{"id":149168,"date":"2021-07-05T13:37:57","date_gmt":"2021-07-05T16:37:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149168"},"modified":"2021-07-05T13:38:36","modified_gmt":"2021-07-05T16:38:36","slug":"falta-de-alimentos-em-areas-desmatadas-deixa-harpias-famintas-nas-bordas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/falta-de-alimentos-em-areas-desmatadas-deixa-harpias-famintas-nas-bordas-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Falta de alimentos em \u00e1reas desmatadas deixa harpias famintas nas bordas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"content-head__subtitle\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149169\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Maior esp\u00e9cie de \u00e1guia da Terra precisa de pelo menos 50% de mata preservada em seu territ\u00f3rio para sobreviver<\/h2>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles active-capital-letter\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"88\" data-block-id=\"2\">\n<p class=\"content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A harpia ou gavi\u00e3o-real (<em>Harpia harpyja<\/em>) vive menos quanto menor a \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Um estudo que reuniu bi\u00f3logos do Brasil, \u00c1frica do Sul e Reino Unido indicou que as aves, para sobreviver, precisam de pelo menos 50% de mata preservada em seu territ\u00f3rio, com um m\u00ednimo de 3 quil\u00f4metros de raio, em cujas \u00e1rvores fazem ninhos e encontram alimento. A harpia \u00e9 a maior esp\u00e9cie de \u00e1guia do mundo, com peso m\u00e9dio de 9 quilogramas e uma envergadura de 2,2 metros. Pode viver at\u00e9 56 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wall protected-content\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"79\" data-block-id=\"3\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">\u201cEm \u00e1reas com 50% a 70% de desmatamento, os filhotes morrem de fome, porque os pais n\u00e3o encontram alimento\u201d, diz o bi\u00f3logo Everton Miranda, em fase de contrata\u00e7\u00e3o pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental The Peregrine Fund, dos Estados Unidos, ap\u00f3s trabalhar tr\u00eas anos na Universidade do Estado de Mato Grosso, em Alta Floresta, e concluir o doutorado na Universidade de KwaZulu-Natal, na \u00c1frica do Sul. Seu coorientador foi o bi\u00f3logo brasileiro Carlos Peres, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"61\" data-block-id=\"5\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">\u201cNos trabalhos de campo no norte de Mato Grosso, vimos tr\u00eas harpias morrendo de fome diante de n\u00f3s\u201d, relata Miranda. Segundo ele, em \u00e1reas que sofreram 70% de desmatamento o grupo de pesquisadores n\u00e3o encontrou nenhum ninho de harpia, ao longo dos quatro anos do levantamento. O estudo com essas conclus\u00f5es foi publicado na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-021-92372-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Scientific Reports<\/a> em 30 de junho.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"60\" data-block-id=\"7\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Os pesquisadores examinaram 16 ninhos e 306 presas de que as aves se alimentam (253 por meio de c\u00e2maras noturnas e 53 por meio de carca\u00e7as) em remanescentes florestais do norte de Mato Grosso, na regi\u00e3o conhecida como Arco do Desmatamento. Harpias comem principalmente bichos-pregui\u00e7a (<em>Choloepus didactylus<\/em>), macacos-prego (<em>Sapajus apella<\/em>) e macacos-barrigudo-cinzento (<em>Lagothrix cana<\/em>), que vivem no alto das \u00e1rvores.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"75\" data-block-id=\"8\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Diferentemente do que esperavam, os bi\u00f3logos verificaram que, nas \u00e1reas mais desmatadas, essas aves n\u00e3o se alimentavam de mam\u00edferos terrestres, como gamb\u00e1s (<em>Didelphis spp.<\/em>), tatus (<em>Dasypus spp.<\/em>) ou cachorro-do-mato (<em>Cerdocyon thous<\/em>). \u201cComo n\u00e3o mudam os h\u00e1bitos alimentares, as harpias acabam comendo menos, porque as pregui\u00e7as e os macacos n\u00e3o s\u00e3o abundantes como em florestas\u201d, diz ele. \u201cEm consequ\u00eancia, os filhotes v\u00e3o receber menos comida e em intervalos mais longos, at\u00e9 n\u00e3o aguentarem mais e morrerem.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"82\" data-block-id=\"9\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Em um artigo publicado em maio de 2019 na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0216323\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PLOS ONE<\/a>, Miranda, com colegas do Brasil, de Israel e da Inglaterra, examinou a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dessa esp\u00e9cie, que hoje vive principalmente na Amaz\u00f4nia e em \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica do Esp\u00edrito Santo e do sul da Bahia. De acordo com esse trabalho, uma \u00e1rea prop\u00edcia para a reocupa\u00e7\u00e3o de harpias, por causa da abund\u00e2ncia de pregui\u00e7as, s\u00e3o as matas da serra do Mar, desde o Rio de Janeiro at\u00e9 o Paran\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"22\" data-block-id=\"10\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Um filhote de harpia parece nadar calmamente no ar ao se soltar da \u00e1rvore de uma mata em Alta Floresta, Mato Grosso<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"78\" data-block-id=\"11\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Em 2019, enquanto fazia o doutorado, Miranda fez alian\u00e7as com a South Wild, empresa de turismo de Alta Floresta, e fazendeiros para levar turistas para observar harpias e seus ninhos. Os donos das terras se comprometiam a manter as matas e os ninhos, ganhando de acordo com o n\u00famero de visitantes, e a empresa de turismo construiu as torres de observa\u00e7\u00e3o, usadas tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios. Qualquer pessoa que encontrasse um ninho novo ganhava R$ 500.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"63\" data-block-id=\"14\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">\u201cO fato de as harpias fazerem ninhos em \u00e1reas fragmentadas, como Alta Floresta ou no sul da Bahia, n\u00e3o significa que esteja tudo bem\u201d, comenta o bi\u00f3logo Pedro Develey, diretor\u2013executivo da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental BirdLife\/Save Brasil, que n\u00e3o participou do estudo. \u201cOs bichos podem estar passando fome, alguns filhotes talvez n\u00e3o cheguem a vingar e, a m\u00e9dio e longo prazo, tendem a desaparecer.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"51\" data-block-id=\"15\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A seu ver, a recupera\u00e7\u00e3o das florestas \u00e9 fundamental tamb\u00e9m para os programas de reprodu\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie em cativeiro, que almejam, um dia, solt\u00e1-las na natureza. De acordo com o estudo na Scientific Reports, a regi\u00e3o do Arco do Desmatamento j\u00e1 n\u00e3o seria mais capaz de manter popula\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis de harpias.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior esp\u00e9cie de \u00e1guia da Terra precisa de pelo menos 50% de mata preservada em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149169,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/harpia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Maior esp\u00e9cie de \u00e1guia da Terra precisa de pelo menos 50% de mata preservada em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149168"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149168"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149170,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149168\/revisions\/149170"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}