{"id":148997,"date":"2021-07-03T09:30:39","date_gmt":"2021-07-03T12:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148997"},"modified":"2021-07-02T20:00:19","modified_gmt":"2021-07-02T23:00:19","slug":"estudo-revela-queda-drastica-na-populacao-de-insetos-aquaticos-na-bacia-do-rio-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-revela-queda-drastica-na-populacao-de-insetos-aquaticos-na-bacia-do-rio-parana\/","title":{"rendered":"Estudo revela queda dr\u00e1stica na popula\u00e7\u00e3o de insetos aqu\u00e1ticos na bacia do rio Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148998\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisa realizada ao longo de 20 anos na bacia do rio Paran\u00e1 revela uma queda dr\u00e1stica no n\u00famero de insetos aqu\u00e1ticos da regi\u00e3o \u2013 considerada bem preservada e distante dos impactos negativos da agropecu\u00e1ria e de centros urbanos.<\/p>\n<p>O trabalho de campo foi realizado por pesquisadores do N\u00facleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (<strong><a href=\"https:\/\/www.nupelia.uem.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nupelia-UEM<\/a><\/strong>). E as informa\u00e7\u00f5es foram sistematizadas\u00a0por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2748\/gustavo-quevedo-romero\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Romero<\/a><\/strong>, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Os dados foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/10.1098\/rsbl.2021.0137\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicados<\/a><\/strong>\u00a0no peri\u00f3dico\u00a0<i>Biology Letters<\/i>, da Royal Society, em uma edi\u00e7\u00e3o especial sobre decl\u00ednio dos insetos.<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo contabilizou dados levantados sazonalmente ao longo de 20 anos. E verificamos um decr\u00e9scimo de milhares para dezenas de indiv\u00edduos por metro quadrado\u201d, revela Romero \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio ultrarr\u00e1pido das popula\u00e7\u00f5es de insetos \u00e9 um fen\u00f4meno global, ressalta o pesquisador. Estudos t\u00eam contabilizado o fen\u00f4meno, correlacionando-o \u00e0s atividades humanas. Uma meta-an\u00e1lise\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/368\/6489\/417\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicada<\/a><\/strong>\u00a0em 2020 na revista\u00a0<i>Science<\/i>, por exemplo, apontou queda no n\u00famero de insetos terrestres, mas indicou aumento nas popula\u00e7\u00f5es de insetos aqu\u00e1ticos. Esse artigo foi posteriormente contestado, pois os autores basearam suas conclus\u00f5es em uma amostragem muito restrita, cobrindo apenas 7% dos ambientes aqu\u00e1ticos, localizados quase que exclusivamente nos Estados Unidos e na Europa.<\/p>\n<p>O levantamento\u00a0cobriu uma \u00e1rea de cerca de 40 quil\u00f4metros quadrados, extensamente ocupada por lagoas, rios, canais e remansos. Segundo o pesquisador, a grande causa do decl\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es de insetos na bacia do Paran\u00e1 foi a constru\u00e7\u00e3o de mais de 150 barragens nos afluentes que abastecem esse sistema, que drena grande parte da regi\u00e3o centro-sul da Am\u00e9rica do Sul e abriga numerosos h\u00e1bitats de \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>A pesquisa recebeu apoio da FAPESP por meio de dois aux\u00edlios concedidos a Romero (<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/103659\/unificando-determinantes-ambientais-e-espaciais-da-estrutura-de-redes-troficas-em-escalas-espaciais\/?q=2018\/12225-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">18\/12225-0<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/107885\/ecossistemas-aquaticos-continentais-sob-mudancas-climaticas-impactos-em-multiplos-niveis-de-organiza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">19\/08474-8<\/a><\/strong>), al\u00e9m de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/180382\/\/?q=2017\/26243-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bolsa<\/a><\/strong>\u00a0de p\u00f3s-doutorado concedida a\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/80096\/pablo-augusto-poleto-antiqueira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pablo Antiqueira<\/a><\/strong>, que integrou a equipe. Foi conduzida no \u00e2mbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Caracteriza\u00e7\u00e3o, Conserva\u00e7\u00e3o, Restaura\u00e7\u00e3o e Uso Sustent\u00e1vel da Biodiversidade (<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BIOTA-FAPESP<\/a><\/strong>) e do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/pfpmcg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PFPMCG<\/a><\/strong>)<\/p>\n<p>\u201cO forte decl\u00ednio observado afetou n\u00e3o apenas as esp\u00e9cies mais suscet\u00edveis, mas todas as ordens e fam\u00edlias de insetos aqu\u00e1ticos existentes na regi\u00e3o. Tais animais vivem em ambiente aqu\u00e1tico at\u00e9 chegar \u00e0 fase adulta, quando migram para o ambiente terrestre. Isso inclui lib\u00e9lulas e besouros aqu\u00e1ticos, para mencionar apenas os mais conhecidos\u201d, conta Romero.<\/p>\n<p>Pelo fato de alguns insetos, como o\u00a0<i>Aedes aegypti<\/i>, serem transmissores de doen\u00e7as como dengue, zika e febre amarela, existe a ideia equivocada de que todos os insetos s\u00e3o nocivos para os humanos. Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. \u201cOs insetos que est\u00e3o sendo dizimados na bacia do rio Paran\u00e1 s\u00e3o extremamente \u00fateis, devido aos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que prestam, como poliniza\u00e7\u00e3o, controle biol\u00f3gico de pragas agr\u00edcolas ou de insetos transmissores de doen\u00e7as, decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica e ciclagem de nutrientes\u201d, enfatiza Romero.<\/p>\n<p><b>Consequ\u00eancia das barragens<\/b><\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, as barragens acarretaram tr\u00eas tipos de impactos. Em primeiro lugar, deixaram a \u00e1gua muito mais transparente, porque as part\u00edculas em suspens\u00e3o decantam no fundo dos reservat\u00f3rios antes do fluxo passar pelos desaguadouros. Sem poderem se camuflar por meio da turbidez, os insetos que vivem a jusante das barragens ficaram muito mais expostos \u00e0 press\u00e3o de preda\u00e7\u00e3o por peixes inset\u00edvoros.<\/p>\n<p>O segundo impacto foi causado pela introdu\u00e7\u00e3o de peixes ex\u00f3ticos nos reservat\u00f3rios com o objetivo de promover a pescaria esportiva. Esses peixes, como o tucunar\u00e9, trazido da bacia amaz\u00f4nica, s\u00e3o on\u00edvoros, isto \u00e9, alimentam-se de tudo, inclusive de peixes nativos e de insetos.<\/p>\n<p>O terceiro impacto detectado foi o desbalanceamento estequiom\u00e9trico dos nutrientes da \u00e1gua, que modificou os percentuais relativos de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo. \u201cComo as algas que proliferam nos reservat\u00f3rios fixam o nitrog\u00eanio da atmosfera e o transferem para a \u00e1gua e parte do f\u00f3sforo se deposita no fundo das represas, a \u00e1gua que escoa pelos desaguadouros fica pobre em f\u00f3sforo e proporcionalmente mais rica em nitrog\u00eanio. Com isso, tem sua qualidade nutricional alterada, afetando os animais que dependem de uma quantidade balanceada desses nutrientes\u201d, explica Romero.<\/p>\n<p>A bacia do rio Paran\u00e1 estende-se por sete Estados brasileiros. A classifica\u00e7\u00e3o tecnicamente mais precisa para ela \u00e9 a de \u201csub-bacia\u201d. Pois, juntamente com as sub-bacias dos rios Paraguai e Uruguai, integra a grande bacia do Prata \u2013 uma das tr\u00eas principais da Am\u00e9rica do Sul. As outras duas s\u00e3o as do Amazonas e do S\u00e3o Francisco. As transforma\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas na sub-bacia do Paran\u00e1 constituem, portanto, algo extremamente relevante em escala continental. E a contagem de insetos aqu\u00e1ticos mostra como a a\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 impactando a regi\u00e3o, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 pesticidas agr\u00edcolas e esgoto sendo despejados na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Existem cerca de 5,5 milh\u00f5es de esp\u00e9cies de insetos, 80% das quais ainda n\u00e3o foram descritas pela ci\u00eancia. Essa enorme popula\u00e7\u00e3o de animais, a mais numerosa do planeta, est\u00e1 sendo rapidamente reduzida pela a\u00e7\u00e3o humana, caracterizando o que alguns pesquisadores j\u00e1 est\u00e3o chamando de \u201capocalipse dos insetos\u201d.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Pervasive decline of subtropical aquatic insects over 20 years driven by water transparency, non-native fish and stoichiometric imbalance<\/i>\u00a0pode ser acessado em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/10.1098\/rsbl.2021.0137\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/10.1098\/rsbl.2021.0137<\/a><\/strong>. E um artigo comentando o estudo, escrito por um dos integrantes da equipe, pode ser lido no peri\u00f3dico\u00a0<i>The Conversation<\/i>:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/theconversation.com\/insect-population-collapse-new-evidence-links-it-to-dams-162626\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/theconversation.com\/insect-population-collapse-new-evidence-links-it-to-dams-162626<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa realizada ao longo de 20 anos na bacia do rio Paran\u00e1 revela uma queda<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148998,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/inseto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisa realizada ao longo de 20 anos na bacia do rio Paran\u00e1 revela uma queda","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148997"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149000,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148997\/revisions\/149000"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}