{"id":149266,"date":"2021-07-07T14:00:21","date_gmt":"2021-07-07T17:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149266"},"modified":"2021-07-06T20:28:28","modified_gmt":"2021-07-06T23:28:28","slug":"bacterias-no-estomago-de-vacas-podem-ajudar-a-reciclar-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bacterias-no-estomago-de-vacas-podem-ajudar-a-reciclar-plastico\/","title":{"rendered":"Bact\u00e9rias no est\u00f4mago de vacas podem ajudar a reciclar pl\u00e1stico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/vaca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149267\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/vaca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/vaca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/vaca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>De um a tr\u00eas dias. Esse \u00e9 o tempo de digest\u00e3o completa da vaca \u2013 ou seja, \u00e9 o tempo que a grama leva para entrar por um lado e sair pelo outro. Durante esse per\u00edodo, a comida passa pelo r\u00famen, pelo ret\u00edculo, volta para a boca, e depois \u00e9 engolida novamente para seguir ao omaso, abomaso, e finalmente chega ao intestino. Esses quatro compartimentos de nomes estranhos formam o est\u00f4mago dos ruminantes.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para essa complexidade toda \u00e9 a dieta herb\u00edvora, j\u00e1 que as c\u00e9lulas vegetais s\u00e3o mais dif\u00edceis de digerir. No r\u00famen existem milhares de microorganismos que ajudam na digest\u00e3o da celulose. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. Uma pesquisa publicada na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fbioe.2021.684459\/full\"><em>Frontiers in Bioengineering and Biotechnology<\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>mostrou que algumas bact\u00e9rias presentes no est\u00f4mago das vacas s\u00e3o capazes de degradar mol\u00e9culas de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque esses animais j\u00e1 comem uma esp\u00e9cie de \u201cpl\u00e1stico\u201d natural. \u00c9 a cutina, uma mol\u00e9cula que reveste a parede celular das plantas e impede, por exemplo, que elas percam muita \u00e1gua. A cutina \u00e9 um poli\u00e9ster \u2013 ou seja, uma mol\u00e9cula que possui liga\u00e7\u00f5es do tipo \u00e9ster.<\/p>\n<p>E sabe o que mais tem liga\u00e7\u00f5es do tipo \u00e9ster? Politereftalato de etileno, o pl\u00e1stico da garrafa PET. As bact\u00e9rias dos ruminantes produzem enzimas capazes de cortar essas liga\u00e7\u00f5es. Os pesquisadores da\u00a0<a href=\"https:\/\/boku.ac.at\/en\/\">Universidade Rural de Viena<\/a>, na \u00c1ustria, verificaram que esses micr\u00f3bios digerem n\u00e3o s\u00f3 o pl\u00e1stico PET, mas tamb\u00e9m o PBAT, usado em sacolas pl\u00e1sticas biodegrad\u00e1veis, e o PEF, outro pol\u00edmero biodegrad\u00e1vel com diferentes fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, os pesquisadores coletaram o l\u00edquido presente no r\u00famen de vacas e colocaram os pl\u00e1sticos em imers\u00e3o por um per\u00edodo de um a tr\u00eas dias. Eles analisaram os subprodutos dos pl\u00e1sticos para determinar de que forma os pol\u00edmeros foram quebrados. Os microorganismos conseguiram digerir o PEF com mais efici\u00eancia, mas os outros dois tipos de pl\u00e1stico tamb\u00e9m foram degradados.<\/p>\n<p>Depois, os cientistas fizeram uma an\u00e1lise gen\u00e9tica do l\u00edquido ruminal e verificaram que 98% dos DNAs presentes ali pertenciam a bact\u00e9rias. Entre elas, estavam os g\u00eaneros\u00a0<em>Pseudomonas\u00a0<\/em>e<em>\u00a0Acinetobacter<\/em>. J\u00e1 se sabe que esses dois g\u00eaneros possuem esp\u00e9cies capazes de degradar poli\u00e9steres sint\u00e9ticos.<\/p>\n<p><strong>Reciclagem natural<\/strong><\/p>\n<p>Esses micr\u00f3bios n\u00e3o s\u00e3o os primeiros a servirem como centro de reciclagem de pl\u00e1stico.\u00a0Outras bact\u00e9rias \u2013 como a\u00a0<em>Ideonella sakaiensis<\/em>, presente na fermenta\u00e7\u00e3o do sak\u00ea \u2013 tamb\u00e9m digerem pl\u00e1stico PET. O desafio \u00e9 encontrar uma maneira de usar esses micr\u00f3bios para ajudar na reciclagem de pl\u00e1stico na pr\u00e1tica. A equipe que conduziu o estudo j\u00e1 patenteou um outro m\u00e9todo que usa enzimas para degradar materiais t\u00eaxteis.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa da pesquisa ser\u00e1 caracterizar as bact\u00e9rias presentes no r\u00famen e identificar quais enzimas elas usam para digerir o pl\u00e1stico. Se forem \u00fateis para a reciclagem, os cientistas podem criar bact\u00e9rias geneticamente modificadas para produzir essas enzimas, sem precisar retir\u00e1-las diretamente do r\u00famen das vacas.<\/p>\n<p>Assim como os pesquisadores da Universidade Rural de Viena, outros bi\u00f3logos t\u00eam encontrado bact\u00e9rias que digerem PET e pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis, como o PBAT e PEF. O dif\u00edcil \u00e9 achar micr\u00f3bios que deem conta de pl\u00e1sticos com liga\u00e7\u00f5es mais fortes, como o polietileno e polipropileno. A pesquisadora\u00a0Doris Ribitsch, que participou da pesquisa, disse ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/cow-stomach-bacteria-break-down-plastic.html\"><em>LiveScience<\/em><\/a>\u00a0que a equipe ainda pode identificar esse tipo de organismo no l\u00edquido ruminal, j\u00e1 que ele abriga grandes comunidades de bact\u00e9rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um a tr\u00eas dias. 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