{"id":146548,"date":"2021-05-21T14:00:39","date_gmt":"2021-05-21T17:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146548"},"modified":"2021-05-20T21:57:58","modified_gmt":"2021-05-21T00:57:58","slug":"primeiro-sequenciamento-genetico-de-serpente-brasileira-e-concluido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/primeiro-sequenciamento-genetico-de-serpente-brasileira-e-concluido\/","title":{"rendered":"Primeiro sequenciamento gen\u00e9tico de serpente brasileira \u00e9 conclu\u00eddo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-146549\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Butantan e financiado pela FAPESP realizou o primeiro sequenciamento gen\u00e9tico de uma serpente brasileira. O estudo, <strong><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/20\/e2015159118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>PNAS<\/i>, sugere que a origem de nove genes que produzem as toxinas do veneno na jararaca (<i>Bothrops jararaca<\/i>) provavelmente se deu pela transforma\u00e7\u00e3o direta de genes que, originalmente, tinham fun\u00e7\u00f5es diferentes no ancestral da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201cCom o sequenciamento do genoma da jararaca, identificamos marcadores que permitiram comparar os genes que produzem toxinas com os que est\u00e3o na mesma posi\u00e7\u00e3o em genomas de outros animais, como serpentes sem veneno, lagartos e anf\u00edbios. Observamos que nove dos 12 tipos de genes que produzem a pe\u00e7onha na jararaca eram muito parecidos com aqueles encontrados na mesma posi\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia de DNA dessas outras esp\u00e9cies. Isso nos permite afirmar que a maioria dos genes de toxina provavelmente surgiu a partir de elementos que j\u00e1 existiam naquele local do genoma do ancestral comum a todos esses animais\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8219\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">In\u00e1cio Junqueira de Azevedo<\/a><\/strong>, pesquisador do Instituto Butantan e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Azevedo \u00e9 um dos pesquisadores principais do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58571\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinaliza\u00e7\u00e3o Celular\u00a0<\/a><\/strong>(<strong><a href=\"https:\/\/www.cetics.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CeTICS<\/a><\/strong>), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID)\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cEsses genes exerciam pap\u00e9is fisiol\u00f3gicos num ancestral comum de todas essas esp\u00e9cies. Em algum momento, eles provavelmente come\u00e7aram a apresentar uma atividade semelhante \u00e0 de toxinas, foram selecionados para esse caminho e, assim, perderam a fun\u00e7\u00e3o original. Esse estudo trouxe elementos para entender a evolu\u00e7\u00e3o das toxinas e quais foram os mecanismos que levaram alguns genes a serem recrutados para exercer essa nova fun\u00e7\u00e3o como produtores de componentes de veneno\u201d, conta\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/670184\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Dantas Almeida<\/a><\/strong>, um dos autores principais do estudo, realizado durante seu doutorado, com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/147953\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p>O sequenciamento mostrou ainda que dois genes que codificam importantes toxinas provavelmente se originaram a partir de duplica\u00e7\u00e3o. Com uma c\u00f3pia realizando as fun\u00e7\u00f5es originais do gene, \u00e9 normal em qualquer organismo que a outra possa evoluir mais livremente para exercer diferentes atividades.<\/p>\n<p>No caso das serpentes da fam\u00edlia da jararaca, essas c\u00f3pias devem ter sofrido alguma press\u00e3o seletiva para gerar duas fam\u00edlias de toxinas que respondem pela maior parte da a\u00e7\u00e3o do veneno, a metaloproteinase conhecida pela sigla SVMP e a fosfolipase A2 (PLA2). At\u00e9 ent\u00e3o, acreditava-se que a maioria dos genes produtores de pe\u00e7onha nas jararacas tinha\u00a0se originado assim. N\u00e3o foi poss\u00edvel determinar a origem de apenas uma das 12 fam\u00edlias de genes que codificam toxinas na serpente.<\/p>\n<p>\u201cApenas nessas duas fam\u00edlias de genes produtores de toxinas conseguimos demonstrar que ainda existem genes \u2018ancestrais\u2019 n\u00e3o t\u00f3xicos, ainda presentes no c\u00f3digo gen\u00e9tico, logo ao lado das toxinas. Para as outras, os ancestrais se perderam completamente, provavelmente se transformando em geradores de toxinas\u201d, afirma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/81988\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vincent Louis Viala<\/a><\/strong>, coautor do estudo e ex-bolsista de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/161794\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">p\u00f3s-doutorado<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP<\/p>\n<p><b>Esfor\u00e7o de pesquisa<\/b><\/p>\n<p>O grupo do Butantan tenta realizar o sequenciamento do genoma da jararaca desde 2013. A serpente \u00e9 respons\u00e1vel por grande parte dos acidentes of\u00eddicos no Brasil e, tamb\u00e9m\u00a0por isso, \u00e9 uma das mais estudadas. No entanto, os cientistas ainda n\u00e3o dispunham de informa\u00e7\u00f5es mais fundamentais da origem do veneno, que o sequenciamento gen\u00e9tico agora trouxe.<\/p>\n<p>Mais do que conhecer os genes existentes em um organismo, descrever\u00a0um genoma completo se trata de mont\u00e1-lo na sequ\u00eancia correta. Essa \u00e9 uma das partes mais complexas do trabalho, uma vez que o sequenciamento gera uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es, que precisam depois ser processadas por meio de ferramentas de computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apenas nos \u00faltimos anos, ap\u00f3s combinar diversos m\u00e9todos, o grupo conseguiu obter uma montagem satisfat\u00f3ria do genoma, com a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Ohio State University, nos Estados Unidos. O genoma agora est\u00e1\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/cetics.butantan.gov.br\/gb2\/gbrowse\/bothrops_jararaca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel<\/a><\/strong>\u00a0on-line para quem quiser estud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Outras respostas importantes foram obtidas a partir do trabalho. Em 2009, uma an\u00e1lise realizada por pesquisadores japoneses de alguns genes de veneno da\u00a0<i>Protobothrops flavoviridis<\/i>, serpente pe\u00e7onhenta da mesma fam\u00edlia da jararaca (Viperidae), havia mostrado que o gene que produzia a toxina VEGF-F, tamb\u00e9m presente na cobra brasileira, era provavelmente resultante de uma duplica\u00e7\u00e3o do gene\u00a0<i>VEGF-A<\/i>. O grupo brasileiro mostrou que \u00e9 mais prov\u00e1vel que ele tenha se originado de\u00a0outra fam\u00edlia de genes, conhecida na literatura cient\u00edfica como \u201cPGF-like\u201d.<\/p>\n<p>O grupo reuniu ainda mais evid\u00eancias de que os pept\u00eddeos potenciadores da bradicinina (BPP), que s\u00e3o a base do medicamento para hipertens\u00e3o arterial captopril, provavelmente t\u00eam origem no gene\u00a0<i>CNP<\/i>, produtor dos chamados pept\u00eddeos natriur\u00e9ticos tipo-C, presente em outros vertebrados, inclusive em humanos.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho ilustra a necessidade de se identificar o contexto no qual os genes est\u00e3o inseridos para o correto entendimento de sua origem e evolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz Azevedo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores agora trabalham na obten\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es mais refinadas do genoma da jararaca, assim como de outras fam\u00edlias de serpentes produtoras de veneno. Com isso, esperam encontrar novas mol\u00e9culas de veneno e relacion\u00e1-las com prote\u00ednas de relev\u00e2ncia na fisiologia de outros organismos.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m foi financiada por meio de um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/94535\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a><\/strong>\u00a0conduzido no \u00e2mbito do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa BIOTA-FAPESP<\/a><\/strong>\u00a0e de um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/56575\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aux\u00edlio Regular<\/a><\/strong>, ambos concedidos a Azevedo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Tracking the recruitment and evolution of snake toxins using the evolutionary context provided by the<\/i>\u00a0Bothrops jararaca\u00a0<i>genome<\/i>\u00a0pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/20\/e2015159118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.pnas.org\/content\/118\/20\/e2015159118<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Butantan e financiado pela FAPESP realizou o primeiro<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/cobra.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Butantan e financiado pela FAPESP realizou o primeiro","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146548"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146548"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146552,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146548\/revisions\/146552"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}