{"id":146823,"date":"2021-05-26T11:00:56","date_gmt":"2021-05-26T14:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146823"},"modified":"2021-05-26T09:01:59","modified_gmt":"2021-05-26T12:01:59","slug":"como-o-aquecimento-global-ameaca-a-agropecuaria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-aquecimento-global-ameaca-a-agropecuaria-brasileira\/","title":{"rendered":"Como o aquecimento global amea\u00e7a a agropecu\u00e1ria brasileira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-146824\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estudo aponta que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas decorrentes de emiss\u00f5es podem afetar um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos, inclusive no Brasil. Especialistas alertam sobre efeitos de pol\u00edtica ruralista e desmatamento.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos est\u00e1 em risco por conta das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa e do aquecimento global. Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o de um estudo publicado neste m\u00eas pelo peri\u00f3dico cient\u00edfico<em>\u00a0One Earth<\/em>\u00a0\u2014 e o Brasil, grande produtor agropecu\u00e1rio, deve ser seriamente afetado, se medidas n\u00e3o forem tomadas para reduzir a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Os pesquisadores, das universidades de Aalto, na Finl\u00e2ndia, e de Zurique, na Su\u00ed\u00e7a, realizaram proje\u00e7\u00f5es considerando tr\u00eas cen\u00e1rios para o futuro: um mundo em que o aquecimento global fique limitado a 2 graus Celsius, chamado de &#8220;baixa emiss\u00e3o&#8221;; um aumento de 3 graus, a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel de ocorrer ainda neste s\u00e9culo, considerando o contexto atual; e um aquecimento global de 5 graus, um cen\u00e1rio de &#8220;alta emiss\u00e3o&#8221;. Todas essas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foram consideradas em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 era pr\u00e9-industrial.<\/p>\n<p>Os cientistas procuraram avaliar o impacto que tais mudan\u00e7as clim\u00e1ticas teriam em cada regi\u00e3o produtora de alimentos do globo \u2014 e, ent\u00e3o, conclu\u00edram se as atividades econ\u00f4micas hoje desenvolvidas ali est\u00e3o em risco ou n\u00e3o. Na pesquisa, convencionou-se chamar de &#8220;ambiente clim\u00e1tico seguro&#8221;\u00a0aqueles onde ainda \u00e9 vi\u00e1vel desenvolver a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Foram avaliadas as 27 culturas alimentares mais importantes do planeta e sete tipos de rebanhos animais utilizados para alimenta\u00e7\u00e3o humana. Pa\u00edses de \u00e1reas subtropicais e temperadas seriam menos afetadas. Dos 177 pa\u00edses analisados, 52 permaneceriam em espa\u00e7os &#8220;seguros&#8221; no futuro \u2014 boa parte dos pa\u00edses europeus. Mas, no total, o cen\u00e1rio mais pessimista significaria que um ter\u00e7o das \u00e1reas hoje agropecu\u00e1rias do planeta se tornariam improdutivas.<\/p>\n<p>O Brasil, seria bastante afetado, sobretudo nas regi\u00f5es Centro-Oeste e Nordeste. &#8220;Em um cen\u00e1rio de alta emiss\u00e3o, grandes partes do Brasil estariam fora do ambiente clim\u00e1tico seguro&#8221;, esclarece \u00e0 DW o professor Matti Kummu, da Universidade de Aalto, principal autor do estudo. &#8220;De acordo com nossas estimativas, cerca de 17% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira de alimentos e 37% da produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria podem estar fora do espa\u00e7o clim\u00e1tico seguro at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo.&#8221;<\/p>\n<p>Isto no pior cen\u00e1rio. Caso o aquecimento global se mantenha na tend\u00eancia atual, ou seja, com um aumento de\u00a03 graus Celsius,\u00a0o preju\u00edzo \u00e0s \u00e1reas produtivas brasileiras seria de 6% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura e 22% \u00e0 pecu\u00e1ria. J\u00e1 na perspectiva mais otimista, ou seja, manter o aquecimento abaixo de 2 graus, toda a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil ficaria dentro do espa\u00e7o clim\u00e1tico seguro.<\/p>\n<p>&#8220;Seria a melhor op\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Kummu. &#8220;Isso requer, naturalmente, muitas interven\u00e7\u00f5es. A melhor op\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir pela metade as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e interromper as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ao mesmo tempo, novas variedades de culturas precisam ser desenvolvidas, adaptadas \u00e0s futuras condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.&#8221;<\/p>\n<h2>&#8220;Desmatamento predat\u00f3rio&#8221;<\/h2>\n<p>Se a longo prazo a agropecu\u00e1ria brasileira corre riscos, no atual momento os n\u00fameros s\u00e3o animadores para o setor. De acordo com levantamento divulgado no m\u00eas passado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produ\u00e7\u00e3o brasileira de gr\u00e3os deve superar, pela primeira vez na hist\u00f3ria, as 270 milh\u00f5es de toneladas na safra deste ano, um crescimento de 6,5% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>Especialistas, contudo, acreditam que tal crescimento \u00e9 sinal de que estamos engrenando em um ciclo vicioso. Oficialmente, a safra recorde \u00e9 resultante, entre outros fatores, de um aumento de quase 4% da \u00e1rea cultivada. Em outras palavras, um indicativo de aumento de desmatamento.<\/p>\n<p>&#8220;No m\u00e9dio e longo prazo, o Brasil deixar\u00e1 de ser uma pot\u00eancia agr\u00edcola por conta da pol\u00edtica ruralista hoje implementada&#8221;, diz o bi\u00f3logo Lucas Ferrante, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa).<\/p>\n<p>Ele afirma que, com a tecnologia existente hoje, o Brasil &#8220;j\u00e1 tem \u00e1rea desmatada suficiente para aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola como se precisa para dominar o mercado mundial&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O que vemos \u00e9 um desmatamento predat\u00f3rio que tem prejudicado e ir\u00e1 prejudicar as safras nacionais. O Brasil deveria ser o primeiro pa\u00eds a defender medidas para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, porque \u00e9 um dos pa\u00edses que mais deve sofrer perdas agr\u00edcolas por conta delas&#8221;, complementa ele. &#8220;Expandir a agricultura para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, por exemplo, \u00e9 um tiro no p\u00e9. Desmatar n\u00e3o aumenta a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Coloca o pa\u00eds em risco e diminui a produ\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Ferrante explica, tais a\u00e7\u00f5es prejudiciais ao meio ambiente, al\u00e9m de acelerar o aquecimento global, acabam interferindo no regime das chuvas, inviabilizando muitas culturas. Exemplos de altera\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis em algumas regi\u00f5es \u2014 cafezais abortam suas flores sob temperaturas acima dos 27 graus, o que j\u00e1 vem sendo relatado em algumas planta\u00e7\u00f5es de Minas Gerais, e a regi\u00e3o Sul do pa\u00eds enfrenta, desde o ano passado, um per\u00edodo de estiagem. &#8220;N\u00e3o adianta ter territ\u00f3rio para plantio se voc\u00ea n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para fazer a lavoura florir e dar frutos. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dr\u00e1stica&#8221;, argumenta o pesquisador.<\/p>\n<h2>Impacto da ind\u00fastria<\/h2>\n<p>Vice-chefe do Departamento de Ci\u00eancia do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o engenheiro agr\u00f4nomo Carlos Eduardo Cerri concorda que o setor agr\u00edcola \u00e9 afetado com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e defende pr\u00e1ticas conservacionistas para mitigar esses efeitos.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de t\u00e9cnicas de plantio direto e rota\u00e7\u00e3o de culturas, al\u00e9m do uso racional de fertilizantes e outros insumos. &#8220;Isso aumenta o sequestro de carbono. E a integra\u00e7\u00e3o entre lavoura, pecu\u00e1ria e floresta, os sistemas integrados, ajudam na menor emiss\u00e3o de gases na atmosfera&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Cerri aponta para o fato de que, no Brasil, atividades de silvicultura e agropecu\u00e1ria respondem por algo em torno de 20% a 25% das emiss\u00f5es de carbono. &#8220;J\u00e1 a ind\u00fastria, que usa combust\u00edvel f\u00f3ssil, \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte.&#8221;<\/p>\n<p>Mas o professor salienta que a ind\u00fastria n\u00e3o \u00e9 afetada pelo aquecimento global, enquanto a agropecu\u00e1ria, sim \u2014 n\u00e3o s\u00f3 pelo aumento das temperaturas, mas tamb\u00e9m pela mudan\u00e7a de precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A agricultura, a pecu\u00e1ria e a silvicultura est\u00e3o sofrendo os impactos [das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas] e podem sofrer mais intensamente&#8221;, ressalta. &#8220;H\u00e1 pr\u00e1ticas conservacionistas [feitas pelo setor] que ajudam muito [a mitigar esses efeitos], tanto para reduzir as emiss\u00f5es como para aumentar a fixa\u00e7\u00e3o do carbono. Mas n\u00e3o vejo o mesmo esfor\u00e7o sendo feito por outros setores que mais emitem gases mas n\u00e3o s\u00e3o impactados.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo aponta que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas decorrentes de emiss\u00f5es podem afetar um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/agro-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo aponta que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas decorrentes de emiss\u00f5es podem afetar um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146823"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146823"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146826,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146823\/revisions\/146826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}