{"id":148153,"date":"2021-06-18T13:30:14","date_gmt":"2021-06-18T16:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=148153"},"modified":"2021-06-18T12:43:05","modified_gmt":"2021-06-18T15:43:05","slug":"radiografias-de-cranio-de-dinossauro-revelam-pistas-sobre-seu-voo-e-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/radiografias-de-cranio-de-dinossauro-revelam-pistas-sobre-seu-voo-e-comunicacao\/","title":{"rendered":"Radiografias de cr\u00e2nio de dinossauro revelam pistas sobre seu voo e comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-148155\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Imagens de raios X revelam como esses animais primitivos se movimentavam pelo mundo, como era sua vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo como provavelmente era o canto de seus filhotes.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/article\/reimagining-dinosaurs-prehistoric-icons-get-a-modern-reboot-interactive-feature\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">era de ouro da paleontologia<\/a>: nos \u00faltimos anos, cientistas reuniram uma infinidade de ind\u00edcios sobre a apar\u00eancia e a vida dos dinossauros, como impressionantes reconstitui\u00e7\u00f5es de f\u00f3sseis, pegadas preservadas e marcas de mordidas em ossos. Agora, os paleont\u00f3logos demonstram que algumas das informa\u00e7\u00f5es mais surpreendentes sobre o comportamento desses animais extintos est\u00e3o guardadas no interior de seus cr\u00e2nios.<\/p>\n<p>Dois estudos publicados na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0detalham uma t\u00e9cnica que emprega imagens de raios X para estudar as \u00f3rbitas oculares e ouvidos internos preservados de dinossauros e de outros r\u00e9pteis pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Essas imagens permitem que os paleont\u00f3logos saibam mais sobre aspectos da vida dos dinossauros que, de outra forma, poderiam ter se perdido no tempo.<\/p>\n<p>\u201cO formato do ouvido interno sempre esteve relacionado ao estilo de vida e ao comportamento de um animal\u201d, afirma Julia Schwab, paleont\u00f3loga da Universidade de Edimburgo, que n\u00e3o participou da pesquisa. Por exemplo, o ouvido interno humano nos permite ouvir sons dentro de uma faixa de frequ\u00eancia espec\u00edfica, desde a queda de uma folha at\u00e9 um trov\u00e3o, e o formato do ouvido interno est\u00e1 associado ao senso de equil\u00edbrio de nossa esp\u00e9cie b\u00edpede.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o dos cr\u00e2nios de dinossauros os tornou espessos para protegerem o c\u00e9rebro e as estruturas associadas, como os canais tubulares do ouvido interno, o que manteve esses preciosos vest\u00edgios intactos por milh\u00f5es de anos. Mas esses ossos protetores dificultam a visualiza\u00e7\u00e3o das estruturas contidas em seu interior. Por esse motivo, a equipe de um dos estudos, liderada por Michael Hanson, p\u00f3s-graduando da Universidade de Yale, e Bhart-Anjan Bhullar, seu orientador, fez uma s\u00e9rie de radiografias de 124 arcossauros \u2014 grupo que compreende dinossauros, outros r\u00e9pteis antigos, crocodilianos e as aves modernas \u2014 abrangendo um per\u00edodo compreendido entre 252 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s e os dias atuais.<\/p>\n<p>Os resultados forneceram mais informa\u00e7\u00f5es do que era esperado pelos paleont\u00f3logos. Ao identificar padr\u00f5es nas estruturas dos olhos e ouvidos internos dos animais, os pesquisadores conseguiram reunir novas informa\u00e7\u00f5es sobre a vis\u00e3o dos dinossauros e para que tipo de movimenta\u00e7\u00e3o seus ouvidos internos estavam ajustados, o que revela outra maneira de acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do voo dos dinossauros e, por extens\u00e3o, de seus descendentes modernos: as aves.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os resultados de ambos os estudos apresentam ind\u00edcios extremamente raros sobre os sons emitidos por dinossauros. A vocaliza\u00e7\u00e3o de dinossauros \u00e9 notoriamente dif\u00edcil de se reconstituir. Os \u00f3rg\u00e3os produtores de sons de seus corpos em geral se deterioram logo ap\u00f3s a morte, e relativamente poucas esp\u00e9cies dispunham de caracter\u00edsticas \u00f3sseas relacionadas ao som. Mas a anatomia do ouvido interno de um dinossauro fornece algumas informa\u00e7\u00f5es sobre a audi\u00e7\u00e3o dos animais e, assim, sobre quais sons poderiam emitir.<\/p>\n<p>\u201cPara ser franco, nunca imaginei que ter\u00edamos a chance de desvendar as vocaliza\u00e7\u00f5es dos dinossauros\u201d, conta Bhullar.<\/p>\n<h3>Cr\u00e2nio perfeito para o voo<\/h3>\n<p>Para sua pesquisa, Bhullar e sua equipe examinaram radiografias de uma ampla gama de esp\u00e9cies, incluindo ter\u00f3podes como o\u00a0<em>Velociraptor<\/em>\u00a0e um animal com patas curtas denominado\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>; r\u00e9pteis n\u00e3o-dinossauros, como os pterossauros; aves extintas que possu\u00edam dentes, como as do g\u00eanero\u00a0<em>Hesperornis<\/em>; e as aves e crocodilos modernos para fins de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando os paleont\u00f3logos analisaram imagens de troodontes, dinossauros com garras curvas que prosperaram durante o per\u00edodo Cret\u00e1ceo entre 145 e 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, descobriram que esses dinossauros possu\u00edam ouvidos internos semelhantes \u00e0s das primeiras aves voadoras do per\u00edodo Jur\u00e1ssico anterior, iniciado h\u00e1 201 milh\u00f5es de anos, o que foi uma surpresa, j\u00e1 que a maioria dos troodontes conhecidos eram dinossauros terrestres que n\u00e3o voavam.<\/p>\n<p>Por\u00e9m as semelhan\u00e7as no ouvido interno revelam uma caracter\u00edstica evolutiva necess\u00e1ria em criaturas voadoras, levantando novas quest\u00f5es sobre como o voo evoluiu.<\/p>\n<p>Bhullar levanta a hip\u00f3tese de que os troodontes, cujo tamanho se assemelhava ao de perus, herdaram ouvidos adequados para voar de um ancestral anterior comum com as aves \u2014 talvez um dinossauro voador, semelhante a esp\u00e9cies emplumadas como o\u00a0<em>Anchiornis,<\/em>\u00a0que viveu h\u00e1 165 milh\u00f5es de anos. Al\u00e9m disso, um ouvido interno adaptado a movimentos complexos de voo, que auxiliasse no equil\u00edbrio dos animais no ar, poderia ter outras utilidades em terra.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que at\u00e9 mesmo dinossauros n\u00e3o voadores com parentesco pr\u00f3ximo com as aves se movimentavam de maneiras complexas\u201d, como escaladas em \u00e1rvores ou subidas em ladeiras correndo, conta Bhullar. Em dinossauros com parentesco pr\u00f3ximo com as aves, esses comportamentos podem ter contribu\u00eddo para que o ouvido interno se desenvolvesse de forma a permitir o voo \u2014 uma atividade que requer controle dos membros e movimentos complexos.<\/p>\n<h3>Perseguidores noturnos<\/h3>\n<p>No entanto nem todos os dinossauros semelhantes a aves se movimentavam como seus parentes avi\u00e1rios. Os pesquisadores constataram que alguns dinossauros se movimentavam e provavelmente ca\u00e7avam de maneiras inesperadas do ponto de vista paleontol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Por exemplo, o\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>, dinossauro do tamanho de um peru, h\u00e1 muito tempo \u00e9 um mist\u00e9rio para os paleont\u00f3logos. Conhecido por suas patas curtas com grandes garras \u00fanicas e mand\u00edbulas sem dentes ou quase sem dentes, esse g\u00eanero pertence a um grupo de ter\u00f3podes b\u00edpedes denominados alvarezssauros. Bhullar e seus colegas ficaram surpresos ao descobrir que o\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>\u00a0possui um ouvido interno semelhante ao de animais de quatro patas com locomo\u00e7\u00e3o relativamente simples.<\/p>\n<p>O segundo estudo da revista cient\u00edfica\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0pode oferecer mais informa\u00e7\u00f5es sobre o ouvido interno peculiar do\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>. Esse estudo examinou os ouvidos internos e os olhos de dinossauros para ter uma no\u00e7\u00e3o do comportamento desses animais extintos.<\/p>\n<p>\u201cOs dois estudos s\u00e3o complementares\u201d, afirma Lars Schmitz, autor do estudo e bi\u00f3logo do Museu de Hist\u00f3ria Natural do Condado de Los Angeles \u2014 e, juntos, indicam que o\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>\u00a0era de fato um dinossauro incomum.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>\u00a0possu\u00eda canais longos no ouvido interno, o que ampliava o alcance da audi\u00e7\u00e3o do dinossauro. Schmitz e seus colegas acreditam que esse dinossauro tinha audi\u00e7\u00e3o excelente, compar\u00e1vel \u00e0 capacidade auditiva das atuais suindaras. Tal audi\u00e7\u00e3o precisa, aliada aos olhos grandes do\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>,\u00a0sugere que esse dinossauro era ativo \u00e0 noite.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro exatamente o que o\u00a0<em>Shuvuuia<\/em>\u00a0ca\u00e7ava \u2014 talvez mam\u00edferos pequenos ou insetos sociais como formigas. Mas Schmitz destaca que h\u00e1 in\u00fameros motivos pelos quais um dinossauro pode ter evolu\u00eddo uma propens\u00e3o \u00e0s horas mais escuras. \u201cTamanho do corpo, alimenta\u00e7\u00e3o, clima, competi\u00e7\u00e3o\u201d, todos esses fatores importam, observa Schmitz.<\/p>\n<h3>Canto do dinossauro<\/h3>\n<p>As novas an\u00e1lises tamb\u00e9m levaram a uma maior compreens\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o entre esses animais. Os pesquisadores conclu\u00edram que os ancestrais e os parentes primitivos dos dinossauros desenvolveram uma regi\u00e3o mais longa no ouvido interno denominada c\u00f3clea, associada \u00e0 audi\u00e7\u00e3o de sons de alta frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o mais prov\u00e1vel, segundo os paleont\u00f3logos, \u00e9 que essa adapta\u00e7\u00e3o permitiu que animais adultos ouvissem guinchos e chamados de seus filhotes, semelhante aos cuidados zelosos dos crocodilos e jacar\u00e9s dos dias atuais para com os filhotes. As habilidades vocais dos p\u00e1ssaros canoros de hoje, portanto, podem ter origem nos guinchos emitidos por r\u00e9pteis min\u00fasculos e escamosos ao eclodir dos ovos h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cEstamos propensos a acreditar que o canto dos p\u00e1ssaros modernos, em toda sua gl\u00f3ria e suavidade, \u00e9 uma reminisc\u00eancia em adultos de gorjeios agudos juvenis\u201d, afirma Bhullar.<\/p>\n<p>Essa abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es sobre o comportamento de dinossauros, viabilizada pelo exame de cr\u00e2nios fossilizados, \u00e9 proporcionada pelos r\u00e1pidos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos nos estudos do passado pr\u00e9-hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que a disponibilidade de t\u00e9cnicas modernas de imagem e representa\u00e7\u00e3o visual contribua para essa abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es\u201d, conta Schmitz, acrescentando que as descobertas sobre os sistemas sensoriais dos animais modernos tamb\u00e9m podem ajudar paleont\u00f3logos a examinar e compreender melhor a anatomia e o comportamento de esp\u00e9cies extintas, o que significa que, at\u00e9 mesmo quando animais da atualidade revelam o que j\u00e1 se sabe sobre dinossauros, os dinossauros mudam nosso olhar sobre as criaturas ao nosso redor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens de raios X revelam como esses animais primitivos se movimentavam pelo mundo, como era<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dinossauro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Imagens de raios X revelam como esses animais primitivos se movimentavam pelo mundo, como era","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148153"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148153"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148153\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148157,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148153\/revisions\/148157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}