{"id":149094,"date":"2021-07-04T16:54:41","date_gmt":"2021-07-04T19:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149094"},"modified":"2021-07-04T16:54:41","modified_gmt":"2021-07-04T19:54:41","slug":"bonito-liderou-desmatamento-da-mata-atlantica-entre-2019-e-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bonito-liderou-desmatamento-da-mata-atlantica-entre-2019-e-2020\/","title":{"rendered":"Bonito liderou desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica entre 2019 e 2020"},"content":{"rendered":"<p>Desmatamento de 439 munic\u00edpios resultou em perda de 13 mil hectares.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desmatamento-MataAtlantica-696x435.jpg\" alt=\"desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica\" width=\"638\" height=\"399\" \/><\/p>\n<p>Dos 3.429\u00a0munic\u00edpios\u00a0que comp\u00f5em a Mata Atl\u00e2ntica, 439 (15%) desmataram o bioma entre 2019 e 2020 \u2013 somando 13.053 hectares desflorestados. Desse total, no entanto, 70% se concentram em apenas 100\u00a0munic\u00edpios\u00a0de nove estados (MS, MG, BA, PI, PR, SC, SP, SE, RJ). Em S\u00e3o Paulo, Iporanga foi o que mais desmatou (45 hectares). No total, 19 cidades paulistas aparecem no ranking \u2013 entre elas Campinas (33 hectares), Cotia (21), Cajati (18) e Embu das Artes (16).<\/p>\n<p>Bonito (MS), munic\u00edpio famoso pelo ecoturismo, foi onde houve o maior desmatamento no per\u00edodo analisado: foram 416 hectares. Em seguida v\u00eam \u00c1guas Vermelhas (MG), com 369 hectares desflorestados, e Wanderley (BA), com 350. Em cada um desses tr\u00eas\u00a0munic\u00edpios\u00a0o ritmo do desmatamento foi o correspondente a mais de um campo de futebol de por dia. Completam a lista Montalv\u00e2nia (MG), com 286 hectares; Pedra-Azul (MG), com 286; Cotegipe (BA), com 273; Ponto dos Volantes (MG), com 220; Miranda (MS), com 219; Encruzilhada (BA), com 175; e Francisco S\u00e1 (MG), com 166. Apenas essas dez cidades somam 21% do total desflorestado e 70% se concentram em apenas 100\u00a0munic\u00edpios\u00a0de nove estados (MS, MG, BA, PI, PR, SC, SP, SE, RJ).<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do Atlas dos\u00a0Munic\u00edpios\u00a0da Mata Atl\u00e2ntica, estudo realizado pela Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica com a coopera\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, unidade vinculada ao Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (INPE\/MCTI).\u00a0As informa\u00e7\u00f5es completas podem ser acessadas em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aquitemmata.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.aquitemmata.org.br<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO desmatamento afeta diretamente a vida de cada pessoa que habita esses\u00a0munic\u00edpios\u201d, explica Luis Fernando Guedes Pinto, diretor de Conhecimento da SOS Mata Atl\u00e2ntica. \u201cAl\u00e9m de fazer com que as cidades se tornem cada vez mais quentes, a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes amea\u00e7a a disponibilidade e a qualidade da \u00e1gua. A crise h\u00eddrica que vivemos hoje \u00e9 um reflexo disso. No caso de Bonito os danos podem ser ainda graves, pois coloca em risco o turismo que move a economia da cidade\u201d, alerta.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria dos\u00a0munic\u00edpios\u00a0piauienses merece destaque. Ao longo da d\u00e9cada passada, dois deles \u2013 Manoel Em\u00eddio (que se manteve no indesej\u00e1vel primeiro lugar no per\u00edodo anterior) e Alvorada do Gurgu\u00e9ia \u2013 apareciam como l\u00edderes entre os maiores desmatadores. Mas, este ano, o Piau\u00ed reduziu a derrubada em 76% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00faltima an\u00e1lise (somando 372 hectares), com Uni\u00e3o sendo a cidade do estado a figurar mais alto na lista (11\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 165 hectares). Al\u00e9m disso, s\u00e3o dois\u00a0munic\u00edpios\u00a0do Piau\u00ed os que mant\u00eam a maior \u00e1rea absoluta de mata em todo o bioma: Guaribas (176.477 hectares) e Canto do Buriti (118.411 hectares).<\/p>\n<h2 id=\"h-mata-atl-ntica-possui-apenas-12-4-da-sua-vegeta-o-original\">Mata atl\u00e2ntica possui apenas 12,4% da sua vegeta\u00e7\u00e3o original<\/h2>\n<p>Os dados nacionais e por estado foram divulgados em maio no Atlas da Mata Atl\u00e2ntica, mostrando que o desmatamento entre 2019 e 2020 nos 17 estados que comp\u00f5em o bioma caiu 9% em rela\u00e7\u00e3o ao observado no per\u00edodo anterior. Por outro lado, em rela\u00e7\u00e3o a 2017-2018, quando foi atingido o menor valor da s\u00e9rie hist\u00f3rica (11.399 hectares), houve um crescimento de 14%.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-78868\" src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl%C3%A2ntica-1024x538.jpg\" sizes=\"(max-width: 348px) 100vw, 348px\" srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-300x158.jpg 300w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-768x403.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-696x366.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-1068x561.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-800x420.jpg 800w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Atlas-Mata-Atl\u00e2ntica-1920x1009.jpg 1920w\" alt=\"desmatamento mata atl\u00e2ntica\" width=\"639\" height=\"336\" \/>Foto: Wellington Pedro | Imprensa MG | Fotos P\u00fablicas<\/div>\n<p>Luis Fernando lembra que praticamente a totalidade dessa devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 ilegal: o bioma, que hoje mant\u00e9m apenas 12,4% da sua vegeta\u00e7\u00e3o original, \u00e9 protegido pela Lei da Mata Atl\u00e2ntica, que pro\u00edbe o desmatamento a n\u00e3o ser em raras situa\u00e7\u00f5es \u2013 como a realiza\u00e7\u00e3o de obras, projetos ou atividades de utilidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cQualquer \u00e1rea desmatada na Mata Atl\u00e2ntica, por menor que possa parecer, \u00e9 uma perda enorme. N\u00e3o s\u00f3 dever\u00edamos ter parado de destru\u00ed-la como j\u00e1 precis\u00e1vamos ter dado um passo al\u00e9m, que \u00e9 reverter parte das \u00e1reas degradadas por meio do reflorestamento\u201d, afirma o diretor. Segundo ele, esse trabalho de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a sociedade e a economia brasileiras, j\u00e1 que na regi\u00e3o vivem 70% da nossa popula\u00e7\u00e3o e est\u00e3o concentrados 80% do PIB. \u201cE tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para o planeta como um todo. Restaurar a Mata Atl\u00e2ntica, al\u00e9m de ser importante para conservar a biodiversidade e mitigar a emiss\u00e3o de gases-estufa, \u00e9 uma forma de colaborar para que o mundo alcance o cen\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o de 1,5\u00b0C de aquecimento global estabelecido no Acordo de Paris\u201d, explica.<\/p>\n<p>O levantamento, que contou com a execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da Arcplan, foi realizado por meio de imagens de sat\u00e9lite e tecnologias na \u00e1rea da informa\u00e7\u00e3o, do sensoriamento remoto e do geoprocessamento. O projeto \u00e9 fruto de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica pioneiro com o INPE, estabelecido em 1989, voltado a determinar a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atl\u00e2ntica, monitorar as altera\u00e7\u00f5es da cobertura vegetal e gerar informa\u00e7\u00f5es permanentemente aprimoradas e atualizadas desse bioma.<\/p>\n<p>O Atlas dos\u00a0Munic\u00edpios\u00a0traz informa\u00e7\u00f5es de todos os remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e \u00e1reas naturais do bioma acima de tr\u00eas hectares. Para as cidades dos estados do Paran\u00e1, Rio de Janeiro, Santa Catarina e S\u00e3o Paulo \u00e9 poss\u00edvel obter dados acima de um hectare. \u201cOs mapas, com a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica tanto das \u00e1reas de remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica, como das \u00e1reas de desmatamento, oferecem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de todos os\u00a0munic\u00edpios\u00a0do bioma a oportunidade de cuidar de suas florestas e garantir os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como a preserva\u00e7\u00e3o do solo e a manuten\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos. Sabendo onde o desmatamento ocorre, podemos fiscalizar e reivindicar medidas de prote\u00e7\u00e3o ou de recupera\u00e7\u00e3o de nossas matas\u201d, refor\u00e7a Silvana Amaral, coordenadora t\u00e9cnica do Atlas pelo INPE.<\/p>\n<p>Todas as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis no site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aquitemmata.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.aquitemmata.org.br<\/a>\u00a0que, de forma pr\u00e1tica e l\u00fadica, apresenta mapas interativos e gr\u00e1ficos com as informa\u00e7\u00f5es atualizadas sobre o desmatamento e o estado de conserva\u00e7\u00e3o de florestas, mangues e restingas nos 3.429\u00a0munic\u00edpios\u00a0da Mata Atl\u00e2ntica. A SOS Mata Atl\u00e2ntica preparou ainda a cartilha\u00a0<em>Aqui Tem Mata?,<\/em>\u00a0um guia para estimular nos espa\u00e7os escolares o di\u00e1logo sobre o meio ambiente e a Mata Atl\u00e2ntica \u2013 sua hist\u00f3ria, situa\u00e7\u00e3o, biodiversidade e a import\u00e2ncia de proteg\u00ea-la. O relat\u00f3rio completo do Atlas da Mata Atl\u00e2ntica 2019-2020 pode ser acessado em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sosma.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.sosma.org.br<\/a>\u00a0e em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.inpe.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.inpe.br<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desmatamento de 439 munic\u00edpios resultou em perda de 13 mil hectares. 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