{"id":149067,"date":"2021-07-04T10:33:24","date_gmt":"2021-07-04T13:33:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=149067"},"modified":"2021-07-04T10:33:24","modified_gmt":"2021-07-04T13:33:24","slug":"populacao-de-gorilas-das-montanhas-cresce-sem-territorio-para-ocupar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/populacao-de-gorilas-das-montanhas-cresce-sem-territorio-para-ocupar\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o de gorilas-das-montanhas cresce sem territ\u00f3rio para ocupar"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-149068\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As popula\u00e7\u00f5es de gorilas-das-montanhas t\u00eam crescido constantemente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em grande parte gra\u00e7as aos intensos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o na Ruanda, Uganda e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas toda a popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie est\u00e1 confinada em parques e \u00e1reas protegidas nesses pa\u00edses, com espa\u00e7o limitado para se expandir, e como a popula\u00e7\u00e3o tem crescido, a densidade populacional tamb\u00e9m tem.<\/em><\/p>\n<p><em>Um novo estudo que rastreou a incid\u00eancia e intensidade de infec\u00e7\u00f5es parasit\u00e1rias em toda a gama de gorilas da montanha sugere que uma maior densidade populacional se correlaciona com a maior suscetibilidade a parasitas e outros problemas de sa\u00fade.<\/em><\/p>\n<p>Os gorilas-das-montanhas, um dos primatas em extin\u00e7\u00e3o no mundo, parecem estar enfrentando uma nova amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade depois que uma campanha de conserva\u00e7\u00e3o bem-sucedida os salvou da extin\u00e7\u00e3o iminente, diz um novo estudo.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos intensos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o de gorilas das montanhas (<em>Gorila beringei beringei<\/em>) subiu para mais de 1.000, contra 620 em 1989, de acordo com a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza. Como resultado, em 2018, a organiza\u00e7\u00e3o mudou o status de conserva\u00e7\u00e3o dos gorilas das montanhas de \u201ccriticamente amea\u00e7ados\u201d para \u201camea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, o habitat dispon\u00edvel para os gorilas das montanhas n\u00e3o se expandiu na propor\u00e7\u00e3o do crescimento populacional. A totalidade da esp\u00e9cie est\u00e1 restrita a parques na Ruanda, Uganda e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Limitados por assentamentos humanos, os gorilas n\u00e3o podem expandir seu territ\u00f3rio para al\u00e9m dessas \u00e1reas protegidas, levando ao aumento da densidade populacional.<\/p>\n<p>O estudo, liderado pelo bi\u00f3logo Kl\u00e1ra J. Petr\u017eelkov\u00e1, da Academia Tcheca de Ci\u00eancias, constatou que, \u00e0 medida que a densidade de gorilas-das-montanhas aumentava, as popula\u00e7\u00f5es se tornaram mais suscet\u00edveis a problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Depois que doen\u00e7as gastrointestinais foram relatadas nos primatas, os pesquisadores examinaram a preval\u00eancia de dois vermes parasitas (helmintos) \u2014\u00a0<em>Strongyloides stercoralis<\/em>\u00a0e t\u00eanias \u2014 e descobriram que o padr\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o parece ser influenciado pela idade, localiza\u00e7\u00e3o e tamanho do grupo dos gorilas.<br \/>\nSegundo os autores do relat\u00f3rio, as descobertas apontam para poss\u00edveis \u201cefeitos colaterais\u201d do sucesso na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e devem orientar futuros esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o e estudos acad\u00eamicos sobre gorilas.<\/p>\n<p><strong>Padr\u00f5es e mecanismos<\/strong><\/p>\n<p>O estudo representa a primeira pesquisa sobre infec\u00e7\u00f5es por parasitas abrangendo toda a esp\u00e9cie em toda a gama de gorilas-das-montanhas. \u201cO estudo cobriu as duas popula\u00e7\u00f5es de gorilas da montanha e foi feito em diferentes esta\u00e7\u00f5es, a fim de descobrir os mecanismos e padr\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es por helminto\u201d, disse Petr\u017eelkov\u00e1.<\/p>\n<p>Trabalhando em colabora\u00e7\u00e3o com as autoridades da Ruanda, Uganda e Congo, uma equipe internacional de pesquisadores rastreou infec\u00e7\u00f5es por\u00a0<em>Strongyloides stercoralis<\/em>\u00a0e t\u00eania procurando seus ovos em fezes de gorilas-das-montanhas. Eles coletaram amostras de abrigos noturnos e amostras de gorilas identificados individualmente durante as esta\u00e7\u00f5es secas e chuvosas em 2018, e estudaram como a idade, o sexo, o tamanho do grupo, a esta\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o afetam as infec\u00e7\u00f5es. Eles tamb\u00e9m consideraram fatores como o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, tamanho da subpopula\u00e7\u00e3o de gorilas e estrutura social em uma determinada \u00e1rea.<\/p>\n<p>O estudo encontrou mais infec\u00e7\u00f5es (comprovadas atrav\u00e9s da maior presen\u00e7a de ovos de vermes nas fezes de gorilas) em \u00e1reas que tiveram mais relatos de incidentes de doen\u00e7a gastrointestinal, indicando que infec\u00e7\u00f5es por vermes parasitas representam um grave risco para a sa\u00fade dos gorilas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m descobriram que, em algumas \u00e1reas, gorilas de grupos familiares menores tinham mais t\u00eanias e ovos de\u00a0<em>Strongyloides stercoralis<\/em>\u00a0presentes em suas fezes. De acordo com o estudo, isso ocorre porque grupos menores passam por mais estresse causado por fatores como o aumento de confrontos entre grupos e ataques de externos de humanos, tornando-os mais vulner\u00e1veis a problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Preocupantemente, os pesquisadores disseram que os resultados sugerem indiretamente que \u201caltas taxas de crescimento de subpopula\u00e7\u00f5es de gorilas em algumas \u00e1reas nos \u00faltimos 40 anos podem estar ligadas a altas intensidades de infec\u00e7\u00e3o por Strongyloides stercoralis encontradas nessas \u00e1reas hoje\u201d.<\/p>\n<p>A perspectiva de o sucesso de um esfor\u00e7o de conserva\u00e7\u00e3o ter introduzido um novo desafio para a sobreviv\u00eancia destes primatas \u00e9 uma curva de aprendizado para os conservacionistas, bem como para a comunidade acad\u00eamica.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero crescente de gorilas-das-montanhas, antes altamente amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma fonte de otimismo e algo a se comemorar. Mas, como cientistas da conserva\u00e7\u00e3o e gestores de vida selvagem, temos muito a aprender\u201d, disse Joanna Lambert, bi\u00f3loga de conserva\u00e7\u00e3o e professora de estudos ambientais na Universidade de Colorado Boulder, que n\u00e3o participou da pesquisa. \u201cOs dados apresentados indicam que o que est\u00e1 acontecendo atualmente com animais em extin\u00e7\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria ainda em desenvolvimento com consequ\u00eancias inesperadas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Limita\u00e7\u00f5es do estudo<\/strong><\/p>\n<p>Mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para chegar a conclus\u00f5es definitivas, disse Petr\u017eelkov\u00e1. Embora o estudo indique uma liga\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00f5es de gorilas mais densas e infec\u00e7\u00f5es parasit\u00e1rias, dados espec\u00edficos sobre a \u00e1rea onde est\u00e3o as os contingentes populacionais atualmente s\u00e3o muito limitados para que o v\u00ednculo entre estes fatores seja preciso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores descobriram que os machos adultos, o subgrupo mais frequentemente diagnosticado com gastrite fatal, n\u00e3o apresentaram n\u00edveis mais elevados de infec\u00e7\u00f5es por vermes parasitas do que as f\u00eameas adultas.<\/p>\n<p>No entanto, as descobertas at\u00e9 agora fornecem insights importantes para a compreens\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de gorilas-das-montanhas dentro de seu habitat restrito, disse Anna Behm Masozera, diretora do Programa Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o de Gorilas, com sede em Kigali, ao Portal Mongabay.<\/p>\n<p>\u201cEmbora o estudo apresente uma s\u00e9rie de \u00e1reas que devem ser pesquisadas mais profundamente, as conclus\u00f5es apontam para a import\u00e2ncia de proteger o habitat remanescente destes animais contra o desenvolvimento de infraestrutura para mitigar o impacto humano sobre eles\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 respostas f\u00e1ceis para os desafios de conserva\u00e7\u00e3o que enfrentam os gorilas-das-montanhas nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, e podemos nos basear nem um case que sabemos ter oferecido um ambiente prop\u00edcio para a recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie: a\u00e7\u00e3o e monitoramento informados e integrados, colaborativos e transfronteiri\u00e7os. Este estudo fornece informa\u00e7\u00f5es importantes e aprofunda o argumento de que um plano de a\u00e7\u00e3o abrangente para gorilas-das-montanhas ser\u00e1 um precursor para enfrentar de forma eficaz e colaborativa os muitos desafios que vir\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Lambert disse que o estudo revela um \u201ccaminho claro e acion\u00e1vel\u201d para os profissionais de conserva\u00e7\u00e3o e autoridades de prote\u00e7\u00e3o da vida selvagem, e que sugere que os parasitas gastrointestinais devem ser cuidadosamente monitorados.<\/p>\n<p>\u201cA boa not\u00edcia \u00e9 que esse monitoramento \u00e9 relativamente barato e pode ser feito de forma n\u00e3o invasiva, sem preju\u00edzo para o animal. Al\u00e9m disso, animais infectados com parasitas podem ser tratados com medicamentos altamente eficazes e bem conhecidos pelos veterin\u00e1rios de animais silvestres\u201d, disse ela em entrevista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As popula\u00e7\u00f5es de gorilas-das-montanhas t\u00eam crescido constantemente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em grande parte gra\u00e7as aos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149068,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/gorila.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As popula\u00e7\u00f5es de gorilas-das-montanhas t\u00eam crescido constantemente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em grande parte gra\u00e7as aos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149067"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149067"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149067\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149069,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149067\/revisions\/149069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}