{"id":14923,"date":"2015-01-28T18:00:17","date_gmt":"2015-01-28T18:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=14923"},"modified":"2015-01-28T17:26:59","modified_gmt":"2015-01-28T17:26:59","slug":"suecia-tem-cidade-sem-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/suecia-tem-cidade-sem-lixo\/","title":{"rendered":"Su\u00e9cia tem cidade sem lixo onde maior parte dos res\u00edduos s\u00f3lidos \u00e9 reciclada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-14924\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Em Bor\u00e1s, na Su\u00e9cia, a maior parte dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados pela popula\u00e7\u00e3o de cerca de 64 mil habitantes \u00e9 reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biog\u00e1s), que abastece a maioria das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/noticia.php?artigo=suecia-cidade-sem-lixo&amp;id=010125110412#\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">casas<\/a>, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 \u00f4nibus que integram o sistema de transporte p\u00fablico da cidade.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso, o descarte de lixo no munic\u00edpio sueco \u00e9 quase nulo, e seu\u00a0<a href=\"http:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/noticia.php?artigo=suecia-cidade-sem-lixo&amp;id=010125110412#\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">sistema<\/a>\u00a0de produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s se tornou um dos mais avan\u00e7ados da Europa.<\/p>\n<p>\u201cProduzimos 3 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de biog\u00e1s a partir de res\u00edduos s\u00f3lidos. Para atender \u00e0 demanda por energia, pesquisamos res\u00edduos que possam ser incinerados e importamos lixo de outros pa\u00edses para alimentar o gaseificador\u201d, disse o professor de biotecnologia da<a href=\"http:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/noticia.php?artigo=suecia-cidade-sem-lixo&amp;id=010125110412#\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Universidade<\/a>\u00a0de Bor\u00e1s, Mohammad Taherzadeh.<\/p>\n<p>Taherzadeh falou durante o encontro<a href=\"http:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/noticia.php?artigo=suecia-cidade-sem-lixo&amp;id=010125110412#\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">acad\u00eamico<\/a>\u00a0internacional\u00a0<em>Res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos e seus impactos socioambientais<\/em>, realizado em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Promovido pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Bor\u00e1s, o evento reuniu pesquisadores das duas universidades e especialistas na \u00e1rea para discutir desafios e solu\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos, com destaque para a experi\u00eancia da cidade sueca nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>Gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Taherzadeh, o modelo de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos adotado pela cidade, que integra comunidade, governo, universidade e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, come\u00e7ou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legisla\u00e7\u00e3o que baniu a exist\u00eancia de aterros sanit\u00e1rios nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Para atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, a cidade implantou um sistema de coleta seletiva de lixo em que os moradores separam os res\u00edduos em diferentes categorias e os descartam em coletores espalhados em diversos pontos na cidade.<\/p>\n<p>Dos pontos de coleta, os res\u00edduos seguem para uma usina onde s\u00e3o separados por um processo \u00f3ptico e encaminhados para reciclagem, compostagem ou incinera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos o projeto em escala pequena, que talvez possa ser replicada em regi\u00f5es metropolitanas como a de S\u00e3o Paulo. Outras metr\u00f3poles mundiais, como Berlim e Estocolmo, obtiveram sucesso na elimina\u00e7\u00e3o de aterros sanit\u00e1rios. O Brasil poderia aprender com a experi\u00eancia europeia para desenvolver seu pr\u00f3prio modelo de gest\u00e3o de res\u00edduos\u201d, afirmou Taherzadeh.<\/p>\n<p><strong>Plano de Gest\u00e3o de Res\u00edduos S\u00f3lidos brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 2010, foi regulamentado o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/noticia.php?artigo=politica-nacional-reciclagem-lixo&amp;id=010175100803\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Plano de Gest\u00e3o de Res\u00edduos S\u00f3lidos brasileiro<\/a>, que estabelece a meta de erradicar os aterros sanit\u00e1rios no pa\u00eds at\u00e9 2015 e tipifica a gest\u00e3o inadequada de res\u00edduos s\u00f3lidos como crime ambiental.<\/p>\n<p>Com a promulga\u00e7\u00e3o da lei, os especialistas presentes no evento esperam que o Brasil d\u00ea um salto em quest\u00f5es como a compostagem e a coleta seletiva do lixo, ainda muito incipiente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com a \u00faltima Pesquisa Nacional de Saneamento B\u00e1sico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), apenas 18% dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros t\u00eam programas de coleta seletiva de lixo. Mas n\u00e3o se sabe exatamente o percentual da coleta seletiva de lixo em cada um desses munic\u00edpios.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que a coleta seletiva de lixo nesses munic\u00edpios n\u00e3o atinja 3% porque, em muitos casos, s\u00e3o programas pontuais realizados em escolas ou pontos de entrega volunt\u00e1ria, que n\u00e3o funcionam efetivamente e que s\u00e3o interrompidos quando h\u00e1 mudan\u00e7as no governo municipal\u201d, avaliou Gina Rizpah Besen, que defendeu uma tese de doutorado <a title=\"sobre\" href=\"http:\/\/www.recriarcomvoce.com.br\/blog_recriar\/sobre\/\">sobre<\/a> esse tema na Faculdade de Sa\u00fade Publica da USP em fevereiro.<\/p>\n<p><strong>Coleta seletiva e reciclagem<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.recriarcomvoce.com.br\/blog_recriar\/suecia-tem-cidade-sem-lixo\/6468617d470c44569a315ac10d2f2f7b\/\" rel=\"attachment wp-att-4071\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-4071\" title=\"6468617D470C44569A315AC10D2F2F7B\" src=\"http:\/\/www.recriarcomvoce.com.br\/blog_recriar\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/6468617D470C44569A315AC10D2F2F7B.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"411\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 respons\u00e1vel por mais de 50% do total de res\u00edduos s\u00f3lidos gerados no estado e por quase 10% do lixo produzido no pa\u00eds, estima-se que o percentual de coleta seletiva e reciclagem do lixo seja de apenas 1,1%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um absurdo que a cidade mais importante e rica do Brasil tenha um percentual de coleta seletiva de lixo e reciclagem t\u00e3o \u00ednfimo. Isso se deve a um modelo de gest\u00e3o baseado na ideia de tratar os res\u00edduos como mercadoria, como um campo de produ\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, em que o mais importante \u00e9 que as empresas que trabalham com lixo ganhem dinheiro. Se tiver reciclagem, ter\u00e1 menos lixo e menor ser\u00e1 o lucro das empresas\u201d, disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.<\/p>\n<p>Nesse sentido, para Raquel, que \u00e9 relatora da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre direitos humanos de moradia adequada, a quest\u00e3o do tratamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos no Brasil n\u00e3o \u00e9 de natureza tecnol\u00f3gica ou financeira, mas uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s ter\u00edamos, claramente, condi\u00e7\u00f5es de realizar a reciclagem e reaproveitamento do lixo, mas n\u00e3o estamos fazendo isso por incapacidade t\u00e9cnica ou de gest\u00e3o e sim por uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que prefere tratar o lixo como uma fonte de neg\u00f3cios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Produtos verdes<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, apesar de estar claro que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel viver, em escala global, com uma quantidade de produtos t\u00e3o gigantesca como a que a humanidade est\u00e1 consumindo atualmente, as pol\u00edticas de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos no Brasil n\u00e3o tratam da redu\u00e7\u00e3o do consumo.<\/p>\n<p>\u201cO modelo de redu\u00e7\u00e3o da pobreza adotado pelo Brasil hoje \u00e9 por meio da expans\u00e3o da capacidade de consumo, ou seja: integrar a popula\u00e7\u00e3o ao mercado para que elas possam cada vez mais comprar objetos. E como esses objetos ser\u00e3o tratados depois de descartados n\u00e3o \u00e9 visto como um problema, mas como um campo de gera\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Raquel, os chamados produtos verdes ou reciclados, que surgiram como alternativas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, agravaram a situa\u00e7\u00e3o na medida que se tornaram novas categorias de produtos que se somam \u00e0s outras. \u201cS\u00e3o mais produtos para ir para o lixo\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Gaseificadores<\/strong><\/p>\n<p>Uma das alternativas tecnol\u00f3gicas para diminuir o volume de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos apresentada pelos participantes do evento foi a incinera\u00e7\u00e3o em gaseificadores para transform\u00e1-los em energia, como \u00e9 feito em Bor\u00e1s.<\/p>\n<p>No Brasil, a tecnologia sofre resist\u00eancia porque as primeiras plantas de incinera\u00e7\u00e3o instaladas em estados como de S\u00e3o Paulo apresentaram problemas, entre os quais a produ\u00e7\u00e3o de compostos perigosos como as dioxinas, al\u00e9m de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Entretanto, de acordo com Jos\u00e9 Goldemberg, professor do Instituto de Eletrot\u00e9cnica e Energia da USP, grande parte desses problemas t\u00e9cnicos j\u00e1 foi resolvida.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o se sabia tratar e manipular o material org\u00e2nico dos res\u00edduos s\u00f3lidos para transform\u00e1-lo em combust\u00edvel f\u00f3ssil. Mas, hoje, essa tecnologia j\u00e1 est\u00e1 bem desenvolvida e poderia ser utilizada para transformar a mat\u00e9ria org\u00e2nica do lixo brasileiro, que \u00e9 maior do que em outros pa\u00edses, em energia renov\u00e1vel e alternativa ao petr\u00f3leo\u201d, destacou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Bor\u00e1s, na Su\u00e9cia, a maior parte dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados pela popula\u00e7\u00e3o de cerca<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/suecia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em Bor\u00e1s, na Su\u00e9cia, a maior parte dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados pela popula\u00e7\u00e3o de cerca","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14923"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14923\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}