{"id":150024,"date":"2021-07-20T15:21:24","date_gmt":"2021-07-20T18:21:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150024"},"modified":"2021-07-20T15:23:43","modified_gmt":"2021-07-20T18:23:43","slug":"pesquisadores-temem-que-complexo-eolico-na-bahia-coloque-em-risco-arara-azul-de-lear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-temem-que-complexo-eolico-na-bahia-coloque-em-risco-arara-azul-de-lear\/","title":{"rendered":"Pesquisadores temem que complexo e\u00f3lico na Bahia coloque em risco arara-azul-de lear"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150025\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Avalia\u00e7\u00e3o sobre impactos que empreendimento pode ter sobre a esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 consenso entre especialistas. Empresa garante estar tomando todas as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um complexo e\u00f3lico em Canudos, na Bahia, tem dividido pesquisadores sobre os riscos que o empreendimento poder\u00e1 trazer \u00e0 arara-azul-de-lear (<em>Anodorhynchus leari<\/em>), uma das esp\u00e9cies mais raras do mundo e em perigo de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Constru\u00eddo pela multinacional francesa Voltalia, o empreendimento est\u00e1 sendo erguido a cerca de 40 km do principal ref\u00fagio da esp\u00e9cie e em \u00e1rea que pode ser utilizada como rota para sua alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto, j\u00e1 iniciado, prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de 28 turbinas e\u00f3licas em um primeiro momento e outras 53 em uma segunda fase. O empreendimento contar\u00e1 com uma rede de transmiss\u00e3o de energia de 50km, que passar\u00e1 pelos munic\u00edpios de Canudos e Jeremoabo. Toda eletricidade produzida ser\u00e1 vendida para a Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais (Cemig), em um contrato j\u00e1 fechado pelos pr\u00f3ximos 20 anos.<\/p>\n<p>A empresa garante que medidas mitigadoras est\u00e3o sendo tomadas para evitar a morte e minimizar os impactos que as turbinas possam ter na avifauna local, especialmente sobre a arara-azul-de-lear, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso entre especialistas sobre os riscos associados.<\/p>\n<h3><strong>Colis\u00e3o com turbinas<\/strong><\/h3>\n<p>A arara-azul-de-lear tem o h\u00e1bito de realizar longos voos diariamente, que podem chegar a at\u00e9 80 km, para se alimentar em \u00e1reas vizinhas ao seu dormit\u00f3rio. Aos pares ou em bandos, a esp\u00e9cie sai ao amanhecer e voa em alta velocidade em alturas relativamente elevadas, entre 80 e 150 metros. Ao final da tarde, retornam de v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pelo projeto da Voltalia, as turbinas a serem instaladas no local v\u00e3o alcan\u00e7ar 105 metros de altura e ter\u00e3o p\u00e1s de 85 metros de comprimento por 66 de largura, capazes de varrer uma \u00e1rea de 150 metros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>Sendo a\u00a0<em>A. leari<\/em>\u00a0uma ave de m\u00e9dio a grande porte \u2013 elas t\u00eam cerca de 900 gramas e chegam a 75cm de comprimento \u2013 o temor \u00e9 que suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e de comportamento de voo aumentem a chance de colis\u00e3o com as turbinas.<\/p>\n<p>\u201cUm \u00fanico evento de colis\u00e3o poder\u00e1 incidir na morte de muitos indiv\u00edduos e comprometer a viabilidade populacional da esp\u00e9cie em pouco tempo\u201d, diz Gl\u00e1ucia Drummond, superintendente da Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas, entidade que h\u00e1 30 anos mant\u00e9m uma \u00e1rea particular de 1.500 hectares na regi\u00e3o, onde \u00e9 realizado um programa de conserva\u00e7\u00e3o da arara-azul-de-lear.<\/p>\n<p>A probabilidade de acidentes com a esp\u00e9cie foi apontada no pr\u00f3prio Parecer T\u00e9cnico do Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos da Bahia (Inema), o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo licenciamento da obra, mas faltam dados que indiquem o risco real para as\u00a0<em>A. leari<\/em>.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente a falta de dados um dos pontos centrais desta hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3><strong>Licenciamento simplificado<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o existem estudos, no Brasil nem no mundo, sobre o impacto que turbinas e\u00f3licas podem ter em psitac\u00eddeos, fam\u00edlia de aves da qual as araras-azuis-de-lear fazem parte. As pesquisas existentes s\u00e3o voltadas majoritariamente para aves migrat\u00f3rias e aves de rapina, que possuem caracter\u00edsticas f\u00edsicas e comportamentais muito distintas da\u00a0<em>A. leari<\/em>.<\/p>\n<p>Esta lacuna de informa\u00e7\u00f5es poderia ser, ao menos parcialmente, preenchida se um Estudo de Impacto Ambiental e um Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental completos fossem feitos, defende a Biodiversitas, assim como determina a lei ambiental brasileira.<\/p>\n<p>Segundo norma definida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), empreendimentos que pretendem se instalar em \u00e1reas de ocorr\u00eancia de esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e endemismo restrito devem obrigatoriamente apresentar estes documentos.<\/p>\n<p>Apesar da exig\u00eancia expressa em lei, o Inema aprovou o projeto somente com a apresenta\u00e7\u00e3o do licenciamento simplificado.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large my-5\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-111785 jetpack-lazy-image shadow jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo%CC%81lico-EBC-1024x582.png\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo\u0301lico-EBC-1024x582.png 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo\u0301lico-EBC-300x170.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo\u0301lico-EBC-1536x873.png 1536w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo\u0301lico-EBC-640x364.png 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo\u0301lico-EBC-1320x750.png 1320w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Mapa-Complexo-eo\u0301lico-EBC.png 1920w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"364\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"text-right text-muted font-italic small mt-2\">No mapa produzido pela Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas, as linhas amarelas, indicadas pela seta vermelha, mostram a localiza\u00e7\u00e3o do Complexo E\u00f3lico de Canudos. Marca\u00e7\u00e3o azul clara apresenta \u00e1rea de uso da arara-azul-de-lear na regi\u00e3o do Raso da Catarina. Imagem: Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>((o))eco cobrou, por v\u00e1rios dias, um posicionamento do \u00f3rg\u00e3o ambiental da Bahia sobre a inexig\u00eancia do EIA-RIMA, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 o fechamento da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Em nota, a Voltalia Energia do Brasil disse que \u201cpossui todas as licen\u00e7as necess\u00e1rias para a fase atual do parque e\u00f3lico e que j\u00e1 realizou e permanece realizando os diversos estudos para avalia\u00e7\u00e3o e monitoramento de potenciais impactos na regi\u00e3o, com propostas de a\u00e7\u00f5es de controle e preserva\u00e7\u00e3o, reafirmando seu compromisso com o meio ambiente\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e acompanhamento<\/strong><\/h3>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter solicitado o EIA-RIMA, o Inema determinou que a concess\u00e3o da licen\u00e7a pr\u00e9via \u00e0 Voltalia fosse condicionada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um programa de conserva\u00e7\u00e3o para a arara-azul-de-lear. Para isso, a multinacional contratou a empresa de consultoria Qualis, que conta com uma das maiores especialistas no pa\u00eds sobre a esp\u00e9cie, a bi\u00f3loga \u00c9rica Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Segundo \u00c9rica, a Voltalia est\u00e1 comprometida em mitigar ao m\u00e1ximo os impactos sobre as araras e tem aceitado e implementado todas as orienta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o fornecidas a ela.<\/p>\n<p>\u201cTemos consultado muitos especialistas em colis\u00f5es, em mitiga\u00e7\u00e3o em parques e\u00f3licos, lido muitos artigos, e todas as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o que propomos, incluindo as de alta tecnologia, eles assumem, porque querem trabalhar com risco zero de acidentes com araras\u201d, disse \u00c9rica a ((o))eco.<\/p>\n<p>Dentre as medidas propostas pela Qualis e que j\u00e1 est\u00e3o sendo implementadas pela empresa est\u00e3o a mudan\u00e7a das rotas de acesso ao parque e\u00f3lico, para que n\u00e3o haja tr\u00e2nsito pr\u00f3ximo a \u00e1reas mais sens\u00edveis, e o aterramento da rede de m\u00e9dia tens\u00e3o, a fim de evitar\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Eletrocuss%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">eletrocuss\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo a pesquisadora, a empresa se comprometeu a adotar outras a\u00e7\u00f5es, como pintar as p\u00e1s das turbinas para torn\u00e1-las mais vis\u00edveis durante o dia, e instalar luzes piscantes para aumentar a visibilidade noturna. Tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 estabelecido que as turbinas ser\u00e3o desligadas nos hor\u00e1rios de lusco-fusco, pela manh\u00e3 e ao final da tarde, quando a visibilidade \u00e9 menor.<\/p>\n<p>\u201cCombinar o hor\u00e1rio de opera\u00e7\u00e3o das turbinas com a probabilidade de passagem das araras \u00e9 uma medida eficaz, porque \u00e9 poss\u00edvel fazer a previs\u00e3o da movimenta\u00e7\u00e3o das aves, mesmo com a varia\u00e7\u00e3o que existe ao longo do ano e entre anos\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00c9rica informa que j\u00e1 foi iniciado um trabalho de monitoramento de longo prazo, para que as informa\u00e7\u00f5es sobre as rotas usadas pelas araras fiquem mais claras, mas que \u201cainda n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que [o local em que ser\u00e3o instaladas as turbinas] seja um ponto de passagem importante\u201d.<\/p>\n<p>A alta vulnerabilidade da esp\u00e9cie e o impacto que uma \u00fanica perda pode representar para sua popula\u00e7\u00e3o, no entanto, fez a Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas solicitar que estudos pr\u00e9vios mais aprofundados fossem feitos antes de o complexo ser, de fato, instalado.<\/p>\n<p>\u201cEm fun\u00e7\u00e3o da incapacidade, reconhecida pela empresa, de se prever os efeitos dos aerogeradores sobre as araras, propomos que estes estudos sejam antecipados e que a Licen\u00e7a de Instala\u00e7\u00e3o fique condicionada \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de seus resultados\u201d, dizia um of\u00edcio enviado em abril passado pela Funda\u00e7\u00e3o \u00e0 Secretaria de Meio Ambiente da Bahia e ao Inema. O documento nunca foi respondido.<\/p>\n<p>O ideal, diz a Biodiversitas, \u00e9 que uma amostra da popula\u00e7\u00e3o das araras fosse marcada e monitorada por ao menos seis meses, para analisar a forma como elas atravessam a \u00e1rea, em qual hor\u00e1rio e como se comportam ao encontrar um obst\u00e1culo. Somente com tais dados seria poss\u00edvel indicar se as medidas propostas pela empresa ser\u00e3o, de fato, efetivas.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil a e\u00f3lica \u00e9 uma energia relativamente nova, que a gente apoia, porque temos que mudar nossa matriz energ\u00e9tica, mas n\u00e3o pode ser a qualquer custo, de qualquer jeito. Tem lei para isso e a lei tem que ser respeitada\u201d, diz Glaucia Drummond.<\/p>\n<p>\u00c9rica Pac\u00edfico, por sua vez, salienta que, t\u00e3o importante quanto realizar estudos pr\u00e9vios, \u00e9 garantir o monitoramento ao longo de todo tempo de opera\u00e7\u00e3o do complexo. \u201cAquele ponto pode n\u00e3o ser rota hoje, mas daqui a 20 anos, se a popula\u00e7\u00e3o das araras aumenta e ali passa a ser rota, eu quero que ainda n\u00e3o colida nenhum arara naquela localidade\u201d, diz.<\/p>\n<h3><strong>Arara-azul-de-lear<\/strong><\/h3>\n<p>Esp\u00e9cie end\u00eamica da caatinga baiana, entres os rios S\u00e3o Francisco e Vaza-Barris, a arara-azul-de-lear j\u00e1 esteve criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, com popula\u00e7\u00e3o reduzida a 40 indiv\u00edduos na natureza pela a\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio ilegal internacional de animais silvestres.<\/p>\n<p>Ela foi descoberta em 1823, quando diversos exemplares foram enviados para zool\u00f3gicos na Europa, mas quase nada se sabia da proced\u00eancia e sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia. Nem mesmo quando ela foi descrita cientificamente em 1856, atrav\u00e9s de uma pele em museu, cuja origem era somente descrita como \u201cBrasil\u201d.<\/p>\n<p>Demorou um s\u00e9culo para que os pesquisadores desvendassem o mist\u00e9rio de sua proced\u00eancia. Em 1950, o ornit\u00f3logo Oliv\u00e9rio Mario de Oliveira Pinto \u201credescobriu\u201d a esp\u00e9cie ap\u00f3s uma expedi\u00e7\u00e3o ao Nordeste, ao encontrar um exemplar cativo na cidade de Juazeiro, na Bahia. Desta expedi\u00e7\u00e3o, se definiu a \u00e1rea prov\u00e1vel de distribui\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>A. leari.<\/em><\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1970 e ao longo de 1980, a popula\u00e7\u00e3o das araras foi realmente localizada em uma \u00e1rea muito reduzida da caatinga baiana. Atualmente, quase a totalidade da popula\u00e7\u00e3o das araras-azuis-de-lear encontra-se dentro da Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Raso da Catarina, local de sua morada.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o estimada da esp\u00e9cie \u00e9 de 1.263 araras na natureza. No entanto, o n\u00famero atual de indiv\u00edduos maduros, em idade reprodutiva, n\u00e3o passa de 250, o que n\u00e3o \u00e9 suficiente para que o risco de extin\u00e7\u00e3o seja eliminado. \u201cA perda de um \u00fanico casal desta esp\u00e9cie implica em, aproximadamente, 1% de sua popula\u00e7\u00e3o reprodutiva, o que pode ser considerado um impacto significativo\u201d, diz o trecho do parecer t\u00e9cnico do pr\u00f3prio Inema.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie \u00e9 classificada como \u201cem perigo de Extin\u00e7\u00e3o\u201d pela Uni\u00e3o Internacional pela Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN) e figura nas listas vermelhas oficiais de fauna amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia e na lista oficial brasileira. A\u00a0<em>A.leari\u00a0<\/em>\u00e9 alvo de conserva\u00e7\u00e3o da iniciativa internacional Alian\u00e7a para Extin\u00e7\u00e3o Zero (Alliance for Zero Extinction) e de sua correspondente nacional, a Alian\u00e7a Brasileira para Extin\u00e7\u00e3o Zero (BAZE). Al\u00e9m disso, o Raso da Catarina \u00e9 considerado um hotspot para conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por todos esses motivos, pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas pediram a suspens\u00e3o imediata do licenciamento, com indica\u00e7\u00e3o de locais alternativos para instala\u00e7\u00e3o do complexo e\u00f3lico, ou o condicionamento da concess\u00e3o das licen\u00e7as de instala\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o \u00e0 conclus\u00e3o dos estudos pr\u00e9vios, para evitar que exemplares sejam perdidos.<\/p>\n<p>O pleito dos pesquisadores tamb\u00e9m conta com o apoio da sociedade civil:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.change.org\/p\/semabahia-icmbio-costa-rui-voltaliasa-diga-n%C3%A3o-%C3%A0-constru%C3%A7%C3%A3o-do-complexo-e%C3%B3lico-pr%C3%B3ximo-ao-habitat-da-arara-azul-de-lear\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">um abaixo assinado contra a instala\u00e7\u00e3o do Complexo em Canudos j\u00e1 conseguiu cerca de 50 mil assinaturas.<\/a><\/p>\n<p>A multinacional, por sua vez, al\u00e9m de garantir que trabalha com o objetivo de que nenhum exemplar seja perdido, tem investido recursos expressivos em programas e a\u00e7\u00f5es paralelas que dificilmente seriam implementadas com os recursos das iniciativas nacionais, como o Programa de Conserva\u00e7\u00e3o do Licuri, principal alimento das araras, e a\u00e7\u00f5es socioambientais. Al\u00e9m disso, a empresa estuda a possibilidade de transformar em \u00e1rea protegida a regi\u00e3o de Barreiras, ber\u00e7\u00e1rio da\u00a0<em>A. leari<\/em>\u00a0frequentemente saqueado por traficantes de animais silvestres.<\/p>\n<p>A Voltalia Energia do Brasil tem grandes planos de expans\u00e3o. Em junho passado,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/despacho-n-1.778-de-16-de-junho-de-2021-326526174\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">a empresa registrou na Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica o requerimento de outorga (DRO) para instala\u00e7\u00e3o de usinas e\u00f3licas em outra cidade do sert\u00e3o baiano<\/a>, a cerca de 100 km do atual empreendimento.<\/p>\n<p>O complexo e\u00f3lico em Canudos ser\u00e1 uma grande oportunidade de a empresa mostrar seu comprometimento com o meio ambiente e com as esp\u00e9cies amea\u00e7adas brasileiras. E ela vai precisar desse selo de aprova\u00e7\u00e3o: a cidade em que a multinacional quer expandir seus neg\u00f3cios \u00e9 local de endemismo da ararinha-azul (<em>Cyanopsitta spixii<\/em>), esp\u00e9cie ainda mais vulner\u00e1vel que a arara-azul-de-lear, extinta na natureza h\u00e1 21 anos, reduzida a menos de 200 exemplares em cativeiro e alvo de um programa internacional que visa sua reintrodu\u00e7\u00e3o nas matas do munic\u00edpio de Cura\u00e7\u00e1, o mesmo que a Volt\u00e1lia pretende instalar suas futuras turbinas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/author\/cristiane-prizibisczki\/\" data-wpel-link=\"internal\"><img loading=\"lazy\" class=\"avatar pp-user-avatar avatar-80 photo mr-3 rounded-circle shadow jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Cris.jpg\" alt=\"\" width=\"80\" height=\"80\" data-del=\"avatar\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"media-body\">\n<h3 class=\"h5 mt-0 mb-1\"><a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/author\/cristiane-prizibisczki\/\" data-wpel-link=\"internal\">Cristiane Prizibisczki<\/a><\/h3>\n<p>Cristiane Prizibisczki \u00e9 Alumni do Wolfson College \u2013 Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow&#8230;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/author\/cristiane-prizibisczki\/\" data-wpel-link=\"internal\">\u2192<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00e3o sobre impactos que empreendimento pode ter sobre a esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 consenso entre especialistas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150025,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arara-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Avalia\u00e7\u00e3o sobre impactos que empreendimento pode ter sobre a esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 consenso entre especialistas.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150024"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150024"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150024\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150027,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150024\/revisions\/150027"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}