{"id":148193,"date":"2021-06-19T11:57:59","date_gmt":"2021-06-19T14:57:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148193"},"modified":"2021-06-19T11:57:59","modified_gmt":"2021-06-19T14:57:59","slug":"em-areas-degradadas-na-amazonia-florestas-tem-mais-e-maiores-aberturas-entre-as-copas-das-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/em-areas-degradadas-na-amazonia-florestas-tem-mais-e-maiores-aberturas-entre-as-copas-das-arvores\/","title":{"rendered":"Em \u00e1reas degradadas na Amaz\u00f4nia, florestas t\u00eam mais e maiores aberturas entre as copas das \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"entry-subtitle font-weight-medium\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148194\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O estudo tamb\u00e9m mostra que, nas florestas mais preservadas, as aberturas podem aumentar quando expostas a efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h2>\n<p>Em florestas tropicais como a Amaz\u00f4nia brasileira, o ecossistema n\u00e3o se limita apenas ao solo. O dossel, isto \u00e9, a alta camada de sobreposi\u00e7\u00e3o de folhagens da copa das \u00e1rvores, tamb\u00e9m \u00e9 habitat de diversas esp\u00e9cies e naturalmente apresenta aberturas na sua estrutura. Essas aberturas no dossel, chamadas de clareiras, s\u00e3o importantes na regula\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica florestal, embora possam estar ligadas \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da floresta. Um estudo realizado por pesquisadores da USP mostrou que florestas em \u00e1reas degradadas apresentam clareiras maiores e em maior quantidade no dossel, quando comparadas \u00e0s \u00e1reas sem ind\u00edcios de perturba\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica (livres de altera\u00e7\u00f5es na din\u00e2mica natural por a\u00e7\u00e3o humana).<\/p>\n<p>Os dados coletados pelo Instituto Nacional de Pesquisas\u00a0 Espaciais (Inpe) tamb\u00e9m mostram que essa mesma altera\u00e7\u00e3o nas clareiras pode acontecer nas florestas n\u00e3o modificadas pelo homem, quando expostas a efeitos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>As aberturas no dossel, geralmente provenientes da queda de \u00e1rvores, regulam a din\u00e2mica florestal, ao passo que possibilitam a entrada de luz no sub-bosque que, por sua vez, tem o desenvolvimento favorecido e garante a heterogeneidade e a biodiversidade da floresta. Entretanto, a a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica pode alterar de forma preocupante essa din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Para avaliar a ocorr\u00eancia de clareiras em diferentes \u00e1reas da Amaz\u00f4nia brasileira, Cristiano Rodrigues Reis, engenheiro florestal e doutorando em Recursos Florestais pela USP, coordenou a pesquisa intitulada\u00a0<em>Forest structure and degradation drive canopy gap sizes across the Brazilian Amazon<\/em>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2021.05.03.442416v1\">dispon\u00edvel em preprint<\/a> (ainda sem revis\u00e3o de pares)\u00a0em maio deste ano, na plataforma bioRxiv.<\/p>\n<p>O estudo conta com orienta\u00e7\u00e3o do professor Luiz Carlos Estraviz Rodriguez, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, colabora\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Ecologia Florestal e Conserva\u00e7\u00e3o da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e apoio da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes).<\/p>\n<p>Os cientistas utilizaram dados do Inpe coletados atrav\u00e9s do escaneamento a laser, por meio do sensor remoto<em>\u00a0Light Detection and Ranging<\/em>\u00a0(Lidar), aerotransportado sobre a floresta. O retorno do laser emitido em 650 faixas de 375 hectares (300 metros x 12.500 m) em \u00e1reas aleat\u00f3rias na floresta gera uma nuvem de pontos. Assim, foi poss\u00edvel quantificar e analisar as aberturas no dossel em uma dimens\u00e3o espacial in\u00e9dita para a regi\u00e3o. \u201cO modelo digital do dossel, com uma resolu\u00e7\u00e3o t\u00e3o elevada, permitiu mapear clareiras com grande precis\u00e3o\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<figure id=\"attachment_422278\" class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-422278\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/20210602_nuvem_pontos.jpg?resize=691%2C562&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"520\" \/><figcaption><em>Recorte da Nuvem de pontos Lidar \u2013 Foto:\u00a0<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/em-areas-degradadas-na-amazonia-florestas-tem-mais-e-maiores-aberturas-entre-as-copas-das-arvores\/\">Cristiano Rodrigues Reis \/ USP Imagens<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Reis explica que, ap\u00f3s mapear as clareiras, foi calculada a frequ\u00eancia das clareiras nas suas respectivas \u00e1reas para cada faixa e ajustada a fun\u00e7\u00e3o chamada\u00a0<em>Power-law<\/em>, pela qual se obteve o coeficiente de escala da fun\u00e7\u00e3o que apresentou uma alta sensibilidade, a ponto de diferenciar as florestas intactas daquelas com ind\u00edcios de perturba\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, pr\u00f3ximas a zonas de desmatamento (arco do desmatamento). Entre as m\u00e9tricas utilizadas, a fun\u00e7\u00e3o se destacou, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de se obter esse par\u00e2metro para estudos de clareiras, segundo o pesquisador.<\/p>\n<h2><span id=\"Efeito-contagio\"><strong>Efeito cont\u00e1gio<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>Os resultados mostraram que as florestas com ind\u00edcio de perturba\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica apresentavam maior quantidade de clareiras e essas eram maiores, quando comparadas \u00e0s florestas intactas, mais distantes das zonas de desmatamento. De acordo com o cientista, o que explica esse dado pode n\u00e3o ser apenas a retirada artificial das \u00e1rvores para fins econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de efeito cont\u00e1gio gerado pela altera\u00e7\u00e3o no ambiente dessas estruturas. \u201cA abertura de clareiras e a ascend\u00eancia do sub-bosque por quedas de \u00e1rvores s\u00e3o naturais, mas \u00e9 um processo lento e que modifica as condi\u00e7\u00f5es microclim\u00e1ticas do ambiente. Quando a abertura do dossel \u00e9 for\u00e7ada pelo homem, abrem-se grandes espa\u00e7os rapidamente e a mudan\u00e7a dr\u00e1stica no ambiente favorece a morte das \u00e1rvores ao redor, gerando um efeito cadeia\u201d, completa.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s florestas sem ind\u00edcios de perturba\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, quando analisadas as estruturas dos doss\u00e9is e comparadas \u00e0s vari\u00e1veis ambientais de cada regi\u00e3o, observou-se que maior fertilidade do solo, velocidade do vento, intensidade de queda de raios e d\u00e9ficit h\u00eddrico s\u00e3o fatores relacionados com um aumento, tanto em n\u00famero como em tamanho, na abertura das clareiras. Com exce\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo\u00a0\u2014\u00a0que quanto maior, acelera a din\u00e2mica florestal e logo, tamb\u00e9m a abertura de clareiras\u00a0\u2014 os demais fatores preocupam os cientistas por estarem ligados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Um exemplo \u00e9 a mudan\u00e7a no regime de chuvas, que acentua o d\u00e9ficit h\u00eddrico e, consequentemente, a morte de \u00e1rvores.\u00a0\u201cSe continuarmos neste ritmo de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, as florestas sem perturba\u00e7\u00e3o podem apresentar clareiras semelhantes \u00e0s modificadas pelo homem, sendo pouco diferenciadas\u201d, afirma.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-422277\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/20210602_clareiras_laser.png?resize=696%2C492&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"452\" \/><figcaption><em>Modelo digital de dossel evidenciando as aberturas (clareiras) \u2013 Foto:\u00a0<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/em-areas-degradadas-na-amazonia-florestas-tem-mais-e-maiores-aberturas-entre-as-copas-das-arvores\/\">Cristiano Rodrigues Reis \/ USP Imagens<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os dados tamb\u00e9m revelaram que regi\u00f5es com \u00e1rvores maiores tamb\u00e9m possuem clareiras maiores, o que \u00e9 explicado pela aus\u00eancia da copa da \u00e1rvore que veio ao solo, por exemplo, e pelo impacto que ela causa ao redor pelo seu tamanho. Al\u00e9m disso, doss\u00e9is mais altos apresentam um n\u00famero menor de clareiras. Isso se d\u00e1, segundo Reis, pelo fato de que a vegeta\u00e7\u00e3o do sub-bosque dessas \u00e1reas mascara a queda das \u00e1rvores e, consequentemente, as aberturas.<\/p>\n<p>\u201cA distribui\u00e7\u00e3o de grandes clareiras no dossel florestal varia substancialmente ao longo da Amaz\u00f4nia brasileira. Os resultados deste trabalho mostram a import\u00e2ncia de se calcular o coeficiente de escala para identificar \u00e1reas intactas e modificadas pelo homem\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail cristiano.reis@usp.br, com Cristiano Rodrigues Reis<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo tamb\u00e9m mostra que, nas florestas mais preservadas, as aberturas podem aumentar quando expostas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/arvore-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O estudo tamb\u00e9m mostra que, nas florestas mais preservadas, as aberturas podem aumentar quando expostas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148193"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148193"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148196,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148193\/revisions\/148196"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}