{"id":145939,"date":"2021-05-08T08:58:39","date_gmt":"2021-05-08T11:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145939"},"modified":"2021-05-10T09:01:59","modified_gmt":"2021-05-10T12:01:59","slug":"o-tempo-esta-se-esgotando-para-as-tartarugas-de-couro-do-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-tempo-esta-se-esgotando-para-as-tartarugas-de-couro-do-pacifico\/","title":{"rendered":"O tempo est\u00e1 se esgotando para as tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<div class=\"thrv_wrapper thrv_text_element\" data-css=\"tve-u-1740c3e5ba8\" data-raofz=\"18\">\n<p data-css=\"tve-u-17623bffa2b\" data-raofz=\"18\" data-swp-font-size=\"18px\"><span class=\"thrive-shortcode-content\" data-shortcode=\"thrive_custom_fields_shortcode_data\" data-shortcode-name=\"[Custom Fields] acf_olhoreal\" data-extra_key=\"CFG\" data-attr-id=\"acf_olhoreal\" data-option-inline=\"1\" data-css=\"tve-u-17623bffa31\" data-raofz=\"18\">Essa subpopula\u00e7\u00e3o reduziu-se a uma taxa de 5,6% ao ano para um decl\u00ednio geral de 80% ao longo de um per\u00edodo de 28 anos, segundo um estudo recente<\/span><\/p>\n<\/div>\n<section class=\"tcb-post-content tcb-shortcode thrv_wrapper\" data-css=\"tve-u-16ec5d248bb\">\n<figure id=\"attachment_127648\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-127648\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-127648 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-scaled.jpg\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/turtle-2893807-2048x1153.jpg 2048w\" alt=\"Imagem de tartaruga\" width=\"640\" height=\"360\" data-ll-status=\"loaded\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-127648\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<p><em>Biologistas marinhos alertam que as tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental podem entrar em extin\u00e7\u00e3o caso n\u00e3o haja medidas imediatas de conserva\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa subpopula\u00e7\u00e3o reduziu-se a uma taxa de 5,6% ao ano para um decl\u00ednio geral de 80% ao longo de um per\u00edodo de 28 anos, segundo um estudo recente.<\/em><\/p>\n<p><em>Enquanto a IUCN lista a esp\u00e9cie como um todo como vulner\u00e1vel, as popula\u00e7\u00f5es do Pac\u00edfico est\u00e3o criticamente amea\u00e7adas parcialmente por conta de suas longas rotas migrat\u00f3rias pelo alto mar, onde encontram amea\u00e7as como pescas com redes, colis\u00e3o com navios e polui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>A subpopula\u00e7\u00e3o do Pac\u00edfico Oriental, que\u00a0aninha-se no M\u00e9xico e Am\u00e9ricas Central e do Sul, enfrenta amea\u00e7as similares. Ambas as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o sob um alto risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Dias de ver\u00e3o de c\u00e9u limpo e pouco vento s\u00e3o raros na costa da Calif\u00f3rnia. Por\u00e9m s\u00e3o uma d\u00e1diva se voc\u00ea \u00e9 um pesquisador rastreando tartarugas-de-couro criticamente amea\u00e7adas do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Os ecologistas marinhos Scott Benson e Karin Forney, com o Centro de Ci\u00eancias de Pesca do Sudoeste da NOAA, passaram muitos desses dias trabalhando em uma pesquisa de d\u00e9cadas de dura\u00e7\u00e3o para coletar dados de um dos maiores e mais antigos r\u00e9pteis marinhos do mundo. Forney senta-se em um avi\u00e3o de inspe\u00e7\u00e3o da NOAA, escaneando as \u00e1guas escuras como um falc\u00e3o e notificando o time quando identifica uma tartaruga-de-couro (<i>Dermochelys coriacea<\/i>). Benson, seu marido, est\u00e1 entre os cientistas no barco abaixo, preparado no casco com uma grande rede, esperando pelo momento em que possa puxar o gigante pr\u00e9-hist\u00f3rico a bordo.<\/p>\n<p>Em seguida vem a amostragem: testes de sangue, amostras de tecido, acoplar transmissores, registrar peso. \u00c9 uma prova de uma hora, Benson diz, e \u201cuma tarefa que consome tudo.\u201d Em um m\u00eas e meio, a equipe talvez consiga cinco oportunidades de bom clima para coletar dados dessa esp\u00e9cie massiva por\u00e9m pouco compreendida. E essa pode ser a \u00faltima chance de salvar esta popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Cientistas da NOAA em navios de vigil\u00e2ncia dependem do direcionamento da equipe a\u00e9rea, em um avi\u00e3o acima, para localizar e capturar as tartarugas para os procedimentos de amostragem e identifica\u00e7\u00e3o. Imagem por Joel Schumacher (NOAA-ESA Permit #15634).<\/i>A tartaruga-de-couro do Pac\u00edfico ocidental est\u00e1 sob alto risco de extin\u00e7\u00e3o, segundo um estudo publicado na\u00a0<i>Global Ecology and Conservation<\/i>. Os pesquisadores, incluindo o autor principal Benson e co-autora Forney, utilizaram aproximadamente tr\u00eas d\u00e9cadas de dados para avaliar o status da popula\u00e7\u00e3o. Combinando suas observa\u00e7\u00f5es de procura de comida das tartarugas na Calif\u00f3rnia com dados de padr\u00f5es de aninhamento na Indon\u00e9sia, os pesquisadores estimam que a popula\u00e7\u00e3o diminuiu a uma taxa de 5,6% anualmente, sofrendo uma redu\u00e7\u00e3o total de 80% de 1990 a 2017.<\/p>\n<p>Tanto em terra quanto no mar, as tartarugas enfrentam uma s\u00e9rie de amea\u00e7as existenciais no Pac\u00edfico. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alarmante que cientistas de ambos os lados do oceano t\u00eam dedicado suas vidas para bobinar as popula\u00e7\u00f5es distintas de volta do ponto cr\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>As tartarugas-de-couro no Pac\u00edfico<\/strong><\/p>\n<p>Antes de 1980, o mundo conhecia pouco sobre as tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico, quando cientistas come\u00e7aram a coletar mais dados. Sem a tecnologia moderna como sat\u00e9lites transmissores para rastrear os movimentos das tartarugas, os bi\u00f3logos n\u00e3o poderiam saber que as tartarugas-de-couro procurando comida na costa californiana eram as mesmas que as que estavam aninhando-se no Pac\u00edfico Ocidental.<\/p>\n<p>Hoje sabemos que as\u00a0 tartarugas-de-couro cruzam o globo com sete subpopula\u00e7\u00f5es geneticamente distintas: a oriental e ocidental no oceano Pac\u00edfico, assim como tr\u00eas no oceano Atl\u00e2ntico e duas no oceano \u00cdndico. Enquanto a IUCN lista as esp\u00e9cies como um todo como vulner\u00e1vel, as duas subpopula\u00e7\u00f5es do Pac\u00edfico s\u00e3o consideradas criticamente amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>\u201cSabemos o que uma popula\u00e7\u00e3o de tartarugas marinhas precisa para crescer, mas a extens\u00e3o com a qual este drama est\u00e1 atuando no Pac\u00edfico \u00e9 t\u00e3o grande, \u00e9 dif\u00edcil entender o quebra-cabe\u00e7as inteiro e quais partes necessitam ser sustentadas\u201d diz Kyle Van Houtan, cientista chefe do Aqu\u00e1rio da Ba\u00eda Monterey, quem n\u00e3o estava envolvido no estudo.<\/p>\n<p>Todas as popula\u00e7\u00f5es de tartarugas-de-couro est\u00e3o em decl\u00ednio, mas aquelas nos oceanos Atl\u00e2ntico e \u00cdndico s\u00e3o mais robustas que as popula\u00e7\u00f5es decadentes do Pac\u00edfico, disse Benson.<\/p>\n<p>As tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico alimentam-se em sete \u00e1reas conhecidas do oceano, estendendo-se da Nova Zel\u00e2ndia ao Jap\u00e3o e \u00e0 Calif\u00f3rnia. Enquanto a subpopula\u00e7\u00e3o oriental aninha-se no M\u00e9xico e partes da Am\u00e9rica Central, as tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental aninham-se principalmente na Indon\u00e9sia, Papua-Nova Guin\u00e9 e Vanuatu.<\/p>\n<p>A equipe de pesquisa registrou uma m\u00e9dia de 140 indiv\u00edduos no trecho de alimenta\u00e7\u00e3o da Calif\u00f3rnia central de 1990 a 2003, por\u00e9m o n\u00famero caiu para uma m\u00e9dia de 55 at\u00e9 2017.<\/p>\n<p>Ainda assim, os dados constam apenas uma fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 espalhada por todo o oceano Pac\u00edfico e migra em intervalos de tempo imprevis\u00edveis. Benson disse que o decl\u00ednio anual de f\u00eameas aninhando na Papua Oeste, Indon\u00e9sia, espelha fielmente a taxa de decl\u00ednio que sua equipe calculou na Calif\u00f3rnia, providenciando evid\u00eancias adicionais que toda a subpopula\u00e7\u00e3o ocidental est\u00e1 sofrendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 contagem exata de quantas tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental ainda existem. Uma an\u00e1lise de 2013 realizada pela IUCN estimou em torno de 1.400 tartarugas adultas sobreviventes na subpopula\u00e7\u00e3o. A IUCN tamb\u00e9m prev\u00ea que a popula\u00e7\u00e3o ir\u00e1 cair para menos de 1.000 indiv\u00edduos at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Cientistas afirmam que uma estimativa concreta da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, dada a natureza das tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental. Esta \u00e9 a \u00fanica subpopula\u00e7\u00e3o com um padr\u00e3o de aninhamento bimodal, o que significa que algumas f\u00eameas aninham no ver\u00e3o enquanto outras aninham no inverno. Agravando a incerteza, tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental visitam os territ\u00f3rios de alimenta\u00e7\u00e3o e aninhamento apenas a cada 2 a 5 anos.<\/p>\n<p>As tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental s\u00e3o atra\u00eddas pelo ecossistema de Monterey na Calif\u00f3rnia devido \u00e0 \u201cimensa produtividade \u2026 por causa da ressurg\u00eancia, correntes profundas do alto mar subindo para a superf\u00edcie, causando essas cascatas de nutrientes e vida,\u201d Van Houtan disse. \u201cEssa \u00e9 a raz\u00e3o de termos essas tartarugas.\u201d<\/p>\n<p>Diferente da maioria dos r\u00e9pteis, tartarugas-de-couro podem auto-regular sua temperatura corporal, as permitindo a \u201cirem a lugares onde nenhuma outra tartaruga marinha pode ir,\u201d adicionou Van Houtan. Estes r\u00e9pteis marinhos de longa evolu\u00e7\u00e3o \u2014 \u201cf\u00f3sseis vivos,\u201d como ele as descreve \u2014 remontam ao per\u00edodo Cret\u00e1ceo, quando dinossauros vagavam pela Terra. Hoje, elas s\u00e3o a \u00fanica esp\u00e9cie viva do g\u00eanero Dermochelys.<\/p>\n<p>Pesando at\u00e9 900 quilos e crescendo at\u00e9 2 metros de comprimento, as tartarugas-de-couro s\u00e3o a esp\u00e9cie das maiores tartarugas do planeta. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o as tartarugas marinhas mais migrat\u00f3rias, viajando at\u00e9 16,000 quil\u00f4metros por ano entre locais de aninhamento e alimenta\u00e7\u00e3o. Essas gigantes podem mergulhar a mais de 1.200 metros de profundidade \u2014 mais fundo que qualquer outra tartaruga marinha \u2014 gra\u00e7as a seus cascos macios, que n\u00e3o se quebrar\u00e3o sob press\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nem mesmo a longa ajuda da evolu\u00e7\u00e3o pode ser suficiente para proteg\u00ea-las do alcance humano.<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7as no mar e na terra<\/strong><\/p>\n<p>Tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico encaram in\u00fameros perigos tanto no mar quanto na terra. Entre eles est\u00e3o os habitantes carentes que ca\u00e7am ovos ou adultos clandestinamente por carne, e degrada\u00e7\u00e3o do habitat nas ilhas do Pac\u00edfico, onde o desenvolvimento costal e ciclones t\u00eam erodido as praias de aninhamento. Mas a maior amea\u00e7a, segundo os cientistas, s\u00e3o os navios pesqueiros que acidentalmente matam tartarugas como captura acess\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pescas de rede e com palangre \u2014 opera\u00e7\u00f5es de pesca de grande escala no oceano aberto que extraem seres do mar em abund\u00e2ncia, como peixe-espada \u2014 s\u00e3o not\u00f3rios por matar tartarugas marinhas que s\u00e3o capturadas nas redes e outros equipamentos de pesca. Pior ainda, cientistas afirmam que os dados existentes de captura acess\u00f3ria provavelmente subestimam os n\u00fameros verdadeiros.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o faroeste do oceano,\u201d disse George Shillinger, um bi\u00f3logo marinho que estudou tartarugas-de-couro por tr\u00eas d\u00e9cadas e \u00e9 diretor executivo da Upwell, uma ONG dedicada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de tartarugas marinhas. Ele complementou que mesmo que os ninhos sejam protegidos, colis\u00f5es com navios e pesca acess\u00f3ria ainda v\u00e3o continuar dizimando a popula\u00e7\u00e3o. E ainda h\u00e1 um obst\u00e1culo adicional das pescas subsidiadas, expans\u00e3o das frotas de pesca e intensifica\u00e7\u00e3o da pesca artesanal, disse ele, destacando que \u201cn\u00f3s somos desafiados a combater press\u00f5es cont\u00ednuas.\u201d<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do Pac\u00edfico, a cientista marinha Deasy Lontoh luta pela prote\u00e7\u00e3o das tartarugas na Papua Oeste, Indon\u00e9sia. Ela \u00e9 a coordenadora de pesquisa para o Projeto\u00a0<i>Abun Leatherback Projec<\/i>t, que visa combater amea\u00e7as dif\u00edceis e dispendiosas de mitigar no mar, protegendo o que est\u00e1 na costa: f\u00eameas aninhando e ovos.<\/p>\n<p>Lontoh foi co-autora de um artigo recente resumindo amea\u00e7as para a popula\u00e7\u00e3o restante em aninhamento em duas praias na Papua Oeste, conhecidas como Jamursba-Medi e Wermon. A equipe de Lontoh diz que espera proteger pelo menos metade dos ninhos com a ajuda de comunidades locais.<\/p>\n<p><i>.<\/i>Lontoh est\u00e1 tentando evitar o que ocorreu na Mal\u00e1sia quando uma popula\u00e7\u00e3o em aninhamento de tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental desapareceu por completo. A ca\u00e7a de ovos era desenfreada e uma forma legal para a popula\u00e7\u00e3o local ganhar dinheiro at\u00e9 que o Conselho Consultivo do Santu\u00e1rio de Tartarugas\u00a0 Terengganu a proibiu em 1988. De 1950 at\u00e9 1995, a Mal\u00e1sia foi de 10.000 ninhos anualmente para apenas um mero punhado. Nenhum ninho foi reportado em quase uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Entretanto, at\u00e9 mesmo quando humanos n\u00e3o ca\u00e7am os ovos, a sobreviv\u00eancia dos jovens \u00e9 naturalmente uma aposta. Cientistas estimam que apenas um a cada 1.000 ovos sobrevive at\u00e9 a maturidade, enquanto as f\u00eameas botam cerca de 80 ovos em cada ninho.<\/p>\n<p>\u201cMuitos rec\u00e9m-nascidos ir\u00e3o morrer, portanto n\u00f3s apenas precisamos produzir n\u00fameros altos o suficiente\u2026 e assumir que alguns deles se tornar\u00e3o adultos em 15 ou 20 anos,\u201d Lontoh disse.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m prejudica o futuro das tartarugas-de-couro. Tempestades mais extremas podem dizimar os locais de aninhamento, enquanto as temperaturas mais elevadas podem cozinhar os ovos. Lontoh diz que, localmente, a areia pode atingir letais 33\u00b0 Celsius (91\u00b0 Fahrenheit), e as temperaturas est\u00e3o subindo na \u00e1rea junto com as tend\u00eancias globais.<\/p>\n<p>Sob circunst\u00e2ncias normais, as tartarugas-de-couro seriam menos fr\u00e1geis, Benson aponta. Elas botam ovos em m\u00faltiplos locais e cruzam grande parte dos oceanos. Elas tamb\u00e9m sobreviveram a v\u00e1rias mudan\u00e7as clim\u00e1ticas naturais ao longo dos \u00faltimos 80 milh\u00f5es de anos. Por\u00e9m os cientistas n\u00e3o sabem como as recentes e r\u00e1pidas mudan\u00e7as na temperatura da \u00e1gua, correntes do oceano e ressurg\u00eancia de nutrientes ir\u00e3o afet\u00e1-las.<\/p>\n<p>\u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 jogando todos aqueles fatores dos quais elas dependem no ar,\u201d Van Houtan disse. \u201cPrecisamos ouvir esses sinais que o oceano est\u00e1 nos mandando, porque o oceano \u00e9 o condutor da vida em nosso planeta.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico continua a diminuir, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e press\u00e3o humana tornam-se uma amea\u00e7a assustadora para a sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAlgo a mais necessita ser feito,\u201d disse Shillinger.<\/p>\n<h3>Necessidades das tartarugas: Regula\u00e7\u00e3o e turismo<\/h3>\n<p>Para uma esp\u00e9cie habitando milh\u00f5es de milhas quadradas, mant\u00ea-la fora de perigo \u00e9 uma tarefa monumental. Cientistas passaram as \u00faltimas duas d\u00e9cadas pedindo por regula\u00e7\u00f5es de pesca mais r\u00edgidas. Mas a falta de coopera\u00e7\u00e3o internacional e aplica\u00e7\u00e3o dos governos tem sido um obst\u00e1culo para a prote\u00e7\u00e3o de tartarugas atrav\u00e9s de pol\u00edticas e regula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cUm governo n\u00e3o ir\u00e1 resolver,\u201d Shillinger disse. \u201cTodo mundo deve se envolver.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\">\n<p>Pela metade dos anos 90, dados emergentes revelaram altas taxas de pesca acess\u00f3ria para grandes animais marinhos como as tartarugas marinhas. Para mitigar a pesca acess\u00f3ria, o governo americano criou a \u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o das Tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico em 2001: uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o sazonal na costa oeste dos Estados Unidos que cobre 650.000 quil\u00f4metros quadrados do oceano e pro\u00edbe pesca de rede durante os meses em que as tartarugas ca\u00e7am \u00e1guas-vivas.<\/p>\n<p>Batizada de \u00e1rea de fechamento por tempo, a nova regula\u00e7\u00e3o ajudou a reduzir a pesca acess\u00f3ria das tartarugas-de-couro de uma m\u00e9dia de 15 tartarugas por ano para menos de 2 por ano depois de 2001, segundo a NOAA.<\/p>\n<p>Regula\u00e7\u00f5es adicionais t\u00eam ajudado a salvar as tartarugas em \u00e1guas americanas. Por exemplo, em pescas comerciais na Calif\u00f3rnia n\u00e3o s\u00e3o permitidas uso de linhas compridas pel\u00e1gicas que podem acidentalmente atrair tartarugas marinhas. Enquanto isso, a pesca com palangre no Hava\u00ed vem com 100% de cobertura de observa\u00e7\u00e3o, o que significa que sempre h\u00e1 algu\u00e9m documentando a pesca. A Calif\u00f3rnia tamb\u00e9m est\u00e1 testando novas tecnologias como equipamentos de b\u00f3ias, que evitam a captura de tartarugas se alimentando de \u00e1guas vivas para fisgar peixes espada em profundidades menores<\/p>\n<p>Contudo, nenhuma dessas regras se aplicam a \u00e1guas internacionais. Para melhor prote\u00e7\u00e3o, Benson e Forney dizem que os pa\u00edses membros de organiza\u00e7\u00f5es de gerenciamento de pescas regionais como a Comiss\u00e3o de Atum Tropical Inter-Americana (<a href=\"https:\/\/www.iattc.org\/HomeENG.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener external noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.iattc.org\/HomeENG.htm&amp;source=gmail&amp;ust=1620573882199000&amp;usg=AFQjCNEfE6n-RbnZ9qSfXsvLxMZxvkW_gw\">Inter-American Tropical Tuna Commission<\/a>) devem incentivar pr\u00e1ticas de pesca mais seguras.<\/p>\n<p>Para a popula\u00e7\u00e3o de tartarugas-de-couro se recuperar, cientistas sugeriram uma redu\u00e7\u00e3o de 40% de pesca acess\u00f3ria ao longo das pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um objetivo ambicioso,\u201d disse Shillinger, \u201co que realmente deve acontecer \u00e9 elevar a vontade pol\u00edtica \u2026 e fazer os governos respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o de seus recursos.\u201d<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, Benson faz um pedido \u00e0s pessoas para perguntar aos gar\u00e7ons nos restaurantes como e de onde o peixe foi obtido.<\/p>\n<p>\u201cPor favor, consumam peixes-espada ou atum capturados pelos Estados Unidos, porque isso vem acompanhado do Ato de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas ao inv\u00e9s de um acompanhamento de tartarugas ou golfinhos mortos,\u201d ele disse.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o de tartarugas de couro tamb\u00e9m necessita avan\u00e7ar para locais de aninhamento. O projeto\u00a0<i>Abun Leatherback Project<\/i>, que trabalha principalmente em vilas pobres e remotas do oeste da Papua, tenta proteger tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental utilizando a ajuda da popula\u00e7\u00e3o local. A equipe de 10 monitores patrulha as praias enquanto outros ajudam a medir as tartarugas, soltam rec\u00e9m-nascidos ou criam sombra com frondes de palmeira para manter os ninhos frescos<\/p>\n<p>O sucesso da conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 dependente das pessoas locais, Lontoh disse: se eles n\u00e3o ligarem para as tartarugas-de-couro, eles n\u00e3o v\u00e3o tentar salv\u00e1-las.<\/p>\n<p>\u201c[As pessoas locais] possuem pap\u00e9is estrat\u00e9gicos,\u201d diz Lontoh. \u201cNo futuro, eles provavelmente ser\u00e3o os que ir\u00e3o ajudar a cuidar das tartarugas ou ajudar na sua extin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas isso requer incentivos e renda. Lontoh diz que o governo local estabeleceu um plano em 2019 para desenvolver a \u00e1rea para o turismo. Em \u00e1reas rurais com recursos limitados, mulheres t\u00eam se preparado para fazer souvenirs, como as tradicionais bolsas de tecido Noken, para vender aos turistas.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">\u201cPara conseguir que as pessoas rurais vejam que vale a pena proteger as tartarugas-de-couro, elas precisam sentir os benef\u00edcios da conserva\u00e7\u00e3o,\u201d Lontoh disse.<\/div>\n<div>\n<p><i>Uma mulher local fabrica \u201cnoken\u201d, uma bolsa tradicional de tecido feita de fibras naturais. Noken s\u00e3o vendidas para turistas como uma forma de gerar renda para as comunidades locais. Imagem por Faris Luthfi.<\/i>O turismo j\u00e1 tem financiado os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o em outras \u00e1reas do mundo, Shillinger diz.<\/p>\n<p>\u201cTartarugas-de-couro trazem muitos projetos de ecoturismo ao redor do mundo,\u201d disse ele. \u201cTartarugas s\u00e3o muito carism\u00e1ticas, benignas, atraentes, e ningu\u00e9m quer v\u00ea-las prejudicadas. Portanto, culturalmente, economicamente e socialmente, as tartarugas desempenham um papel importante.\u201d<\/p>\n<p><strong>Um oceano sem tartarugas-de-couro<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta permanece: E se as tartarugas-de-couro do Pac\u00edfico ocidental realmente forem extintas? Cientistas alertam que isso pode acontecer em uma quest\u00e3o de d\u00e9cadas sem a\u00e7\u00e3o imediata.<\/p>\n<p>\u201cNo oeste do Pac\u00edfico, h\u00e1 uma pequena janela restante, mas n\u00e3o \u00e9 muito,\u201d Benson diz. \u201c\u00c9 definitivamente 11:55 a caminho da meia-noite.\u201d<\/p>\n<p>Perder tartarugas-de-couro pode desequilibrar todo o ecossistema. As tartarugas-de-couro, com seus ferozes apetites (comendo at\u00e9 40% do seu peso corporal diariamente), devoram enormes quantidades de \u00e1gua-viva que por sua vez devoram larvas de peixe e pl\u00e2ncton. Com a ingest\u00e3o dessas abundantes por\u00e9m pouco nutritivas \u201cgelatinas,\u201das tartarugas ajudam a manter os n\u00fameros de \u00e1gua-vivas sob controle. Em anos recentes, entretanto, Benson diz ter notado um aumento de urtigas-do-Pac\u00edfico (<i>Chrysaora fuscescens<\/i>), uma das favoritas das tartarugas-de-couro, nas \u00e1guas da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>\u201cAo longo do tempo, isso pode ser uma ilustra\u00e7\u00e3o de que o n\u00famero de tartarugas-de-couro est\u00e1 t\u00e3o reduzido que elas n\u00e3o podem desempenhar parte de seu papel ecol\u00f3gico,\u201d disse Lontoh.<\/p>\n<p>Como \u00e1guas-vivas se alimentam de larvas de peixes, mais \u00e1guas-vivas pode significar menos peixes no geral, o que provavelmente impactaria pescarias artesanais de pequena escala e habitantes rurais das ilhas do Pac\u00edfico, que dependem de peixes para comida ou renda. Os peixes proporcionam para cerca de 3.3 bilh\u00f5es de pessoas mundialmente, quase 20% de sua prote\u00edna animal, segundo o relat\u00f3rio mais recente de estat\u00edsticas de pesca e aquacultura da Organiza\u00e7\u00e3o de Alimentos e Agricultura da U.N.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Um mundo sem tartarugas-de-couro \u201cainda funcionaria,\u201d disse Shillinger, \u201cmas ainda haveriam algumas grandes mudan\u00e7as que ainda n\u00e3o entendemos\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as for\u00e7as das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o amplificadas \u2014 ciclones que arrastam ninhos, areias t\u00e3o quentes que matam os rec\u00e9m-nascidos por cozimento, a vari\u00e1vel corrente californiana \u2014 o trabalho de um bi\u00f3logo de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torna nem um pouco mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 basicamente um chamado maior,\u201d Benson afirma. \u201cEssa \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, muitas pessoas n\u00e3o sabem disso, portanto \u00e9 o meu trabalho providenciar dados para aumentar as oportunidades de recupera\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ironicamente, disse Shillinger, muitos californianos n\u00e3o t\u00eam conhecimento de que o r\u00e9ptil marinho de seu estado \u00e9 a tartaruga-de-couro do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>\u201cPerder uma esp\u00e9cie \u00e9 uma trag\u00e9dia, algo com o que a humanidade realmente deveria se preocupar,\u201d Shillinger diz. \u201cAssim que as tartarugas se forem, todo o restante ir\u00e1 desaparecer tamb\u00e9m\u00a0 \u2014 incluindo n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa subpopula\u00e7\u00e3o reduziu-se a uma taxa de 5,6% ao ano para um decl\u00ednio geral de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Essa subpopula\u00e7\u00e3o reduziu-se a uma taxa de 5,6% ao ano para um decl\u00ednio geral de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145939"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145940,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145939\/revisions\/145940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}