{"id":148748,"date":"2021-06-28T12:00:05","date_gmt":"2021-06-28T15:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148748"},"modified":"2021-06-27T20:00:42","modified_gmt":"2021-06-27T23:00:42","slug":"terra-ja-perdeu-e-ganhou-muitos-oceanos-voce-sabe-onde-pode-surgir-o-proximo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/terra-ja-perdeu-e-ganhou-muitos-oceanos-voce-sabe-onde-pode-surgir-o-proximo\/","title":{"rendered":"Terra j\u00e1 perdeu e ganhou muitos oceanos. Voc\u00ea sabe onde pode surgir o pr\u00f3ximo?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148749\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Vest\u00edgios geol\u00f3gicos do passado remoto de nosso planeta revelam que as atuais linhas costeiras n\u00e3o durar\u00e3o para sempre \u2014 em contrapartida, outras surgir\u00e3o.<\/h2>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Em uma sala escura no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Nova York, nos Estados Unidos, uma parede despretensiosa de pedras se estende quase at\u00e9 o teto. \u00c0 primeira vista, parece uma placa perfeita para uma bancada ou pia de cozinha, com manchas pretas, brancas e cor-de-rosa se misturando em faixas de minerais que se estendem muito acima da minha cabe\u00e7a. Mas ent\u00e3o a luz da mostra \u00e9 alterada de branco para preto, e a rocha de 10 toneladas brilha em tons de verde e laranja-vivo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o ficar de queixo ca\u00eddo\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amnh.org\/research\/staff-directory\/george-e.-harlow\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">George Harlow<\/a>, curador do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amnh.org\/exhibitions\/permanent\/gems-minerals\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sal\u00e3o Mignone de Pedras Preciosas e Minerais<\/a>\u00a0do museu, recentemente reformado, onde \u00e9 exposta a rocha.<\/p>\n<p>A impressionante composi\u00e7\u00e3o revela a singularidade dos minerais: eles se formaram no fundo de um oceano atualmente extinto h\u00e1 cerca de 1,2 bilh\u00e3o de anos, em uma \u00e9poca em que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41559-020-1122-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">microt\u00fabulos de algas<\/a>\u00a0menores do que um gr\u00e3o de arroz eram algumas das maiores formas de vida. Nesse oceano antigo, part\u00edculas ricas em metais borbulhavam a partir de fontes hidrotermais e se assentavam no fundo do mar em camadas, criando uma composi\u00e7\u00e3o exata de elementos que ficam fluorescentes quando expostos \u00e0 luz ultravioleta.<\/p>\n<p>As rochas s\u00e3o um lembrete v\u00edvido das dr\u00e1sticas transforma\u00e7\u00f5es ocorridas em nossos oceanos ao longo de bilh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria \u2014 em raz\u00e3o da movimenta\u00e7\u00e3o constante da rede de placas tect\u00f4nicas pelo planeta. Essas movimenta\u00e7\u00f5es se propagam como um efeito domin\u00f3 pelos sistemas geol\u00f3gicos, atmosf\u00e9ricos e biol\u00f3gicos, influenciando tudo, como a diversidade dos minerais, os trajetos das correntes oce\u00e2nicas e a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica da Terra. E todos esses fatores afetam as formas de vida da atualidade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>\u201cAs mudan\u00e7as em todo o sistema terrestre ocorridas como parte dessa transforma\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica s\u00e3o profundas\u201d, afirma\u00a0<a href=\"http:\/\/geoscience.wisc.edu\/geoscience\/people\/faculty\/shanan-peters\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Shanan Peters<\/a>, geocientista da Universidade de Wisconsin-Madison, especialista na evolu\u00e7\u00e3o da vida concomitante com os sistemas terrestres.<\/p>\n<p>Placas preservadas do fundo do mar, como essa em exposi\u00e7\u00e3o, bem como uma s\u00e9rie de outros vest\u00edgios geol\u00f3gicos, ajudam cientistas a recriar a hist\u00f3ria intricada dos oceanos perdidos no tempo: J\u00e1peto, Reico, Tetis, Pantalassa, Ural e muitos outros. Assim como esses antigos corpos d\u2019\u00e1gua, nossos oceanos modernos algum dia tamb\u00e9m ter\u00e3o fim, e outros ser\u00e3o formados.<\/p>\n<p>Nas palavras simples de Harlow: \u201ctudo est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h3>Pistas gravadas no fundo do mar<\/h3>\n<p>As placas tect\u00f4nicas em altera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no nosso planeta n\u00e3o apenas levantam montanhas e esculpem vales, mas tamb\u00e9m determinam os ciclos de desaparecimento e surgimento de oceanos, \u201cquase como um acorde\u00e3o\u201d, compara\u00a0<a href=\"https:\/\/scholar.google.com.au\/citations?user=FgyqV_QAAAAJ&amp;hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andrew Merdith<\/a>, desenvolvedor de modelos tect\u00f4nicos da Universidade de Leeds.<\/p>\n<p>O movimento \u00e9 causado em parte por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iris.edu\/hq\/inclass\/animation\/what_are_the_forces_that_drive_plate_tectonics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">zonas de subduc\u00e7\u00e3o<\/a>, nas quais uma placa afunda sob a outra. Esse ciclo mergulha o leito oce\u00e2nico nas profundezas do nosso planeta e arrasta materiais no entorno, estreitando as dist\u00e2ncias entre os continentes.<\/p>\n<p>A placa rochosa no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Nova York, por exemplo, extra\u00edda de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sterlinghillminingmuseum.org\/take-a-tour\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ogdensburg, Nova Jersey<\/a>, ficou preservada ap\u00f3s uma colis\u00e3o antiga entre o continente antecessor da Am\u00e9rica do Norte e outro continente antigo. O choque eliminou o oceano existente entre os continentes, transformando na rocha atual os sedimentos das camadas do leito oce\u00e2nico sob as altas temperaturas e press\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, os raros fragmentos do antigo leito oce\u00e2nico preservados em terra seca, como as rochas de Nova Jersey ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/rare-chunks-of-earths-mantle-found-exposed-in-maryland\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um peda\u00e7o do manto terrestre exposto em Maryland<\/a>, fornecem apenas alguns ind\u00edcios da transforma\u00e7\u00e3o dos oceanos ao longo do tempo. Para entender melhor essa movimenta\u00e7\u00e3o, alguns cientistas recorrem a um registro gravado no leito oce\u00e2nico: os minerais magn\u00e9ticos.<\/p>\n<p>As placas oce\u00e2nicas nascem ao longo da maior cordilheira do mundo: uma cadeia submersa conhecida como dorsal meso-oce\u00e2nica. Com cerca de 65 mil quil\u00f4metros ao redor de nosso planeta, a dorsal marca onde as placas tect\u00f4nicas se separam e onde a rocha quente do manto terrestre sobe para preencher o espa\u00e7o deixado. Conforme essa rocha derretida resfria, alguns de seus minerais se alinham ao campo magn\u00e9tico da Terra, criando uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo de barras geol\u00f3gico ao longo do fundo do mar que adiciona novas linhas a cada mudan\u00e7a do campo. Os cientistas podem recorrer a esses c\u00f3digos de barras para identificar mudan\u00e7as no formato dos oceanos ao longo do tempo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<h3>Fantasmas do passado dos oceanos<\/h3>\n<p>O registro magn\u00e9tico, entretanto, n\u00e3o \u00e9 perfeito: \u201cquanto mais se volta no tempo, menos rochas oce\u00e2nicas existem dispon\u00edveis\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mn.uio.no\/geo\/english\/people\/aca\/ceed\/gracees\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grace Shephard<\/a>, geof\u00edsica e especialista em reconstitui\u00e7\u00f5es de placas tect\u00f4nicas da Universidade de Oslo. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o de uma pequena faixa rochosa sob o Mediterr\u00e2neo \u2014 com uma idade surpreendente de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/ngeo2784\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">340 milh\u00f5es de anos<\/a>\u00a0\u2014 grande parte do leito oce\u00e2nico data de meros 100 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, a maioria com menos de\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1029\/2020GC009214\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">200 milh\u00f5es de anos<\/a>.<\/p>\n<p>Os cientistas, no entanto, encontraram uma maneira de identificar o fundo dos mares desaparecidos que afundaram no manto da Terra e agora est\u00e3o ocultos em um cemit\u00e9rio oce\u00e2nico.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo implica observar as velocidades das ondas s\u00edsmicas de terremotos que se propagam pelo planeta. Fragmentos dispersos do leito oce\u00e2nico podem permanecer relativamente frios por cerca de 250 milh\u00f5es de anos ou mais, e os sinais s\u00edsmicos diferem ao passar por placas frias e pelas profundezas ardentes da Terra.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como uma caixa preta sob nossos p\u00e9s\u201d, explica\u00a0<a href=\"http:\/\/www.geologist.nl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Douwe van Hinsbergen<\/a>, especialista em placas tect\u00f4nicas da Universidade de Utrecht, nos Pa\u00edses Baixos. Mas agora as an\u00e1lises s\u00edsmicas permitem aos cientistas estudar essas placas antigas e retroceder o rel\u00f3gio geol\u00f3gico, desvendando as for\u00e7as subterr\u00e2neas que atuam em nosso mundo. Essas reminisc\u00eancias do passado do fundo do mar est\u00e3o ocultas abaixo de quase todos os continentes, e van Hinsbergen e seus colegas catalogaram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0040195117304055\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">quase cem<\/a>\u00a0em seu chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.atlas-of-the-underworld.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Atlas do Submundo<\/a>.<\/p>\n<p>Entre os fragmentos mais antigos est\u00e3o restos de placas oce\u00e2nicas com cerca de 250 milh\u00f5es de anos, atualmente encontrados na fronteira entre o manto e o n\u00facleo, o que inclui o oceano Paleot\u00e9tis que outrora banhou a costa de\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/referenceworkentry\/10.1007\/978-3-642-27833-4_662-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gonduana<\/a>, supercontinente composto principalmente pelas regi\u00f5es atuais da Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, \u00cdndia, Ar\u00e1bia, Austr\u00e1lia e Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>Decifrar esses fragmentos dispersos do leito oce\u00e2nico, c\u00f3digos de barras magn\u00e9ticos e uma s\u00e9rie de outros vest\u00edgios geol\u00f3gicos permitiu a uma equipe de cientistas criar uma reconstitui\u00e7\u00e3o impressionante de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0012825220305237\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um bilh\u00e3o de anos do passado de nosso planeta<\/a>.<\/p>\n<p>Merdith, um dos arquitetos desenvolvedores do modelo, observa que o modelo n\u00e3o \u00e9 algo definitivo sobre os prim\u00f3rdios da Terra e pode mudar com a obten\u00e7\u00e3o de mais dados. Mas reproduzir o v\u00eddeo que recria essa movimenta\u00e7\u00e3o de continentes e oceanos ressalta a natureza fascinante da transforma\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de nosso planeta.<\/p>\n<p>\u201cTudo isso faz parte do quebra-cabe\u00e7a global\u201d, afirma Shephard.<\/p>\n<h3>Efeitos nos\u00a0<em>habitats<\/em>\u00a0da Terra<\/h3>\n<p>Com o surgimento e desaparecimento dos oceanos e a deriva continental pelo planeta, os ambientes em transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m propiciam transforma\u00e7\u00f5es nas formas de vida. A forma\u00e7\u00e3o de um novo oceano, por exemplo, pode ser\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/114\/22\/5653\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ben\u00e9fica para a biodiversidade<\/a>, como registrado durante um pico ocorrido quando Pangeia se separou, segundo o estudo de Peters e seus colegas.<\/p>\n<p>Pangeia continha os grupos ancestrais de todas as principais criaturas terrestres de hoje, explica Peters. Depois que o supercontinente se partiu em peda\u00e7os, a fauna terrestre evoluiu para uma diversidade de cores, tamanhos e estilos de vida em seus fragmentos isolados. Novos trajetos de circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica tamb\u00e9m transportaram umidade para o interior dos continentes, umedecendo cintur\u00f5es anteriormente \u00e1ridos. Ao mesmo tempo, corpos d\u2019\u00e1gua rasos iluminados pelo sol se acumularam ao longo de novas plataformas continentais, onde a vida marinha prosperou.<\/p>\n<p>\u201cAs margens dessas plataformas s\u00e3o importantes para mariscos, peixes ou outros animais marinhos\u201d, observa Peters. Quando Pangeia se fragmentou, houve uma explos\u00e3o de formas de vida na Terra.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo pequenos deslocamentos tect\u00f4nicos podem produzir impactos dr\u00e1sticos sobre a superf\u00edcie terrestre. Um exemplo bastante surpreendente \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do istmo do Panam\u00e1, uma estreita faixa de terra que liga a Am\u00e9rica do Norte e a Am\u00e9rica do Sul, explica Peters. Havia circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do Atl\u00e2ntico ao Pac\u00edfico atrav\u00e9s dessa via oce\u00e2nica cerca de 20 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Contudo, quando\u00a0<a href=\"https:\/\/earthobservatory.nasa.gov\/images\/4073\/panama-isthmus-that-changed-the-world\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a placa do Pac\u00edfico afundou sob a placa do Caribe<\/a>, elevou o leito oce\u00e2nico e exp\u00f4s vulc\u00f5es submersos \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o por \u00e1gua entre os oceanos come\u00e7ou a se estreitar e um dia desapareceu completamente. A mudan\u00e7a fez com que as \u00e1guas quentes se dirigissem para o norte em uma corrente atualmente conhecida como Corrente do Golfo, que elevou as temperaturas no noroeste da Europa, proporcionando um clima relativamente ameno \u00e0 regi\u00e3o, apesar de estar a uma\u00a0<a href=\"https:\/\/scijinks.gov\/gulf-stream\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">latitude semelhante<\/a>\u00a0a regi\u00f5es g\u00e9lidas do Canad\u00e1.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m permitiu a circula\u00e7\u00e3o moderna das correntes oce\u00e2nicas, que controla padr\u00f5es de tempestades, o fluxo de nutrientes e muito mais. \u201cO fechamento do istmo do Panam\u00e1 trouxe repercuss\u00f5es enormes\u201d, ressalta Peters.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<h3>Oceanos futuros<\/h3>\n<p>Muitos outros deslocamentos tect\u00f4nicos modificadores da estrutura terrestre ocorrer\u00e3o futuramente em nosso planeta. Daqui a cerca de 250 milh\u00f5es de anos, os continentes da Terra podem se unir mais uma vez em um novo supercontinente:\u00a0<a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/science-news\/science-at-nasa\/2000\/ast06oct_1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pangeia \u00daltima<\/a>. Nesse poss\u00edvel cen\u00e1rio, formulado por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scotese.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Christopher Scotese<\/a>, diretor do Projeto Paleomap, o Oceano Atl\u00e2ntico quase desaparece e \u00e9 reduzido a um modesto mar interior.<\/p>\n<p>Mas o futuro geol\u00f3gico permanece incerto. Talvez ocorra exatamente o contr\u00e1rio e o Oceano Pac\u00edfico desapare\u00e7a, formando um supercontinente no lado oposto do mundo, denominado\u00a0<a href=\"https:\/\/ui.adsabs.harvard.edu\/abs\/2018EGUGA..20..610D\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nova Pangeia<\/a>. Outros modelos ainda sugerem que\u00a0<a href=\"https:\/\/esd.copernicus.org\/preprints\/esd-2019-61\/esd-2019-61.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">alguma combina\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de mudan\u00e7as poderia causar o desaparecimento do Atl\u00e2ntico e do Pac\u00edfico \u00e0 medida que novos oceanos surgirem na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Qualquer que seja o cen\u00e1rio em nosso futuro distante, transforma\u00e7\u00f5es tect\u00f4nicas j\u00e1 est\u00e3o em andamento. Os cientistas acreditam que o pr\u00f3ximo oceano da Terra poderia se formar na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geolsoc.org.uk\/Plate-Tectonics\/Chap3-Plate-Margins\/Divergent\/Triple-Junction\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">regi\u00e3o da Fenda da \u00c1frica Oriental<\/a>, onde se eleva uma coluna de rochas ardentes que separa lentamente uma faixa de terra ao longo da costa oriental do continente, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/sse.tulane.edu\/eens\/faculty\/ebinger\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cynthia Ebinger<\/a>, geof\u00edsica da Universidade de Tulane que realizou extensas pesquisas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o produz consequ\u00eancias muito concretas na atualidade, conforme revelado pelo vulcanismo abundante nessa regi\u00e3o do mundo, como a devastadora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/mount-nyiragongo-just-erupted-why-its-one-of-africas-most-dangerous-volcanoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">erup\u00e7\u00e3o do Monte Nyiragongo, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/a>,\u00a0que recentemente deixou at\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2021\/05\/1092942\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">400 mil desabrigados e matou ao menos 32 pessoas<\/a>. Outro vulc\u00e3o, na costa da Eritreia, produz um efeito distinto: mant\u00e9m o Mar Vermelho sob controle, protegendo contra inunda\u00e7\u00f5es \u00e1reas do nordeste da Eti\u00f3pia que est\u00e3o abaixo do n\u00edvel do mar, conta Ebinger. Existiu um pequeno oceano nessa regi\u00e3o e, embora suas \u00e1guas tenham secado h\u00e1 muito tempo, a movimenta\u00e7\u00e3o das placas da Terra pode acabar ocasionando novas inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Embora a atividade tect\u00f4nica seja o principal fator do passado e futuro geol\u00f3gico de nosso planeta, uma for\u00e7a diferente e poderosa est\u00e1 interferindo nos processos da Terra atual: a humanidade. Os humanos liberam aos c\u00e9us gases que aquecem o planeta a taxas sem precedentes, alterando a circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica e atmosf\u00e9rica com consequ\u00eancias mortais. Os humanos tamb\u00e9m misturam como nunca ecossistemas por meio de importa\u00e7\u00f5es e viagens.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um processo in\u00e9dito na Terra. Nunca aconteceu\u201d, reitera Peters.<\/p>\n<p>A era dos humanos \u00e9 apenas um instante no tempo geol\u00f3gico, mas nossos atos t\u00eam o potencial de deixar marcas indel\u00e9veis no mundo, sobretudo a mistura da biosfera, adverte Peters.<\/p>\n<p>\u201cEssas marcas estar\u00e3o presentes em cada organismo que vier a existir efetivamente\u201d, prossegue ele, \u201cda mesma forma que Pangeia existe em cada organismo presente, essencialmente, na Terra nos dias de hoje\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vest\u00edgios geol\u00f3gicos do passado remoto de nosso planeta revelam que as atuais linhas costeiras n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148749,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/oceano-3.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Vest\u00edgios geol\u00f3gicos do passado remoto de nosso planeta revelam que as atuais linhas costeiras n\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148748"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148748"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148751,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148748\/revisions\/148751"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}