{"id":149228,"date":"2021-07-07T07:00:47","date_gmt":"2021-07-07T10:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149228"},"modified":"2021-07-06T18:50:13","modified_gmt":"2021-07-06T21:50:13","slug":"videos-de-falsos-resgates-tornaram-se-a-nova-faceta-do-abuso-de-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/videos-de-falsos-resgates-tornaram-se-a-nova-faceta-do-abuso-de-animais\/","title":{"rendered":"V\u00eddeos de falsos resgates tornaram-se a nova faceta do abuso de animais"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cobra_piton.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149230\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cobra_piton-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cobra_piton-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cobra_piton.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O YouTube ainda hospeda v\u00eddeos retratando explora\u00e7\u00e3o e sofrimento de animais. Confira o que foi feito meses depois que a plataforma se comprometeu a adotar medidas en\u00e9rgicas.<\/h2>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Mark Auliya n\u00e3o v\u00ea nada de errado com ataques de cobras a outros animais. Afinal, carn\u00edvoros precisam se alimentar. Contudo, no m\u00eas passado, ao assistir a um v\u00eddeo do YouTube no escrit\u00f3rio de sua casa em Bonn, Alemanha, o especialista em r\u00e9pteis atirou seus \u00f3culos no ch\u00e3o por desgosto. \u201c\u00c9 revoltante\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Na tela de Auliya, uma cobra p\u00edton-birmanesa, uma serpente constritora que normalmente preda aves e pequenos mam\u00edferos, foi enrolada a um gib\u00e3o. O primata em p\u00e2nico luta por sua vida quando a cobra, em volta de seu torso, come\u00e7a a apertar. Logo, o gib\u00e3o para de se mexer. Um homem com uma camisa de futebol azul e jeans aparece. Apressadamente, ele desenrola a cobra, libertando o gib\u00e3o e tira a cobra de frente das c\u00e2meras. O gib\u00e3o traumatizado se encolhe, cobrindo a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 t\u00e3o \u00f3bvio que \u00e9 uma farsa, mas alguns acreditam\u201d, conta Auliya, herpet\u00f3logo do Museu Alexander Koenig de Pesquisa Zool\u00f3gica. O v\u00eddeo parecia sugerir que o salvador chegou bem a tempo de socorrer o gib\u00e3o. Mas as cobras p\u00edtons primeiro mordem as presas para apoiar sua contra\u00e7\u00e3o \u2014 algo que n\u00e3o acontece no v\u00eddeo do gib\u00e3o, explica Auliya. Cobras p\u00edtons tamb\u00e9m s\u00e3o ca\u00e7adoras noturnas, mas esse v\u00eddeo e muitos outros semelhantes foram filmados durante o dia.<\/p>\n<p>Para Auliya, os \u00fanicos pontos do v\u00eddeo que de fato pareciam reais foram os maus tratos aos animais for\u00e7ados a essas situa\u00e7\u00f5es e o estresse que lhes deve ter sido causado.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios anos, grupos de bem-estar animal come\u00e7aram a perceber a prolifera\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos de falsos resgates de animais no YouTube. Todos s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es de um mesmo tema: uma \u00e1guia ataca uma cobra, um crocodilo ataca um pato, cobras atacam gatos, c\u00e3es, lagartos. Em todos os casos, as mortes s\u00e3o evitadas por salvadores humanos que convenientemente aparecem ou ouvem os gritos dos animais a tempo de impedir a carnificina.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o desses v\u00eddeos causa estresse, ferimentos e provavelmente at\u00e9 a morte dos animais envolvidos, afirma Anne-Lise Chaber, veterin\u00e1ria de animais silvestres e especialista na abordagem de sa\u00fade \u00fanica da Universidade de Adelaide, na Austr\u00e1lia. Al\u00e9m disso, os resgates falsos de animais difundem conceitos equivocados sobre as esp\u00e9cies e inspiram outros a copi\u00e1-los, adverte Chaber, que\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0235451\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estuda<\/a>\u00a0como o YouTube normaliza o com\u00e9rcio de animais de estima\u00e7\u00e3o ex\u00f3ticos e as intera\u00e7\u00f5es entre humanos e animais silvestres. \u00c9 natural a preda\u00e7\u00e3o animal na natureza, sem interven\u00e7\u00e3o humana, mas os v\u00eddeos enganam os espectadores sobre o comportamento natural dos animais, demonizando esp\u00e9cies de predadores, como cobras e aves de rapina.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m desviam a aten\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es genu\u00ednas de conserva\u00e7\u00e3o e bem-estar animal, afirma Daniel Natusch, bi\u00f3logo conservacionista da Universidade de Macquarie em Sydney, Austr\u00e1lia, e membro de v\u00e1rios grupos de especialistas em r\u00e9pteis da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza. A UICN define a classifica\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o de animais silvestres. Os t\u00edtulos dos v\u00eddeos geralmente s\u00e3o frases como \u201chomem primitivo salva cobra\u201d, o que incentiva \u201cintoler\u00e2ncia racial e mal-entendidos\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>Por que pessoas for\u00e7am animais em cativeiro a situa\u00e7\u00f5es perigosas ou prejudiciais? Para obter o m\u00e1ximo de cliques poss\u00edvel e provavelmente ganhar dinheiro com os v\u00eddeos. Ao publicar algo que recebe milh\u00f5es de cliques nas redes sociais, algu\u00e9m pode ganhar milhares de d\u00f3lares, de acordo com Jason Urgo, presidente da Social Blade, empresa que monitora estat\u00edsticas de plataformas de redes sociais. Qualquer um pode criar um canal no YouTube e publicar v\u00eddeos. Mas, para come\u00e7ar a lucrar com os programas de compartilhamento de an\u00fancios da plataforma do Google, os propriet\u00e1rios de canais precisam de mil inscritos e quatro mil horas de visualiza\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>Desde que o primeiro v\u00eddeo do YouTube foi carregado em 2005, a plataforma cresceu exponencialmente \u2014 e, com ela, as cr\u00edticas de n\u00e3o tomar medidas suficientes para evitar conte\u00fados considerados prejudiciais ao bem p\u00fablico, como conspira\u00e7\u00f5es fraudulentas, discurso de \u00f3dio, crueldade contra animais e muito mais. Suas\u00a0<a href=\"https:\/\/support.google.com\/youtube\/answer\/2802008?hl=en&amp;ref_topic=9282436\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diretrizes da comunidade<\/a>\u00a0pro\u00edbem \u201cconte\u00fado violento ou sangrento destinado a chocar ou causar repugn\u00e2ncia aos espectadores\u201d. A empresa alega ter contratado 10 mil funcion\u00e1rios e utilizar aprendizado de m\u00e1quina para moderar as\u00a0<a href=\"https:\/\/blog.youtube\/news-and-events\/youtube-at-15-my-personal-journey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">500 horas<\/a>\u00a0de v\u00eddeos enviados por minuto \u00e0 plataforma. Entre janeiro e mar\u00e7o de 2021, o YouTube afirma ter removido mais de nove milh\u00f5es de v\u00eddeos por violar as diretrizes da comunidade.<\/p>\n<p>No entanto o processo de an\u00e1lise \u00e9 complexo, moroso e irregular, segundo relatado por moderadores atuais e antigos ao jornal\u00a0<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/technology\/2019\/08\/09\/youtubes-arbitrary-standards-stars-keep-making-money-even-after-breaking-rules\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>The Washington Post<\/em><\/a>. Para tentar acelerar o processo, o YouTube desenvolveu ferramentas como o programa de sinaliza\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos\u00a0<a href=\"https:\/\/support.google.com\/youtube\/answer\/7554338?hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Trusted Flagger<\/a> \u2014 um recurso pelo qual \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, entre outros, podem contribuir com a modera\u00e7\u00e3o. Aqueles que sinalizam v\u00eddeos n\u00e3o podem remov\u00ea-los, mas o que \u00e9 destacado \u201cpode agilizar a an\u00e1lise por nossas equipes\u201d, de acordo com as pol\u00edticas emitidas pelo YouTube.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-19xsroi\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=320&amp;h=196\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=360&amp;h=221\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=430&amp;h=264\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=500&amp;h=307\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=768&amp;h=471\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=900&amp;h=552\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=1024&amp;h=627\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=1150&amp;h=705\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1150px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=1280&amp;h=784\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=1450&amp;h=888\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1450px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=1600&amp;h=980\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"Em uma das centenas de resgates falsos de animais publicados no YouTube, uma cobra p\u00edton-birmanesa se ...\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.webp?w=1600&amp;h=980\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Em uma das centenas de resgates falsos de animais publicados no YouTube, uma cobra p\u00edton-birmanesa se ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-3-2.jpg?w=1600&amp;h=980\" alt=\"Em uma das centenas de resgates falsos de animais publicados no YouTube, uma cobra p\u00edton-birmanesa se ...\" width=\"640\" height=\"392\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Em uma das centenas de resgates falsos de animais publicados no YouTube, uma cobra p\u00edton-birmanesa se enrola ao redor do corpo de um gib\u00e3o at\u00e9 que uma pessoa \u201cflagra\u201d a dupla e salva o primata.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">VIDEO SCREENSHOT FROM YOUTUBE<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<h3>\u00c0 espera de solu\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, o YouTube\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thetimes.co.uk\/article\/youtube-bans-fake-animal-rescue-videos-l5vwtnxls\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anunciou<\/a>\u00a0que nas semanas seguintes adotaria medidas para proibir v\u00eddeos falsos de resgates de animais. Desde ent\u00e3o, mais de cem foram publicados e centenas permanecem, de acordo com o acompanhamento da Lady Freethinker, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos de bem-estar animal com sede na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>A Lady Freethinker se inscreveu para participar do programa de sinaliza\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos do YouTube em abril de 2021. Mas, dias depois, o YouTube informou que n\u00e3o estava \u201cintegrando ativamente sinalizadores com experi\u00eancia nas \u00e1reas das pol\u00edticas mais pertinentes a sua organiza\u00e7\u00e3o no momento\u201d, revela Nina Jackel, fundadora e presidente da Lady Freethinker.<\/p>\n<p>O YouTube n\u00e3o respondeu a questionamentos sobre essa decis\u00e3o e recusou os pedidos de entrevista da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>. \u201cTemos uma equipe exclusiva de pol\u00edticas que analisa e atualiza nossas pol\u00edticas continuamente\u201d, declarou a empresa em comunicado.<\/p>\n<p>O canal com o v\u00eddeo do gib\u00e3o e da cobra p\u00edton, que<strong>\u00a0<\/strong>possui 83 mil inscritos, publicou nove v\u00eddeos de \u201cresgate\u201d duvidosos em maio. Uma postagem em outro canal que alega apresentar uma \u201cluta real\u201d entre um porco e uma cobra p\u00edton alcan\u00e7ou mais de seis milh\u00f5es de cliques desde sua publica\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 2020; quase um milh\u00e3o deles, apenas em maio (o YouTube desativou os canais em junho ap\u00f3s a\u00a0<strong>National Geographic\u00a0<\/strong>entrar em contato com a empresa para solicitar uma entrevista e indicar uma lista de v\u00eddeos com resgates suspeitos de animais).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--large\">\n<h3>\u201cGeralmente, um fot\u00f3grafo ou cinegrafista de animais silvestres demora incont\u00e1veis horas, dias, meses ou at\u00e9 anos para obter uma filmagem \u00e9tica que revela um pouco do comportamento de uma esp\u00e9cie na natureza.\u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">DJ SCHUBERT<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">BI\u00d3LOGO DA VIDA SELVAGEM NO ANIMAL WELFARE INSTITUTE<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Tim Kasser, professor em\u00e9rito de psicologia da Faculdade Knox, em Illinois, que estudou os valores e o consumo no capitalismo, afirma que os v\u00eddeos atraem dois tipos de pessoas: aqueles atra\u00eddos por cenas emocionantes de animais fofinhos sendo salvos e aqueles que gostam de ver animais lutando e em apuros.<\/p>\n<p>Os v\u00eddeos podem obter um grande n\u00famero de visualiza\u00e7\u00f5es, mas parecem n\u00e3o suscitar muitos coment\u00e1rios. \u201cTrabalho muito ousado e corajoso\u201d, dizia um coment\u00e1rio do v\u00eddeo do porco e da cobra p\u00edton \u2014 as indica\u00e7\u00f5es de \u201cgostei\u201d superaram as de \u201cn\u00e3o gostei\u201d por 27 mil a quatro mil.<\/p>\n<p>\u201cFant\u00e1stico\u201d foi outro coment\u00e1rio, acompanhado por seis\u00a0<em>emojis<\/em>\u00a0de cora\u00e7\u00e3o e beijo (a\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 informando os nomes dos canais nem inserindo os\u00a0<em>links<\/em>\u00a0de nenhum dos v\u00eddeos para n\u00e3o promover o tr\u00e1fego deles).<\/p>\n<h3>Sinais indicativos<\/h3>\n<p>V\u00eddeos de resgates falsos seguem um padr\u00e3o. Geralmente t\u00eam cerca de cinco minutos de dura\u00e7\u00e3o e apresentam o ataque de um animal a outro em um buraco pouco vis\u00edvel cercado por vegeta\u00e7\u00e3o. As lutas dos animais s\u00e3o justapostas com a aproxima\u00e7\u00e3o de um salvador humano, geralmente com uma trilha sonora de m\u00fasica instrumental ou eletr\u00f4nica para intensificar a trama. H\u00e1 tamb\u00e9m um longo trecho introdut\u00f3rio at\u00e9 o encontro, talvez para imitar o estilo de document\u00e1rios sobre a natureza, afirma DJ Schubert, bi\u00f3logo de animais silvestres da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Animal Welfare Institute, com sede em Washington, D.C.<\/p>\n<p>Schubert ressalta que os \u00e2ngulos de c\u00e2mera variados e dram\u00e1ticos e a grande quantidade de v\u00eddeos assim s\u00e3o indicativos de que s\u00e3o encena\u00e7\u00f5es. \u201cGeralmente, um fot\u00f3grafo ou cinegrafista de animais silvestres demora incont\u00e1veis horas, dias, meses ou at\u00e9 anos para obter uma filmagem \u00e9tica que revela um pouco do comportamento de uma esp\u00e9cie na natureza\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Brent Stirton, fot\u00f3grafo da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>\u00a0que documenta animais silvestres, conta que \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil obter cenas reais de conflitos entre animais. \u201cA menos que voc\u00ea leve seu animal de estima\u00e7\u00e3o ao Parque Nacional Everglades, na Fl\u00f3rida, e caminhe ao lado do territ\u00f3rio de crocodilos ou deliberadamente leve seu animal de estima\u00e7\u00e3o para perto de uma cobra p\u00edton, seria algo muito raro\u201d, explica ele. Encena\u00e7\u00f5es artificiais n\u00e3o se at\u00eam ao YouTube. \u00c0s vezes, podem existir at\u00e9 mesmo em document\u00e1rios ou programas sobre a natureza, revela ele. \u201cNo pior cen\u00e1rio, s\u00e3o solicitados recursos e financiamentos, que ent\u00e3o s\u00e3o retirados daqueles que adotam processos mais demorados para conseguir essas filmagens \u2014 como seguir os animais sem os traumatizar.\u201d<\/p>\n<p>O que indica aos cientistas e especialistas em animais que um v\u00eddeo \u00e9 uma farsa pode n\u00e3o ficar evidente a muitos espectadores.<\/p>\n<p>Alguns animais podem ter ferimentos identific\u00e1veis antes das cenas de conflito, sugerindo que foram submetidos a repetidas tentativas de grava\u00e7\u00e3o. Aves de rapina podem parecer doentes e ter as asas cortadas para evitar que voem para longe \u2014 indicando que s\u00e3o animais de cativeiro. As cobras utilizadas em v\u00e1rios v\u00eddeos podem ser reconhecidas por marcas faciais e les\u00f5es, afirmam pesquisadores de animais que analisaram uma amostra de cerca de dez v\u00eddeos a pedido da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, se o predador n\u00e3o tentar escapar de um tratador humano ou se as cenas forem filmadas em um local onde um ou ambos os animais n\u00e3o seriam encontrados na natureza \u2014 uma esp\u00e9cie de floresta tropical filmada em um campo aberto e seco, por exemplo \u2014 s\u00e3o sinais de que h\u00e1 algo errado, afirma Neil D\u2019Cruze, herpet\u00f3logo e chefe global de pesquisas sobre animais silvestres do grupo de defesa animal World Animal Protection.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart__side-col\">\n<div class=\"ngart__side-inner article-sticky\">\n<div class=\"ngart__ad-col\">\n<div class=\"ngart__side-ad\">\n<div id=\"gpt--article_side__2--53821\" class=\"css-11xmhrb\" data-google-query-id=\"COfP9d20z_ECFSbwKAUdTkoDlQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21783347309\/nationalgeographicbrasil.com\/web\/animals_11__container__\"><picture class=\"resp-img-cntr css-pf9g9c\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\u00c0s vezes, os mesmos animais s\u00e3o utilizados em v\u00e1rios v\u00eddeos. 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Na imagem \u00e9 mostrada uma mesma cobra que parece ser a predadora em dois diferentes v\u00eddeos de resgate no YouTube.<\/div>\n<div class=\"css-131017v\">\n<div class=\"css-8huwwr\">\n<div class=\"css-fv45y5\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-pf9g9c\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=320&amp;h=214\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=360&amp;h=240\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=430&amp;h=287\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=520&amp;h=347\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=480&amp;h=320\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=620&amp;h=414\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=788&amp;h=526\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"Ela possui pontos distintivos na lateral da face e um contorno escuro na boca, afirma Neil ...\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.webp?w=788&amp;h=526\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Ela possui pontos distintivos na lateral da face e um contorno escuro na boca, afirma Neil ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-4.jpg?w=788&amp;h=526\" alt=\"Ela possui pontos distintivos na lateral da face e um contorno escuro na boca, afirma Neil ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont css-1mdh9gz\">\n<div class=\"css-acwcvw\">Ela possui pontos distintivos na lateral da face e um contorno escuro na boca, afirma Neil D\u2019Cruze, herpet\u00f3logo e chefe global de pesquisas sobre animais silvestres do grupo de defesa animal World Animal Protection.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">YOUTUBE (REPRODU\u00c7\u00c3O)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<h3>Cobras maltratadas<\/h3>\n<p>A ci\u00eancia sugere que as cobras sentem \u201cansiedade, ang\u00fastia, anima\u00e7\u00e3o, medo, frustra\u00e7\u00e3o, dor, estresse e sofrimento\u201d, explica D\u2019Cruze, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-2615\/9\/10\/821\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estuda<\/a>\u00a0pesquisas cient\u00edficas sobre a sensibilidade dos r\u00e9pteis. \u201cEsses conhecimentos cient\u00edficos possuem implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre como os r\u00e9pteis devem ser tratados.\u201d<\/p>\n<p>Nos v\u00eddeos, as cobras geralmente s\u00e3o os predadores que parecem atacar animais menores e fofos. \u00c9 extremamente estressante para as cobras serem manuseadas e colocadas em espa\u00e7os fechados com outros animais e seus tratadores humanos, adverte D\u2019Cruze. As cobras n\u00e3o podem ser treinadas, ent\u00e3o essas cenas podem precisar ser filmadas diversas vezes \u2014 com consequ\u00eancias desconhecidas a seu bem-estar, revela ele.<\/p>\n<p>Auliya afirma que, ao analisar o v\u00eddeo da cobra p\u00edton e do gib\u00e3o, ficou evidente como foi mais prejudicial \u00e0 cobra. O r\u00e9ptil era fraco demais para enfrentar um animal do tamanho de um gib\u00e3o, conta ele. A cobra tentou at\u00e9 mesmo escapar depois que o macaco gritou, mordeu-a e bateu com sua cabe\u00e7a no ch\u00e3o. Os \u00e2ngulos da c\u00e2mera e a edi\u00e7\u00e3o das diversas tomadas tornam isso quase indiscern\u00edvel. O estresse de ser colocado nessa situa\u00e7\u00e3o, tanto \u00e0 cobra quanto ao gib\u00e3o, \u00e9 muito grande, afirma Auliya.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--large\">\n<h3>\u201cDenunciamos 10 v\u00eddeos aleat\u00f3rios de resgates falsos de animais, cada um em um canal diferente, em 11 de maio de 2021, utilizando o sistema de den\u00fancias do YouTube. Todos os 10 v\u00eddeos ainda estavam dispon\u00edveis em meados de junho.\u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">NINA JACKEL<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">FUNDADORA E PRESIDENTE DA LADY FREETHINKER<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Os sinais de ferimentos f\u00edsicos n\u00edtidos \u00e0s cobras podem ser vis\u00edveis. Em um v\u00eddeo, uma cobra apresentava um corte sangrando no focinho antes de atacar um lagarto. Em outro, que apresentava um suposto ataque de cobra a um cachorro, a cobra parece quase morta \u2014 ela se desenrola com muita facilidade e fica im\u00f3vel ap\u00f3s ser retirada. \u201cUma cobra p\u00edton viva n\u00e3o ficaria parada assim\u201d, afirma Auliya; em vez disso, o r\u00e9ptil contra-atacaria imediatamente sua presa. As cobras nesses v\u00eddeos tamb\u00e9m costumam ter cicatrizes no focinho, onde suas escamas foram desgastadas, um ferimento normalmente resultante de cobras mantidas em cativeiro que batem obsessivamente nas barras de arame de sua gaiola.<\/p>\n<p>Segundo Jackel da Lady Freethinker, o que n\u00e3o \u00e9 mostrado na vers\u00e3o final desses v\u00eddeos \u00e9 que os animais explorados podem ficar gravemente feridos ou at\u00e9 morrer.<\/p>\n<h3>Monitorando v\u00eddeos falsos de animais<\/h3>\n<p>A cada vez que voc\u00ea assiste a um v\u00eddeo, o YouTube est\u00e1 observando voc\u00ea \u2014 ou melhor, os algoritmos do\u00a0<em>site<\/em>\u00a0est\u00e3o registrando as suas escolhas. Quando assisti ao v\u00eddeo de um animal ao fazer esta mat\u00e9ria, o YouTube me indicou outro logo em seguida, com an\u00fancios de grandes empresas entre cada um (os canais em que esses an\u00fancios foram exibidos foram desativados ap\u00f3s a\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>\u00a0denunciar os URLs ao YouTube).<\/p>\n<p>A Lady Freethinker conduziu uma investiga\u00e7\u00e3o no YouTube durante tr\u00eas meses no ano passado. A equipe de pesquisas do grupo come\u00e7ou buscando palavras-chave comuns, como \u201crinha de c\u00e3es\u201d e \u201crinha de galos\u201d e \u201ctortura de macacos\u201d. O algoritmo do YouTube reproduziu conte\u00fados semelhantes depois que os pesquisadores assistiram aos v\u00eddeos exibidos. No fim, os pesquisadores identificaram mais de dois mil v\u00eddeos nos quais, segundo informa a Lady Freethinker, animais foram feridos intencionalmente. Entre eles, havia v\u00eddeos de resgates falsos que, em conjunto, alcan\u00e7aram mais de 40 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando rep\u00f3rteres do jornal\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2020\/dec\/19\/youtube-must-remove-videos-of-animal-cruelty-says-charity\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">the\u00a0<em>Guardian<\/em><\/a>\u00a0e outros ve\u00edculos de imprensa que divulgaram a investiga\u00e7\u00e3o da Lady Freethinker enviaram ao YouTube os URLs dos v\u00eddeos problem\u00e1ticos, todos foram retirados do ar, conta Jackel. Contudo, acrescenta ela, isso nem sempre ocorre.<\/p>\n<p>\u201cComo teste, denunciamos 10 v\u00eddeos falsos de resgates de animais aleat\u00f3rios, cada um em um canal diferente, em 11 de maio de 2021, utilizando o sistema de den\u00fancias do YouTube. Todos os 10 v\u00eddeos ainda estavam dispon\u00edveis em meados de junho, afirma ela.<\/p>\n<p>Quando contatado para esta mat\u00e9ria, o YouTube retirou nove dos 10 v\u00eddeos denunciados e desativou diversos dos canais sinalizados \u2014 incluindo tr\u00eas da lista da Lady Freethinker. \u201cNossa\u00a0<a href=\"https:\/\/support.google.com\/youtube\/answer\/2802008?hl=en#zippy=,animal-abuse-content\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pol\u00edtica de conte\u00fados violentos ou fortes<\/a>\u00a0pro\u00edbe conte\u00fados que retratem sofrimento ou ferimento desnecess\u00e1rio contra animais e, de acordo com esta pol\u00edtica, removemos tr\u00eas canais sinalizados a n\u00f3s pela\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>\u201d, informou o comunicado do YouTube em 21 de junho de 2021.<\/p>\n<p>\u201cNo fim deste m\u00eas, expandiremos nossa pol\u00edtica de conte\u00fados violentos ou fortes a fim de esclarecer melhor a proibi\u00e7\u00e3o de conte\u00fados com sofrimento ou ferimentos f\u00edsicos deliberados a animais\u201d, informou o comunicado do YouTube. A empresa n\u00e3o explicou como faria isso ou se haveria um an\u00fancio formal de uma nova pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Um dia antes da publica\u00e7\u00e3o desta reportagem nos EUA, o YouTube informou a\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>\u00a0de que adotaria uma nova pol\u00edtica em 30 de junho para facilitar a retirada de conte\u00fados de resgates de animais \u201cque tenham sido encenados e coloquem o animal em cen\u00e1rios perigosos\u201d. N\u00e3o foram fornecidos mais detalhes sobre como seria esse procedimento e qual seu prazo de implanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por ora, v\u00eddeos de resgates falsos de animais ainda est\u00e3o sendo publicados.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-15tcm5j\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=320&amp;h=197\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=360&amp;h=221\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=430&amp;h=264\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=500&amp;h=307\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=768&amp;h=471\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=900&amp;h=552\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=1024&amp;h=628\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=1150&amp;h=705\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1150px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=1280&amp;h=785\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=1450&amp;h=889\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1450px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=1600&amp;h=981\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"\u00c1guias s\u00e3o alguns dos animais apresentados nos v\u00eddeos de resgates encenados, muitas vezes como os predadores. ...\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.webp?w=1600&amp;h=981\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\u00c1guias s\u00e3o alguns dos animais apresentados nos v\u00eddeos de resgates encenados, muitas vezes como os predadores. ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/fake_animal_rescues-1.jpg?w=1600&amp;h=981\" alt=\"\u00c1guias s\u00e3o alguns dos animais apresentados nos v\u00eddeos de resgates encenados, muitas vezes como os predadores. ...\" width=\"640\" height=\"392\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>\u00c1guias s\u00e3o alguns dos animais apresentados nos v\u00eddeos de resgates encenados, muitas vezes como os predadores. Os v\u00eddeos demonizam carn\u00edvoros que, na natureza, matam presas para sobreviver.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">VIDEO SCREENSHOT FROM YOUTUBE<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<h3>Quem produz os v\u00eddeos?<\/h3>\n<p>A maioria dos v\u00eddeos enviados em v\u00e1rios canais parece ter sido filmada no sudeste da \u00c1sia, provavelmente no Camboja, segundo Jackel e outros pesquisadores de animais.\u00a0Eles afirmam que o khmer, l\u00edngua principal do Camboja, geralmente \u00e9 falado nos v\u00eddeos, as cobras exibidas s\u00e3o esp\u00e9cies nativas da regi\u00e3o e a vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparenta ser condizente com a \u00e1rea.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma escassez de empregos no interior do Camboja, onde vivem\u00a0<a href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/country\/cambodia\/overview\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">90%<\/a>\u00a0dos mais pobres do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, o turismo, a ind\u00fastria e a constru\u00e7\u00e3o \u2014 que representam 40% dos empregos \u2014 foram drasticamente reduzidos durante a pandemia.<\/p>\n<p>\u201cMuitas pessoas em locais como o Camboja e o Vietn\u00e3 possuem r\u00e9pteis de estima\u00e7\u00e3o ou os reproduzem para consumo de sua carne e outros fins, como granjas de galinhas no Ocidente\u201d, afirma Natusch, que analisou alguns dos v\u00eddeos a pedido da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>. \u201cAo que tudo indica, esses animais s\u00e3o mantidos em gaiolas na maior parte do tempo no vilarejo local.\u201d<\/p>\n<p>O Bellingcat,\u00a0<em>site<\/em>\u00a0de investiga\u00e7\u00e3o de c\u00f3digo aberto, analisou mais de 10 v\u00eddeos de um dos mais prol\u00edficos canais de resgates falsos de animais para a\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>. O grupo procurou ind\u00edcios ambientais para ajudar a identificar os prov\u00e1veis locais onde os v\u00eddeos foram feitos.<\/p>\n<p>Foeke Postma, investigador e instrutor do Bellingcat, afirma suspeitar que \u201ccom base em alguns detalhes dos v\u00eddeos e das cordilheiras\u201d, os v\u00eddeos foram produzidos perto de Tuk Meas Khang Lech, \u00e1rea rural no sul do Camboja. Mas ele n\u00e3o conseguiu identificar exatamente onde. \u201cA natureza rural desses v\u00eddeos dificulta a localiza\u00e7\u00e3o exata\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>\u00c9 importante saber o local de grava\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos para impedir a explora\u00e7\u00e3o, observa Jackel. \u201c\u00c9 a \u00fanica maneira pela qual autoridades locais podem fazer algo a respeito\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 importante descobrir quem s\u00e3o os donos dos canais que publicam os v\u00eddeos, prossegue ela. S\u00e3o os benefici\u00e1rios dos pagamentos do Google, caso os canais gerem receita, e podem proporcionar alguma notoriedade pelos v\u00eddeos. \u201c\u00c9 evidente que desejam aten\u00e7\u00e3o, o que pode ser um grande atrativo\u201d, afirma Jackel. \u201cAinda que n\u00e3o estejam lucrando com os v\u00eddeos, existe um risco: \u00e9 poss\u00edvel ser popular no YouTube exibindo tortura a animais.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 improv\u00e1vel que esses donos de canais estejam localizados no Camboja, que n\u00e3o consta como um pa\u00eds qualificado para acordos de parceria de publicidade do YouTube.<\/p>\n<p>Apenas o Google e o dono da conta do canal do YouTube t\u00eam acesso ao pa\u00eds de registro de um canal para fins tribut\u00e1rios e de pagamento, conta Urgo, da Social Blade. A p\u00e1gina \u201csobre n\u00f3s\u201d, vis\u00edvel em todos os canais, pode n\u00e3o indicar onde os v\u00eddeos s\u00e3o filmados: algu\u00e9m que possui um canal registrado nos Estados Unidos pode publicar v\u00eddeos de qualquer local.<\/p>\n<p>Em comunicado, o YouTube declarou que o canal analisado pelo Bellingcat n\u00e3o gera receita.<\/p>\n<h3>O que pode ser feito para ajudar<\/h3>\n<p>A responsabilidade de denunciar v\u00eddeos problem\u00e1ticos n\u00e3o deve recair sobre os espectadores, argumenta Jackel. \u201c\u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do YouTube garantir que sua plataforma n\u00e3o promova crueldade contra animais e que todo conte\u00fado abusivo seja removido.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, os espectadores devem denunciar o que considerarem ser v\u00eddeos falsos e cru\u00e9is ao YouTube, e n\u00e3o devem compartilh\u00e1-los, prossegue ela. Para denunciar um v\u00eddeo, os usu\u00e1rios devem clicar em \u201cdenunciar\u201d no canto inferior direito do v\u00eddeo, selecionar \u201cconte\u00fado violento ou repulsivo\u201d e, em seguida, a op\u00e7\u00e3o \u201cabuso de animais\u201d.<\/p>\n<p>Pressionar os anunciantes tamb\u00e9m pode ajudar, afirmam Jackel e outros. Marcas importantes como a PepsiCo, Walmart e Starbucks\u00a0<a href=\"https:\/\/www.chicagotribune.com\/business\/blue-sky\/ct-google-youtube-ad-boycott-20170324-story.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">retiraram<\/a>\u00a0seus an\u00fancios do YouTube em 2017 depois que o jornal\u00a0<em>Wall Street Journal<\/em>\u00a0constatou terem sido exibidos em v\u00eddeos que promoviam incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio. Os boicotes obrigaram o YouTube a anunciar a inten\u00e7\u00e3o de aumentar a fiscaliza\u00e7\u00e3o. A plataforma\u00a0<a href=\"https:\/\/transparencyreport.google.com\/youtube-policy\/featured-policies\/hate-speech?hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">atualizou<\/a>\u00a0suas pol\u00edticas de ass\u00e9dio e incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio em 2019 \u2014 proibindo v\u00eddeos que alegam que um grupo \u00e9 superior a outros como justificativa \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O policiamento de conte\u00fados problem\u00e1ticos \u00e9 provavelmente uma \u201cguerra sem fim\u201d para o YouTube, afirma Schubert da Animal Welfare Institute. Mas ainda \u00e9 responsabilidade das empresas de redes sociais desenvolver algoritmos para fazer cumprir suas pr\u00f3prias diretrizes e contratar pessoal suficiente para monitorar v\u00eddeos de abusos de animais e retir\u00e1-los das plataformas o quanto antes.<\/p>\n<p>O YouTube poderia recorrer a programas que analisam e reconhecem esp\u00e9cies amea\u00e7adas ou em risco de extin\u00e7\u00e3o em v\u00eddeos de animais e que criam notifica\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas sobre o n\u00edvel de perigo aos animais, com informa\u00e7\u00f5es contextualizadas sobre a explora\u00e7\u00e3o animal, explica Chaber. Os usu\u00e1rios deveriam visualizar as notifica\u00e7\u00f5es antes de poder assistir aos v\u00eddeos, afirma ela. A plataforma j\u00e1 adotou uma abordagem semelhante com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2020-09-24\/youtube-will-label-videos-on-mail-voting-to-blunt-misinformation\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">v\u00eddeos de farsas<\/a>.<\/p>\n<p>Quando usu\u00e1rios pesquisam no YouTube t\u00f3picos conhecidos por serem vulner\u00e1veis \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, avisos ou pain\u00e9is informativos s\u00e3o exibidos. Se um usu\u00e1rio pesquisar \u201ccoronav\u00edrus\u201d, por exemplo, \u00e9 exibido um aviso com o teor \u201csaiba mais\u201d com um\u00a0<em>link<\/em>\u00a0para o\u00a0<em>site<\/em>\u00a0sobre covid-19 dos Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos. A caixa de aviso tamb\u00e9m fica vis\u00edvel no canto inferior de v\u00eddeos listados individualmente. Algo assim poderia ser feito tamb\u00e9m com v\u00eddeos de animais, sugere Chaber.<\/p>\n<p>Mas nem todos concordam que avisos de advert\u00eancia seriam \u00fateis. Jackel afirma ter receio de utilizar essa esp\u00e9cie de interven\u00e7\u00e3o em v\u00eddeos de resgates falsos de animais porque poderia servir como chamariz para compartilh\u00e1-los ou assisti-los. Al\u00e9m disso, o enfoque passa a ser a farsa desses v\u00eddeos e n\u00e3o o abuso de animais, explica ela.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o mais urgente \u00e9 a viol\u00eancia contra os animais \u2014 o que nunca deve ser permitido como \u2018entretenimento\u2019, n\u00e3o importa como seja caracterizada\u201d, prossegue Jackel. O objetivo deve ser a retirada imediata dos v\u00eddeos. \u201cV\u00eddeos promovendo crueldade contra animais n\u00e3o t\u00eam lugar no YouTube e ponto final.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O YouTube ainda hospeda v\u00eddeos retratando explora\u00e7\u00e3o e sofrimento de animais. 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