{"id":147636,"date":"2021-06-09T15:00:15","date_gmt":"2021-06-09T18:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=147636"},"modified":"2021-06-08T20:23:02","modified_gmt":"2021-06-08T23:23:02","slug":"abelhas-estao-acumulando-microplasticos-em-seus-corpos-diz-cientista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/abelhas-estao-acumulando-microplasticos-em-seus-corpos-diz-cientista\/","title":{"rendered":"Abelhas est\u00e3o acumulando micropl\u00e1sticos em seus corpos, diz cientista"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-147637\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas descobriram uma nova maneira de monitorar part\u00edculas de pl\u00e1stico. Mas seriam os micropl\u00e1sticos prejudiciais \u00e0s abelhas?<\/h2>\n<p>As part\u00edculas de pl\u00e1stico inevitavelmente se fixam aos corpos das abelhas conforme voam pelo mundo. Elas s\u00e3o cobertas por pelos, oriundos do processo de evolu\u00e7\u00e3o, que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de conter part\u00edculas min\u00fasculas que entram em contato, intencionalmente ou n\u00e3o, com o corpo das abelhas. Esses pelos ficam eletrostaticamente carregados durante o voo dos insetos, o que ajuda a atrair as part\u00edculas de pl\u00e1stico. O p\u00f3len \u00e9 a subst\u00e2ncia mais comumente encontrada nos pelos das abelhas, mas restos de plantas, cera e at\u00e9 mesmo fragmentos dos corpos de outras abelhas tamb\u00e9m podem ser encontrados.<\/p>\n<p>Agora, outro tipo de material entrou para essa lista: os pl\u00e1sticos. De acordo com um estudo realizado na Dinamarca, 13 tipos de pol\u00edmeros sint\u00e9ticos diferentes podem ser encontrados presos entre os pelos das abelhas. O estudo foi publicado no in\u00edcio deste ano no peri\u00f3dico<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0048969720380128\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0<em>Science of the Total Environment<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 amplamente comprovado que os micropl\u00e1sticos est\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/microplastics-in-virtually-every-crevice-on-earth\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">espalhados<\/a>\u00a0pelo planeta. No entanto, cientistas ainda buscam saber como essas subst\u00e2ncias\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/16\/e2020719118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">se movem pela atmosfera<\/a>. Segundo eles, coletar amostras de micropl\u00e1sticos n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, e a maioria das pesquisas realizadas at\u00e9 agora foram conduzidas ao n\u00edvel do solo.<\/p>\n<p>As abelhas s\u00e3o utilizadas para a pesquisa pelo fato de suas pernas e corpos peludos possibilitarem uma melhor avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da distribui\u00e7\u00e3o de fibras e fragmentos de pl\u00e1stico no ar. Devido \u00e0 grande quantidade de abelhas e o grande alcance geogr\u00e1fico de sua atividade de forrageamento, elas podem ser utilizadas como uma esp\u00e9cie de sonda viva para um estudo mais apurado sobre a presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos presentes no ar em todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201cEsse trabalho demonstra, pela primeira vez, a possibilidade de usar as abelhas como bioindicador da presen\u00e7a de MPs (micropl\u00e1sticos) no meio ambiente\u201d, afirmam os cientistas.<\/p>\n<h3>Ambientalistas em miniatura<\/h3>\n<p>Durante d\u00e9cadas, as abelhas foram usadas como sentinelas de polui\u00e7\u00e3o, ajudando no monitoramento de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jeeng.net\/Bees-as-Bioindicators-of-Environmental-Pollution-with-Metals-in-an-Urban-Area,85738,0,2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">metais pesados<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/358\/6359\/109\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesticidas<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0132491\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">polui\u00e7\u00e3o do ar<\/a>\u00a0e at\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-021-22081-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">precipita\u00e7\u00e3o radioativa<\/a>. Na d\u00e9cada de 1970, pesquisas sobre a intera\u00e7\u00e3o das abelhas com os pl\u00e1sticos chegaram a ser realizadas, por\u00e9m, o foco espec\u00edfico era os macropl\u00e1sticos em vez dos micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>As solit\u00e1rias abelhas-cortadeiras, por exemplo, que t\u00eam o tamanho similar ao das abelhas-europeias, usam suas enormes mand\u00edbulas para cortar peda\u00e7os grandes de pl\u00e1stico, assim como fazem com folhas e p\u00e9talas.<\/p>\n<p>Cientistas do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biotaxa.org\/rce\/article\/view\/68443\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chile<\/a>,<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/article\/wild-bees-building-homes-from-plastic?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0da Argentina<\/a>,<a href=\"https:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1890\/ES13-00308.1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0do Canad\u00e1<\/a>\u00a0e dos Estados Unidos observaram abelhas-cortadeiras coletando peda\u00e7os de sacolas, embalagens e outros materiais pl\u00e1sticos e revestindo seus ninhos com eles. Um estudo realizado nos\u00a0<a href=\"https:\/\/sciencematters.io\/articles\/202010000003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estados Unidos<\/a>\u00a0sugeriu que as abelhas tamb\u00e9m cortavam o material de sinalizadores de pl\u00e1stico, usados para demarca\u00e7\u00e3o de obras, para construir seus ninhos.<\/p>\n<p>No estudo realizado na Dinamarca, os cientistas reuniram milhares de abelhas-oper\u00e1rias, todas f\u00eameas, de 19 api\u00e1rios \u2014 nove no centro de Copenhague e 10 em \u00e1reas suburbanas e rurais. Os pesquisadores coletaram as abelhas de dentro de suas colmeias na primavera, \u00e9poca em que as col\u00f4nias ainda est\u00e3o em fase de forma\u00e7\u00e3o. Como as abelhas interagem com plantas, \u00e1gua, solo e ar \u2014 \u00e1reas em que micropl\u00e1sticos se acumulam \u2014 elas possuem condi\u00e7\u00f5es ideais para encontrar os pl\u00e1sticos. A equipe que coletou os insetos usou roupas feitas de fibras naturais, al\u00e9m de terem tomado outras medidas de cuidado, para n\u00e3o contaminar as abelhas.<\/p>\n<p>As abelhas foram congeladas para a eutan\u00e1sia, depois lavadas e esfregadas para remover as part\u00edculas presas a suas pernas e corpos. Usando microsc\u00f3pio e luz infravermelha, as part\u00edculas foram classificadas por tamanho, forma e tipo de material.<\/p>\n<p>Das part\u00edculas encontradas, 15% eram micropl\u00e1sticos. Desses micropl\u00e1sticos, 52% eram fragmentos e 38% eram fibras. O poli\u00e9ster foi a fibra encontrada em maior quantidade, seguido pelo polietileno e pelo policloreto de vinila. Fibras naturais de algod\u00e3o tamb\u00e9m foram detectadas.<\/p>\n<p>Conforme esperado, as abelhas que vivem em ambiente urbano apresentaram maior \u00edndice de micropl\u00e1sticos em seus corpos, pois se sabe que as \u00e1reas urbanas cont\u00eam grande densidade de desses fragmentos. Contudo a quantidade de micropl\u00e1sticos encontrados nas abelhas de \u00e1reas rurais n\u00e3o foi consideravelmente menor do que nas abelhas que vivem em zonas urbanas, e isso foi uma surpresa para os cientistas. Segundo eles, esse resultado sugere que a dispers\u00e3o do vento nivela a concentra\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos em grandes \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cEu esperava encontrar mais abelhas \u2018limpas\u2019 no campo do que no centro de Copenhague\u201d, disse por\u00a0<em>e-mail<\/em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www3.uah.es\/rosal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Roberto Rosal<\/a>, professor de engenharia qu\u00edmica na Universidade de Alcal\u00e1, em Madrid, e coautor da pesquisa. \u201cA intensa mobilidade dos pequenos micropl\u00e1sticos pode explicar isso\u201d, acrescenta o engenheiro qu\u00edmico.<\/p>\n<h3>Pl\u00e1sticos polu\u00eddos prejudicam as abelhas?<\/h3>\n<p>O impacto causado pelo contato das abelhas com os pl\u00e1sticos ainda \u00e9 uma quest\u00e3o a ser esclarecida. As opini\u00f5es dos cientistas se dividem: alguns acreditam que a constru\u00e7\u00e3o de ninhos com peda\u00e7os de pl\u00e1stico por abelhas-cortadeiras \u00e9 simplesmente uma evid\u00eancia de que as abelhas est\u00e3o se adaptando \u00e0 presen\u00e7a de um novo material; outros acreditam que isso pode ser prejudicial.<\/p>\n<p>Em um estudo publicado no in\u00edcio deste ano no peri\u00f3dico<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0304389420318173\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0<em>Journal of Hazardous Materials<\/em><\/a>, cientistas chineses procuraram avaliar os riscos que os micropl\u00e1sticos podem representar para as abelhas. Eles alimentaram as abelhas com micropl\u00e1sticos de poliestireno por duas semanas e descobriram que isso n\u00e3o alterava sua taxa de mortalidade. No entanto a experi\u00eancia com os micropl\u00e1sticos alterou o microbioma das abelhas, desorganizando o conjunto de bact\u00e9rias intestinais essenciais para as fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas b\u00e1sicas. Com isso, a equipe chinesa concluiu que o contato das abelhas-cortadeiras com pl\u00e1sticos pode apresentar \u201criscos substanciais \u00e0 sa\u00fade desses insetos\u201d.<\/p>\n<p>A equipe tamb\u00e9m constatou que a taxa de mortalidade das abelhas disparou de menos de 20% para cerca de 55% quando as abelhas consumiram uma combina\u00e7\u00e3o de poliestireno e tetraciclina, um antibi\u00f3tico comum usado na apicultura para prevenir uma doen\u00e7a larval. \u201cPor si s\u00f3s, os micropl\u00e1sticos podem n\u00e3o ser o elemento contaminante mais t\u00f3xico, mas a presen\u00e7a de outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas pode aumentar sua toxicidade\u201d, conclu\u00edram os pesquisadores chineses.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/docenti.unicatt.it\/ppd2\/en\/docenti\/15685\/ilaria-negri\/profilo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Illaria Negri<\/a>, pesquisadora da Universit\u00e0 Cattolica del Sacuro Cuore, na It\u00e1lia, que n\u00e3o participou dos estudos realizados na Dinamarca e na China, tamb\u00e9m se preocupa com a quest\u00e3o. Por\u00a0<em>e-mail<\/em>, Negri afirmou que os efeitos t\u00f3xicos dos micropl\u00e1sticos \u201cpodem se intensificar quando combinados com outros poluentes como pesticidas, medicamentos veterin\u00e1rios ou aditivos pl\u00e1sticos\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora conclui que certos pesticidas podem ser absorvidos por detritos de pl\u00e1stico e podem ter \u201cefeitos devastadores\u201d na sa\u00fade das abelhas e de outros animais selvagens e insetos se ingeridos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas descobriram uma nova maneira de monitorar part\u00edculas de pl\u00e1stico. Mas seriam os micropl\u00e1sticos prejudiciais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":147637,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/abelha-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas descobriram uma nova maneira de monitorar part\u00edculas de pl\u00e1stico. Mas seriam os micropl\u00e1sticos prejudiciais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147636"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147636"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147636\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147639,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147636\/revisions\/147639"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}