{"id":148158,"date":"2021-06-18T14:00:56","date_gmt":"2021-06-18T17:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148158"},"modified":"2021-06-18T12:41:18","modified_gmt":"2021-06-18T15:41:18","slug":"o-que-pode-ser-feito-para-impedir-a-desertificacao-em-areas-de-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-pode-ser-feito-para-impedir-a-desertificacao-em-areas-de-caatinga\/","title":{"rendered":"O que pode ser feito para impedir a desertifica\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de Caatinga"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148159\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Entenda como ocorre o processo de deteriora\u00e7\u00e3o do solo e o que pode ser feito para impedir o avan\u00e7o da desertifica\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de Caatinga<\/em><\/p>\n<p>No\u00a0<strong>Dia Mundial de Combate \u00e0 Seca e \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o<\/strong>, especialistas apontam como a\u00e7\u00f5es humanas contribuem para a\u00a0<strong>degrada\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e indicam: o\u00a0<strong>manejo sustent\u00e1vel<\/strong>\u00a0\u00e9 mais vi\u00e1vel que a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todo o territ\u00f3rio cearense est\u00e1 suscet\u00edvel \u00e0\u00a0<strong>desertifica\u00e7\u00e3o<\/strong>, de acordo com a delimita\u00e7\u00e3o feita pelo\u00a0<strong>Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA)<\/strong>. Estudo realizado pela\u00a0<strong>Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos (Funceme)<\/strong>\u00a0mostra que 11,45% do Estado j\u00e1 se encontram neste processo, aparentando tr\u00eas grandes \u00e1reas mais afetadas:\u00a0<strong>M\u00e9dio Jaguaribe<\/strong>,<strong>\u00a0Inhamuns<\/strong>,<strong>\u00a0Irau\u00e7uba<\/strong>\u00a0e munic\u00edpios circunvizinhos. O\u00a0<strong>empobrecimento do solo<\/strong>\u00a0tem rela\u00e7\u00e3o direta com a a\u00e7\u00e3o humana. Nesta data, especialistas explicam como\u00a0<strong>pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>saberes tradicionais<\/strong>\u00a0podem at\u00e9\u00a0<strong>reverter<\/strong>\u00a0esse quadro.<\/p>\n<p>\u201cSe o solo n\u00e3o for utilizado com um manejo adequado, pode vir a sofrer este fen\u00f4meno\u201d, explica a pesquisadora da Funceme, S\u00f4nia Perdig\u00e3o. Ela lista processos que, entre outros,\u00a0 contribuem para a desertifica\u00e7\u00e3o, como:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Desmatamento<\/strong>\u00a0\u2013 deixa o solo desprotegido podendo sofrer processos de eros\u00e3o<\/li>\n<li><strong>Queimadas<\/strong>\u00a0\u2013 eliminam a microfauna e microflora do solo<\/li>\n<li><strong>Irriga\u00e7\u00e3o mal conduzida<\/strong>\u00a0\u2013 pode causar a saliniza\u00e7\u00e3o dos solos<\/li>\n<li><strong>Sobrepastoreio<\/strong>\u00a0\u2013 causa a compacta\u00e7\u00e3o dos solos<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quanto mais adiantada a\u00a0<strong>eros\u00e3o do solo<\/strong>, menor a quantidade de nutrientes e \u00e1gua acumulada dispon\u00edveis para as plantas. O que significa tamb\u00e9m a\u00a0<strong>redu\u00e7\u00e3o da produtividade<\/strong>\u00a0e at\u00e9 a\u00a0<strong>n\u00e3o sobreviv\u00eancia da vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0nessas \u00e1reas, aponta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Contudo, uma experi\u00eancia realizada pela Funceme numa \u00e1rea de 5 hectares, na localidade de Brum, em Jaguaribe, tem possibilitado encontrar maneiras de reverter esse processo.<\/p>\n<p>\u201cForam realizados estudos na \u00e1rea, como solo, vegeta\u00e7\u00e3o, vari\u00e1veis ambientais, dentre outros. Foram tamb\u00e9m implementadas t\u00e9cnicas de manejo para recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1rea degradada e, ap\u00f3s isso, j\u00e1 podemos observar resultados bem positivos, pois espa\u00e7os de solo exposto, onde n\u00e3o nascia mais nem vegeta\u00e7\u00e3o herb\u00e1cea, hoje se encontram ocupados por elas, al\u00e9m do surgimento de novas esp\u00e9cies da\u00a0<strong>Caatinga<\/strong>\u201d, conta Perdig\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia corrobora com a defesa do Francisco Barreto Campello.\u00a0Coordenador\u00a0<strong>Projeto Rural Sustent\u00e1vel Caatinga<\/strong>, iniciativa realizada pela parceria entre o\u00a0<strong>Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa)<\/strong>, o<strong>\u00a0governo brit\u00e2nico<\/strong>, o\u00a0<strong>Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)<\/strong>, tendo como implementador a\u00a0<strong>Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FBDS)<\/strong>, com o apoio t\u00e9cnico da\u00a0<strong>Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) Semi\u00e1rido<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf)<\/strong>.<\/p>\n<p>Campello explica que que o\u00a0<strong>processo de degrada\u00e7\u00e3o do solo<\/strong>\u00a0\u00e9 intensificado pela descontinua\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas tradicionais de uso da terra, situa\u00e7\u00e3o que ocorre\u00a0<strong>desde a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>extin\u00e7\u00e3o em massa das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas<\/strong>.<\/p>\n<p>Aproximadamente 1,3 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados est\u00e3o suscet\u00edveis a desertifica\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, indica Campello. Isso envolve pelo menos 27% dos munic\u00edpios do Brasil, 16% do territ\u00f3rio brasileiro e uma popula\u00e7\u00e3o rural e urbana em torno de 30 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>\u201cA desertifica\u00e7\u00e3o ocorre por quest\u00f5es naturais, mas \u00e9 intensificada pela a\u00e7\u00e3o do homem\u201d, sintetiza.\u00a0H\u00e1 uma\u00a0<strong>necessidade<\/strong>, aponta, de uma\u00a0<strong>cultura de irriga\u00e7\u00e3o correta<\/strong>\u00a0e de\u00a0<strong>aumento da biomassa florestal<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos desertifica\u00e7\u00e3o por uma\u00a0<strong>irriga\u00e7\u00e3o mal feita que saliniza o solo<\/strong>. Como n\u00f3s temos\u00a0<strong>\u00e1guas muito mineralizadas por conta da geomorfologia<\/strong>, precisamos ter uma cultura de irriga\u00e7\u00e3o que permita a n\u00e3o degrada\u00e7\u00e3o\u201d, informa. Todavia, ressalta, existe a\u00a0<strong>desertifica\u00e7\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o humana<\/strong>\u00a0em fun\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>quest\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cPelo menos 30% da matriz energ\u00e9tica do Nordeste depende da\u00a0<strong>biomassa floresta<\/strong>, na qual 90% ou mais vem da Caatinga\u201d, aponta, referindo-se ao uso da<strong>\u00a0madeira<\/strong>. Essa retirada, contudo, pode ser feita, desde que cumpra\u00a0<strong>pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis<\/strong>, defende. Segundo Campello, a grande amea\u00e7a \u00e9 o\u00a0<strong>material retirado das florestas de Caatinga de forma clandestina<\/strong>, por meio do desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios tipos de<strong>\u00a0ind\u00fastrias<\/strong>\u00a0que\u00a0<strong>usam a lenha como fonte de energia prim\u00e1ria<\/strong>, ind\u00fastrias, por exemplo, de fia\u00e7\u00e3o e arrecada\u00e7\u00e3o. Essa, demanda faz com que, aproximadamente, todo ano, a gente tenha 25 milh\u00f5es de metros de lenha sendo utilizados para fornecer energia. A grande amea\u00e7a que n\u00f3s temos \u00e9 na forma como essa biomassa chega \u00e0 ind\u00fastria,\u00a0<strong>sem planejamento ambiental<\/strong>, sem um licenciamento para uso sustent\u00e1vel,\u00a0<strong>sem\u00a0 orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong>\u00a0na hora de ser retirada da natureza\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Outras formas de press\u00e3o sofridas no bioma s\u00e3o a\u00a0<strong>sobrecarga animal<\/strong>\u00a0e o<strong>\u00a0preparo para o plantio<\/strong>, aponta.\u00a0\u201cTemos que dimensionar carga animal adequada para que\u00a0 se beneficie da Caatinga, do ambiente e n\u00e3o o degrade. A sobrecarga animal, al\u00e9m da capacidade do s\u00edtio, vai agredir a vegeta\u00e7\u00e3o e vai comprometer o solo. A outra forma de degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 quando se vai preparar o solo sem os cuidados conservacionistas. Temos o famoso plantio morro abaixo, sem nenhum tipo de t\u00e9cnica de estabilidade do solo. Com o tempo, um ambiente que \u00e9 prop\u00edcio para agricultura passa a ser degradado e erodido. Esse quadro, infelizmente, ainda se mant\u00e9m na nossa regi\u00e3o\u201d, revela.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas \u00e9 poss\u00edvel, afirma, a partir de experi\u00eancias realizadas na Caatinga. Todavia, isso exige \u201ct\u00e9cnica, tempo e investimento\u201d, destaca. A melhor forma de evitar a desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0<strong>produzir de maneira sustent\u00e1vel<\/strong>, utilizar os recursos florestais com crit\u00e9rios para n\u00e3o precisar recuperar o solo posteriormente, conclui.<\/p>\n<h4>Eventos online discutem desertifica\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><strong>Live da Embrapa<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Embrapa Semi\u00e1rido<\/strong>, em parceria com o\u00a0<strong>Grupo Funda\u00e7\u00e3o Esquel Brasil<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Funceme<\/strong>, realizou nesta quinta-feira (17) live alusiva ao Dia Mundial de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o. A transmiss\u00e3o abordou as dificuldades, avan\u00e7os e desafios do combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil, no <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/embrapa\">canal da Embrapa no YouTube<\/a><\/p>\n<p><strong>Mesa redonda<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>PRS Caatinga<\/strong> realizou mesa redonda sobre o tema com pesquisadores e lideran\u00e7as no Semi\u00e1rido brasileiro tamb\u00e9m nesta quinta (17), com transmiss\u00e3o pelo YouTube nos canais PRS Caatinga e RTV Caatinga. A modera\u00e7\u00e3o \u00e9 de Francisco Campello.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda como ocorre o processo de deteriora\u00e7\u00e3o do solo e o que pode ser feito<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148159,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/desertificacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entenda como ocorre o processo de deteriora\u00e7\u00e3o do solo e o que pode ser feito","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148158"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148161,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148158\/revisions\/148161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}