{"id":149876,"date":"2021-07-18T09:09:50","date_gmt":"2021-07-18T12:09:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149876"},"modified":"2021-07-18T09:09:50","modified_gmt":"2021-07-18T12:09:50","slug":"o-importante-e-ler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-importante-e-ler\/","title":{"rendered":"O importante \u00e9 ler"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/lobo-e-ovelha.jpg\" width=\"639\" height=\"389\" \/><\/p>\n<p><em><strong>por Luiz Fernando Brand\u00e3o* \u2013\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Lembro bem quando, nos meados dos anos 2000, uma das maiores livrarias do pa\u00eds, detentora ent\u00e3o de mais de 3 milh\u00f5es de t\u00edtulos, come\u00e7ou a vender livros eletr\u00f4nicos e propagandeou a novidade com o slogan \u201cO importante \u00e9 ler\u201d. Na \u00e9poca, chamou minha aten\u00e7\u00e3o a forma inteligente como o anunciante procurou driblar a controv\u00e9rsia que, por for\u00e7a de nossa natural atra\u00e7\u00e3o pelos extremos, para muita gente permanece: papel ou digital, qual o melhor?<\/p>\n<p>No cipoal em que arrisca enredar-se a discuss\u00e3o do futuro comum, contaminada por informa\u00e7\u00e3o incompleta e posicionamentos radicais, nosso velho companheiro papel foi alvo de s\u00e9rios questionamentos e bastante injusti\u00e7ado. Quem nunca leu o alerta \u201cAntes de imprimir, pense no meio ambiente\u201d, na assinatura da mensagem eletr\u00f4nica\u201d, ou \u201cUse papel reciclado, salve uma \u00e1rvore\u201d, na embalagem do produto? Ambas as sugest\u00f5es refor\u00e7am cuidados importantes e necess\u00e1rios, mas sua interpreta\u00e7\u00e3o numa leitura superficial pode induzir ao erro. A inten\u00e7\u00e3o original de conscientizar sobre a import\u00e2ncia da cobertura vegetal, os perigos do consumo irrespons\u00e1vel e os benef\u00edcios da reciclagem acabou atropelada por frases de efeito que contrariam a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 cometemos s\u00e9rios equ\u00edvocos por nos julgarmos capazes de interpretar o comportamento do ambiente e interferir para ajudar. Entre in\u00fameros outros exemplos nessa linha, o escritor Michael Crichton conta no romance\u00a0<em>Estado de medo<\/em>\u00a0o ocorrido no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 no Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos. Naquela que foi a primeira \u00e1rea oficialmente designada como reserva ambiental no mundo, funcion\u00e1rios ciosos de sua miss\u00e3o, com o apoio dos criadores de gado das redondezas, \u00e0quela altura cansados de preju\u00edzos, resolveram que a popula\u00e7\u00e3o de lobos crescera demais e trataram de extermin\u00e1-los. O desequil\u00edbrio provocado pela interven\u00e7\u00e3o radical na cadeia alimentar talvez tenha sido um dos primeiros desastres ambientais\u00a0da hist\u00f3ria moderna perpetrados com a melhor das inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Faltava naqueles dias, como continua a acontecer hoje, sobretudo entre os leigos, um entendimento mais aprofundado de quest\u00f5es complexas relacionadas ao nosso meio. A tend\u00eancia ao engano com base na interpreta\u00e7\u00e3o simplista do que se apresenta como verdade absoluta prevalece; a constata\u00e7\u00e3o do erro, infelizmente, vem muito tempo depois, e a\u00ed os efeitos podem ser irrevers\u00edveis. Assim, por for\u00e7a da repeti\u00e7\u00e3o e apesar dos incans\u00e1veis esfor\u00e7os da ind\u00fastria para lan\u00e7ar luz sobre o assunto, muitos ainda acreditam que, como quase todos os pap\u00e9is s\u00e3o feitos de madeira, por extens\u00e3o seu consumo constituiria uma amea\u00e7a ao verde \u2013 por isso, as \u00e1rvores devem ser \u201csalvas\u201d, o que \u00e9 uma verdade parcial. Os detratores do produto esquecem ou desconhecem que, h\u00e1 tempos, quase todo o papel consumido no planeta prov\u00e9m de florestas comerciais renov\u00e1veis, cujo cultivo contribui, mostra a experi\u00eancia at\u00e9 aqui, justamente para proteger e conservar as \u00e1rvores nativas, a biodiversidade e os recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Como quase tudo na vida, tanto os livros impressos quanto os eletr\u00f4nicos oferecem vantagens e desvantagens: tal qual outros bens de amplo consumo, caso fabricados, utilizados ou descartados de forma irrespons\u00e1vel acarretam preju\u00edzos. E n\u00e3o necessariamente implicam escolhas definitivas e excludentes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Para-o-Bem-e-para-o-mal.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-247287 alignleft\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Para-o-Bem-e-para-o-mal.jpg\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Para-o-Bem-e-para-o-mal.jpg 310w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Para-o-Bem-e-para-o-mal-201x300.jpg 201w\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"463\" \/><\/a>Seja como for, o instinto de sobreviv\u00eancia nos imp\u00f5e a tarefa de entender e superar as amea\u00e7as que o crescimento demogr\u00e1fico, associado ao modelo econ\u00f4mico predominante, trouxeram para a vida na Terra \u2013 entre as mais graves, ao meu ver, a acelerada polui\u00e7\u00e3o da atmosfera, dos oceanos e dos solos. Sobretudo diante da posi\u00e7\u00e3o privilegiada do Brasil como celeiro de alimentos mundial e dos benef\u00edcios que essa condi\u00e7\u00e3o pode continuar a nos trazer se conseguirmos explor\u00e1-la de forma sustent\u00e1vel, ganham relev\u00e2ncia nos f\u00f3runs de debate os efeitos sist\u00eamicos ainda insuficientemente investigados do uso indiscriminado de sementes transg\u00eanicas e produtos qu\u00edmicos, bem como a necessidade urgente de ampliar o investimento em m\u00e9todos mais amig\u00e1veis de assegurar a produtividade e a prote\u00e7\u00e3o das lavouras.<\/p>\n<p>No rec\u00e9m-lan\u00e7ado\u00a0<em>Para o bem ou para o mal<\/em>\u00a0(Gryphus), meu livro de estreia no terreno da fic\u00e7\u00e3o, trato desse tema sens\u00edvel na figura da ambiciosa C\u00e1tia Ferr\u00e3o, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o da sucursal brasileira de uma gigante global do setor agroqu\u00edmico que tem aqui seu maior mercado. As agruras da super executiva e de seus colegas em fun\u00e7\u00e3o do acirramento de uma demanda ambiental de alto teor explosivo para os neg\u00f3cios e a influ\u00eancia potencial das redes sociais sobre o processo decis\u00f3rio no topo das corpora\u00e7\u00f5es fazem parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>De volta ao papel, escolhas pautadas por informa\u00e7\u00e3o incompleta ou incorreta s\u00e3o t\u00e3o arriscadas quanto as fundadas na completa ignor\u00e2ncia. No interesse coletivo, a experi\u00eancia e o bom senso recomendam fontes de conhecimento selecionadas com crit\u00e9rio e o indispens\u00e1vel exerc\u00edcio da reflex\u00e3o \u2013 coisas que uma boa leitura, n\u00e3o importa se em m\u00eddia impressa ou eletr\u00f4nica, \u00e9 capaz de proporcionar como poucas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Luiz-Fernando-Brandao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-247285 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Luiz-Fernando-Brandao-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><em><strong>O carioca Luiz Fernando Brand\u00e3o \u00e9 jornalista, escritor e tradutor. Em paralelo \u00e0 carreira como executivo de comunica\u00e7\u00e3o empresarial, traduziu para o portugu\u00eas obras de autores como Edgar Allan Poe, Jack London, Vladimir Nabokov e Tom Wolfe. \u00c9 autor de Triptik, uma viagem na terra dos gurus e outras bandas (2017), seu livro de estreia, e tem diversos artigos publicados sobre comunica\u00e7\u00e3o. Em 1976, graduou-se instrutor no The Yoga Institute, em Mumbai, na \u00cdndia.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Luiz Fernando Brand\u00e3o* \u2013\u00a0 Lembro bem quando, nos meados dos anos 2000, uma das<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"por Luiz Fernando Brand\u00e3o* \u2013\u00a0 Lembro bem quando, nos meados dos anos 2000, uma das","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149876"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149876"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149877,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149876\/revisions\/149877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}