{"id":147784,"date":"2021-06-12T11:27:50","date_gmt":"2021-06-12T14:27:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=147784"},"modified":"2021-06-12T11:27:50","modified_gmt":"2021-06-12T14:27:50","slug":"estudo-da-usp-encontra-microplasticos-em-pulmoes-humanos-e-avalia-impactos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-da-usp-encontra-microplasticos-em-pulmoes-humanos-e-avalia-impactos\/","title":{"rendered":"Estudo da USP encontra micropl\u00e1sticos em pulm\u00f5es humanos e avalia impactos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-147785 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Publicada em peri\u00f3dico cient\u00edfico internacional, pesquisa da USP \u00e9 a primeira do Brasil a investigar os efeitos dos micropl\u00e1sticos na sa\u00fade pulmonar humana.<\/p>\n<p>Em 2020, uma pesquisa do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) e liderada pelo engenheiro ambiental Lu\u00eds Fernando Amato, encontrou nove tipos diferentes de micropl\u00e1sticos em tecidos pulmonares em 13 pessoas, numa amostragem de 20 indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Amato investiga a presen\u00e7a dessas micropart\u00edculas de pl\u00e1sticos no ar das cidades e quais seus poss\u00edveis efeitos na nossa sa\u00fade pulmonar. A pesquisa foi aprovada em maio deste ano para publica\u00e7\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o de agosto do peri\u00f3dico cient\u00edfico Journal of Hazardous Materials, mas j\u00e1 pode ser acessada on-line. Este \u00e9 o primeiro projeto brasileiro a analisar os impactos do micropl\u00e1stico em pulm\u00f5es humanos.<\/p>\n<p>Ao Jornal da USP, Amato explica que, no meio meio ambiente, essas part\u00edculas absorvem poluentes do ar, como aqueles que saem de escapamentos de autom\u00f3veis. Compostos org\u00e2nicos podem tamb\u00e9m se ligar aos micropl\u00e1sticos, tornando-os uma esp\u00e9cie de substrato para v\u00edrus e bact\u00e9rias, que formam uma esp\u00e9cie de biofilme. \u201cCom a possibilidade de inalarmos essas part\u00edculas, a nossa sa\u00fade pode ser afetada\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Os micropl\u00e1sticos s\u00e3o part\u00edculas min\u00fasculas, com cerca de 5 mil\u00edmetros de espessura, formadas a partir da fragmenta\u00e7\u00e3o dos pl\u00e1sticos descartados indevidamente. Ao escaparem para o meio ambiente, os materiais pl\u00e1sticos passam por uma s\u00e9rie de processos qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos que alteram sua estrutura, fragmentando-se em part\u00edculas cada vez menores.<\/p>\n<p><strong>Impacto dos micropl\u00e1sticos na sa\u00fade humana<\/strong><\/p>\n<p>A presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos em pulm\u00f5es humanos, assim como em outros \u00f3rg\u00e3os, n\u00e3o \u00e9 novidade. Em 2018, um estudo revelou que mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o mundial teria micropl\u00e1stico em suas fezes. Segundo dados da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Orb Media, sediada em Washington (EUA), h\u00e1 micropl\u00e1sticos no ar que respiramos, em alimentos como o sal ou a cerveja e at\u00e9 na \u00e1gua que bebemos: cerca de 83% da \u00e1gua de torneira do mundo est\u00e1 contaminada com micropl\u00e1sticos. Um estudo encontrou part\u00edculas de micropl\u00e1stico at\u00e9 na \u00e1gua engarrafada.<\/p>\n<p>Em 2020, outro estudo, conduzido por cientistas da Arizona State University (EUA), identificou, pela primeira vez, min\u00fasculos peda\u00e7os de pl\u00e1stico que fixaram resid\u00eancia em todos os principais \u00f3rg\u00e3os de filtragem do corpo humano. Os pesquisadores encontraram evid\u00eancias de contamina\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1stico em amostras de tecido retiradas de pulm\u00f5es, f\u00edgado, ba\u00e7o e rins de corpos humanos doados para pesquisa.<\/p>\n<p>As descobertas foram apresentadas em uma reuni\u00e3o anual virtual da American Chemical Society. O m\u00e9todo permitiu identificar, entre outros, pl\u00e1sticos como tereftalato de polietileno (PET) e bisfenol A (BPA), utilizados na produ\u00e7\u00e3o de garrafas pl\u00e1sticas e pl\u00e1sticos diversos, respectivamente. Segundo os cientistas, o BPA \u00e9 mais perigoso do que o PET, em raz\u00e3o de seu car\u00e1ter t\u00f3xico e reprodutivo.<\/p>\n<p>O pesquisador Varun Kelkar, um dos autores do estudo, afirmou que \u201cn\u00e3o queremos ser alarmistas, mas \u00e9 preocupante que esses materiais n\u00e3o biodegrad\u00e1veis \u200b\u200bque est\u00e3o presentes em todos os lugares possam entrar e se acumular nos tecidos humanos \u2013 e ainda n\u00e3o sabemos os poss\u00edveis efeitos desse fen\u00f4meno para a sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p><strong>O problema crescente dos micropl\u00e1sticos<\/strong><\/p>\n<p>Micropl\u00e1sticos s\u00e3o min\u00fasculas part\u00edculas de pl\u00e1stico que escapam para o meio ambiente, por meio do descarte inadequado destes materiais n\u00e3o biodegrad\u00e1veis. Atrav\u00e9s de um processo conhecido como quebra mec\u00e2nica, provocado pela chuva, pelo vento e pelas ondas do mar, os pl\u00e1sticos indevidamente descartados se fragmentam em pequenas part\u00edculas, que d\u00e3o origem aos chamados micropl\u00e1sticos \u2013 os maiores poluentes do oceano no mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do descarte inadequado dos res\u00edduos, os micropl\u00e1sticos invadem o meio ambiente por meio de diversas atividades humanas, como lavagem de roupas de poli\u00e9ster, atrito dos pneus com o asfalto, utiliza\u00e7\u00e3o de produtos que cont\u00eam micropl\u00e1sticos de polietileno e outras. \u00c9 assim que eles invadem o ar que respiramos, a comida que ingerimos, a \u00e1gua que bebemos e os oceanos, prejudicando a vida marinha e a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p><strong>Provocam preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade humana<\/strong><\/p>\n<p>Com poucos estudos a respeito da presen\u00e7a de micropl\u00e1stico em humanos, n\u00e3o sabemos precisamente quais efeitos para a sa\u00fade a ingest\u00e3o desses materiais pode causar. No entanto, sabe-se que os alimentos embalados por recipientes contendo bisfenol sofrem contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao consumirmos esses produtos, ingerimos tamb\u00e9m o bisfenol, cujo consumo est\u00e1 comprovadamente associado a diabetes, s\u00edndrome do ov\u00e1rio polic\u00edstico, c\u00e2ncer, infertilidade, doen\u00e7as card\u00edacas, fibromas uterinos, abortos, endometriose, d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, entre outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um relat\u00f3rio chamado Plastics, EDCs &amp; Health: A Guide For Public Interest Organizations and Policy-makers on Endocrine Disruption Chemicals &amp; Plastics demonstrou que diversos tipos de pl\u00e1stico se comportam como disruptores end\u00f3crinos, podendo causar esteriliza\u00e7\u00e3o, problemas comportamentais, diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e outros danos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>J\u00e1 faz muito tempo que existe a preocupa\u00e7\u00e3o de que os produtos qu\u00edmicos presentes nos pl\u00e1sticos possam ter uma ampla gama de efeitos sobre a sa\u00fade humana, desde diabetes e obesidade at\u00e9 disfun\u00e7\u00e3o sexual e infertilidade. Mas a presen\u00e7a dessas part\u00edculas microsc\u00f3picas nos \u00f3rg\u00e3os principais tamb\u00e9m aumenta o potencial de que os micropl\u00e1sticos possam atuar como irritantes cancer\u00edgenos da mesma forma que o amianto.<\/p>\n<p><strong>Nem os beb\u00eas escapam<\/strong><\/p>\n<p>Estudo publicado na revista cient\u00edfica Nature Food em 2020 mostrou que as mamadeiras podem ser fonte de ingest\u00e3o de micropl\u00e1stico em beb\u00eas. Observando as taxas de consumo de leite em mamadeiras e de amamenta\u00e7\u00e3o em todo o mundo, pesquisadores estimaram que um beb\u00ea consome, em m\u00e9dia, 1,6 milh\u00e3o de part\u00edculas de micropl\u00e1stico todos os dias.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Norte, onde mamadeiras de pl\u00e1stico s\u00e3o mais comuns e as taxas de amamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais baixas quando comparadas aos \u00edndices de pa\u00edses em desenvolvimento, esse n\u00famero chega a 2,3 milh\u00f5es de part\u00edculas por dia. Na Europa, a taxa \u00e9 de 2,6 milh\u00f5es; na Fran\u00e7a, Holanda e B\u00e9lgica, entretanto, pode chegar at\u00e9 4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Pulm\u00f5es afetados pelos micropl\u00e1sticos<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo conduzido por pesquisadores da Florida State University, nos Estados Unidos, investigou o tipo de dano que os micropl\u00e1sticos podem causar aos pulm\u00f5es humanos, observando mudan\u00e7as na forma das c\u00e9lulas pulmonares e uma desacelera\u00e7\u00e3o em seu metabolismo quando expostos a essas min\u00fasculas part\u00edculas de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>A equipe decidiu investigar os riscos para a sa\u00fade da inala\u00e7\u00e3o e ingest\u00e3o dessas pequenas part\u00edculas, realizando experimentos em c\u00e9lulas do pulm\u00e3o humano em uma placa de Petri que foram submetidas a concentra\u00e7\u00f5es ambientais de part\u00edculas de poliestireno.<\/p>\n<p>Alguns dias depois, os cientistas notaram a ocorr\u00eancia de mudan\u00e7as estranhas nas c\u00e9lulas \u2013 e descobriram que as part\u00edculas de pl\u00e1stico faziam com que o metabolismo delas diminu\u00edsse, impedindo sua prolifera\u00e7\u00e3o e crescimento.<\/p>\n<p>Os pl\u00e1sticos tamb\u00e9m faziam com que as c\u00e9lulas do pulm\u00e3o se desgrudassem, criando lacunas no que normalmente seria uma folha cont\u00ednua e s\u00f3lida de c\u00e9lulas. Al\u00e9m disso, a equipe descobriu que as part\u00edculas foram realmente absorvidas pelas c\u00e9lulas para formar um anel ao redor do n\u00facleo da c\u00e9lula.<\/p>\n<p>A autora principal do estudo, Qing-Xiang \u201cAmy\u201d Sang, ressalta: \u201cN\u00e3o queremos exagerar os efeitos nocivos dos micropl\u00e1sticos na sa\u00fade humana. O motivo pelo qual os pl\u00e1sticos s\u00e3o amplamente usados \u200b\u200b\u00e9 porque eles s\u00e3o bons materiais para a ind\u00fastria, constru\u00e7\u00e3o, suprimentos m\u00e9dicos e de pesquisa e produtos de consumo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas pode haver alguns efeitos indesej\u00e1veis \u200b\u200bde longo prazo que podem ser especialmente prejudiciais para beb\u00eas em crescimento e pessoas com doen\u00e7as pulmonares. Precisamos investigar para ter uma melhor compreens\u00e3o do custo potencial para a sa\u00fade humana\u201d, conclui Sang.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicada em peri\u00f3dico cient\u00edfico internacional, pesquisa da USP \u00e9 a primeira do Brasil a investigar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":147785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/plastico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Publicada em peri\u00f3dico cient\u00edfico internacional, pesquisa da USP \u00e9 a primeira do Brasil a investigar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147784"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147787,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147784\/revisions\/147787"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}