{"id":146470,"date":"2021-05-20T11:00:01","date_gmt":"2021-05-20T14:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146470"},"modified":"2021-05-19T18:59:57","modified_gmt":"2021-05-19T21:59:57","slug":"ondas-de-calor-estao-se-tornando-mais-letais-alerta-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ondas-de-calor-estao-se-tornando-mais-letais-alerta-pesquisador\/","title":{"rendered":"\u2018Ondas de calor est\u00e3o se tornando mais letais\u2019, alerta pesquisador"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-146471\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Devido ao aquecimento global, as ondas de calor recordes aumentaram cinco vezes nas \u00faltimas d\u00e9cadas e se tornaram um dos desastres naturais mais mortais, com letalidade compar\u00e1vel \u00e0 de pandemias.<\/p>\n<p>O n\u00famero de 70 mil mortes na Fran\u00e7a causadas pela onda de calor que assolou a Europa no ver\u00e3o de 2003, por exemplo, s\u00f3 foi superado no ano passado pelo gerado pela pandemia de COVID-19, que vitimou quase 130 mil franceses entre o in\u00edcio de mar\u00e7o e o final de abril de 2020. O pico de \u00f3bitos causados pelo calor extremo na Fran\u00e7a naquele ano, contudo, foi superior ao registrado na primeira onda de infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>Entre mar\u00e7o e abril de 2020, o n\u00famero de mortes di\u00e1rias causadas pela doen\u00e7a chegou a 2.691 no pa\u00eds europeu. J\u00e1 em agosto de 2003, mais de 3\u00a0mil franceses morreram em um \u00fanico dia em raz\u00e3o da onda de calor recorde, cuja dura\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, foi menor que a da pandemia de COVID-19, de pouco mais de tr\u00eas semanas, comparou Stefan Rahmstorf, pesquisador do Instituto Potsdam de Pesquisa dos Impactos do Clima, durante palestra no primeiro dia do 9\u00ba Di\u00e1logo Brasil-Alemanha sobre Ci\u00eancia, Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o, \u201cCities and Climate \u2013 The Multi-level Governance Challenge\u201d, que a FAPESP e o Centro Alem\u00e3o de Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o (DWIH) S\u00e3o Paulo\u00a0<b><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/eventos\/dwhi9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">realizam<\/a><\/b>\u00a0de forma virtual at\u00e9 amanh\u00e3 (20\/05).<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que o planeta aquece, mais teremos extremos de calor\u201d, afirmou Rahmstorf, considerado um dos cientistas do clima mais influentes do mundo.<\/p>\n<p>Estudo feito pela equipe do instituto de pesquisa alem\u00e3o, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Espanha, j\u00e1 apontava, em 2013, que os extremos mensais de temperatura tornaram-se muito mais frequentes em todo o mundo. Em m\u00e9dia, h\u00e1 agora cinco vezes mais meses quentes recordes em todo o mundo do que se poderia esperar sem o aquecimento global de longo prazo.<\/p>\n<p>Em partes da Europa, \u00c1frica e no sul da \u00c1sia, o n\u00famero de registros mensais aumentou por um fator de at\u00e9 dez, e 80% n\u00e3o teriam ocorrido sem a influ\u00eancia humana no clima, apontaram os pesquisadores em\u00a0<b><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10584-012-0668-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a><\/b>\u00a0publicado na revista\u00a0<i>Climatic\u00a0Change<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cOs recordes de calor t\u00eam sido quebrados constantemente. Os ver\u00f5es mais quentes na Europa desde 1500 foram, na ordem decrescente, em 2018, 2010, 2003, 2016 e 2002\u201d, afirmou Rahmstorf.<\/p>\n<p>J\u00e1 na regi\u00e3o central da Am\u00e9rica Central, o \u00faltimo recorde de temperatura foi registrado em outubro de 2020, indicou estudo feito por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres (Cemaden), cujos resultados foram submetidos para publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA onda de calor afetou tanto pequenas como grandes cidades nessa regi\u00e3o\u201d, afirmou\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/741\/jose-antonio-marengo-orsini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jos\u00e9 Marengo<\/a><\/b>, pesquisador do Cemaden e coordenador do projeto.<\/p>\n<p>Segundo Rahmstorf, atualmente, o n\u00famero de dias de calor nas \u00e1reas urbanas das cidades \u00e9 duas vezes maior do que nas \u00e1reas rurais pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>No futuro, entre 2081 e 2100, no cen\u00e1rio mais pessimista de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa esbo\u00e7ado no quinto relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), a quantidade de dias muito quentes pode aumentar em at\u00e9 dez vezes tamb\u00e9m nas cidades, causando maior n\u00famero de mortes em diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o IPCC, duas vezes mais megacidades apresentam probabilidade de sofrer estresse t\u00e9rmico com um aumento de 1,5 \u00baC na temperatura do planeta, o que exporia mais de 350 milh\u00f5es de pessoas ao risco de morte por calor excessivo at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>\u201cPara conseguir limitar o aumento da temperatura m\u00e9dia global abaixo de 2 \u00baC e perseguir a meta de mant\u00ea-la em 1,5 \u00baC acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris, ser\u00e1 preciso promover transi\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e de longo alcance em setores de infraestrutura urbana, o que inclui transporte, constru\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m sistemas industriais. Isso exigir\u00e1 a\u00e7\u00f5es no contexto das cidades\u201d, avaliou\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/94133\/thelma-krug\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thelma Krug<\/a><\/b>, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e vice-presidente do IPCC.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es no n\u00edvel das cidades n\u00e3o poder\u00e3o ser apenas ajustes ou melhorias em alguns setores porque o tipo de mudan\u00e7as que t\u00eam sido imposto\u00a0pela amea\u00e7a clim\u00e1tica precisa\u00a0ser encarado\u00a0como transforma\u00e7\u00e3o, ponderou Marc Wolfram, pesquisador do Leibniz Institute of Ecological Urban and Regional Development.<\/p>\n<p>\u201cA mudan\u00e7a deve ser realmente hol\u00edstica e abranger n\u00e3o s\u00f3 dimens\u00f5es sociais, mas tamb\u00e9m culturais, econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas. Isso significa que devemos nos perguntar o que isso implica em termos de estrat\u00e9gias que planejamos, se podemos responder de maneira semelhante a outros problemas no passado ou se precisamos de novas abordagens e como seria uma mudan\u00e7a urbana radical\u201d, afirmou Wolfram.<\/p>\n<p><b>Coopera\u00e7\u00e3o Brasil-Alemanha<\/b><\/p>\n<p>Um dos objetivos do 9\u00ba Di\u00e1logo Brasil-Alemanha \u00e9 fomentar a coopera\u00e7\u00e3o em pesquisa entre Brasil e Alemanha na \u00e1rea de cidades e clima, bem como na busca de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cSe por um lado as cidades est\u00e3o implicadas na gera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por outro tamb\u00e9m sofrem as consequ\u00eancias das altera\u00e7\u00f5es no clima. Por isso, \u00e9 preciso torn\u00e1-las mais resilientes\u201d, avaliou Marco Zago, presidente da FAPESP, durante a abertura do evento.<\/p>\n<p>\u201cNunca houve um tema dessa s\u00e9rie de eventos com maior impacto na vida de todos n\u00f3s, que habitamos cidades pequenas, m\u00e9dias ou grandes, como o clima\u201d, disse Jochen Hellmann, diretor do DWIH S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para participar do evento, o p\u00fablico pode se inscrever pelo canal do DWIH S\u00e3o Paulo no Youtube. A \u00edntegra do primeiro dia de discuss\u00f5es pode ser conferida em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/youtu.be\/mKA5elf9zik\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/youtu.be\/mKA5elf9zik<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido ao aquecimento global, as ondas de calor recordes aumentaram cinco vezes nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146471,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/mapa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Devido ao aquecimento global, as ondas de calor recordes aumentaram cinco vezes nas \u00faltimas d\u00e9cadas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146470"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146470"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146473,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146470\/revisions\/146473"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}