{"id":148532,"date":"2021-06-24T13:00:45","date_gmt":"2021-06-24T16:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148532"},"modified":"2021-06-24T08:48:22","modified_gmt":"2021-06-24T11:48:22","slug":"encontrado-fossil-de-rinoceronte-mais-alto-que-girafa-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/encontrado-fossil-de-rinoceronte-mais-alto-que-girafa-na-china\/","title":{"rendered":"Encontrado f\u00f3ssil de rinoceronte mais alto que girafa na China"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148533\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A esp\u00e9cie rec\u00e9m-descoberta, um dos maiores animais terrestres j\u00e1 existentes, vagava pela atual regi\u00e3o do planalto tibetano e do Paquist\u00e3o, h\u00e1 mais de 25 milh\u00f5es de anos.<\/h2>\n<p>O planalto do Tibete atualmente alcan\u00e7a as alturas: \u00e9 uma extens\u00e3o escarpada de estepes de altitude elevada com o imponente Himalaia ao fundo. Contudo, h\u00e1 26,5 milh\u00f5es de anos, trechos dessa regi\u00e3o eram pontilhados por bosques \u00famidos, oferecendo ref\u00fagio a outro tipo de arranha-c\u00e9u: um dos maiores mam\u00edferos a caminhar sobre a Terra.<\/p>\n<p>O animal rec\u00e9m-descoberto, revelado em 17 de junho\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s42003-021-02170-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na revista cient\u00edfica<\/a><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s42003-021-02170-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0<em>Communications Biology<\/em>\u00a0<\/a>, \u00e9 um primo extinto do rinoceronte atual e pertence \u00e0 esp\u00e9cie\u00a0<em>Paraceratherium linxiaense.<\/em>\u00a0A criatura colossal teria pesado at\u00e9 24 toneladas, quatro vezes mais do que os elefantes-africanos de hoje, e somente seu cr\u00e2nio possu\u00eda cerca de um metro de comprimento.<\/p>\n<p>\u00c9 a mais recente esp\u00e9cie descoberta de um grupo de rinocerontes gigantes sem chifres que viveu em toda a \u00c1sia Central entre 50 e 23 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. O\u00a0<em>P. linxiaense\u00a0<\/em>e seus parentes s\u00e3o todos conhecidos por seus tamanhos enormes. Acredita-se que um adulto tenha, em m\u00e9dia, mais de cinco metros de altura at\u00e9 os ombros, um pesco\u00e7o de cerca de dois metros e um cr\u00e2nio imenso. As girafas atuais t\u00eam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/mammals\/facts\/giraffe?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entre quatro e seis metros de altura<\/a>, at\u00e9 a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Os rinocerontes gigantes \u201cconseguiriam se alimentar de flores no terceiro ou quarto andar de um pr\u00e9dio\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/isem-evolution.fr\/en\/membre\/antoine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pierre-Olivier Antoine<\/a>, Explorador da\u00a0<strong>National Geographic<\/strong>\u00a0e paleont\u00f3logo de rinocerontes da Universidade de Montpellier, na Fran\u00e7a, que revisou o novo estudo.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>P. linxiaense\u00a0<\/em>foi um dos \u00faltimos desses gigantes, denominados paracerat\u00e9rios, que viveram cerca de 26,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Devido \u00e0 sua idade e localiza\u00e7\u00e3o, os novos f\u00f3sseis, incluindo um cr\u00e2nio completo, uma mand\u00edbula e tr\u00eas v\u00e9rtebras, ajudam a definir a \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos paracerat\u00e9rios ao identificar onde esses rinocerontes gigantescos evolu\u00edram e como ocorreu sua distribui\u00e7\u00e3o pelo continente atual da \u00c1sia.<\/p>\n<h3>Gigante pr\u00e9-hist\u00f3rico<\/h3>\n<p>F\u00f3sseis de\u00a0<em>Paraceratherium<\/em>\u00a0s\u00e3o raros e geralmente est\u00e3o incompletos, dificultando o mapeamento da evolu\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do g\u00eanero. Ao que parece, o lar de longa data do grupo foi a \u00c1sia Central, mas a\u00a0<em>P. bugtiense<\/em>, primeira esp\u00e9cie de\u00a0<em>Paraceratherium\u00a0<\/em>j\u00e1 encontrada, viveu no atual oeste do Paquist\u00e3o. Como exatamente esse rinoceronte gigante chegou ao subcontinente indiano?<\/p>\n<p>Pesquisadores liderados por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ivpp.cas.cn\/sourcedb_ivpp_cas\/yw\/rckyw\/200908\/t20090811_2364079.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tao Deng<\/a>, paleont\u00f3logo de mam\u00edferos do Instituto de Paleoantropologia e Paleontologia de Vertebrados da China em Pequim, descobriram recentemente que a nova esp\u00e9cie\u00a0<em>P. linxiaense\u00a0<\/em>possui parentesco pr\u00f3ximo com a paquistanesa\u00a0<em>P. bugtiense<\/em>, o que sugere uma poss\u00edvel origem do rinoceronte no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Os novos f\u00f3sseis foram extra\u00eddos dos arenitos marrons da Bacia Linxia, na China central. Nessa bacia, camadas de sedimentos de quase dois quil\u00f4metros de espessura recontam a hist\u00f3ria dos \u00faltimos 30 milh\u00f5es de anos da Terra, possuindo f\u00f3sseis dispersos de criaturas primitivas que viveram na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, propriet\u00e1rios rurais da regi\u00e3o alegaram ter encontrado \u201cossos de drag\u00e3o\u201d. Por algum tempo, esses restos mortais\u00a0<a href=\"http:\/\/www.xinhuanet.com\/english\/2017-07\/28\/c_136480823.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foram vendidos a empresas m\u00e9dicas<\/a>\u00a0e utilizados como ingredientes na medicina tradicional chinesa. Na d\u00e9cada de 1980, os paleont\u00f3logos reconheceram o valor cient\u00edfico dos f\u00f3sseis conservados na regi\u00e3o, oriundos do fim da \u00e9poca do Oligoceno, per\u00edodo entre 23 e 28 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os paleont\u00f3logos do Instituto de Paleoantropologia e Paleontologia de Vertebrados estudam as rochas da Bacia Linxia e a rica variedade de f\u00f3sseis nelas contidos.<\/p>\n<p>Em maio de 2015, Deng e seus colegas encontraram algo raro pr\u00f3ximo ao vilarejo de Wangjiachuan: o cr\u00e2nio completo e a mand\u00edbula de um rinoceronte gigantesco, bem como tr\u00eas v\u00e9rtebras de outro indiv\u00edduo. Segundo Deng, quando os pesquisadores encontraram os ossos de 26,5 milh\u00f5es de anos \u2014 incluindo o cr\u00e2nio de pouco mais de um metro de comprimento \u2014 ficaram \u201cmuito surpresos\u201d com seu estado de conserva\u00e7\u00e3o e tamanho.<\/p>\n<p>Com base em suas semelhan\u00e7as com o rinoceronte gigante do Paquist\u00e3o, as novas descobertas sugerem que os rinocerontes gigantes transitavam livremente por milhares de quil\u00f4metros entre a \u00c1sia Central e o subcontinente indiano entre 30 e 35 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. As condi\u00e7\u00f5es tropicais da \u00e9poca<em>\u00a0<\/em>\u201cpermitiram que o rinoceronte gigante retornasse rumo ao norte para a \u00c1sia Central, o que implica que a regi\u00e3o tibetana ainda n\u00e3o havia se elevado como um planalto de grande altitude\u201d, escreveu Deng por e-mail \u2014 uma hip\u00f3tese\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/50\/eaba7298\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">confirmada por evid\u00eancias geol\u00f3gicas, sugerindo que ainda houvesse algumas plan\u00edcies na regi\u00e3o at\u00e9 cerca de 25 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s<\/a>.<\/p>\n<h3>Mist\u00e9rios do rinoceronte gigantesco<\/h3>\n<p>Antoine, paleont\u00f3logo franc\u00eas, afirma que o novo estudo ajuda a revelar os padr\u00f5es geogr\u00e1ficos que determinavam a movimenta\u00e7\u00e3o dos rinocerontes gigantescos na Terra antiga. Um cat\u00e1logo de f\u00f3sseis de rinocerontes gigantescos apresentado na nova pesquisa sugere que os animais nunca atravessaram, por exemplo, os montes Urais para ir da \u00c1sia \u00e0 Europa, um indicativo de que a cordilheira j\u00e1 fosse uma barreira na \u00e9poca.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m pode ajudar a explicar como as grandiosas criaturas chegaram \u00e0 regi\u00e3o atual da Turquia, onde f\u00f3sseis de rinocerontes tamb\u00e9m foram encontrados. De acordo com Antoine, f\u00f3sseis ainda n\u00e3o descritos em um artigo cient\u00edfico sugerem que, depois que rinocerontes gigantescos chegaram ao atual Paquist\u00e3o, atravessaram as regi\u00f5es atuais do Afeganist\u00e3o e Ir\u00e3 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Turquia.<\/p>\n<p>Alguns dos f\u00f3sseis que revelaram essa hist\u00f3ria, entretanto, foram perdidos. Um acervo de 300 f\u00f3sseis coletados em parte por Antoine no Paquist\u00e3o \u2014 incluindo restos de rinocerontes gigantescos \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/tribune.com.pk\/story\/361004\/dera-bugti-operation-largest-mammal-fossils-may-have-been-bombed-into-oblivion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi destru\u00eddo em 2006<\/a>, quando o ex\u00e9rcito paquistan\u00eas bombardeou Dera Bugti, cidade no oeste da prov\u00edncia de Baluchist\u00e3o, devido a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2006\/04\/02\/world\/asia\/in-remote-pakistan-province-a-civil-war-festers.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um conflito civil<\/a>\u00a0de longa dura\u00e7\u00e3o. No mesmo ano, o poderoso l\u00edder baluchi Nawab Akbar Bugti\u00a0foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.indiatoday.in\/magazine\/neighbours\/story\/20060911-nawab-akbar-khan-bugti-killing-puts-musharraf-on-defensive-784683-2006-09-11\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">morto em uma explos\u00e3o<\/a>\u00a0durante confronto com militares paquistaneses. Bugti havia sido um importante contato e fonte de prote\u00e7\u00e3o aos paleont\u00f3logos que trabalhavam na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 os f\u00f3sseis da esp\u00e9cie\u00a0<em>P. linxiaense<\/em>\u00a0est\u00e3o em seguran\u00e7a no Museu Paleozool\u00f3gico de Hezheng, na prov\u00edncia de Gansu, centro-norte da China. Deng est\u00e1 bastante animado com os futuros estudos desses restos mortais, inclusive com a reconstitui\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos da criatura e uma estimativa mais precisa de sua massa corporal.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que, diante das atuais evid\u00eancias da travessia de rinocerontes gigantescos pelo atual planalto do Tibete, pode haver mais f\u00f3sseis a serem encontrados na regi\u00e3o \u2014 um animal colossal pode estar enterrado no atual \u201cteto do mundo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esp\u00e9cie rec\u00e9m-descoberta, um dos maiores animais terrestres j\u00e1 existentes, vagava pela atual regi\u00e3o do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148533,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rinoceronte.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A esp\u00e9cie rec\u00e9m-descoberta, um dos maiores animais terrestres j\u00e1 existentes, vagava pela atual regi\u00e3o do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148532"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148535,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148532\/revisions\/148535"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}