostras do noroeste vieram de Tef\u00e9, mas, para efeitos pr\u00e1ticos, os dados dessas duas cidades amazonenses s\u00e3o considerados representativos da mesma regi\u00e3o. No total foram obtidos 590 perfis da atmosfera.<\/p>\n<p>Para o climatologista Scott Denning, da Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos, os resultados do estudo liderado pelos brasileiros coloca em d\u00favida a capacidade de longo prazo da floresta amaz\u00f4nica em sequestrar carbono da atmosfera. \u201cTrabalhos com outras metodologias, como estudos sobre a maior mortalidade de \u00e1rvores em certas partes da Amaz\u00f4nia e observa\u00e7\u00f5es por sat\u00e9lites das emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>\u00a0e de mon\u00f3xido de carbono (CO), tamb\u00e9m apontam que o balan\u00e7o de carbono da regi\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel ao regime de secas e de queimadas\u201d, disse a\u00a0<em>Pesquisa FAPESP<\/em>\u00a0Denning, que assina, tamb\u00e9m na\u00a0<em>Nature<\/em>, um coment\u00e1rio sobre o estudo de Gatti e seus colaboradores. \u201cMas as observa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas feitas em quatro regi\u00f5es do bioma pela equipe desse novo estudo s\u00e3o um tipo de dado muito dif\u00edcil de obter e um ind\u00edcio de que a condi\u00e7\u00e3o de sumidouro de carbono da Amaz\u00f4nia est\u00e1 sendo amea\u00e7ada pela degrada\u00e7\u00e3o da floresta e aquecimento do clima.\u201d<\/p>\n<p><strong>Projeto<\/strong><br \/>\nVaria\u00e7\u00e3o interanual do balan\u00e7o de gases de efeito estufa na bacia amaz\u00f4nica e seus controles em um mundo sob aquecimento e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 Carbam: Estudo de longo termo do balan\u00e7o do carbono da Amaz\u00f4nia (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/97938\/variacao-interanual-do-balanco-de-gases-de-efeito-estufa-na-bacia-amazonica-e-seus-controles-em-um-m\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00ba 16\/02018-2<\/a>);\u00a0<strong>Modalidade\u00a0<\/strong>Projeto Tem\u00e1tico;\u00a0<strong>Programa<\/strong>\u00a0Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais;\u00a0<strong>Pesquisadora respons\u00e1vel<\/strong>\u00a0Luciana Gatti (Inpe);\u00a0<strong>Investimento<\/strong>\u00a0R$ 4.436.420,43.<\/p>\n<p>Artigo cient\u00edfico<br \/>\nGATTI, L. V.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03629-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amazonia as a carbon source linked to deforestation and climate change<\/a>.\u00a0<strong>Nature<\/strong>. 15 jul. 2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2010 e 2018, a parte oriental do bioma liberou, proporcionalmente, uma quantidade 10 vezes<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/floresta-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entre 2010 e 2018, a parte oriental do bioma liberou, proporcionalmente, uma quantidade 10 vezes","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150064"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150066,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150064\/revisions\/150066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}