{"id":149513,"date":"2021-07-11T15:00:58","date_gmt":"2021-07-11T18:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149513"},"modified":"2021-07-11T15:00:58","modified_gmt":"2021-07-11T18:00:58","slug":"pesquisadores-identificam-nova-especie-de-planta-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-identificam-nova-especie-de-planta-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Pesquisadores identificam nova esp\u00e9cie de planta no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p>A rec\u00e9m-descoberta Rhamnidium riograndense viajou na mala de um engenheiro florestal por 5 anos e levou outros 5 antes que fosse identificada e descrita pela primeira vez \u00e0 ci\u00eancia<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-149514\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O processo de descri\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie para ci\u00eancia nunca \u00e9 simples e \u00e0s vezes se estende por anos. A hist\u00f3ria por tr\u00e1s da rec\u00e9m-descoberta\u00a0<em>Rhamnidium riograndense<\/em>, planta ga\u00facha, end\u00eamica e amea\u00e7ada pelo avan\u00e7o das monoculturas de soja, \u00e9 um exemplo de como a pesquisa nem sempre segue caminhos \u00f3bvios.<\/p>\n<p>O primeiro encontro do pesquisador Maur\u00edcio Figueira com a\u00a0<em>R. riograndense<\/em>, um pequeno arbusto verde-brilhante, foi numa viagem a lazer com amigos, em 2011, ao Salto do Guassupi, cachoeira localizada no munic\u00edpio de S\u00e3o Martinho da Serra, no Rio Grande do Sul. Na ocasi\u00e3o, a planta chamou aten\u00e7\u00e3o o suficiente para ficar registrada na mem\u00f3ria do engenheiro florestal e seu instinto de curioso inato, que questionava que esp\u00e9cie poderia ser aquela que ele n\u00e3o conhecia. No ano seguinte, numa ida de campo ao Cerro do Itaquati\u00e1, em S\u00e3o Pedro do Sul, outro munic\u00edpio ga\u00facho, o destino p\u00f4s o arbusto brilhante mais uma vez no caminho de Maur\u00edcio. Dessa vez, com frutos, que ressaltaram ainda mais as particularidades daquela esp\u00e9cie que ele desconhecia. Com as amostras coletadas e levadas ao herb\u00e1rio, o fim da investiga\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica parecia perto, mas s\u00f3 parecia, e por anos um exemplar desidratado da esp\u00e9cie viajou com o engenheiro em sua mala enquanto ele trabalhava Brasil afora, com muito pouco tempo para entender melhor quem era a ilustre desconhecida que despachava junto com sua bagagem.<\/p>\n<p>Apenas em 2021 veio a conclus\u00e3o da pesquisa, feita gradativamente ao longo dos anos, primeiro com a descoberta da sua fam\u00edlia bot\u00e2nica \u2013 a\u00a0<em>Rhamnaceae<\/em>, que agrupa cerca de 900 esp\u00e9cies de \u00e1rvores, arbustos e lianas \u2013, depois com a constata\u00e7\u00e3o de que se tratava de uma nova esp\u00e9cie para ci\u00eancia e n\u00e3o apenas um novo registro para o Brasil. O artigo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biotaxa.org\/Phytotaxa\/article\/view\/phytotaxa.510.1.5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">publicado no come\u00e7o de julho na revista cient\u00edfica Phytotaxa<\/a>, \u00e9 assinado por Maur\u00edcio junto com outra engenheira florestal, Bianca Schindler. A dupla trabalhou junto no herb\u00e1rio da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Parceiros de profiss\u00e3o e de vida, estiveram juntos nas viagens e mudan\u00e7as feitas ao longo dos \u00faltimos 10 anos, enquanto aos poucos elucidavam os mist\u00e9rios da\u00a0<em>R. riograndense<\/em>.<\/p>\n<p>O arbusto ocorre na transi\u00e7\u00e3o entre os dom\u00ednios do Pampa, com seus campos, e da Mata Atl\u00e2ntica, com suas florestas, em ambientes de encostas e \u00e1reas abertas, sempre em solos rochosos e rasos. At\u00e9 o momento, a pesquisa identificou apenas quatro popula\u00e7\u00f5es da esp\u00e9cie, situadas bem pr\u00f3ximas, num per\u00edmetro de 16km\u00b2 que abrange os munic\u00edpios de Jari, Santa Maria, S\u00e3o Martinho da Serra e S\u00e3o Pedro do Sul.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large my-5\"><figcaption class=\"text-muted font-italic small mt-2 text-center mx-2\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-149515\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta1.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>O Cerro do Itaquati\u00e1, no munic\u00edpio ga\u00facho de S\u00e3o Pedro do Sul, onde a esp\u00e9cie foi encontrada. Foto: Bianca Schindler<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEsses ambientes de encosta s\u00e3o um lugar interessante para ela, porque ela acaba n\u00e3o sofrendo tanto com perturba\u00e7\u00f5es da agricultura e pecu\u00e1ria. Mas nessas \u00e1reas mais abertas e mais planas em que n\u00f3s tamb\u00e9m a encontramos, ela acaba sofrendo, porque o avan\u00e7o da soja, principalmente na regi\u00e3o de Jari, tem sido muito r\u00e1pido. Nos \u00faltimos 20 anos, perdemos muita \u00e1rea [de vegeta\u00e7\u00e3o]. Ent\u00e3o provavelmente o habitat dela est\u00e1 sendo afetado e \u00e9 uma planta que tende a desaparecer dessas \u00e1reas planas e ficar restrita \u00e0s \u00e1reas de encosta, o que infelizmente \u00e9 normal para muitas plantas\u201d, contextualiza o engenheiro florestal Maur\u00edcio Figueira.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta ainda que as quatro popula\u00e7\u00f5es conhecidas at\u00e9 agora, todas numa \u00e1rea muito pequena do Rio Grande do Sul, s\u00e3o um alerta para a poss\u00edvel vulnerabilidade da esp\u00e9cie e de sua conserva\u00e7\u00e3o. \u201cTemos o avan\u00e7o da monocultura da soja e nenhuma das popula\u00e7\u00f5es est\u00e1 dentro de unidade de conserva\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio muito bom, n\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o garantida no longo prazo\u201d, refor\u00e7a. No artigo, os pesquisadores refor\u00e7am que para garantir a sobreviv\u00eancia do\u00a0<em>R. riograndense<\/em>\u00a0\u00e9 preciso investir em esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o e monitoramento das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA regi\u00e3o Sul do Brasil est\u00e1 entre as \u00e1reas com maior n\u00famero de cole\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas do pa\u00eds, por\u00e9m para a regi\u00e3o central do estado do Rio Grande do Sul h\u00e1 lacunas de coleta. Nossos resultados apoiam esta tend\u00eancia ao afirmar que mais cole\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas s\u00e3o necess\u00e1rias e podem descobrir outras novidades. Estas novas expedi\u00e7\u00f5es devem se concentrar nas \u00e1reas onde essas novas esp\u00e9cies est\u00e3o sendo encontradas. Al\u00e9m disso, esses ambientes sofrem substitui\u00e7\u00f5es de habitat, principalmente relacionadas \u00e0 pecu\u00e1ria e \u00e0 atividade agr\u00edcola, e novos registros s\u00e3o necess\u00e1rios para acessar o estado de conserva\u00e7\u00e3o e planejar futuras a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o para os t\u00e1xons [esp\u00e9cies] que ocorrem na regi\u00e3o\u201d, aponta o artigo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large my-5\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-149516\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta2.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/planta2-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption class=\"text-right text-muted font-italic small mt-2\">Prancha mostra detalhe da folha da Rhamnidium riograndense. Arte: Kelen Pureza Soares<\/figcaption><\/figure>\n<p>Maur\u00edcio refor\u00e7a ainda que agora o trabalho \u00e9 dar in\u00edcio a pesquisas para conhecer melhor a esp\u00e9cie. \u201cCada planta que se descobre surgem novas perguntas para serem respondidas. Essa planta\u00a0<em>[Rhamnidium riograndense]<\/em>\u00a0tem um potencial ornamental muito grande, porque ela tem essa folhagem muito bonita, verde brilhante, que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum. Apesar das flores e dos frutos n\u00e3o serem t\u00e3o chamativos, a folhagem \u00e9 algo que me chamou muita aten\u00e7\u00e3o. E tem toda a parte fitoqu\u00edmica que n\u00e3o \u00e9 conhecida e pode servir para produzir medicamentos ou cosm\u00e9ticos. Tem muita coisa para ser pesquisada, por isso a divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 importante\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rec\u00e9m-descoberta Rhamnidium riograndense viajou na mala de um engenheiro florestal por 5 anos e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A rec\u00e9m-descoberta Rhamnidium riograndense viajou na mala de um engenheiro florestal por 5 anos e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149513"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149517,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149513\/revisions\/149517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}