{"id":148275,"date":"2021-06-20T12:30:35","date_gmt":"2021-06-20T15:30:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148275"},"modified":"2021-06-20T11:05:01","modified_gmt":"2021-06-20T14:05:01","slug":"planicies-associadas-as-florestas-de-mangue-retiram-carbono-da-atmosfera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/planicies-associadas-as-florestas-de-mangue-retiram-carbono-da-atmosfera\/","title":{"rendered":"Plan\u00edcies associadas \u00e0s florestas de mangue retiram carbono da atmosfera"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"entry-subtitle font-weight-medium\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148276\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ambiente estuarino descampado armazena nutrientes e ajuda no combate ao efeito estufa<\/h2>\n<p>Quem observa a floresta de mangue em um passeio de barco talvez saiba que o ecossistema \u00e9 um ber\u00e7\u00e1rio da vida aqu\u00e1tica. Menos conhecida \u00e9 a paisagem que \u00e0s vezes se segue, dezenas de metros adiante, onde a floresta vicejante d\u00e1 lugar a um campo aberto de ch\u00e3o rachado, como o do sert\u00e3o, em per\u00edodos mais secos. Entre poucas plantas rasteiras, ainda mais esparsos s\u00e3o arbustos resistentes \u00e0 alta salinidade da \u00e1gua do solo \u2012 at\u00e9 cinco vezes maior que a do mar, excessivo at\u00e9 para as \u00e1rvores do manguezal. Mesmo adaptadas ao sal, ali elas n\u00e3o vingam ou desenvolvem porte an\u00e3o. Chamada de plan\u00edcie hipersalina pelos ec\u00f3logos e salgado ou apicum (brejo de \u00e1gua salgada, em tupi-guarani) pelos moradores locais, essa face pouco conhecida do manguezal absorve no solo quantidade significativa de g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera e o estoca sob a forma de biomassa, segundo estudo publicado na revista\u00a0<em>Biogeosciences\u00a0<\/em>em abril.<\/p>\n<p>\u201cO solo n\u00e3o \u00e9 morto, mas revestido por um tapete vivo denominado microfitobentos, composto de algas, fungos, bact\u00e9rias, pequenos insetos e crust\u00e1ceos\u201d, diz o ec\u00f3logo Humberto Marotta, da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordenador do Laborat\u00f3rio de Ecossistemas e Mudan\u00e7as Globais (LEMG-UFF) e da Unidade Multiusu\u00e1rio de Gases de Efeito Estufa e Combust\u00edveis Vol\u00e1teis (GAS-UFF), em Niter\u00f3i, Rio de Janeiro, um dos autores do artigo. S\u00e3o as cianobact\u00e9rias, tamb\u00e9m chamadas de algas azuis, as respons\u00e1veis pela maior parte da absor\u00e7\u00e3o de carbono. Trata-se de microrganismos fotossintetizantes que, como as plantas, produzem seu pr\u00f3prio alimento a partir do g\u00e1s carb\u00f4nico que absorvem e da energia do sol.<\/p>\n<p>\u201cParte do microfitobentos que morre permanece no solo, preservado pelo sal\u201d, explica o ocean\u00f3grafo Christian Sanders, da Universidade de Southern Cross, na Austr\u00e1lia, e coordenador do trabalho que contou com pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos. Conforme as mar\u00e9s trazem mais sedimentos, o solo cresce em camadas, por volta de 1 ou 2 mil\u00edmetros ao ano, enterrando microrganismos repletos de carbono que podem ficar l\u00e1 por s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Estudando as camadas do solo, os pesquisadores verificaram que nos \u00faltimos 100 anos o apicum da Reserva Biol\u00f3gica Estadual de Guaratiba, \u00e0s margens da ba\u00eda de Sepetiba, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, absorveu cerca de 21 gramas de carbono por ano, ou 1 quilograma de carbono a cada 50 anos, por metro quadrado. Usando aparelhos que medem a quantidade de carbono que entra e sai do solo, eles verificaram que o elemento qu\u00edmico era mais absorvido do que eliminado nos sedimentos, confirmando que o solo salgado absorve o principal g\u00e1s do efeito estufa como uma esponja.<\/p>\n<div class=\"aligncenter generated\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-0-teste.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-397369\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-0-teste.jpg\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-0-teste.jpg 1200w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-0-teste-250x181.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-0-teste-700x508.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-0-teste-120x87.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"463\" \/><span class=\"media-credits-inline\">Google Earth<\/span><\/a><\/div>\n<p>\u201cAs plan\u00edcies hipersalinas n\u00e3o absorveram tanto carbono quanto as florestas do mangue, recordistas nessa modalidade, mas podem ser at\u00e9 mais extensas em determinadas \u00e1reas, o que torna relevante a absor\u00e7\u00e3o total\u201d, diz Sanders. Os pesquisadores defendem que essas plan\u00edcies sejam consideradas um componente do sistema de carbono azul, ou seja, um dos ecossistemas costeiros capazes de sequestrar carbono e atenuar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cO manguezal como um todo, incluindo o apicum, guarda carbono nos troncos, nas folhas, nas ra\u00edzes e no solo. O total pode chegar a quatro vezes mais do que nas florestas terrestres, como a amaz\u00f4nica, por unidade de \u00e1rea\u201d, calcula o ocean\u00f3grafo M\u00e1rio Soares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do N\u00facleo de Estudos em Manguezais (Nema), outro coautor do artigo da\u00a0<em>Biogeosciences<\/em>. Nas florestas terrestres, quando os seres vivos morrem e s\u00e3o decompostos, a maior parte do carbono na base de suas mol\u00e9culas org\u00e2nicas volta ao ar na forma de g\u00e1s carb\u00f4nico.<\/p>\n<p>Os apicuns ocorrem em locais onde h\u00e1 um desn\u00edvel do terreno nas regi\u00f5es tropicais e subtropicais de todo o globo. Ao contr\u00e1rio do solo lodoso da floresta, submerso todos os dias, a mar\u00e9 s\u00f3 chega at\u00e9 a plan\u00edcie hipersalina duas vezes por m\u00eas \u2013 quando a lua cheia ou minguante e o sol, alinhados \u00e0 Terra, somam suas for\u00e7as gravitacionais para produzir a chamada mar\u00e9 viva, mais alta que as demais. A \u00e1gua empo\u00e7a no terreno plano e evapora, acumulando sal. \u201cVaria\u00e7\u00f5es frequentes entre condi\u00e7\u00f5es submersas ou expostas do apicum devido aos regimes de chuva e \u00e0 mar\u00e9 podem representar mudan\u00e7as pronunciadas na apreens\u00e3o de carbono pela atividade fotossintetizante do microfitobentos ao longo do ano\u201d, comenta a ec\u00f3loga Roberta Peixoto, pesquisadora em est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no grupo de Marotta.<\/p>\n<p>No Brasil, os apicuns ocorrem principalmente desde o Rio de Janeiro at\u00e9 o Oiapoque, no Amap\u00e1, extremo norte do pa\u00eds, sendo mais comuns e amplos no Nordeste, onde a esta\u00e7\u00e3o seca bem demarcada faz a \u00e1gua da mar\u00e9 evaporar mais rapidamente e o terreno plano \u00e9 extenso. Em S\u00e3o Paulo n\u00e3o h\u00e1 apicuns, porque a serra do Mar deixa pouco espa\u00e7o para essas forma\u00e7\u00f5es e o clima mais chuvoso n\u00e3o favorece sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-397352 \" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140.jpg\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140-250x165.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140-700x463.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140-120x79.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"422\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-2-1140.jpg\"><span class=\"media-credits-inline\">L\u00e9o Ramos Chaves<\/span><\/a>\u00a0<em>Avicennia schaueriana<\/em>, a mais tolerante \u00e0 salinidade entre as esp\u00e9cies de mangue, mant\u00e9m estatura an\u00e3 na plan\u00edcie hipersalina, e a rasteira\u00a0<em>Sarcocornia ambigua<\/em>\u00a0\u00e9 comum nesse ambiente<\/p>\n<div id=\"attachment_397352\" class=\"wp-caption alignright\"><\/div>\n<p><strong>M\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de ser uma m\u00e1quina de enterrar carbono, a plan\u00edcie hipersalina tamb\u00e9m absorve nutrientes importantes para as plantas, como nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo. Quando a mar\u00e9 lava as plan\u00edcies salgadas, borbulha do solo uma espuma de cianobact\u00e9rias mortas, rica em nutrientes, que escorre para a floresta e enriquece o solo lodoso do manguezal.<\/p>\n<p>Por ficar normalmente entre a floresta de mangue e o sistema terrestre, o apicum serve de passagem para animais, como a on\u00e7a. \u201cPor ali passam tamb\u00e9m aves migrat\u00f3rias, que se alimentam de microcrust\u00e1ceos, moluscos e peixes jovens que vivem nas po\u00e7as d\u2019agua. H\u00e1, ainda, caranguejos e mam\u00edferos, como guaxinins, gatos e cachorros-do-mato\u201d, relata Soares. O pesquisador encontrou pegadas de on\u00e7a no apicum de Guaratiba e prepara, com outros pesquisadores, um artigo sobre a ocorr\u00eancia do animal no local.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou a estudar os manguezais de Guaratiba, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, Soares e sua equipe se intrigaram com a paisagem aparentemente in\u00f3spita, em uma \u00e9poca na qual a cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o, ou carcinicultura, come\u00e7ava a florescer nas plan\u00edcies hipersalinas do Nordeste, perfeitas por serem planas e pr\u00f3ximas da \u00e1gua salgada. \u201cPrecisamos entender esse ambiente antes que seja destru\u00eddo\u201d, ponderaram na \u00e9poca.<\/p>\n<div id=\"attachment_397348\" class=\"wp-caption alignright\"><\/div>\n<p><strong>Conflitos salgados<\/strong><br \/>\nAo contr\u00e1rio da floresta de mangue, o apicum n\u00e3o foi considerado uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental pelo C\u00f3digo Florestal de 2012, o que facilitou a sua explora\u00e7\u00e3o. Embora a carcinicultura seja uma ind\u00fastria lucrativa, um estudo do zo\u00f3logo Andrew Balmford, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicado na revista\u00a0<em>Science\u00a0<\/em>em 2002, estimou que o manguezal preservado gera 70% mais recursos do que o camar\u00e3o, que polui o ambiente e prejudica as florestas. \u201cOs recursos do manguezal s\u00e3o distribu\u00eddos em diversas atividades, como extrativismo, pesca e turismo, enquanto na carcinicultura o dono do neg\u00f3cio ganha e o ambiente sofre\u201d, diz Soares.<\/p>\n<div id=\"ads-60cb7e99749e1\">\n<div class=\"ads-manager ads-position ads-desktop\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1584123623408-0\" data-google-query-id=\"CP3OofGppvECFfEL1AodRuUAiQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/4188148\/eC_EditorialD_Conteudo5_0__container__\">\n<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-397348 \" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140.jpg\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140-250x188.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140-700x525.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140-120x90.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-3-1140.jpg\"><span class=\"media-credits-inline\">Luiz Bento \/ Unicamp<\/span><\/a>\u00a0Cianobact\u00e9rias que vivem no solo s\u00e3o importantes no armazenamento de carbono<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cPara as popula\u00e7\u00f5es locais, o ecossistema manguezal \u00e9 uma fonte de renda e de seguran\u00e7a alimentar contra a fome e a mis\u00e9ria em tempos de crise, uma verdadeira previd\u00eancia social da natureza\u201d, observa a antrop\u00f3loga Cec\u00edlia Mello, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). \u201c\u00c9 tamb\u00e9m uma fonte de moradia, pois at\u00e9 as casas s\u00e3o constru\u00eddas com tijolos de barro do mangue e erguidas nas suas proximidades.\u201d<\/p>\n<p>Mello fez uma etnografia dos conflitos entre popula\u00e7\u00f5es locais da cidade de Caravelas, na Bahia, e empreendedores interessados em desenvolver a carcinicultura na regi\u00e3o, publicada em 2016 na\u00a0<em>Revista de Antropologia<\/em>. Os pescadores locais resistiram e lideraram a forma\u00e7\u00e3o da Reserva Extrativista do Cassurub\u00e1, implementada em junho de 2009, com o apoio de universidades p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs). \u201cOs aquicultores procuram seduzir os moradores locais oferecendo emprego, mas eles s\u00f3 s\u00e3o necess\u00e1rios na constru\u00e7\u00e3o das piscinas; a cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o \u00e9 pouco intensiva em m\u00e3o de obra\u201d, conta a antrop\u00f3loga.<\/p>\n<div id=\"attachment_397344\" class=\"wp-caption alignright\"><\/div>\n<p>A pesquisadora relata que em Curral Velho, comunidade pesqueira em Acara\u00fa, no Cear\u00e1, a comunidade local adaptou todo o calend\u00e1rio escolar de acordo com as atividades de pesca. \u201cOs filhos podiam aprender a pescar com os pais e quando a fam\u00edlia estava toda no mangue n\u00e3o tinham aula. Em outros per\u00edodos as aulas eram mais intensivas\u201d, conta Mello. Al\u00e9m da pesca, a captura de crust\u00e1ceos, como caranguejos, e moluscos refor\u00e7a a renda das marisqueiras, via de regra mulheres que aportam com seu trabalho a renda principal da unidade familiar.<\/p>\n<div id=\"ads-60cb7e9976ae7\">\n<div class=\"ads-manager ads-position ads-desktop\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1584123667636-0\" data-google-query-id=\"CMbQofGppvECFfEL1AodRuUAiQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/4188148\/eC_EditorialD_Conteudo6_0__container__\">\n<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-397344 \" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140.jpg\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140-250x179.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140-700x500.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140-120x86.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"457\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SITE_PlaniciesHipersalinas-4-1140.jpg\"><span class=\"media-credits-inline\">Clemente Coelho Junior \/ UPE<\/span><\/a>\u00a0Cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o em Canguaretama, no Rio Grande do Norte<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Embora o artigo da\u00a0<em>Biogeosciences<\/em>\u00a0se apoie no mercado de carbono para mostrar a import\u00e2ncia do apicum, os pesquisadores ressaltam que o estoque do elemento \u00e9 apenas uma entre muitas fun\u00e7\u00f5es daquele ambiente. \u201cA fun\u00e7\u00e3o social \u00e9 t\u00e3o ou mais importante. Precisamos mudar o paradigma mercantil, que \u00e9 a causa da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, e reduzir as emiss\u00f5es\u201d, argumenta Soares. Mello concorda: \u201cA import\u00e2ncia do ecossistema \u00e9 incomensur\u00e1vel e n\u00e3o entra nos dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica], nem nas estimativas do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas]. O manguezal n\u00e3o \u00e9 apenas um ativo que presta servi\u00e7os ambientais: ele \u00e9 a casa, a feira, o emprego e a previd\u00eancia de pescadores e marisqueiras de toda a costa brasileira\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambiente estuarino descampado armazena nutrientes e ajuda no combate ao efeito estufa Quem observa a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mangue.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ambiente estuarino descampado armazena nutrientes e ajuda no combate ao efeito estufa Quem observa a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148275"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148275"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148279,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148275\/revisions\/148279"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148276"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}