{"id":149714,"date":"2021-07-15T14:30:01","date_gmt":"2021-07-15T17:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149714"},"modified":"2021-07-14T21:00:47","modified_gmt":"2021-07-15T00:00:47","slug":"iniciativa-multinacional-aponta-diretrizes-para-mitigar-os-impactos-de-especies-invasoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/iniciativa-multinacional-aponta-diretrizes-para-mitigar-os-impactos-de-especies-invasoras\/","title":{"rendered":"Iniciativa multinacional aponta diretrizes para mitigar os impactos de esp\u00e9cies invasoras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/especie_invasora.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149715\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/especie_invasora-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/especie_invasora-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/especie_invasora.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras s\u00e3o causadoras de impactos ambientais, sociais e econ\u00f4micos negativos. Um exemplo, entre muitos, \u00e9 a gram\u00ednea braqui\u00e1ria \u2013 de origem africana e introduzida no Brasil para forma\u00e7\u00e3o de pastagens destinadas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado bovino \u2013, que se tornou uma grande amea\u00e7a para a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies nativas e a biodiversidade em v\u00e1rias escalas espaciais.<\/p>\n<p>A erradica\u00e7\u00e3o completa de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras \u00e9 frequentemente invi\u00e1vel. E tentativas feitas nesse sentido j\u00e1 produziram resultados indesejados e at\u00e9 mesmo prejudiciais, porque a simples retirada da esp\u00e9cie ex\u00f3tica invasora n\u00e3o reconstitui o ambiente \u2013 como, por exemplo, em \u00e1reas de Cerrado invadidas por pinheiros. Por isso, considerando que esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras que n\u00e3o podem ser erradicadas precisam ser administradas continuamente, pesquisadores do Brasil, Argentina, Chile e Reino Unido\u00a0definiram os eixos estrat\u00e9gicos para uma pol\u00edtica nesse sentido, com foco na mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos, mais do que na elimina\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O projeto resultante, que recebeu o nome de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.abdn.ac.uk\/sbs\/research\/contain-latam.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CONTAIN<\/a><\/strong>\u00a0(\u201cconter\u201d em ingl\u00eas), surgiu a partir de uma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/en\/11690\/newton-fund-latin-american-biodiversity-programme\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">chamada de propostas<\/a><\/strong>\u00a0lan\u00e7ada em 2018 por acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre a FAPESP; o Natural Environment Research Council (NERC), o UK Research and Innovation (UKRI) e o Newton Fund (NF), do Reino Unido; o Consejo Nacional de Investigaciones Cient\u00edficas y T\u00e9cnicas (Conicet), da Argentina; a Comisi\u00f3n Nacional de Investigaci\u00f3n Cient\u00edfica y Tecnol\u00f3gica (Conicyt), do Chile; e o Consejo Nacional de Ciencia, Tecnolog\u00eda e Innovaci\u00f3n Tecnol\u00f3gica (Concytec), do Peru.<\/p>\n<p>A iniciativa busca estabelecer e desenvolver ferramentas de manejo que permitam otimizar o controle de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras em horizontes de m\u00e9dio e longo prazo. A participa\u00e7\u00e3o do grupo brasileiro, sediado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), \u00e9 coordenada por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/79782\/alessandra-tomaselli-fidelis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alessandra Fidelis<\/a><\/strong>, professora do Instituto de Bioci\u00eancias, no campus de Rio Claro.<\/p>\n<p>Um estudo elaborado pelos integrantes do CONTAIN foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/biosci\/biaa139\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0no peri\u00f3dico\u00a0<i>BioScience<\/i>. O trabalho contou com apoio da FAPESP por meio do projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/104335\/uso-do-manejo-adaptativo-na-otimizacao-do-manejo-a-longo-prazo-de-especies-invasoras-prejudiciais-a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uso do manejo adaptativo na otimiza\u00e7\u00e3o do manejo a longo prazo de esp\u00e9cies invasoras prejudiciais \u00e0 biodiversidade e economia rural<\/a><\/strong>\u201d, conduzido por Fidelis.<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo procurou contemplar n\u00e3o apenas as invas\u00f5es em si, mas tamb\u00e9m tra\u00e7ar diretrizes para a intera\u00e7\u00e3o com gestores, tendo o objetivo de conter a prolifera\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e mitigar seus impactos\u201d, diz a pesquisadora \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>O estudo utilizou como defini\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras aquelas que \u201ctransitam com sucesso pelos tr\u00eas est\u00e1gios iniciais de invas\u00e3o [transporte, introdu\u00e7\u00e3o e estabelecimento] e, subsequentemente, estabelecem m\u00faltiplas popula\u00e7\u00f5es autossustent\u00e1veis, compostas por indiv\u00edduos que se reproduzem, sobrevivem e se dispersam, em uma paisagem al\u00e9m da sua distribui\u00e7\u00e3o nativa\u201d. E indicou que um subconjunto delas \u201cproduz uma gama de impactos ambientais, sociais e econ\u00f4micos negativos em v\u00e1rias escalas espaciais\u201d.<\/p>\n<p>Nesse vasto subconjunto, foram enfocadas as seguintes esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras: no Brasil, a braqui\u00e1ria e outras gram\u00edneas de origem africana (introduzidas para o plantio de pastagens destinadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de rebanhos bovinos) e as \u00e1rvores do g\u00eanero\u00a0<i>Pinus<\/i>\u00a0(introduzidas do hemisf\u00e9rio norte para a produ\u00e7\u00e3o de polpa e resina); na Argentina, o mam\u00edfero de origem norte-americana mink (tamb\u00e9m chamado de vison e introduzido para a produ\u00e7\u00e3o de peles) e as \u00e1rvores dos g\u00eaneros\u00a0<i>Pinus<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Ligustrum<\/i>\u00a0(de origem asi\u00e1tica e utilizada em arboriza\u00e7\u00e3o); no Chile, o pinheiro, o mink e a vespa de jaqueta amarela (de origem asi\u00e1tica).<\/p>\n<p>\u201cDefinimos seis crit\u00e9rios de planejamento para mitigar os impactos. Os tr\u00eas primeiros configuram um levantamento detalhado da situa\u00e7\u00e3o: mapear a presen\u00e7a da esp\u00e9cie ex\u00f3tica invasora na regi\u00e3o e sua distribui\u00e7\u00e3o espacial; investigar por quanto tempo essa invasora est\u00e1 presente; avaliar o que sabemos sobre os impactos causados por ela\u201d, informa Fidelis.<\/p>\n<p>E prossegue. \u201cOs tr\u00eas crit\u00e9rios seguintes dizem respeito \u00e0 resposta que podemos dar a essa situa\u00e7\u00e3o: que tipos de interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o fact\u00edveis, do ponto de vista t\u00e9cnico, social e econ\u00f4mico; que consequ\u00eancias negativas essas interven\u00e7\u00f5es podem acarretar; fazer o balan\u00e7o dos custos e benef\u00edcios das interven\u00e7\u00f5es e das consequ\u00eancias.&#8221;<\/p>\n<p>A atual pandemia j\u00e1 explicitou com clareza meridiana os riscos que a degrada\u00e7\u00e3o dos ambientes naturais pode\u00a0causar. E a urg\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de controle e mitiga\u00e7\u00e3o bem embasadas em conhecimentos cient\u00edficos. \u201cNo caso das esp\u00e9cies enfocadas por nosso estudo, temos um motivo a mais, e um motivo bastante forte, para implementar essas pol\u00edticas, pois foi descoberto que o mink \u00e9 transmissor do novo coronav\u00edrus\u201d, comenta Fidelis.<\/p>\n<p>Evidentemente, tudo isso s\u00f3 ser\u00e1 efetivo se os conhecimentos gerados nas universidades e nos institutos de pesquisa transbordarem o ambiente acad\u00eamico e forem abra\u00e7ados pela sociedade, em especial pelos gestores, p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Management policies for invasive alien species: addressing the impacts rather than the species<\/i>\u00a0pode ser acessado em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/biosci\/biaa139\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1093\/biosci\/biaa139<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras s\u00e3o causadoras de impactos ambientais, sociais e econ\u00f4micos negativos. 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