{"id":146665,"date":"2021-05-23T12:00:08","date_gmt":"2021-05-23T15:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146665"},"modified":"2021-05-23T05:07:33","modified_gmt":"2021-05-23T08:07:33","slug":"finalmente-vacina-contra-malaria-e-aprovada-em-ensaios-clinicos-importantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/finalmente-vacina-contra-malaria-e-aprovada-em-ensaios-clinicos-importantes\/","title":{"rendered":"Finalmente vacina contra mal\u00e1ria \u00e9 aprovada em ensaios cl\u00ednicos importantes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-146666\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A cada segundo, sete pessoas em algum lugar do mundo s\u00e3o infectadas por um dos assassinos mais prol\u00edficos da humanidade: um parasita que muda de forma transportado na saliva de mosquitos f\u00eameas que consegue driblar nosso sistema imunol\u00f3gico e viver em nosso f\u00edgado e c\u00e9lulas sangu\u00edneas. A cada dois minutos, o parasita infecta outra crian\u00e7a de at\u00e9 5 anos \u2014 e causa mais um ciclo de desgosto e perda; esse triste ciclo ocorre toda hora, todo dia, toda semana e todo ano.<\/p>\n<p>Por mais de uma d\u00e9cada, Halidou Tinto buscou m\u00e9todos contra esse parasita. Tinto, epidemiologista especialista em mal\u00e1ria e diretor regional do Instituto de Pesquisa em Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Burquina Fasso, atende o distrito de Nanoro, cerca de 80 quil\u00f4metros a noroeste da capital Uagadugu. Com a chegada das mon\u00e7\u00f5es africanas a cada ver\u00e3o, os casos de mal\u00e1ria aumentam em Nanoro e em comunidades por todo o pa\u00eds. Burquina Fasso, um pa\u00eds com 20 milh\u00f5es de habitantes, registra cerca de 11 milh\u00f5es de casos de mal\u00e1ria por ano \u2014 e quatro mil mortes.<\/p>\n<p>Mas ap\u00f3s meses conversando com fam\u00edlias locais sobre a participa\u00e7\u00e3o em um novo estudo de vacina contra a mal\u00e1ria, seus anos de experi\u00eancia em ensaios cl\u00ednicos na \u00e1rea e d\u00e9cadas de pesquisa global, o instituto onde Tinto trabalha em Nanoro tem algo mais a oferecer: esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em um estudo publicado recentemente no peri\u00f3dico The Lancet, uma equipe internacional compartilhou novos dados promissores sobre uma potencial vacina. O ensaio cl\u00ednico de fase dois realizado em 450 crian\u00e7as em Nanoro, avaliou a vacina candidata contra a mal\u00e1ria denominada R21, que est\u00e1 em desenvolvimento no Reino Unido h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Os pesquisadores descobriram que, depois que as crian\u00e7as receberam tr\u00eas doses em um per\u00edodo de oito semanas e um refor\u00e7o ap\u00f3s 12 meses, a vacina R21 foi 77% eficaz em conter a mal\u00e1ria, em compara\u00e7\u00e3o com o grupo de controle que recebeu uma vacina contra a raiva, em vez de um placebo padr\u00e3o.<\/p>\n<p>A R21 \u00e9 a primeira vacina candidata contra a mal\u00e1ria a ultrapassar o limiar de 75% de efic\u00e1cia, uma meta que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estabeleceu em 2013. Se a efic\u00e1cia for confirmada em ensaios cl\u00ednicos maiores, a R21 poderia ser outro poderoso m\u00e9todo entre os recursos mundiais de combate \u00e0 mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cEstamos entusiasmados, mas ainda precisamos dos testes de fase tr\u00eas para confirmar a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a da vacina antes de prosseguirmos\u201d, esclarece Tinto, um dos principais autores do estudo.<\/p>\n<p><strong>Um parasita complexo<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros de casos s\u00e3o altos: em 2019, o mundo contabilizou cerca de 229 milh\u00f5es de casos de mal\u00e1ria, ocasionando a morte de cerca de 409 mil pessoas \u2014 dois ter\u00e7os eram crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o mundo reduziu bastante os n\u00fameros de casos de mal\u00e1ria, devido ao uso generalizado de mosquiteiros, diagn\u00f3stico r\u00e1pido e uso sazonal de medicamentos antimal\u00e1ricos preventivos. Entre 2000 e 2015, com todas essas interven\u00e7\u00f5es, a incid\u00eancia de casos de mal\u00e1ria entre as popula\u00e7\u00f5es de risco caiu 27%. Por\u00e9m, nos \u00faltimos anos, esse progresso estagnou, entre 2015 e 2020, os casos diminu\u00edram menos de 2%.<\/p>\n<p>Para voltar a ter um progresso significativo, a OMS est\u00e1 ansiosa para incluir uma vacina contra a mal\u00e1ria entre as op\u00e7\u00f5es de manejo da doen\u00e7a dispon\u00edveis. Mais de 140 vacinas candidatas contra a mal\u00e1ria est\u00e3o em desenvolvimento. Por enquanto, nenhuma foi aprovada formalmente.<\/p>\n<p>Produzir uma vacina contra a mal\u00e1ria \u00e9 extremamente dif\u00edcil, em parte porque \u00e9 uma doen\u00e7a complexa. A maioria dos casos de mal\u00e1ria \u00e9 causada pelo parasita Plasmodium falciparum, cujo genoma cont\u00e9m mais de cinco mil genes \u2014 muito mais do que os meros 12 que circulam dentro do novo coronav\u00edrus que causa a covid-19. \u201cH\u00e1 muito interesse e muito entusiasmo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas no momento por causa da covid-19, mas, obviamente, estamos almejando algo diferente\u201d, declara a autora do estudo Mehreen Datoo, m\u00e9dica e doutoranda no Instituto Jenner de Oxford que ajuda a liderar o desenvolvimento cl\u00ednico da vacina R21.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de bact\u00e9rias e v\u00edrus, parasitas como o Plasmodium passam por diversos est\u00e1gios de vida no corpo humano, o que dificulta ainda mais o desenvolvimento de vacinas contra eles. Quando uma f\u00eamea do mosquito pica algu\u00e9m para se alimentar de sangue, os parasitas do Plasmodium que se alojam na saliva do mosquito podem ser transferidos para a corrente sangu\u00ednea da pessoa. Em at\u00e9 meia hora ap\u00f3s a picada, esses parasitas saem da corrente sangu\u00ednea e se instalam no f\u00edgado, onde se multiplicam aos milhares.<\/p>\n<p>Em seguida, os parasitas retornam \u00e0 corrente sangu\u00ednea, onde se multiplicam rapidamente em um ciclo vicioso: entram nos gl\u00f3bulos vermelhos, se replicam dentro deles e, depois, rompem as c\u00e9lulas infectadas. Alguns desses parasitas se desenvolvem ainda mais e, quando um mosquito se alimenta do sangue de uma pessoa j\u00e1 infectada, esses Plasmodium invadem novamente o inseto, abrem caminho atrav\u00e9s da parede do intestino dele e se infiltram nas gl\u00e2ndulas salivares desse mosquito \u2014 reiniciando o ciclo.<\/p>\n<p>Em cada etapa, o Plasmodium se multiplica em uma regi\u00e3o diferente do organismo, o que significa que a melhor maneira de bloquear uma infec\u00e7\u00e3o \u00e9 interromp\u00ea-la precocemente, de prefer\u00eancia antes de come\u00e7ar a infectar os gl\u00f3bulos vermelhos. Mas de que maneira?<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento da nova vacina<\/strong><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, pesquisadores se concentraram no est\u00e1gio de vida do Plasmodium ao invadir pela primeira vez a corrente sangu\u00ednea humana, chamado de esporozo\u00edto. Em 1983, os pesquisadores descobriram que os esporozo\u00edtos s\u00e3o cobertos por uma prote\u00edna que provoca forte resposta do sistema imunol\u00f3gico. Em 1987, pesquisadores da empresa farmac\u00eautica norte-americana GlaxoSmithKline desenvolveram uma vacina de teste contra a mal\u00e1ria baseada nessa prote\u00edna, que \u00e9 chamada de prote\u00edna circunsporozo\u00edta, ou CSP, na sigla em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>O objetivo da GlaxoSmithKline era criar prote\u00ednas transportadoras que conteriam tra\u00e7os de CSP e se autoagrupariam em bolhas esf\u00e9ricas microsc\u00f3picas \u2014 tecnicamente chamadas de \u201cpart\u00edculas semelhantes a v\u00edrus\u201d \u2014 que poderiam ent\u00e3o ser injetadas no corpo humano, onde desencadeariam uma resposta imune. Se pat\u00f3genos revestidos com a mesma prote\u00edna aparecessem posteriormente, o sistema imunol\u00f3gico estaria com suas defesas preparadas. Essa t\u00e9cnica j\u00e1 \u00e9 utilizada para produzir vacinas atualmente. As vacinas contra o papilomav\u00edrus humano (HPV) e contra a hepatite B s\u00e3o baseadas em uma part\u00edcula semelhante ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>No caso da mal\u00e1ria, os pesquisadores implementaram um fragmento de CSP em uma prote\u00edna retirada da superf\u00edcie do v\u00edrus da hepatite B, que os pesquisadores j\u00e1 sabiam que se agrupavam em part\u00edculas esf\u00e9ricas. Quando essas prote\u00ednas s\u00e3o produzidas em massa em leveduras modificadas, elas se agrupam em part\u00edculas cravejadas com tra\u00e7os da prote\u00edna Plasmodium que estimulam o corpo a produzir anticorpos contra a CSP.<\/p>\n<p>Essa vacina, chamada RTS,S, \u00e9 a vacina candidata mais testada contra a mal\u00e1ria (produzida pela GlaxoSmithKline sob o nome comercial Mosquirix). Durante a maior parte das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, pesquisadores, institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas, incluindo a Funda\u00e7\u00e3o Gates, e a GlaxoSmithKline, tentaram impulsionar a RTS,S. Os ensaios cl\u00ednicos mostraram que a vacina \u00e9 segura e, em 2015, a Ag\u00eancia Europeia de Medicamentos concedeu uma recomenda\u00e7\u00e3o positiva, mas n\u00e3o a aprova\u00e7\u00e3o (em especial porque a vacina n\u00e3o \u00e9 comercializada na Uni\u00e3o Europeia). Desde 2019, a RTS,S foi administrada a mais de 650 mil crian\u00e7as em Gana, no Qu\u00eania e em Malaui, por meio de programas-piloto promovidos pela OMS.<\/p>\n<p>Os ensaios cl\u00ednicos da RTS,S mostraram que, em \u00e1reas de alta transmiss\u00e3o onde as crian\u00e7as podem contrair mal\u00e1ria mais de seis vezes por ano, a vacina preveniu cerca de 4,5 mil casos da doen\u00e7a para cada mil crian\u00e7as vacinadas. Os modelos de estudo sugerem que, para cada 200 crian\u00e7as que recebem RTS,S, a vida de uma delas ser\u00e1 salva.<\/p>\n<p>\u201cPara colocar isso em perspectiva, [a RTS,S tem] quase a mesma efic\u00e1cia de um mosquiteiro \u2014 e observamos o decl\u00ednio impressionante na morbidade e mortalidade da mal\u00e1ria com o uso de mosquiteiros\u201d, explica a epidemiologista da OMS Mary Hamel, que gerencia o Programa de Implementa\u00e7\u00e3o de Vacinas contra Mal\u00e1ria da organiza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 poss\u00edvel us\u00e1-los em conjunto.\u201d<\/p>\n<p>Mas em rela\u00e7\u00e3o a outras vacinas \u2014 como as vacinas contra a covid-19 surpreendentemente eficazes \u2014 a RTS,S tem um desempenho modesto. Os estudos descobriram que, no primeiro ano ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o, para cada nove pessoas n\u00e3o vacinadas que contra\u00edram mal\u00e1ria, quatro haviam sido vacinadas, o que significa uma efic\u00e1cia de cerca de 55%. Quatro anos ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o, a efic\u00e1cia caiu para cerca de 36%.<\/p>\n<p>A OMS reconheceu que uma vacina mais eficaz poderia salvar mais vidas, por isso estabeleceu uma meta audaciosa em 2013: a ag\u00eancia de sa\u00fade anunciou que, at\u00e9 2030, queria uma vacina contra a mal\u00e1ria com efic\u00e1cia de 75%.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o surgiu a R21, a vacina candidata do ensaio cl\u00ednico de Burquina Fasso. A R21 funciona de forma semelhante \u00e0 RTS,S: implementa uma por\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de Plasmodium em uma prote\u00edna da hepatite B e cria uma part\u00edcula esf\u00e9rica que estimula o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Mas devido \u00e0s melhorias nas t\u00e9cnicas de fabrica\u00e7\u00e3o de vacinas, a part\u00edcula da R21 \u00e9 mais eficiente. Acontece que h\u00e1 menos prote\u00edna de Plasmodium na parte externa da part\u00edcula RTS,S do que teoricamente poderia haver. Para cada prote\u00edna da hepatite B que cont\u00e9m um fragmento de CSP de Plasmodium, quatro n\u00e3o t\u00eam. Na R21, no entanto, cada prote\u00edna tem um fragmento de Plasmodium \u2014 fornecendo \u00e0 superf\u00edcie de sua part\u00edcula semelhante ao v\u00edrus muitos mais locais para os anticorpos reconhecerem e se ligarem.<\/p>\n<p>Os estudos de laborat\u00f3rio da R21 come\u00e7aram em Oxford de 2010 a 2012, e os primeiros testes de \u201cdesafio\u201d da vacina come\u00e7aram anos depois, com volunt\u00e1rios saud\u00e1veis em Oxford, Londres e Southampton, no Reino Unido, que concordaram em ser infectados com mal\u00e1ria para testar a seguran\u00e7a da vacina. Esses primeiros resultados foram promissores o suficiente para envolver o Serum Institute of India, um dos maiores fabricantes mundiais de vacinas. Em 2018, o instituto licenciou a vacina de Oxford, concordando em produzir de 200 a 300 milh\u00f5es de doses da R21 por ano, caso fosse registrada formalmente.<\/p>\n<p>Dois anos depois, em maio de 2019, o maior ensaio cl\u00ednico de fase dois com 450 pessoas teve in\u00edcio em Burquina Fasso, em um distrito de sa\u00fade localizado em Nanoro. Tinto e seus colegas estavam extremamente bem-preparados: eles haviam administrado um dos centros de estudo para a vacina RTS,S.<\/p>\n<p><strong>Luta contra uma doen\u00e7a negligenciada<\/strong><\/p>\n<p>Hamel, a epidemiologista da OMS, elogiou os resultados da R21. Mas, assim como os coautores do estudo, ela pediu cautela at\u00e9 depois dos testes de fase tr\u00eas em 4,8 mil pessoas, que est\u00e3o come\u00e7ando em cinco locais em Burquina Fasso, no Qu\u00eania, em Mali e na Tanz\u00e2nia. De acordo com Tinto, os resultados s\u00e3o esperados para o fim de 2023 ou in\u00edcio de 2024. Datoo acrescenta que a equipe da vacina R21 poderia iniciar o processo de aprova\u00e7\u00e3o j\u00e1 no fim de 2022, se os legisladores africanos considerassem conceder autoriza\u00e7\u00f5es de uso emergencial \u00e0 vacina, assim como as emitidas para as vacinas contra a covid-19.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o fundamental \u00e9 qual a efic\u00e1cia de prote\u00e7\u00e3o da vacina R21 contra a mal\u00e1ria em diferentes contextos de transmiss\u00e3o. Em Burquina Fasso, os casos de mal\u00e1ria aumentam na esta\u00e7\u00e3o chuvosa do pa\u00eds, que vai de junho a novembro; em outras regi\u00f5es da \u00c1frica, a transmiss\u00e3o persiste durante todo o ano. No ensaio cl\u00ednico da R21, os pesquisadores intencionalmente intercalaram as tr\u00eas doses \u2014 cada uma com quatro semanas de intervalo \u2014 para que fossem administradas logo antes da chegada da esta\u00e7\u00e3o chuvosa de Burquina Fasso, de maneira a conciliar os altos n\u00edveis de anticorpos desencadeados pela vacina com o pico da temporada de mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para Hamel, os \u00faltimos dois anos \u2014 mesmo com todos os desafios da covid-19 \u2014 mostraram o quanto as vacinas podem ser eficazes contra a mal\u00e1ria. Os programas-piloto apoiados pela OMS para a vacina RTS,S ainda est\u00e3o em andamento, apesar das interrup\u00e7\u00f5es nos sistemas locais de sa\u00fade causadas pela pandemia. Al\u00e9m disso, estudos mais amplos de programas de vacina\u00e7\u00e3o infantil na \u00c1frica mostraram que, entre fam\u00edlias em que as crian\u00e7as n\u00e3o dormem regularmente sob os mosquiteiros, cerca de 70% das crian\u00e7as s\u00e3o vacinadas. Se uma vacina contra a mal\u00e1ria fosse implementada em escala e administrada junto com outras vacinas pedi\u00e1tricas, um grande n\u00famero de crian\u00e7as que atualmente n\u00e3o t\u00eam acesso a outras interven\u00e7\u00f5es contra a mal\u00e1ria teriam pelo menos a prote\u00e7\u00e3o da vacina.<\/p>\n<p>A covid-19 tamb\u00e9m destacou quanto progresso pode ser feito quando a comunidade global age com urg\u00eancia para lidar com uma crise de sa\u00fade. Hamel deseja que o senso de urg\u00eancia \u2014 e os fundos resultantes e apoio log\u00edstico \u2014 tamb\u00e9m existam para a mal\u00e1ria. \u201cAcredito que o maior obst\u00e1culo seja a complac\u00eancia\u201d, conclui ela. \u201cSe fosse a primeira vez que houve 265 mil mortes de crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos por mal\u00e1ria durante um ano, considerar\u00edamos uma emerg\u00eancia e lidar\u00edamos de acordo. Mas ficamos acostumados com isso.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada segundo, sete pessoas em algum lugar do mundo s\u00e3o infectadas por um dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146666,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/malaria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A cada segundo, sete pessoas em algum lugar do mundo s\u00e3o infectadas por um dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146665"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146667,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146665\/revisions\/146667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}