{"id":146268,"date":"2021-05-16T12:18:36","date_gmt":"2021-05-16T15:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146268"},"modified":"2021-05-16T12:18:36","modified_gmt":"2021-05-16T15:18:36","slug":"augusto-dos-anjos-e-a-poesia-como-um-continuum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/augusto-dos-anjos-e-a-poesia-como-um-continuum\/","title":{"rendered":"Augusto dos Anjos e a poesia como um continuum"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-zSGSS8sfcfA\/YJ8Ysi4KbxI\/AAAAAAAC1pM\/WtVPUY2nS6M6LhjlTGzpIezO_UjW146hwCLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B16.jpg\" alt=\"literatura paraibana espiritualidade em augusto dos anjos milton marques junior poesia\" width=\"638\" height=\"436\" \/><\/p>\n<div class=\"letra\">\u00e1 pouco mais de dois anos, tenho tido conversas semanais muito proveitosas sobre Augusto dos Anjos com dois amigos, Astenio Cesar Fernandes e Manuel Jaime Xavier, ambos m\u00e9dicos e leitores dedicados. Quando eu pensava que, ap\u00f3s tantas leituras, coment\u00e1rios, an\u00e1lises e interpreta\u00e7\u00f5es da poesia augustana nada mais pudesse me admirar, dou de cara com o soneto \u201cAnseio\u201d, a confirmar o veio espiritualista de sua poesia, s\u00f3 que de modo expl\u00edcito. Para compreender melhor essa jun\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito, no poeta do\u00a0<i>Eu<\/i>,\u00a0<a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<figure class=\"dir meio\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-h-V0A78h8K8\/YJ7lKJujZ7I\/AAAAAAAC1oM\/3ApkE5zvOg0rkjjlMtmRWAHctvM6QmygQCLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-h-V0A78h8K8\/YJ7lKJujZ7I\/AAAAAAAC1oM\/3ApkE5zvOg0rkjjlMtmRWAHctvM6QmygQCLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B1.jpg\" alt=\"literatura paraibana espiritualidade em augusto dos anjos milton marques junior poesia\" width=\"639\" height=\"959\" border=\"0\" data-original-height=\"1500\" data-original-width=\"1000\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\"><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Salom\u00e9 Guruli<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>partamos de 2 cita\u00e7\u00f5es de Richard Dawkins, sobre a evolu\u00e7\u00e3o (<i>O maior espet\u00e1culo da terra: as evid\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o<\/i>; tradu\u00e7\u00e3o de Laura Teixeira Motta. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 31):<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"citacao borda2\">\u201cDo ponto de vista evolucion\u00e1rio que raciocina com base na popula\u00e7\u00e3o, cada animal est\u00e1 ligado a qualquer outro animal \u2013 como o coelho ao leopardo, por exemplo \u2013 por uma cadeia de intermedi\u00e1rios, cada qual t\u00e3o semelhante ao seu cont\u00edguo que cada elo poderia, em princ\u00edpio, cruzar com seu vizinho nessa cadeia e produzir descendentes f\u00e9rteis\u201d.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"citacao borda2\">\u201cDo ponto de vista evolucion\u00e1rio, existe realmente uma s\u00e9rie de animais intermedi\u00e1rios que ligam um coelho a um leopardo, cada um dos quais teria vivido e respirado, cada um dos quais teria sido classificado exatamente na mesma esp\u00e9cie que seus vizinhos imediatos no longo e fluido continuum\u201d.<\/div>\n<p>A partir da\u00ed, podemos aplicar esse racioc\u00ednio a um dos veios da poesia de Augusto dos Anjos \u2013 o da evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie \u2013, constatando que um ser que vem \u201cdo cosmopolitismo das moneras\u201d, um \u201cpolipo de rec\u00f4nditas reentr\u00e2ncias\u201d (Mon\u00f3logo de uma Sombra), uma \u201cactissa radiolar\u201d (Os Doentes), um \u201cg\u00e9rmen\u201d (A um G\u00e9rmen), \u201clarvas\u201d (O P\u00e2ntano), um peixe \u201cmalacopter\u00edgio subraquiano\u201d (Alucina\u00e7\u00e3o \u00e0 Beira-Mar), um \u201camniota subterr\u00e2neo\u201d, um \u201csapo\u201d (As Cismas do Destino), um \u201canimal inferior que urra nos bosques\u201d (Mon\u00f3logo de uma Sombra), um \u201ccachorro a ganir incompreendidos verbos\u201d (As Cismas do Destino), um \u201cmacaco catarr\u00edneo\u201d (Os Doentes), o homem em suas vers\u00f5es de \u201cfil\u00f3sofo moderno\u201d, \u201cs\u00e1tiro peralta\u201d (Mon\u00f3logo de uma Sombra) ou vision\u00e1rio noturno (Noite de um Vision\u00e1rio) s\u00e3o os elos de uma cadeia ininterrupta de evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie,<\/p>\n<figure class=\"dir meio\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-bW1eXCe2lEg\/YJ74-K0VkjI\/AAAAAAAC1ok\/qBwro6tzqGsl3hKwFcgQkzq28WKXGk4mACLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B5.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-bW1eXCe2lEg\/YJ74-K0VkjI\/AAAAAAAC1ok\/qBwro6tzqGsl3hKwFcgQkzq28WKXGk4mACLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B5.jpg\" alt=\"literatura paraibana espiritualidade em augusto dos anjos milton marques junior poesia\" width=\"639\" height=\"959\" border=\"0\" data-original-height=\"1500\" data-original-width=\"1000\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\"><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Mathias Huysmans<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>todos filhos do \u201ccarbono e do amon\u00edaco\u201d (Psicologia de um Vencido) ou do \u201cProtilo\u201d (Sonho de um Monista), que n\u00e3o podem ser vistos de maneira isolada, pois se assim enfocados, nada dir\u00e3o.<\/p>\n<p>O outro veio, o da evolu\u00e7\u00e3o espiritual estagnada, este se materializa como, j\u00e1 afirmei em estudo anterior, na \u201cang\u00fastia da evolu\u00e7\u00e3o\u201d. O propagador dessa assincronia \u00e9 a Sombra, uma esp\u00e9cie de alter-ego do aflito eu-p\u00f3etico, diante da degrada\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano, que ela sintetiza metonimicamente, sentido em si \u201ca dor de todas essas vidas\u201d. Assim como n\u00e3o podemos ver de maneira isolada as refer\u00eancias s\u00f3lidas e bem tramadas da evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, ao longo do texto augustano, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ignorar o continuum existente e incontorn\u00e1vel, em busca da espiritualiza\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a com \u201cMon\u00f3logo de uma Sombra\u201d, um poema-manifesto de sua profiss\u00e3o de f\u00e9. A conex\u00e3o se faz em \u201cSonho de um Monista\u201d em que o eu-po\u00e9tico enxerga \u201ca verdade espantosa do Protilo\u201d, cuja alma v\u00ea \u201cDeus \u2013 essa m\u00f4nada esquisita\u201d, tudo fazendo parte da \u201cevolu\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da argila\u201d (As Cismas do Destino). Aquilo que a Sombra deixa impl\u00edcito, principalmente no final de seu discurso, \u00e9 o que se dir\u00e1 com todas as letras em \u201cAnseio\u201d, como um remate claro para a liga\u00e7\u00e3o entre os dois veios po\u00e9ticos:<\/p>\n<div class=\"poesia citacao\">\n<hr \/>\n<p>Quem sou eu, neste erg\u00e1stulo das vidas Danadamente, a solu\u00e7ar de dor?! \u2013 Trinta trilh\u00f5es de c\u00e9lulas vencidas, Nutrindo uma efem\u00e9ride inferior. \u2028Branda, entanto, a afagar tantas feridas, A \u00e1urea m\u00e3o taumat\u00fargica do Amor Tra\u00e7a, nas minhas formas carcomidas, A estrutura de um mundo superior! \u2028Alta noite, esse mundo incoerente, Essa elementar\u00edssima semente Do que hei de ser, tenta transpor o Ideal\u2026 \u2028Grita em meu grito, alarga-se em meu hausto, E, ai! como eu sinto no esqueleto exausto N\u00e3o poder dar-lhe vida material!<\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p>De cunho neoplat\u00f4nico, o soneto nos traz a vida material como pris\u00e3o e dor, com o ser humano gastando suas c\u00e9lulas, para nutrir uma inferioridade, que o tornar\u00e1 em vida um \u201cesqueleto exausto\u201d. Os dois primeiros versos encerram uma pergunta ret\u00f3rica, em que a admira\u00e7\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 interroga\u00e7\u00e3o, pois o eu-po\u00e9tico sabe perfeitamente a resposta, que nos \u00e9 dada nos dois versos seguintes. A pris\u00e3o que encarcera o eu-po\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 uma pris\u00e3o qualquer, mas um erg\u00e1stulo, aquela que faz do ser humano, um escravo e devedor,<\/p>\n<figure class=\"esq meio\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-8MyT8av7FQs\/YJ70ap5lfpI\/AAAAAAAC1oc\/7mxPnq7PN3ImFVQ9bD4HhZvCgrK6Wrm2ACLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-8MyT8av7FQs\/YJ70ap5lfpI\/AAAAAAAC1oc\/7mxPnq7PN3ImFVQ9bD4HhZvCgrK6Wrm2ACLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B4.jpg\" alt=\"literatura paraibana espiritualidade em augusto dos anjos milton marques junior poesia\" width=\"640\" height=\"960\" border=\"0\" data-original-height=\"1500\" data-original-width=\"1000\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\"><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Aserusainhuu<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>diante dos saques incont\u00e1veis \u00e0 vida material, cuja efemeridade ele n\u00e3o alcan\u00e7a, pensando-a eterna. A dor vem lhe trazer o quanto o homem perdeu diante de sua entrega a uma materialidade que o aprisiona e, \u201cdanadamente\u201d, o condena. O \u00faltimo verso da primeira estrofe se constr\u00f3i numa espetacular alitera\u00e7\u00e3o, com base no fonema fricativo \/f\/, levando-nos a ouvir a vida que se escapa inutilmente \u2013 Nutrindo uma efemeridade inferior.<\/p>\n<p>O lamento que se expressa em solu\u00e7o e dor \u00e9 semelhante \u00e0 cr\u00edtica que a Sombra faz ao Fil\u00f3sofo Moderno e ao S\u00e1tiro Peralta, nas suas entregas \u00e0 materialidade, estragando o seu \u201cvibr\u00e1til plasma todo\u201d. Mas, em \u201cAnseio\u201d, h\u00e1 o diferencial que pode remediar essa situa\u00e7\u00e3o: o Amor (assim com letra mai\u00fascula) \u00e9 o \u00fanico meio poss\u00edvel de transforma\u00e7\u00e3o do ser humano, para livr\u00e1-lo da pris\u00e3o da materialidade, para livr\u00e1-lo da dana\u00e7\u00e3o. O Amor \u00e9 o taumaturgo, o operador de milagres, e causa o prod\u00edgio da transforma\u00e7\u00e3o, trazendo o consolo \u00e0 dor e ao solu\u00e7o, com a sua m\u00e3o branda, afagando as feridas, transformando as formas carcomidas, numa estrutura de um mundo superior.<\/p>\n<p>\u00c9 pelo Amor e pelo consolo que ele traz, que a dor, o sofrimento, a pris\u00e3o, a inferioridade se transformar\u00e3o em liberdade, em al\u00edvio, em eternidade e vida superior, em luz, conforme sugere a sua \u201c\u00e1urea m\u00e3o\u201d. Na beleza do paradoxo que contrap\u00f5e e funde \u201cas formas carcomidas\u201d e a \u201cestrutura de um mundo superior\u201d, o eu-po\u00e9tico exp\u00f5e a certeza de que j\u00e1 se encontra, na degrada\u00e7\u00e3o, a purifica\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<figure class=\"dir meio\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-ps90Mad2hfw\/YJ7tPzsiA-I\/AAAAAAAC1oU\/MMnpT0cZzHM0RX-06b7mXLW_1SG71sELACLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-ps90Mad2hfw\/YJ7tPzsiA-I\/AAAAAAAC1oU\/MMnpT0cZzHM0RX-06b7mXLW_1SG71sELACLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B2.jpg\" alt=\"literatura paraibana espiritualidade em augusto dos anjos milton marques junior poesia\" width=\"640\" height=\"960\" border=\"0\" data-original-height=\"1500\" data-original-width=\"1000\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\"><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Alyssa Baches<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>igualmente, na morte, se encontra a vida: \u00e9 a podrid\u00e3o servindo de Evangelho, \u00e9 a &#8220;eucaristia negra&#8221;, \u00e9 a gra\u00e7a que se encontra na desgra\u00e7a. A evolu\u00e7\u00e3o material \u00e9 o passo para a evolu\u00e7\u00e3o espiritual, porque, enfim, tudo se encontra em tudo. O eu-po\u00e9tico revela esse anseio no hausto em que se alarga o seu grito de dor, que diz dessa necessidade de um sorvo profundo de espiritualidade.<\/p>\n<p>Para que isso ocorra, contudo, o homem tem de ter consci\u00eancia de sua pequenez e imperfei\u00e7\u00e3o; de que est\u00e1 perdido em vidas sucessivas que o aprisionam \u2013 \u201cQuem sou eu neste erg\u00e1stulo daS vidaS\/Danadamente a solu\u00e7ar de dor!?\u201d. Ter a consci\u00eancia de que \u00e9 uma \u201celementar\u00edssima semente do que h\u00e1 de ser\u201d, para, a partir da\u00ed, buscar o ideal do esp\u00edrito. Como sabemos, o uso do superlativo em Augusto dos Anjos, \u00e9 caracter\u00edstico. Nesse caso, ele enfatiza a pequenez do homem, n\u00e3o para diminu\u00ed-lo, mas para que ele saiba que \u00e9 da pequena semente que ocorre a transforma\u00e7\u00e3o na grande \u00e1rvore. Para que isto aconte\u00e7a, a semente precisa morrer ou n\u00e3o frutifica. O homem precisa morrer materialmente para dar o fruto do renascimento no esp\u00edrito. Isto se aplica para o puramente biol\u00f3gico, em que o espermatozoide encontra o \u00f3vulo, deixando ambos de ser o que s\u00e3o, \u201cmorrendo\u201d, para gerar o que h\u00e1 de ser, e se aplica tamb\u00e9m, com rela\u00e7\u00e3o ao transcendental, em que o esp\u00edrito vai passar algum tempo aprendendo, como habitante da vida et\u00e9rea, conforme mostra a bela met\u00e1fora do esp\u00edrito \u201cvestido de hidrog\u00eanio incandescente\u201d, no poema \u201cSolil\u00f3quio de um Vision\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria nutre uma inferioridade, enquanto o esp\u00edrito busca a superioridade, \u00e9 o que nos revela a ant\u00edtese entre a primeira e a segunda estrofes. O homem precisa sair dessa noite que o envolve \u2014 caracter\u00edstica marcante do eu-po\u00e9tico angustiado \u2014,<\/p>\n<figure class=\"dir meio\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-M92Q5kFTy7k\/YJ75dm7zIaI\/AAAAAAAC1os\/kUxOfzw3To8qDH53hc-9eCMdbL2Y76gPQCLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-M92Q5kFTy7k\/YJ75dm7zIaI\/AAAAAAAC1os\/kUxOfzw3To8qDH53hc-9eCMdbL2Y76gPQCLcBGAsYHQ\/s0\/evolucao%2B3.jpg\" alt=\"literatura paraibana espiritualidade em augusto dos anjos milton marques junior poesia\" width=\"640\" height=\"960\" border=\"0\" data-original-height=\"1500\" data-original-width=\"1000\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\"><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Leonardo Zorzi<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>noite mais interna do que externa, e buscar al\u00edvio para a sua dor, atrav\u00e9s do Amor. Salvo engano, este \u00e9 o \u00fanico poema de Augusto dos Anjos em que o Amor aparece, com todas as letras, pleno e redentor, bem diferente do \u201camor do sibarita e da heta\u00edra,\/De Messalina e de Sardanapalo\u201d (Idealismo). N\u00e3o basta, no entanto, saber que o Amor transforma e espiritualiza, \u00e9 preciso pratic\u00e1-lo. A\u00ed vem outra li\u00e7\u00e3o: a ang\u00fastia de n\u00e3o poder realizar na mat\u00e9ria a espiritualidade. A mat\u00e9ria \u00e9 um meio de aprimoramento, \u00e9 na mat\u00e9ria que se prepara a espiritualidade, numa batalha constante de transpor o Ideal. Ao homem que perdeu sua vida, consumindo-a e tornando-se \u201cesqueleto exausto\u201d, a nova vida s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel atrav\u00e9s da espiritualidade, cujo agente \u00e9 o Amor. Sem ele, o homem est\u00e1 perpetuamente condenado ao sansara (Mon\u00f3logo de uma Sombra, Viagem de um Vencido), como um escravo no erg\u00e1stulo.<\/p>\n<p>Acredito que este soneto \u201cAnseio\u201d \u00e9 um exemplo de que a poesia de Augusto dos Anjos exige ser lida como um sistema. N\u00e3o podemos ignorar isto e submeter seus poemas a nossas cren\u00e7as pessoais, sejam elas quais forem, cient\u00edficas ou religiosas. Como exemplo, ainda mais claro desse sistema, temos o tr\u00edptico magistral em que o eu-po\u00e9tico fala do pai morto. Lidos separadamente, os tr\u00eas sonetos dir\u00e3o menos da espiritualidade do que se lidos no sistema em que foram produzidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00e1 pouco mais de dois anos, tenho tido conversas semanais muito proveitosas sobre Augusto dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00e1 pouco mais de dois anos, tenho tido conversas semanais muito proveitosas sobre Augusto dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146268"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146268"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146269,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146268\/revisions\/146269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}