{"id":149774,"date":"2021-07-16T10:00:50","date_gmt":"2021-07-16T13:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149774"},"modified":"2021-07-15T20:40:00","modified_gmt":"2021-07-15T23:40:00","slug":"aves-que-dispersam-mais-tipos-de-sementes-tem-maior-chance-evolutiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aves-que-dispersam-mais-tipos-de-sementes-tem-maior-chance-evolutiva\/","title":{"rendered":"Aves que dispersam mais tipos de sementes t\u00eam maior chance evolutiva"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149775\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mais de 70% das esp\u00e9cies vegetais que produzem flores dependem de aves para dispersar suas sementes. Como as aves consomem frutos de diferentes esp\u00e9cies vegetais, a intera\u00e7\u00e3o ave-planta configura uma s\u00e9rie de redes complexas.<\/p>\n<p>Um estudo, conduzido no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP), mostrou que a estabilidade evolutiva de cada esp\u00e9cie de ave depende da posi\u00e7\u00e3o que ela ocupa na rede, sendo tanto maior quanto maior o n\u00famero e mais centrais s\u00e3o as intera\u00e7\u00f5es que estabelece com potenciais esp\u00e9cies de plantas parceiras \u2013 isto \u00e9, quanto mais conex\u00f5es mantenha com diferentes partes da rede como um todo.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa, que contou com apoio da FAPESP, foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6543\/733\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">divulgados<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>Science<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies de aves que ocupam posi\u00e7\u00f5es mais centrais na rede, isto \u00e9, que se conectam mais, tendem a ser mais est\u00e1veis em termos macroevolutivos\u201d, diz \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/74412\/gustavo-burin-ferreira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Burin<\/a><\/strong>, primeiro autor do artigo.<\/p>\n<p>O pesquisador conta que estabelecer essa correla\u00e7\u00e3o entre as intera\u00e7\u00f5es das esp\u00e9cies e sua din\u00e2mica evolutiva constituiu um enorme desafio, porque foi necess\u00e1rio cotejar dois processos que ocorrem em escalas de tempo completamente diferentes. A dispers\u00e3o de sementes se d\u00e1 na escala do ano, enquanto a evolu\u00e7\u00e3o acontece na de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhamos durante quatro anos no tema, integrando dados de 468 esp\u00e9cies de aves pertencentes a 29 redes de dispers\u00e3o de sementes. E demonstramos que, quanto mais v\u00ednculos a esp\u00e9cie de ave estabelece com esp\u00e9cies de plantas, maior sua chance evolutiva. Ou, dito talvez de forma mais precisa: quanto maior a estabilidade evolutiva de uma esp\u00e9cie de ave, mais chance n\u00f3s temos de observar sua import\u00e2ncia relativa dentro de uma rede de dispers\u00e3o de sementes \u2013 import\u00e2ncia que \u00e9 avaliada pelo n\u00famero e padr\u00e3o de intera\u00e7\u00f5es que a esp\u00e9cie estabelece\u201d, afirma Burin.<\/p>\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies que ocupam posi\u00e7\u00f5es centrais na rede atendem a uma de duas caracter\u00edsticas: ou s\u00e3o mais longevas, com maior tempo de exist\u00eancia no planeta, ou s\u00e3o aquelas que pertencem a grupos que acumularam muitas esp\u00e9cies em intervalo de tempo relativamente curto, de modo que se uma esp\u00e9cie desaparece outras muito parecidas a substituem\u201d, complementa o pesquisador.<\/p>\n<p>Entre as aves nativas no territ\u00f3rio brasileiro, dois exemplos de esp\u00e9cies longevas s\u00e3o o sabi\u00e1-laranjeira (<i>\u00a0Turdus rufiventris<\/i>) e o sanha\u00e7o-cinzento (<i>\u00a0Thraupis sayaca<\/i>).<\/p>\n<p>\u201cEstamos aqui enfatizando a import\u00e2ncia das intera\u00e7\u00f5es com as plantas para o sucesso evolutivo da esp\u00e9cie de ave. Mas a rec\u00edproca tamb\u00e9m pode ser verdadeira. Plantas que podem contar com mais esp\u00e9cies de aves para disseminar suas sementes t\u00eam maior chance de se propagar e sobreviver. Quando existe um animal vertebrado dispersor, a semente pode ser levada a dezenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da sua posi\u00e7\u00e3o de origem\u201d, ressalta Burin.<\/p>\n<p>Esse mecanismo \u00e9 mais intenso e efetivo em regi\u00f5es quentes, \u00famidas e menos sujeitas a varia\u00e7\u00f5es sazonais. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a Amaz\u00f4nia colombiana e o sudeste asi\u00e1tico abrigam os principais santu\u00e1rios de biodiversidade do planeta, tanto animal quanto vegetal.<\/p>\n<p>A pesquisa combinou dados ecol\u00f3gicos, modelagem matem\u00e1tica e computacional e ferramentas anal\u00edticas derivadas do estudo de redes complexas. E, al\u00e9m de Burin, teve a participa\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/32360\/paulo-roberto-guimaraes-junior\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulo Guimar\u00e3es Jr<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/177748\/tiago-bosisio-quental\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago Quental<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Recebeu financiamento da FAPESP por meio de cinco projetos (<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/165051\/os-papeis-da-dieta-especiacao-e-extincao-na-diversificacao-de-aves-e-na-montagem-de-redes-de-frugiv\/?q=2014\/03621-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2014\/03621-9<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/178549\/mudancas-no-ambiente-em-tempo-profundo-e-a-dinamica-da-diversificacao-de-vertebrados-terrestres\/?q=2018\/04821-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2018\/04821-2<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/104313\/dinamica-evolutiva-em-redes-ecologicas\/?q=2018\/14809-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2018\/14809-0<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/55145\/o-papel-das-taxas-de-extincao-e-especiacao-e-o-efeito-dos-diferentes-niveis-de-organizacao-biologica\/?q=2012\/04072-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2012\/04072-3<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/101475\/mecanismos-ecologicos-na-dinamica-da-biodiversidade-em-tempo-profundo\/?q=2018\/05462-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2018\/05462-6<\/a><\/strong>).<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Macroevolutionary stability predicts interaction patterns of species in seed dispersal networks<\/i>\u00a0pode ser acessado em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6543\/733\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6543\/733<\/a><\/strong>. E um coment\u00e1rio, tamb\u00e9m publicado com destaque pela revista\u00a0<i>Science<\/i>, pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6543\/682\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6543\/682<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 70% das esp\u00e9cies vegetais que produzem flores dependem de aves para dispersar suas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149775,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/passaro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mais de 70% das esp\u00e9cies vegetais que produzem flores dependem de aves para dispersar suas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149774"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149774"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149774\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149778,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149774\/revisions\/149778"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}