{"id":146,"date":"2014-03-30T03:21:12","date_gmt":"2014-03-30T03:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=146"},"modified":"2014-06-01T16:26:14","modified_gmt":"2014-06-01T16:26:14","slug":"aguas-subterraneas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aguas-subterraneas\/","title":{"rendered":"\u00c1guas subterr\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">\u201cAs \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o um recurso pouco entendido e ainda pouco apreciado\u201d<\/h2>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/subterranea.jpg\" alt=\" \" width=\"457\" height=\"343\" \/><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><em>Nos aqu\u00edferos \u00e9 que se encontra reservada a maior parte da \u00e1gua do mundo \u2014 97% das \u00e1guas doces e l\u00edquidas do planeta. Quando vemos problemas de estiagem, que ser\u00e3o agravados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, podemos supor que \u00e9 no recurso subterr\u00e2neo que est\u00e1 a possibilidade de supera\u00e7\u00e3o\u201d, destaca o hidroge\u00f3logo Ricardo Hirata.<\/em><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">\u201cO usu\u00e1rio n\u00e3o tem ideia dos custos de extra\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e, sobretudo, de que problemas advindos da falta de controle afetam a sua extra\u00e7\u00e3o. Ele est\u00e1 pagando mais pela \u00e1gua sem saber que muitas vezes \u00e9 a irregularidade dos po\u00e7os do seu vizinho que est\u00e1 provocando esse incremento de gastos. Isso ocorre tamb\u00e9m com grandes usu\u00e1rios, incluindo as companhias municipais de \u00e1gua. \u00c9 um conflito n\u00e3o percebido pela popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tem ideia de causa e efeito nesse ambiente. Mesmo os t\u00e9cnicos do estado t\u00eam muitas vezes uma percep\u00e7\u00e3o bastante restrita desses problemas, ainda mais em \u00e1reas urbanas. As empresas, os condom\u00ednios e mesmo as concession\u00e1rias poderiam economizar muito se medidas simples, mas bem equacionadas, fossem implementadas em suas capta\u00e7\u00f5es\u201d, aponta o hidroge\u00f3logo Ricardo Hirata.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">O pesquisador lidera o Centro de Pesquisas de \u00c1gua Subterr\u00e2nea \u2013 CEPAS, institui\u00e7\u00e3o vinculada \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP e que h\u00e1 mais de dez anos investiga os \u00edndices de nitrato em \u00e1guas subterr\u00e2neas no estado de S\u00e3o Paulo. \u201cO nitrato \u00e9 o contaminante mais comum encontrado nas \u00e1guas subterr\u00e2neas no Brasil e no resto do mundo\u201d, enfatiza Hirata. As principais fontes de contamina\u00e7\u00e3o s\u00e3o o esgoto urbano, proveniente de fossas s\u00e9pticas ou negras ou mesmo do vazamento das redes de saneamento que sofrem com a falta de manuten\u00e7\u00e3o, e o uso excessivo de fertilizantes nitrogenados no meio rural. As pesquisas do CEPAS v\u00eam demonstrando aumento na concentra\u00e7\u00e3o de nitrato nas \u00e1guas subterr\u00e2neas, mesmo naquelas \u00e1reas em que h\u00e1 redes antigas de saneamento \u2014 o que \u00e9 indicativo da exist\u00eancia de vazamentos nos canos de esgoto.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">\u201cAs \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o um recurso pouco entendido e ainda pouco apreciado pela popula\u00e7\u00e3o, embora elas sejam utilizadas por mais de 35-40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. No estado de S\u00e3o Paulo, mais de 70% de seus munic\u00edpios s\u00e3o total ou parcialmente abastecidos pela rede p\u00fablica com \u00e1guas de aqu\u00edferos. Isso \u00e9 mais not\u00e1vel em cidades de m\u00e9dio e pequeno porte, onde os recursos subterr\u00e2neos s\u00e3o comparativamente mais vantajosos que os recursos superficiais. Cidades como Ribeir\u00e3o Preto \u2013 SP, Porto Alegre \u2013 RS, Manaus \u2013 AM, Natal \u2013 RN, Bras\u00edlia \u2013 DF, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos \u2013 SP, Jales \u2013 SP, Mar\u00edlia \u2013 SP dependem fortemente das \u00e1guas subterr\u00e2neas\u201d, ressalta o pesquisador.<\/p>\n<p><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ilustracao.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ilustracao.jpg\" alt=\" \" width=\"457\" height=\"218\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Ricardo Cesar Aoki Hirata \u00e9 diretor do Centro de Pesquisas de \u00c1guas Subterr\u00e2neas \u2013 CEPAS da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP e professor do Instituto de Geoci\u00eancias da mesma institui\u00e7\u00e3o. Possui gradua\u00e7\u00e3o em Geologia pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho \u2013 UNESP, mestrado e doutorado em Geoci\u00eancias com \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o em Recursos Minerais e Hidrogeologia pela USP e p\u00f3s-doutorado pela Universidade de Waterloo, no Canad\u00e1. \u00c9 consultor da UNESCO e da International Atomic Energy Agency \u2013 IAEA, tendo atuado tamb\u00e9m como consultor da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade \u2013 OPAS\/OMS.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Confira a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Que rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 exatamente entre os \u00edndices de nitrato e a contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos por infiltra\u00e7\u00e3o de esgoto urbano?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0O nitrato \u00e9 o contaminante mais comum encontrado nas \u00e1guas subterr\u00e2neas no Brasil e no resto do mundo. As suas caracter\u00edsticas de alta mobilidade e grande persist\u00eancia nas \u00e1guas subterr\u00e2neas fazem com que plumas de nitrato sejam encontradas em quase todos os aqu\u00edferos urbanos no Brasil. Nesse caso, a principal fonte \u00e9 o esgoto proveniente de fossas s\u00e9pticas ou negras ou mesmo do vazamento da rede de esgoto, que carecem de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Este cen\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m verificado no meio rural? Qual a incid\u00eancia de contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por fertilizantes e agrot\u00f3xicos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0O nitrato tamb\u00e9m \u00e9 bastante comum no meio rural, pois em \u00e1reas agr\u00edcolas o excesso de fertilizantes nitrogenados, que \u00e9 bastante comum, acaba chegando at\u00e9 o aqu\u00edfero, contaminando-o. Neste caso, n\u00e3o temos muitos estudos no Brasil e, portanto, temos ainda pouca ideia de sua extens\u00e3o. Mas, a partir da experi\u00eancia em outros pa\u00edses, \u00e9 de se acreditar que haja problemas no Brasil, atingindo-se grandes \u00e1reas, sobretudo pela sua grande voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, de alta t\u00e9cnica.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o os principais riscos da ingest\u00e3o de nitrato para a sa\u00fade humana?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata<\/strong>\u00a0\u2013 O nitrato \u00e9 um contaminante de m\u00e9dia toxicidade. Assim, em concentra\u00e7\u00f5es acima de 10mg\/L (como nitrog\u00eanio-nitrato; e 45mg\/L, como nitrato), pode provocar a meta-hemoglobinemia, que afeta beb\u00eas. H\u00e1 igualmente suspeitas de que, em concentra\u00e7\u00f5es bastante menores, ele tamb\u00e9m seja carcinog\u00eanico [que pode provocar c\u00e2ncer].<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Que outros contaminantes nocivos \u00e0 sa\u00fade humana s\u00e3o encontrados nas \u00e1guas subterr\u00e2neas? Que riscos provocam?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0H\u00e1 uma infinidade de compostos que podem, em concentra\u00e7\u00f5es excessivas, provocar problemas \u00e0 sa\u00fade humana. Um grupo de contaminantes bastante preocupantes s\u00e3o os solventes sint\u00e9ticos clorados. Esses apresentam grande toxicidade e s\u00e3o bastante persistentes e m\u00f3veis em aqu\u00edferos. O interessante \u00e9 que, devido a sua grande volatilidade, esses contaminantes n\u00e3o t\u00eam a mesma import\u00e2ncia para as \u00e1guas superficiais. Isso faz com que os \u00f3rg\u00e3os de controle ambiental do Brasil n\u00e3o deem aten\u00e7\u00e3o a eles em programas de monitoramento regular nas \u00e1guas subterr\u00e2neas. Metais pesados formam outro grupo bem importante e nocivo \u00e0s \u00e1guas subterr\u00e2neas, embora eles n\u00e3o apresentem a mesma mobilidade que o nitrato ou os solventes clorados nos aqu\u00edferos.<\/p>\n<p><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Ricardo.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Ricardo-225x300.jpg\" alt=\" \" width=\"225\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Nesta perspectiva, quais foram os principais resultados encontrados pelas pesquisas realizadas pelo CEPAS?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0Os resultados que o CEPAS tem acumulado ao longo desses 10 anos no estudo do nitrato fez concluir que esse contaminante tem sido detectado cada vez mais no estado de S\u00e3o Paulo, permitindo afirmar que todas as cidades paulistas apresentam, em variados graus, problemas com esse contaminante. A rede oficial de monitoramento do estado, operada pela Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 CETESB, tem inclusive mostrado aumentos nas concentra\u00e7\u00f5es desse contaminante em seus po\u00e7os, corroborando com os resultados de nossas pesquisas.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Outra importante constata\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era considerada pelos gestores ambientais \u00e9 que grandes plumas de nitrato est\u00e3o sendo detectadas em aqu\u00edferos urbanos, mesmo que a \u00e1rea j\u00e1 tenha h\u00e1 muito tempo rede de esgoto. Embora a exist\u00eancia de rede de esgoto diminua substancialmente a carga contaminante ao subsolo (comparativamente a fossas s\u00e9pticas e negras), a falta de manuten\u00e7\u00e3o da rede p\u00fablica e os seus vazamentos s\u00e3o suficientes para criar importantes plumas contaminantes. O que preocupa nesse cen\u00e1rio \u00e9 que simula\u00e7\u00f5es em computador feitas pelo nosso grupo com as plumas observadas em cidades (mesmo com rede de esgoto) t\u00eam mostrado que estas levariam, caso cessadas completamente as fugas de esgoto, mais de 60 anos para ter os seus aqu\u00edferos novamente limpos, mostrando claramente que evitar o problema \u00e9 a melhor e mais barata solu\u00e7\u00e3o para o nitrato. Neste caso, o que se conclui \u00e9 que a rede de esgoto moderna, com tubos pl\u00e1sticos, deve anteceder a qualquer ocupa\u00e7\u00e3o do terreno urbano.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Estes resultados servem de par\u00e2metro para outras realidades regionais e\/ou para um cen\u00e1rio nacional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0Sim, a presen\u00e7a de nitrato em outros aqu\u00edferos fora do estado de S\u00e3o Paulo deve ocorrer, e at\u00e9 em maiores propor\u00e7\u00f5es, pois as cidades possuem menor cobertura de rede de esgoto comparativamente \u00e0s cidades paulistanas. O melhor exemplo disso \u00e9 Natal \u2013 RN, cidade aben\u00e7oada pela excelente qualidade de suas \u00e1guas subterr\u00e2neas, mas onde a concession\u00e1ria tem dificuldades de fornecer \u00e1gua sem nitrato (e pot\u00e1vel) \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. A combina\u00e7\u00e3o entre po\u00e7os mal localizados (dentro da malha urbana densa) e a falta hist\u00f3rica de rede de esgoto tem criado os s\u00e9rios problemas l\u00e1 observados.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 H\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre a potabilidade da \u00e1gua de po\u00e7os tubulares (artesianos)?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0A legisla\u00e7\u00e3o que controla o uso da \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 estadual e em muitos estados h\u00e1 mecanismos para a fiscaliza\u00e7\u00e3o da qualidade das \u00e1guas extra\u00eddas por po\u00e7os tubulares. O problema \u00e9 que essas leis s\u00e3o pouco seguidas, foram daqueles instrumentos que n\u00e3o \u201cpegaram\u201d ainda. O usu\u00e1rio n\u00e3o v\u00ea import\u00e2ncia na regulariza\u00e7\u00e3o de seu po\u00e7o e nos benef\u00edcios que isso pode trazer para ele e para toda a comunidade, e, por extens\u00e3o, ao ambiente. De outro lado, o estado n\u00e3o tem oferecido nenhum dos servi\u00e7os pelos quais ele \u00e9 respons\u00e1vel, como o de implementar a sustentabilidade do recurso, fazendo com que o controle evite a contamina\u00e7\u00e3o e os problemas de superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">A falta de um controle das demandas de \u00e1gua pode levar a importantes problemas, muitas vezes desconhecidos pelos usu\u00e1rios, incluindo:<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">a) redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis aqu\u00edferos, encarecendo o bombeamento das \u00e1guas subterr\u00e2neas pelo aumento do consumo de energia ou necessidade de aprofundamento do po\u00e7o;<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">b) redu\u00e7\u00e3o dos fluxos de base a corpos de \u00e1gua superficial, como rios e lagos, causando problemas de vaz\u00e3o durante, sobretudo, as estiagens;<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">c) indu\u00e7\u00e3o de contamina\u00e7\u00e3o e saliniza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas;<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">d) indu\u00e7\u00e3o de problemas geot\u00e9cnicos, como afundamentos do terreno;<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">e) exaust\u00e3o do recurso e sua perda.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Outra \u00e1rea de pesquisa do CEPAS est\u00e1 concentrada na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos e tem conclu\u00eddo que o usu\u00e1rio n\u00e3o tem ideia dos custos de extra\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e, sobretudo, de que problemas advindos da falta de controle afetam a sua extra\u00e7\u00e3o. O usu\u00e1rio est\u00e1 pagando mais pela \u00e1gua sem saber que muitas vezes \u00e9 a irregularidade dos po\u00e7os do seu vizinho que est\u00e1 provocando esse incremento de gastos. Isso ocorre tamb\u00e9m com grandes usu\u00e1rios, incluindo as companhias municipais de \u00e1gua. \u00c9 um conflito n\u00e3o percebido pela popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tem ideia de causa e efeito nesse ambiente. Mesmo os t\u00e9cnicos do estado t\u00eam muitas vezes uma percep\u00e7\u00e3o bastante restrita desses problemas, ainda mais em \u00e1reas urbanas. As empresas, os condom\u00ednios e mesmo as concession\u00e1rias poderiam economizar muito se medidas simples, mas bem equacionadas, fossem implementadas em suas capta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 Qual \u00e9 a relev\u00e2ncia dos po\u00e7os tubulares para o abastecimento de \u00e1gua no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0Muito maior que a percep\u00e7\u00e3o que o brasileiro e seus gestores t\u00eam. As \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o um recurso pouco entendido e ainda pouco apreciado pela popula\u00e7\u00e3o, embora elas sejam utilizadas por mais de 35-40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. No estado de S\u00e3o Paulo, mais de 70% de seus munic\u00edpios s\u00e3o total ou parcialmente abastecidos pela rede p\u00fablica com \u00e1guas de aqu\u00edferos. Isso \u00e9 mais not\u00e1vel em cidades de m\u00e9dio e pequeno porte, onde os recursos subterr\u00e2neos s\u00e3o comparativamente mais vantajosos que os recursos superficiais. Cidades como Ribeir\u00e3o Preto \u2013 SP, Porto Alegre \u2013 RS, Manaus \u2013 AM, Natal \u2013 RN, Bras\u00edlia \u2013 DF, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos \u2013 SP, Jales \u2013 SP, Mar\u00edlia \u2013 SP dependem fortemente das \u00e1guas subterr\u00e2neas. Mesmo na Bacia do Alto Tiet\u00ea, as \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o o quarto mais importante manancial, fornecendo mais de 10 metros c\u00fabicos por segundo de \u00e1gua, superando os outros cinco mananciais superficiais operados pela Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 SABESP. Na agricultura, o censo agr\u00edcola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE computa mais de 450 mil po\u00e7os tubulares (n\u00e3o cacimbas) em \u00e1reas rurais brasileiras.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c9 vi\u00e1vel a descontamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua com incid\u00eancia de nitrato?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0Sim, h\u00e1 tecnologias, como os sistemas de osmose reversa, que s\u00e3o bastante caras. H\u00e1 t\u00e9cnicas de descontamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas dentro do aqu\u00edfero, com a inje\u00e7\u00e3o de produtos que provocam a desnitrifica\u00e7\u00e3o, mas essas t\u00e9cnicas est\u00e3o ainda no campo da pesquisa. O que as empresas concession\u00e1rias de \u00e1gua t\u00eam feito \u00e9 mesclar \u00e1guas contaminadas com outras em que a concentra\u00e7\u00e3o de nitrato \u00e9 menor, permitindo fornecer \u00e1guas n\u00e3o contaminadas.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 O que pode ser feito para a revers\u00e3o deste quadro de contamina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das \u00e1guas subterr\u00e2neas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0Um dos grandes problemas que as \u00e1guas subterr\u00e2neas enfrentam \u00e9 o desconhecimento de sua import\u00e2ncia, o que leva \u00e0 falta de aten\u00e7\u00e3o por parte dos gestores. As \u00e1guas subterr\u00e2neas n\u00e3o est\u00e3o na agenda dos governos nem do setor agr\u00edcola. De um lado h\u00e1 um recurso j\u00e1 bastante utilizado no Brasil, cujos ganhos econ\u00f4micos, sociais e ambientais n\u00e3o s\u00e3o percebidos, entretanto, pela popula\u00e7\u00e3o. Isso faz com que esse recurso n\u00e3o seja discutido nas grandes tomadas de decis\u00e3o no planejamento urbano ou mesmo rural.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">De outro lado, nos aqu\u00edferos \u00e9 que se encontra reservada a maior parte da \u00e1gua do mundo \u2014 97% das \u00e1guas doces e l\u00edquidas do planeta est\u00e3o nos aqu\u00edferos. Quando vemos problemas de estiagem, que ser\u00e3o agravados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, podemos supor que \u00e9 no recurso subterr\u00e2neo que est\u00e1 a nossa possibilidade de supera\u00e7\u00e3o do problema, a partir do uso conjunto e racional do recurso subterr\u00e2neo e superficial. \u00c9 uma imensa caixa de \u00e1gua de excelente qualidade esperando para ser convenientemente aproveitada. Assim, investir no conhecimento do recurso, buscando as novas oportunidades, \u00e9 imperioso para aumentar a seguran\u00e7a h\u00eddrica em cidades.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Um segundo ponto \u00e9 que os estados, por meio de seus \u00f3rg\u00e3os gestores, realmente gestionem as \u00e1guas subterr\u00e2neas, fazendo com que as leis sejam de fato cumpridas, e que a popula\u00e7\u00e3o e usu\u00e1rios sejam informados dos benef\u00edcios e limita\u00e7\u00f5es que podem surgir pelo mau uso do recurso ou do solo.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>IHU On-Line \u2013 As pol\u00edticas p\u00fablicas de saneamento e a legisla\u00e7\u00e3o brasileira d\u00e3o conta da preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e, consequentemente, da sa\u00fade humana?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Ricardo Hirata &#8211;<\/strong>\u00a0Em parte sim, mas \u00e9 importante notar que a simples presen\u00e7a de redes de esgoto n\u00e3o elimina o problema da contamina\u00e7\u00e3o por nitrato em \u00e1reas urbanas. Novas redes, com novos materiais, e manuten\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica \u00e9 que v\u00e3o garantir a qualidade das \u00e1guas. Da mesma forma, os planejadores devem levar em considera\u00e7\u00e3o que \u00e9 importante construir redes de esgoto nas novas \u00e1reas urbanas (preferencialmente antes de sua ocupa\u00e7\u00e3o), antecipando-se aos problemas.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Outro ponto importante \u00e9 que muitos sanitaristas acreditam que se deveria fechar os po\u00e7os tubulares quando a \u00e1rea j\u00e1 tenha rede de \u00e1gua pot\u00e1vel. A motiva\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 muitas vezes simplista e n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o o real papel que o abastecimento privado tem nas nossas cidades. Por exemplo, considerando-se as cidades da Bacia do Alto Tiet\u00ea. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 razoavelmente bem servida de \u00e1gua, mas o que os dados estat\u00edsticos oficiais esquecem \u00e9 que temos mais de 10 metros c\u00fabicos por segundo advindos de 12 mil po\u00e7os privados que suplementam o abastecimento. Sem essa \u00e1gua, o sistema de abastecimento n\u00e3o daria conta e ter\u00edamos s\u00e9rios problemas. O mesmo \u00e9 para Recife, onde mais de 13 mil po\u00e7os (a maioria privada) suplementam o abastecimento da Companhia Pernambucana de Saneamento \u2013 COMPESA e fazem a diferen\u00e7a, sobretudo em per\u00edodos de estiagem como o que ocorreu recentemente.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Adicionalmente, deve-se considerar a economia que as \u00e1guas subterr\u00e2neas trazem para o usu\u00e1rio. Um po\u00e7o bem operado em um aqu\u00edfero produtivo geralmente fornece \u00e1gua com menores custos, comparativamente \u00e0s \u00e1guas das concession\u00e1rias, e muitas vezes com qualidade superior. Vide as \u00e1guas minerais. Todas elas s\u00e3o subterr\u00e2neas!<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><em>* Publicado originalmente no site\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/527810-as-aguas-subterraneas-sao-um-recurso-pouco-entendido-e-ainda-pouco-apreciado-entrevista-especial-com-ricardo-hirata\" target=\"_blank\">IHU On-Line<\/a>.<\/em><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Fonte:\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/saude\/aguas-subterraneas-sao-um-recurso-pouco-entendido-e-ainda-pouco-apreciado\/\" target=\"_blank\">Envolverde<\/a><br \/>\n08.02.2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAs \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o um recurso pouco entendido e ainda pouco apreciado\u201d Nos aqu\u00edferos \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"sabrina","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/sabrina\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cAs \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o um recurso pouco entendido e ainda pouco apreciado\u201d Nos aqu\u00edferos \u00e9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}