{"id":1481,"date":"2014-06-16T15:18:40","date_gmt":"2014-06-16T15:18:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1481"},"modified":"2014-06-16T15:18:40","modified_gmt":"2014-06-16T15:18:40","slug":"corte-seletivo-e-fogo-fazem-floresta-amazonica-perder-54-milhoes-de-toneladas-de-carbono-por-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/corte-seletivo-e-fogo-fazem-floresta-amazonica-perder-54-milhoes-de-toneladas-de-carbono-por-ano\/","title":{"rendered":"Corte seletivo e fogo fazem Floresta Amaz\u00f4nica perder 54 milh\u00f5es de toneladas de carbono por ano"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong>Jos\u00e9 Tadeu Arantes, da\u00a0Ag\u00eancia FAPESP <\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1482\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Uma pesquisa conduzida por cientistas no Brasil e no Reino Unido quantificou o impacto causado na Floresta Amaz\u00f4nica por corte seletivo de \u00e1rvores, destrui\u00e7\u00e3o parcial pelo fogo e fragmenta\u00e7\u00e3o decorrente de pastagens e planta\u00e7\u00f5es. Em conjunto, esses fatores podem estar subtraindo da floresta cerca de 54 milh\u00f5es de toneladas de carbono por ano, lan\u00e7ados \u00e0 atmosfera na forma de gases de efeito estufa. Esta perda de carbono corresponde a 40% daquela causada pelo desmatamento total.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/gcb.12627\/full\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>estudo<\/strong><\/span><\/a>, desenvolvido por 10 pesquisadores de 11 institui\u00e7\u00f5es do Brasil e do Reino Unido, foi publicado em maio na revista Global Change Biology.<\/p>\n<p>\u201cOs impactos da extra\u00e7\u00e3o madeireira, do fogo e da fragmenta\u00e7\u00e3o t\u00eam sido pouco percebidos, pois todos os esfor\u00e7os est\u00e3o concentrados em evitar mais desmatamento. Essa postura deu grandes resultados na conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira, cuja taxa de desmatamento caiu em mais de 70% nos \u00faltimos 10 anos. No entanto, nosso estudo mostrou que esse outro tipo de degrada\u00e7\u00e3o impacta severamente a floresta, com enormes quantidades de carbono antes armazenadas sendo perdidas para a atmosfera\u201d, disse a brasileira Erika Berenguer, pesquisadora do Lancaster Environment Centre, da Lancaster University, no Reino Unido, primeira autora do estudo.<\/p>\n<p>Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental), em Bel\u00e9m (PA), e segunda autora do estudo, um dos motivos dessa degrada\u00e7\u00e3o ser menos percebida \u00e9 a dificuldade de monitoramento. \u201cAs imagens de sat\u00e9lite permitem detectar com muito mais facilidade as \u00e1reas totalmente desmatadas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cNossa pesquisa combinou imagens de sat\u00e9lite com estudo de campo. Fizemos uma avalia\u00e7\u00e3o, pixel a pixel [cada pixel na imagem corresponde a uma \u00e1rea de 900 metros quadrados], sobre o que aconteceu nos \u00faltimos 20 anos. Na pesquisa de campo, estudamos 225 parcelas (de 3 mil metros quadrados cada) em duas grandes regi\u00f5es, com 3 milh\u00f5es de hectares [30 mil quil\u00f4metros quadrados], utilizadas como modelo para estimar o que ocorre no conjunto da Amaz\u00f4nia\u201d, explicou Ferreira.<\/p>\n<p>As imagens de sat\u00e9lite, comparadas de dois em dois anos, possibilitaram que os pesquisadores constru\u00edssem um grande painel da degrada\u00e7\u00e3o da floresta ao longo da linha do tempo, em uma escala de 20 anos. Na pesquisa de campo foram avaliadas as cicatrizes de fogo, de explora\u00e7\u00e3o madeireira e outras agress\u00f5es. A combina\u00e7\u00e3o das duas investiga\u00e7\u00f5es resultou na estimativa de estoque de carbono que se tem hoje.<\/p>\n<p>Duas regi\u00f5es foram estudadas in loco: Santar\u00e9m e Paragominas, na por\u00e7\u00e3o leste da Amaz\u00f4nia, ambas submetidas a fortes press\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o. Nessas duas regi\u00f5es foram investigadas as 225 \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cColetamos dados de mais de 70 mil \u00e1rvores e de mais de 5 mil amostras de solo, madeira morta e outros componentes dos chamados estoques de carbono. Foi o maior estudo j\u00e1 realizado at\u00e9 o momento sobre a perda de carbono de florestas tropicais devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de madeira e fogos acidentais\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>Segundo ela, a pesquisa contemplou quatro dos cinco compartimentos de carbono cujo estudo \u00e9 recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU): biomassa acima do solo (plantas vivas), mat\u00e9ria org\u00e2nica morta, serapilheira (camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais org\u00e2nicos em decomposi\u00e7\u00e3o) e solos (at\u00e9 30 cent\u00edmetros de profundidade). \u201cS\u00f3 n\u00e3o medimos o estoque de carbono nas ra\u00edzes\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, foram consideradas cinco categorias de florestas: prim\u00e1ria (totalmente intacta); com explora\u00e7\u00e3o de madeira; queimada; com explora\u00e7\u00e3o de madeira e queimada; e secund\u00e1ria (aquela que foi completamente cortada e cresceu novamente).<\/p>\n<p>As florestas que sofreram perturba\u00e7\u00e3o, por corte ou queimada, apresentaram de 18% a 57% menos carbono do que as florestas prim\u00e1rias. Uma \u00e1rea de floresta prim\u00e1ria chegou a ter mais de 300 toneladas de carbono por hectare, enquanto as \u00e1reas de floresta queimada e explorada para madeira tiveram, no m\u00e1ximo, 200 toneladas por hectare, e, em m\u00e9dia, menos de 100 toneladas de carbono por hectare.<\/p>\n<p><strong>Corte seletivo tradicional<\/strong><\/p>\n<p>O roteiro da degrada\u00e7\u00e3o foi bem estabelecido pelos pesquisadores. O ponto de partida \u00e9, frequentemente, a extra\u00e7\u00e3o de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ip\u00ea; essas \u00e1rvores s\u00e3o cortadas de forma seletiva, mas sua retirada impacta dezenas de \u00e1rvores vizinhas.<\/p>\n<p>Deflagrada a explora\u00e7\u00e3o, formam-se v\u00e1rias aberturas na cobertura vegetal, o que torna a floresta muito mais exposta ao sol e ao vento, e, portanto, muito mais seca e suscet\u00edvel \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o de fogos acidentais. O efeito \u00e9 fortemente acentuado pela fragmenta\u00e7\u00e3o da floresta em decorr\u00eancia de pastagens e planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dos efeitos pode, ent\u00e3o, transformar a floresta em um mato denso, cheio de \u00e1rvores e cip\u00f3s de pequeno porte, mas com um estoque de carbono 40% menor do que o da floresta n\u00e3o perturbada.<\/p>\n<p>\u201cExistem, hoje, v\u00e1rios sistemas de corte seletivo, alguns um pouco menos impactantes do que outros. O sistema predominante, que foi aquele detectado em nosso estudo, associado ao di\u00e2metro das \u00e1rvores retiradas e \u00e0 sua idade, pode subtrair da floresta uma enorme quantidade de carbono\u201d, disse <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/6911\/plinio-barbosa-de-camargo\/\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>Pl\u00ednio Barbosa de Camargo<\/strong><\/span><\/a>, diretor da Divis\u00e3o de Funcionamento de Ecossistemas Tropicais do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e membro da coordena\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de Biologia da FAPESP, que tamb\u00e9m assinou o artigo publicado na Global Change Biology.<\/p>\n<p>\u201cPor mais que recomendemos no sentido contr\u00e1rio, na hora do manejo efetivo acabam sendo retiradas as \u00e1rvores com di\u00e2metros muito grandes, em menor quantidade. Em outra pesquisa, medimos a idade das \u00e1rvores com carbono 14. Uma \u00e1rvore cujo tronco apresente o di\u00e2metro de um metro com certeza tem mais de 300 ou 400 anos. N\u00e3o adianta retirar essa \u00e1rvore e imaginar que ela possa ser substitu\u00edda em 30, 40 ou 50 anos\u201d, comentou Camargo.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o em curso torna-se ainda mais preocupante no contexto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global. \u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 entender melhor como essas florestas degradadas responder\u00e3o a outras formas de dist\u00farbios causados pelo homem, como per\u00edodos de seca mais severos e esta\u00e7\u00f5es de chuva com maiores n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirmou o pesquisador brit\u00e2nico Jos Barlow, da Lancaster University, um dos coordenadores desse estudo e um dos respons\u00e1veis pelo Projeto Tem\u00e1tico <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/81891\/ecofor-biodiversidade-e-funcionamento-de-ecossistemas-em-areas-alteradas-pelo-homem-nas-florestas-am\/\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em \u00e1reas alteradas pelo homem nas Florestas Amaz\u00f4nica e Atl\u00e2ntica<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pesquisadores j\u00e1 citados, assinaram tamb\u00e9m o artigo da Global Change Biology Toby Alan Gardner (University of Cambridge e Stockholm Environment Institute), <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2823\/carlos-eduardo-pellegrino-cerri\/\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>Carlos Eduardo Cerri<\/strong><\/span><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/74497\/mariana-regina-durigan\/\" target=\"_blank\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Mariana Durigan<\/span><\/strong><\/a> (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz\/USP), <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/669035\/luiz-eduardo-oliveira-e-cruz-de-aragao\/\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Arag\u00e3o<\/strong><\/span><\/a> (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e University of Exeter), Raimundo Cosme de Oliveira Junior (Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental) e Ima C\u00e9lia Guimar\u00e3es Vieira (Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi).<\/p>\n<p>O artigo <em>A large-scale field assessment of carbon stocks in human-modified tropical forests<\/em> (doi: 10.1111\/gcb.12627), de Erika Berenguer e outros, pode ser lido em <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/gcb.12627\/full\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/gcb.12627\/full<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes, da\u00a0Ag\u00eancia FAPESP Uma pesquisa conduzida por cientistas no Brasil e no Reino<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1482,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/queimada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Jos\u00e9 Tadeu Arantes, da\u00a0Ag\u00eancia FAPESP Uma pesquisa conduzida por cientistas no Brasil e no Reino","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1481"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}