{"id":147100,"date":"2021-05-30T12:09:38","date_gmt":"2021-05-30T15:09:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=147100"},"modified":"2021-05-30T12:09:38","modified_gmt":"2021-05-30T15:09:38","slug":"quantas-aves-existem-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quantas-aves-existem-no-mundo\/","title":{"rendered":"Quantas aves existem no mundo?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\">Novo estudo estima que h\u00e1 entre 50 e 430 bilh\u00f5es de aves na Terra. Entenda o c\u00e1lculo.<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/eaw20submission-03031-2.jpg?w=1600&amp;h=900\" alt=\"bird-population\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Um bando de pombos voando sobre Bushwick, Brooklyn, nos EUA. Mas quantos pombos existem? E por falar nisso, quantas aves existem? Um novo estudo tenta responder.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">GEORGE MCKENZIE JR<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Em um p\u00e2ntano do norte de Everglades em 2015, o bi\u00f3logo Corey Callaghan observou um enorme bando de andorinhas-das-\u00e1rvores voando sob o sol da manh\u00e3. Enquanto a multid\u00e3o de aves passava sobre eles, Callaghan e seu parceiro olhavam admirados. Ele ficou imaginando quantas andorinhas havia no bando \u2014 e al\u00e9m disso, quantas aves existem no mundo inteiro?<\/p>\n<p>\u201cFoi uma experi\u00eancia incr\u00edvel\u201d, comenta Callaghan. Inspirado, ele come\u00e7ou calculando as aves do bando que acabara de testemunhar: mais de meio milh\u00e3o. Ele chegou a esse n\u00famero atrav\u00e9s das fotografias que tirou,\u00a0<a href=\"https:\/\/ebird.org\/checklist\/S25747659\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contando as aves em diferentes segmentos das imagens e ampliando-a<\/a>s.<\/p>\n<p>Contar todas as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/birds\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aves<\/a>\u00a0do mundo seria muito mais complicado, por motivos \u00f3bvios, mas, anos depois, Callaghan decidiu ser o primeiro a chegar a um n\u00famero s\u00f3lido \u2014 ou pelo menos uma aproxima\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. Em um novo artigo, ele e dois outros pesquisadores da Universidade de New South Wales em Sydney, Austr\u00e1lia, estimam que existam provavelmente entre 50 bilh\u00f5es e 428 bilh\u00f5es de aves na Terra.<\/p>\n<p>A amplitude dessa faixa se deve a diversas incertezas \u2014 entre elas, a dificuldade de contar bilh\u00f5es de pequenos animais capazes de voar, os territ\u00f3rios vastos e muitas vezes pouco claros sobre os quais as aves viajam e a falta de dados cient\u00edficos em diversas \u00e1reas do mundo.<\/p>\n<p>O estudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/cgi\/doi\/10.1073\/pnas.2023170118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado em 17 de maio<\/a>\u00a0na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em>, usa uma metodologia \u00fanica que combina dados coletados por organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas profissionais e cientistas cidad\u00e3os, e abrange 92% de todas as esp\u00e9cies de aves do mundo.<\/p>\n<p>Esse estudo \u00e9 a primeira tentativa de estimar a popula\u00e7\u00e3o mundial de aves, esp\u00e9cie por esp\u00e9cie. Para Callaghan, o trabalho j\u00e1 deveria ter sido feito: \u201cgastamos muito tempo e esfor\u00e7o contando humanos, mas precisamos ter certeza de que estamos monitorando toda a biodiversidade com a qual compartilhamos o planeta Terra\u201d.<\/p>\n<h3>Muitos pardais, poucas raridades<\/h3>\n<p>De acordo com o artigo, a ave mais abundante do mundo \u00e9 o pardal-dom\u00e9stico, com uma popula\u00e7\u00e3o de 1,6 bilh\u00e3o. Em segundo lugar est\u00e1 o estorninho-malhado (1,3 bilh\u00e3o), seguido pela gaivota-de-bico-riscado (1,2 bilh\u00e3o), a andorinha-de-bando (1,1 bilh\u00e3o), a gaivota-hiperb\u00f3rea (949 milh\u00f5es) e o papa-moscas-de-alder (896 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Os cientistas n\u00e3o ficaram surpresos ao encontrar apenas algumas esp\u00e9cies superabundantes e muitas outras raras, como \u00e9 o padr\u00e3o comum na ecologia. No geral, eles estimam que cerca de 1,1 mil esp\u00e9cies de aves \u2014 12% do total mundial \u2014 tenham uma popula\u00e7\u00e3o total abaixo de 5 mil indiv\u00edduos cada.<\/p>\n<p>Se uma esp\u00e9cie tem uma popula\u00e7\u00e3o total abaixo de 2,5 mil, ela \u00e9 classificada pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza como uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas raridades incluem de tudo, desde os kiwis da esp\u00e9cie Apteryx haastii (popula\u00e7\u00e3o estimada: 377 indiv\u00edduos) \u00e0s \u00e1guias Nisaetus bartelsi (630) e o falc\u00e3o Falco araeus (menos de 100). Quanto \u00e0s andorinhas-das-\u00e1rvores que ajudaram a despertar a curiosidade de Callaghan, elas contabilizam cerca de 24 milh\u00f5es, conforme ele descobriu durante o estudo.<\/p>\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o mundial estimada de galinhas dom\u00e9sticas \u00e9 algo em torno de 25 bilh\u00f5es, tornando-as, de longe, as aves mais abundantes. Mas este estudo tratou apenas de aves selvagens.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro quantas aves o mundo perdeu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas este estudo ajuda a fornecer uma estimativa para estabelecer uma linha de base. Um artigo de 2019 calculou que a popula\u00e7\u00e3o total de aves reprodutoras adultas na Am\u00e9rica do Norte\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/three-billion-birds-lost-north-america\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diminuiu em 3 bilh\u00f5es desde 1970<\/a>.<\/p>\n<p>A novidade deste estudo \u00e9 a maneira como ele combina dados de ci\u00eancia profissional e ci\u00eancia cidad\u00e3, de acordo com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Lucas-Degroote\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lucas DeGroote<\/a>, pesquisador do Centro de Pesquisa Avi\u00e1ria Powdermill do Museu Carnegie de Hist\u00f3ria Natural.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito ambicioso \u2014 \u00e9 uma tarefa enorme tentar descobrir quantas aves existem no mundo\u201d, afirma DeGroote. \u201cEles refletiram muito a respeito e tomaram todas as medidas para tornar o estudo o mais preciso poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<h3>A fragilidade da natureza<\/h3>\n<p>Os pesquisadores usaram estimativas de tr\u00eas conjuntos de dados produzidos por especialistas em todo o mundo para as organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas Partners in Flight, Fundo Brit\u00e2nico para a Ornitologia e BirdLife International. Eles combinaram esses dados com as observa\u00e7\u00f5es do eBird, o maior banco de dados do mundo coletados por cientistas cidad\u00e3os \u2014 neste caso, observadores de p\u00e1ssaros amadores.<\/p>\n<p>Os cientistas descobriram que, em muitos casos, a densidade e as estimativas populacionais percebidas pelos profissionais e pelos cientistas cidad\u00e3os eram relativamente semelhantes. Eles ent\u00e3o estimaram o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies, algumas das quais careciam de dados profissionais abrangentes, inserindo informa\u00e7\u00f5es do eBird em um modelo gerado por computador.<\/p>\n<p>Os pesquisadores s\u00e3o os primeiros a admitir que h\u00e1 muita incerteza em suas estimativas. Mas parte da for\u00e7a do estudo \u00e9 que ele quantifica essa incerteza e fornece uma ampla gama de popula\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para milhares de aves, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Thomas-Brooks-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thomas Brooks<\/a>, cientista-chefe da Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, que n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.birds.cornell.edu\/home\/staff\/ken-rosenberg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ken Rosenberg<\/a>, cientista conservacionista do Laborat\u00f3rio de Ornitologia Cornell, considerou o estudo \u201cuma tentativa ousada\u201d. Mas ele recomenda cautela na interpreta\u00e7\u00e3o dos dados, devido \u00e0 variabilidade e incerteza nas estimativas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil confiar nos n\u00fameros individuais de cada esp\u00e9cie\u201d, afirma Rosenberg, e mais ainda nas estimativas globais: \u201cfoi como se eles lan\u00e7assem um desafio [para outros pesquisadores] \u2014 se n\u00e3o gosta desse n\u00famero, sugira um melhor\u201d.<\/p>\n<p>Para Brooks, o artigo ilustra o quanto muitas esp\u00e9cies de aves s\u00e3o preciosas e qu\u00e3o perto do limite de serem extintas elas podem chegar se novas amea\u00e7as surgirem.<\/p>\n<p>\u201cO estudo nos mostra a fragilidade da natureza \u2014 precisamos prestar aten\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e ao nosso impacto sobre ele\u201d, declara Brooks.<\/p>\n<p>DeGroote concorda. \u201cPara fins de preserva\u00e7\u00e3o, temos que saber quantos [indiv\u00edduos de uma esp\u00e9cie] existem e qual \u00e9 a tend\u00eancia. Esta \u00e9 uma \u00f3tima ferramenta para medir popula\u00e7\u00f5es no futuro.\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo estudo estima que h\u00e1 entre 50 e 430 bilh\u00f5es de aves na Terra. Entenda<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Novo estudo estima que h\u00e1 entre 50 e 430 bilh\u00f5es de aves na Terra. 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