{"id":147849,"date":"2021-06-14T12:30:56","date_gmt":"2021-06-14T15:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=147849"},"modified":"2021-06-14T08:24:51","modified_gmt":"2021-06-14T11:24:51","slug":"linguas-indigenas-estao-morrendo-e-com-elas-o-conhecimento-sobre-plantas-medicinais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/linguas-indigenas-estao-morrendo-e-com-elas-o-conhecimento-sobre-plantas-medicinais\/","title":{"rendered":"L\u00ednguas ind\u00edgenas est\u00e3o morrendo \u2013 e, com elas, o conhecimento sobre plantas medicinais"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-147850\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Novo estudo analisa como idiomas amea\u00e7ados concentram saberes exclusivos sobre determinadas plantas. Descobertas refor\u00e7am import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dessas culturas.<\/h2>\n<p>\u201cCada l\u00edngua ind\u00edgena \u00e9 um reservat\u00f3rio \u00fanico de conhecimento medicinal\u201d. Assim escrevem os pesquisadores Rodrigo C\u00e1mara-Leret e Jordi Bascompte em um recente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/24\/e2103683118\">estudo<\/a>\u00a0que faz um alerta:\u00a0o perigo do desaparecimento de antigos conhecimentos de plantas medicinais a partir da extin\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Em geral, quando se fala em plantas com propriedades medicinais, as discuss\u00f5es giram em torno da extin\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Nessa pesquisa, contudo, os cientistas focaram no que costuma ser esquecido: o impacto da extin\u00e7\u00e3o da linguagem para a perda desse conhecimento, tradicionalmente transmitido oralmente.<\/p>\n<p>A pesquisa acontece em um momento relevante dentro dessa quest\u00e3o. Segundo a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/languages-atlas\/en\/statistics.html\">Unesco<\/a>, pelo menos 43% das cerca de 6.000 l\u00ednguas faladas no mundo est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Isso levou a ONU a declarar\u00a0a d\u00e9cada de 2022 a 2032 como a\u00a0<a href=\"https:\/\/en.unesco.org\/news\/upcoming-decade-indigenous-languages-2022-2032-focus-indigenous-language-users-human-rights\">D\u00e9cada Internacional das L\u00ednguas Ind\u00edgenas<\/a>.<\/p>\n<p>No Brasil, segundo o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/languages-atlas\/\">Atlas das L\u00ednguas em Perigo<\/a>\u00a0da Unesco, 190 l\u00ednguas ind\u00edgenas est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o \u2013 somos o segundo pa\u00eds com mais idiomas que podem desaparecer, apenas atr\u00e1s dos Estados Unidos. A vers\u00e3o online do Atlas foi atualizada em 2017, e a situa\u00e7\u00e3o pode ter piorado de l\u00e1 pra c\u00e1: com a pandemia da Covid-19, algumas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas est\u00e3o correndo grande risco de desaparecerem, assim como suas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53914416\">l\u00ednguas<\/a>.<\/p>\n<div id=\"relacionadas\" class=\"block related-posts three_columns\"><\/div>\n<p><strong>Como a pesquisa foi feita?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de tudo, a equipe do estudo precisava entender em que medida acontecia a perda de conhecimento linguisticamente \u00fanico. Calma, a gente explica.<\/p>\n<p>Vamos supor que, de um dia para o outro, o idioma italiano seja extinto \u2013 limado da face da Terra. Adeus lasanhas? N\u00e3o. O conhecimento desse prato j\u00e1 foi difundido em culturas (e livros de receita) do mundo todo. Ainda que a l\u00edngua suma, voc\u00ea poder\u00e1 continuar comendo massa aos domingos.<\/p>\n<p>No caso das plantas medicinais, era preciso entender em que grau o conhecimento delas estava atrelado \u00e0 apenas uma l\u00edngua ind\u00edgena. Dessa forma, seria poss\u00edvel compreender quais saberes seriam perdidos no caso de extin\u00e7\u00e3o de determinado idioma.<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores analisaram tr\u00eas conjuntos de dados etnobot\u00e2nicos (a ci\u00eancia que estuda a rela\u00e7\u00e3o entre homens e plantas). Eles contavam com cerca de 3,6 mil plantas medicinais, 236 l\u00ednguas ind\u00edgenas e 12,5 mil \u201cservi\u00e7os de plantas medicinais\u201d \u2013 combina\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies de plantas e a subcategoria medicinal para a qual elas eram indicadas, como \u201cfigueira-brava (<i>Ficus insipida)<\/i>\u00a0+ sistema digestivo\u201d.\u00a0Os dados s\u00e3o referentes a tr\u00eas regi\u00f5es com grande diversidade lingu\u00edstica e biol\u00f3gica: Am\u00e9rica do Norte, noroeste da Amaz\u00f4nia e Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s analisar os dados, os cientistas apontaram que o conhecimento ind\u00edgena sobre as plantas medicinais est\u00e1, de fato, apoiado na singularidade lingu\u00edstica. No noroeste da Amaz\u00f4nia, 91% do conhecimento medicinal n\u00e3o \u00e9 compartilhado entre l\u00ednguas \u2013 e se concentra em apenas um idioma. Em Nova Guin\u00e9, essa taxa \u00e9 de 84%; na Am\u00e9rica do Norte, 73%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, eles observaram a porcentagem desse conhecimento que se concentra, especificamente, em l\u00ednguas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Na Am\u00e9rica do Norte, 86% do conhecimento medicinal \u00fanico ocorre, justamente, em idiomas em risco. No noroeste da Amaz\u00f4nia, 100%.<\/p>\n<p>Em Nova Guin\u00e9, por outro lado, as l\u00ednguas amea\u00e7adas concentram 31% do conhecimento \u00fanico. Os pesquisadores\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/24\/e2103683118\">ressaltam<\/a>\u00a0que \u201co verdadeiro status das l\u00ednguas de l\u00e1 ainda \u00e9 dif\u00edcil de avaliar\u201d, j\u00e1 que falta uma pesquisa lingu\u00edstica em toda a ilha.<\/p>\n<p>Bom, e por que isso acontece? Para os cientistas, uma das hip\u00f3teses \u00e9 a alta rotatividade cultural. Isso significa que, para uma mesma planta, os povos ind\u00edgenas possuem diversos conhecimentos e aplica\u00e7\u00f5es exclusivos. Sem uma Wikip\u00e9dia para reunir informa\u00e7\u00f5es, cada cultura acumulou, ao longo do tempo, as pr\u00f3prias descobertas sobre cada esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo os cientistas, o estudo ajuda a mostrar que cada l\u00edngua (e cultura) ind\u00edgena tem percep\u00e7\u00f5es \u00fanicas que, inclusive, podem vir a oferecer seus conhecimentos medicinais tamb\u00e9m a outras sociedades. \u201cA perda da linguagem ter\u00e1 uma repercuss\u00e3o mais cr\u00edtica na extin\u00e7\u00e3o do conhecimento tradicional sobre as plantas medicinais do que a perda das pr\u00f3prias plantas\u201d, disse\u00a0C\u00e1mara-Leret\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2021\/jun\/08\/knowledge-of-medicinal-plants-at-risk-as-languages-die-out\">ao jornal brit\u00e2nico\u00a0<em>The Guardian<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Claro, vale ressaltar que apenas cerca de 6% das sugest\u00f5es de tratamento com plantas (os \u201cservi\u00e7os de plantas medicinais\u201d mencionados antes) tiveram sua efic\u00e1cia testada. Os pesquisadores, contudo, defendem que isso n\u00e3o deveria, necessariamente, ser levado em conta na hora de falar sobre preserva\u00e7\u00e3o: \u201cIndependentemente disso, aqui tratamos esse conhecimento como o que \u00e9: parte do patrim\u00f4nio cultural dos povos ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo estudo analisa como idiomas amea\u00e7ados concentram saberes exclusivos sobre determinadas plantas. Descobertas refor\u00e7am import\u00e2ncia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":147850,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/planta-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Novo estudo analisa como idiomas amea\u00e7ados concentram saberes exclusivos sobre determinadas plantas. Descobertas refor\u00e7am import\u00e2ncia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147849"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147849"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147852,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147849\/revisions\/147852"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}