{"id":146310,"date":"2021-05-17T12:00:25","date_gmt":"2021-05-17T15:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146310"},"modified":"2021-05-17T09:46:28","modified_gmt":"2021-05-17T12:46:28","slug":"estudo-aponta-microrganismos-como-possivel-origem-de-metais-em-planalto-submarino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-aponta-microrganismos-como-possivel-origem-de-metais-em-planalto-submarino\/","title":{"rendered":"Estudo aponta microrganismos como poss\u00edvel origem de metais em planalto submarino"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-146311\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A riqueza biol\u00f3gica e mineral da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande \u2013 monte submarino localizado a 1,5 mil quil\u00f4metros da costa brasileira \u2013 guarda estreita rela\u00e7\u00e3o com criaturas microsc\u00f3picas ainda pouco conhecidas. Pesquisadores do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (IO-USP), em projeto desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com o National Oceanography Centre, da Inglaterra, descreveram os microrganismos presentes nas crostas oce\u00e2nicas de ferromangan\u00eas da regi\u00e3o e conclu\u00edram que as bact\u00e9rias e as arqueias s\u00e3o potencialmente respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da abundante vida local, al\u00e9m de estarem envolvidas no processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o que d\u00e1 origem aos metais presentes nas crostas.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00248-020-01670-y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicados<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>Microbial Ecology<\/i>. O trabalho foi financiado por uma parceria entre a FAPESP e o Natural Environment Research Council (NERC), do Reino Unido.<\/p>\n<p>Em 2014, o Brasil obteve da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em ingl\u00eas) autoriza\u00e7\u00e3o para estudar o potencial da \u00e1rea para minera\u00e7\u00e3o por um prazo de 15 anos. Ligada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a ISA \u00e9 respons\u00e1vel por regular atividades que envolvam o fundo dos oceanos em \u00e1guas internacionais.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, ainda se conhece muito pouco da biodiversidade local e n\u00e3o sabemos o impacto que essa atividade poderia ter sobre o ecossistema da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande\u201d, conta\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/6046\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vivian Pellizari<\/a><\/strong>, professora do IO-USP e coordenadora do estudo.<\/p>\n<p>O trabalho integra projeto\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/89804\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoiado<\/a><\/strong>\u00a0pela FAPESP. O artigo \u00e9 um dos resultados do doutorado de Natascha Menezes Bergo, que atualmente realiza p\u00f3s-doutorado no IO-USP.<\/p>\n<p>\u201cApesar do processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o por microrganismos ser conhecido, a oxida\u00e7\u00e3o e a precipita\u00e7\u00e3o de mangan\u00eas n\u00e3o tinham sido provadas e n\u00e3o t\u00ednhamos ideia de como isso ocorria em \u00e1reas oce\u00e2nicas. Em julho de 2020, por\u00e9m, um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2468-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a><\/strong>\u00a0publicado por pesquisadores dos Estados Unidos na\u00a0<i>Nature<\/i>\u00a0mostrou pela primeira vez bact\u00e9rias que usam o mangan\u00eas para converter di\u00f3xido de carbono em biomassa, por meio de um processo chamado quimioss\u00edntese. Uma dessas bact\u00e9rias, pertencente ao grupo Nitrospirae, est\u00e1 presente nas sequ\u00eancias de DNA que extra\u00edmos das amostras de crostas coletadas na Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande. Essa \u00e9 uma forte evid\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 apenas um processo geol\u00f3gico que est\u00e1 ocorrendo na forma\u00e7\u00e3o dos metais, mas sim um processo biol\u00f3gico, em que os microrganismos s\u00e3o bastante atuantes\u201d, diz Bergo, que participou das coletas em 2018 embarcada no RRS Discovery, navio da realeza brit\u00e2nica (<i>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/29449\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">agencia.fapesp.br\/29449\/<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ferro e mangan\u00eas, as crostas s\u00e3o ricas ainda em cobalto \u2013 essencial para a produ\u00e7\u00e3o de baterias recarreg\u00e1veis, por exemplo \u2013, al\u00e9m de n\u00edquel, molibd\u00eanio, ni\u00f3bio, platina, tit\u00e2nio e tel\u00fario, este \u00faltimo fundamental para a fabrica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas solares para gera\u00e7\u00e3o de energia de alta efici\u00eancia, entre outros elementos. No fim de 2018, o Brasil solicitou \u00e0 ONU a amplia\u00e7\u00e3o da sua plataforma continental, de forma a incluir a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande.<\/p>\n<p>Em outras partes do mundo, outras \u00e1reas similares s\u00e3o estudadas h\u00e1 mais tempo com os mesmos objetivos, como a Zona de Fratura de Clipperton e o monte submarino Takuyo-Daigo, ambos no Pac\u00edfico Norte, al\u00e9m do monte submarino Tropic, no Atl\u00e2ntico Norte.<\/p>\n<p><b>Forma\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Com cerca de 150 mil quil\u00f4metros quadrados \u2013 \u00e1rea equivalente a tr\u00eas vezes a do Estado do Rio de Janeiro \u2013 a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande est\u00e1 a profundidades que v\u00e3o de 800 a 3 mil metros. Formada durante a separa\u00e7\u00e3o do supercontinente Gondwana (do que atualmente compreende a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul), entre 146 milh\u00f5es e 100 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, a Eleva\u00e7\u00e3o era uma ilha que afundou h\u00e1 cerca de 40 milh\u00f5es de anos, provavelmente devido ao peso de um vulc\u00e3o e da lava, bem como da movimenta\u00e7\u00e3o de placas tect\u00f4nicas (<i>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/revelacoes-de-um-arquipelago-submerso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/revelacoes-de-um-arquipelago-submerso<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>\n<p>Em uma das expedi\u00e7\u00f5es do grupo ocorridas em 2018, os pesquisadores recolheram de uma \u00e1rea da Eleva\u00e7\u00e3o amostras das crostas de ferromangan\u00eas, dos esqueletos de corais que vivem sobre elas, de rochas de calcarinita e de biofilmes formados na superf\u00edcie das crostas. Os biofilmes s\u00e3o comunidades microbianas estruturadas e envoltas por subst\u00e2ncias secretadas por elas mesmas, um recurso que as protege contra agress\u00f5es como falta de nutrientes ou subst\u00e2ncias potencialmente nocivas.<\/p>\n<p>\u201cTer encontrado biofilme foi uma surpresa interessante, uma vez que ele \u00e9 um indicativo do princ\u00edpio do processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o. Tanto nele quanto nas amostras de esqueleto de coral, nas rochas de calcarinita e nas crostas encontramos os mesmos microrganismos. A \u00fanica diferen\u00e7a est\u00e1 na idade das superf\u00edcies: corais s\u00e3o mais recentes do que as crostas, e os biofilmes mais ainda\u201d, afirma Bergo.<\/p>\n<p>Um total de 666.782 sequ\u00eancias de DNA foram recuperadas das amostras. As bact\u00e9rias e as arqueias encontradas fazem parte de grupos conhecidos pelo envolvimento no ciclo do nitrog\u00eanio, transformando a am\u00f4nia em nitrito e nitrato, que por sua vez fornecem energia para outros microrganismos. Al\u00e9m do grupo Nitrospirae, foram encontrados outros procariotas como a arqueia Nitrososphaeria. O sequenciamento das amostras revelou ainda grupos ligados ao ciclo de metano, como Methylomirabilales e Deltaproteobacteria.<\/p>\n<p>Os resultados contribuem para a compreens\u00e3o da diversidade microbiana e dos potenciais processos ecol\u00f3gicos ocorridos nas crostas de ferromangan\u00eas no Atl\u00e2ntico Sul. Dados do tipo contribuem para a elabora\u00e7\u00e3o de futuras regulamenta\u00e7\u00f5es de uma poss\u00edvel atividade de minera\u00e7\u00e3o na Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande.<\/p>\n<p>\u201cNo processo de retirada das crostas, ocorreria provavelmente a altera\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o local, mudando a disponibilidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica, dos nutrientes e, consequentemente, do microbioma local e de toda a vida associada a ele. Al\u00e9m disso, as crostas crescem em m\u00e9dia 1 mil\u00edmetro a cada 1 milh\u00e3o de anos. N\u00e3o haveria tempo h\u00e1bil de haver uma recoloniza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, recentemente, est\u00e3o surgindo muitos trabalhos sobre como avaliar e mitigar os impactos causados pela minera\u00e7\u00e3o marinha\u201d, encerra Bergo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Microbial Diversity of Deep-Sea Ferromanganese Crust Field in the Rio Grande Rise, Southwestern Atlantic Ocean<\/i>, de Natascha Menezes Bergo, Amanda Gon\u00e7alves Bendia, Juliana Correa Neiva Ferreira, Bramley J. Murton, Frederico Pereira Brandini e Vivian Helena Pellizari, pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00248-020-01670-y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00248-020-01670-y<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A riqueza biol\u00f3gica e mineral da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande \u2013 monte submarino localizado a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146311,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/micro_organismo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A riqueza biol\u00f3gica e mineral da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande \u2013 monte submarino localizado a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146310"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146310"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146312,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146310\/revisions\/146312"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}