{"id":149997,"date":"2021-07-20T11:00:06","date_gmt":"2021-07-20T14:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149997"},"modified":"2021-07-20T09:23:09","modified_gmt":"2021-07-20T12:23:09","slug":"seca-e-fogo-amplificam-morte-de-arvores-e-emissoes-de-co2-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seca-e-fogo-amplificam-morte-de-arvores-e-emissoes-de-co2-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Seca e fogo amplificam morte de \u00e1rvores e emiss\u00f5es de CO2 na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149999\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As secas extremas est\u00e3o se tornando cada vez mais frequentes e intensas devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o que pode ter grandes impactos na Amaz\u00f4nia. Entre o final de 2015 e o in\u00edcio de 2016, durante o ver\u00e3o, o bioma foi atingido por uma grande estiagem e inc\u00eandios florestais associados ao El Ni\u00f1o. Os efeitos do evento clim\u00e1tico duraram pelos tr\u00eas anos posteriores, resultando, at\u00e9 2018, na morte de 3 bilh\u00f5es de \u00e1rvores e na emiss\u00e3o de 495 milh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) \u2013 superior \u00e0 m\u00e9dia anual do desmatamento em toda a Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>As constata\u00e7\u00f5es foram feitas por meio de um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. Os resultados do trabalho,\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/81891\/ecofor-biodiversidade-e-funcionamento-de-ecossistemas-em-areas-alteradas-pelo-homem-nas-florestas-am\/?q=2012\/51872-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoiado<\/a><\/b>\u00a0pela FAPESP no \u00e2mbito do\u00a0<b><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa BIOTA<\/a><\/b>, foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/30\/e2019377118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicados<\/a><\/strong>\u00a0ontem (19\/07) em artigo na revista\u00a0<i>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/i>\u00a0(PNAS), dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cVimos que as \u00e1rvores localizadas em \u00e1reas da floresta que j\u00e1 tinham sofrido algum dist\u00farbio antr\u00f3pico no passado, como queimada ou extra\u00e7\u00e3o de madeira, foram mais vulner\u00e1veis aos efeitos da combina\u00e7\u00e3o de seca e do fogo associados ao El Nin\u00f5 de 2015 do que as que estavam situadas em regi\u00f5es mais conservadas do bioma\u201d, diz \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0a brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades Lancaster e de Oxford, do Reino Unido, e primeira autora do estudo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizavam desde 2010 um estudo no Baixo Tapaj\u00f3s \u2013 uma \u00e1rea com tamanho equivalente a cerca de duas vezes o da B\u00e9lgica \u2013 quando a regi\u00e3o foi atingida e tornou-se, no final de 2015, o epicentro do El Ni\u00f1o na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>As \u00e1reas de 2,5 mil metros quadrados, que eles vinham estudando para quantificar os impactos causados por dist\u00farbios provocados pela a\u00e7\u00e3o humana na Amaz\u00f4nia \u2013 distribu\u00eddas em um territ\u00f3rio de 6,5 milh\u00f5es de hectares da floresta \u2013, foram completamente destru\u00eddas pelos inc\u00eandios florestais, exacerbados pelo fen\u00f4meno clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>Em circunst\u00e2ncias normais, por causa dos altos n\u00edveis de umidade, a floresta amaz\u00f4nica n\u00e3o queima. No entanto, a seca extrema torna a floresta temporariamente inflam\u00e1vel. Dessa forma, o fogo utilizado para queimar a floresta derrubada em uma \u00e1rea desmatada ou para auxiliar na limpeza de um pasto\u00a0pode escapar do controle e se dispersar pela floresta, provocando grandes inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<p>\u201cO fogo iniciado em outras \u00e1reas entrou nas parcelas que monitor\u00e1vamos desde 2010 e queimou tudo. Uma s\u00e9rie de experimentos que realiz\u00e1vamos derreteu, literalmente, porque eram feitos com dispositivos com materiais pl\u00e1sticos\u201d, diz Berenguer.<\/p>\n<p><b>Perda de \u00e1rvores<\/b><\/p>\n<p>Em meio a esse cen\u00e1rio desolador, os pesquisadores tiveram a ideia de medir trimestralmente os impactos causados pelo El Ni\u00f1o de 2015-2016 e a dura\u00e7\u00e3o deles at\u00e9 tr\u00eas anos ap\u00f3s o fen\u00f4meno clim\u00e1tico em 21 das parcelas pesquisadas.<\/p>\n<p>Parte das parcelas era\u00a0composta\u00a0por floresta prim\u00e1ria que nunca sofreu dist\u00farbios; outras eram formadas por florestas prim\u00e1rias que j\u00e1 haviam sido alvo de corte seletivo de madeira e outro grupo por florestas prim\u00e1rias que j\u00e1 haviam sido afetadas n\u00e3o s\u00f3 pela extra\u00e7\u00e3o ilegal de \u00e1rvores, mas tamb\u00e9m haviam queimado no passado. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foram avaliadas parcelas formadas por florestas secund\u00e1rias, que crescem em \u00e1reas que foram completamente desmatadas.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises revelaram que a associa\u00e7\u00e3o da seca extrema com os megainc\u00eandios desencadeados pelo El Ni\u00f1o causaram a morte de cerca de 3 bilh\u00f5es de \u00e1rvores na \u00e1rea estudada, que equivale a 1,2% do territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia brasileira e 1% de todo o bioma.<\/p>\n<p>Desse total de vegeta\u00e7\u00e3o morta, 446 milh\u00f5es foram \u00e1rvores grandes \u2013 com mais de 10 cent\u00edmetros (cm) de di\u00e2metro na altura do peito (DAP) \u2013 e cerca de 2,5 bilh\u00f5es foram \u00e1rvores menores, com menos de 10 cm de DAP, estimam os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas \u00e1reas perderam 75% das \u00e1rvores. Com isso, a floresta mudou completamente, ficando totalmente aberta\u201d, diz Berenguer.<\/p>\n<p>A perda de \u00e1rvores foi muito pior nas florestas secund\u00e1rias e em outras florestas afetadas pela interven\u00e7\u00e3o humana. As \u00e1rvores com menor densidade de madeira e cascas mais finas foram mais propensas a morrer com a seca e os inc\u00eandios. Essas \u00e1rvores menores s\u00e3o mais comuns em florestas afetadas pelo homem.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m compararam o efeito da seca em diferentes tipos de floresta, bem como os estresses combinados da seca e do fogo exacerbado pelo El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>A mortalidade de \u00e1rvores foi maior nas florestas secund\u00e1rias, por causa da seca, em compara\u00e7\u00e3o com as florestas prim\u00e1rias. O impacto foi maior nas \u00e1reas de florestas modificadas pela a\u00e7\u00e3o humana que experimentaram uma combina\u00e7\u00e3o de seca e fogo.<\/p>\n<p>\u201cEmbora estudos anteriores tenham mostrado que as florestas afetadas por perturba\u00e7\u00f5es causadas pela interfer\u00eancia humana s\u00e3o mais suscet\u00edveis a inc\u00eandios, n\u00e3o se sabia se havia alguma diferen\u00e7a na vulnerabilidade e resili\u00eancia das \u00e1rvores quando ocorrem secas e inc\u00eandios florestais\u201d, explica Berenguer.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m constataram que plantas em florestas afetadas pela seca, bem como em\u00a0florestas queimadas, continuaram morrendo em uma taxa acima do normal por at\u00e9 tr\u00eas anos ap\u00f3s a seca do El Ni\u00f1o, liberando mais CO2 na atmosfera.<\/p>\n<p>A mortandade de plantas na regi\u00e3o do Baixo Tapaj\u00f3s gerou a emiss\u00e3o de 495 milh\u00f5es de toneladas de CO2 \u2013 maior do que a causada pelo desmatamento durante um ano inteiro em toda a Amaz\u00f4nia. Como resultado da seca e dos inc\u00eandios, a regi\u00e3o liberou uma quantidade de CO2 em um per\u00edodo de tr\u00eas anos equivalente \u00e0s emiss\u00f5es anuais do g\u00e1s de efeito estufa de alguns dos pa\u00edses mais poluentes do mundo.<\/p>\n<p>\u201cEssa quantidade de CO2 gerado foi maior do que a emiss\u00e3o anual de pa\u00edses como a Austr\u00e1lia e o Reino Unido\u201d, comparou Berenguer.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es de CO2 das florestas queimadas por inc\u00eandios florestais foram quase seis vezes maiores do que as florestas afetadas apenas pela seca.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas anos, apenas cerca de um ter\u00e7o (37%) das emiss\u00f5es foi\u00a0reabsorvido\u00a0pelo crescimento das plantas na floresta.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados do estudo est\u00e3o em conson\u00e2ncia com trabalhos publicados recentemente por outros grupos que mostram que a Amaz\u00f4nia pode deixar de ser um sumidouro e se tornar uma fonte de carbono\u201d, avalia\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/283\/carlos-alfredo-joly\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carlos Joly<\/a><\/b>, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do Programa BIOTA-FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cEssa conjun\u00e7\u00e3o de estudos mostra que a frequ\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es humanas na Amaz\u00f4nia est\u00e1 acelerando e pode fazer com que sejam atingidos limites irrevers\u00edveis de perda de floresta. Dessa forma, a Amaz\u00f4nia deixaria de ser uma forma\u00e7\u00e3o florestal fechada para se tornar uma floresta aberta, muito menos densa e exuberante do que \u00e9 hoje\u201d, indica Joly, que tamb\u00e9m \u00e9 um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>Parte dos resultados do estudo foram gerados por meio do projeto tem\u00e1tico &#8220;Ecofor: Biodiversidade e funcionamento dos ecossistemas em \u00e1reas alteradas pelo homem nas florestas amaz\u00f4nica e Atl\u00e2ntica&#8221;, apoiado pela FAPESP, e coordenado por Joly, na Mata Atl\u00e2ntica, e Jos Barlow, professor da Lancaster University, na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o observamos na Mata Atl\u00e2ntica a mesma correla\u00e7\u00e3o de fatores verificada na floresta amaz\u00f4nica&#8221;, afirma Joly.<\/p>\n<p>O artigo \u201cTracking the impacts of El Ni\u00f1o drought and fire in human-modified Amazonian forests\u201d (DOI:\u00a010.1073\/pnas.2019377118), de Erika Berenguer, Gareth D. Lennox, Joice Ferreira, Yadvinder Malhi, Luiz E. O. C. Arag\u00e3o, Julia\u00a0R. Barreto, Fernando Esp\u00edrito-Santo, Axa Figueredo, Filipe Fran\u00e7a, Toby Alan Gardner, Carlos A. Joly, Alessandro F. Palmeira, Carlos Alberto Quesada, Liana Chesini Rossi, Marina Maria Moraes de Seixas, Charlotte C. Smith, Kieran Withey e Jos Barlow, pode ser lido na revista\u00a0<i>PNAS<\/i>\u00a0em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/30\/e2019377118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/30\/e2019377118<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dXYFb8dh-Io\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As secas extremas est\u00e3o se tornando cada vez mais frequentes e intensas devido \u00e0s mudan\u00e7as<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149999,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/seca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As secas extremas est\u00e3o se tornando cada vez mais frequentes e intensas devido \u00e0s mudan\u00e7as","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149997"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150002,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149997\/revisions\/150002"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}