{"id":145872,"date":"2021-05-08T09:47:39","date_gmt":"2021-05-08T12:47:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145872"},"modified":"2021-05-08T09:48:03","modified_gmt":"2021-05-08T12:48:03","slug":"tubaroes-se-orientam-pelo-campo-magnetico-da-terra-confirma-estudo-inedito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tubaroes-se-orientam-pelo-campo-magnetico-da-terra-confirma-estudo-inedito\/","title":{"rendered":"Tubar\u00f5es se orientam pelo campo magn\u00e9tico da Terra, confirma estudo in\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145873\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas j\u00e1 suspeitavam os peixes podem navegar sentindo o campo magn\u00e9tico, mas ningu\u00e9m sabia como \u2013 at\u00e9 agora.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Quando se trata de deslocamentos migrat\u00f3rios not\u00e1veis, \u00e9 comum ouvir sobre p\u00e1ssaros ou salm\u00f5es. Mas muitos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/fish\/facts\/sharks-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tubar\u00f5es<\/a>\u00a0tamb\u00e9m realizam jornadas impressionantes pelo oceano, desde os grandes tubar\u00f5es-brancos \u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/great-white-breaks-distance-speed-records-for-sharks\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">alguns que viajam ida e volta da \u00c1frica do Sul a Austr\u00e1lia\u00a0<\/a>\u2013 aos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/pages\/article\/131206-lemon-sharks-return-birthplace-homing-bahamas-science\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tubar\u00f5es-lim\u00e3o que encontram o caminho de volta para casa<\/a>\u00a0em uma pequena ilha das Bahamas.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, cientistas se perguntam como esses peixes conseguem fazer isso. Muitas esp\u00e9cies t\u00eam um olfato avan\u00e7ado, mas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/160106-sharks-leopard-smells-navigate-oceans-animals-science\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">embora possa ajudar no trecho final<\/a>, \u00e9 improv\u00e1vel que apenas o cheiro os guiem por grandes dist\u00e2ncias. \u00c9 por isso que muitos especialistas acreditam que os tubar\u00f5es se orientam sentindo o campo magn\u00e9tico da Terra, talvez usando os mesmos \u00f3rg\u00e3os sensoriais eletromagn\u00e9ticos que os ajudam a rastrear presas.<\/p>\n<p>Como cada local na Terra tem uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.org\/encyclopedia\/magnetism\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">assinatura magn\u00e9tica<\/a>\u00a0diferente, alguns pesquisadores sup\u00f5em que os tubar\u00f5es possam guardar, no c\u00e9rebro, algum tipo de \u2018mapa magn\u00e9tico\u2019 que os informa sobre onde est\u00e3o.<\/p>\n<p>Para testar essa teoria,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Bryan-Keller-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bryan Keller<\/a>, bi\u00f3logo especialista em tubar\u00f5es da Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica Nacional, levou 20 jovens tubar\u00f5es-de-pala, uma esp\u00e9cie de tubar\u00f5es-martelo que fielmente volta para casa para se reproduzir, em um laborat\u00f3rio da Universidade Estadual da Fl\u00f3rida, nos EUA.<\/p>\n<p>Em um novo estudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(21)00476-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado na revista<\/a>\u00a0<em>Current Biology<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(21)00476-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esta semana<\/a>, Keller e seus colegas confirmam que os tubar\u00f5es-de-pala podem realmente usar o campo magn\u00e9tico da Terra para navegar.<\/p>\n<p>\u201cHouve outros documentos que demonstram que os tubar\u00f5es detectam e respondem a campos magn\u00e9ticos\u201d, disse Keller, \u201cmas esse \u00e9 o primeiro estudo a mostrar que eles t\u00eam um sentido semelhante ao de um mapa.\u201d<\/p>\n<p>Aprender como os tubar\u00f5es navegam pode nos ajudar a entender aonde eles v\u00e3o e a proteger melhor essas \u00e1reas, j\u00e1 que muitas delas s\u00e3o altamente afetadas pela pesca predat\u00f3ria e polui\u00e7\u00e3o \u2013 popula\u00e7\u00f5es de 18 esp\u00e9cies oce\u00e2nicas de tubar\u00f5es e raias\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-03173-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ca\u00edram 70% desde 1970<\/a>.<\/p>\n<h3><strong>Enganando tubar\u00f5es jovens<\/strong><\/h3>\n<p>Para o experimento, a equipe colocou os tubar\u00f5es jovens em um \u00fanico tanque cercado por um cubo envolto em fio de cobre. \u201cQuando voc\u00ea altera a quantidade de energia que atravessa os fios, ela muda o campo magn\u00e9tico\u201d, revela Keller. Se os tubar\u00f5es de fato tiverem um mapa magn\u00e9tico em suas cabe\u00e7as, exp\u00f4-los a um campo diferente deve redirecionar seus movimentos, justifica.<\/p>\n<p>E foi exatamente isso que aconteceu, pelo menos por algum tempo. Quando os tubar\u00f5es foram expostos ao campo magn\u00e9tico do lugar em que foram capturados, na costa do Golfo da Fl\u00f3rida, eles nadaram em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Mas quando eles foram expostos a um campo magn\u00e9tico imitando um local a cerca de 600 quil\u00f4metros ao sul de onde eles foram capturados, muitos deles tentaram nadar para o norte.<\/p>\n<p>Isso certamente sugere que os animais estavam usando algum tipo de mapa magn\u00e9tico que os informava se estavam muito ao sul de onde deveriam estar, explica Keller. Mas ele n\u00e3o parou por a\u00ed. Keller tamb\u00e9m exp\u00f4s os tubar\u00f5es a um campo magn\u00e9tico imitando um lugar exatamente \u00e0 mesma dist\u00e2ncia ao norte. Por\u00e9m, quando fez isso, os tubar\u00f5es n\u00e3o pareceram ter uma pista de onde estavam e n\u00e3o sabiam para que lado ir.<\/p>\n<h3><strong>Muito enganados<\/strong><\/h3>\n<p>Por que o mapa dos tubar\u00f5es s\u00f3 funciona na dire\u00e7\u00e3o\u00a0sul? Um motivo, Keller destaca, pode ser que os tubar\u00f5es nessa popula\u00e7\u00e3o nunca v\u00e3o ao norte de onde foram capturados, j\u00e1 que s\u00f3 h\u00e1 terra por l\u00e1.<\/p>\n<p>Ao sul, por outro lado, encontra-se o Golfo do M\u00e9xico, onde os jovens provavelmente j\u00e1 tiveram a chance de nadar. Para Keller e seus colegas, isso mostra que os tubar\u00f5es podem ter que aprender os seus mapas magn\u00e9ticos, montando-os conforme nadam.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>\u201cAs descobertas sugerem que os tubar\u00f5es e tartarugas marinhas usam o campo magn\u00e9tico de forma semelhante\u201d, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/lohmannlab.web.unc.edu\/kenneth-lohmann-ph-d\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Kenneth Lohmann<\/a>, neurocientista sensorial na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, que estuda a navega\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas.<\/p>\n<p><em>(<\/em><a href=\"https:\/\/www.natgeo.pt\/animais\/2018\/05\/como-e-que-tartarugas-marinhas-encontram-praia-onde-nasceram\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Leia como as tartarugas marinhas encontram a praia onde nasceram.<\/em><\/a><em>)<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 agora, ele explica, os mecanismos de navega\u00e7\u00e3o descobertos em tartarugas marinhas revelaram ser bem parecidos aos encontrados em outros migrantes oce\u00e2nicos de longa dist\u00e2ncia, como o salm\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNo oceano, h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es muito limitadas que podem ser usadas para guiar as migra\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Lohmann, que n\u00e3o estava envolvido na pesquisa. \u201cPortanto, o campo magn\u00e9tico da Terra \u00e9 uma dica particularmente \u00fatil.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Um mapa mais elaborado?<\/strong><\/h3>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/reptiles\/facts\/sea-turtles#:~:text=Six%20of%20the%20seven%20species,except%20the%20Arctic%20and%20Antarctic.&amp;text=The%20leatherback%20is%20the%20largest,weigh%20a%20whopping%202,000%20pounds.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tartarugas marinhas<\/a>, pesquisas mostraram que parte da capacidade de ler o campo magn\u00e9tico \u00e9 herdada, mas uma parte tamb\u00e9m \u00e9 aprendida, de modo que uma combina\u00e7\u00e3o das duas ajuda os r\u00e9pteis a encontrarem seu caminho.<\/p>\n<p>\u201cCom tubar\u00f5es, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar o que \u00e9 herdado e que \u00e9 aprendido, mas esse estudo fornece uma boa base\u201d, diz ele.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/uol.de\/en\/animal-navigation\/members\/prof-dr-henrik-mouritsen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Henrik Mouritsen<\/a>, neurocientista sensorial da Universidade de Oldenburg, na Alemanha, concorda que \u00e9 muito cedo para dizer se os tubar\u00f5es aprendem os seus mapas, mas observa que, em aves, em cujo sentido magn\u00e9tico \u00e9 mais bem estudado, eles s\u00e3o \u201cdefinitivamente aprendidos\u201d.<\/p>\n<p>Em tubar\u00f5es, acrescenta: \u201cEu me pergunto se, e como, seus sensores el\u00e9tricos especiais est\u00e3o envolvidos. Para mim, uma coisa realmente emocionante seria a explica\u00e7\u00e3o de como eles fazem isso\u201d.<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia muito interessante para fazer a seguir, diz Keller, seria testar se os tubar\u00f5es-de-pala que vivem ao longo da costa leste dos EUA, que viajam tanto para o norte como para o sul de onde nasceram, t\u00eam um mapa mais elaborado do que aqueles que vivem no Golfo do M\u00e9xico.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas j\u00e1 suspeitavam os peixes podem navegar sentindo o campo magn\u00e9tico, mas ningu\u00e9m sabia como<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145873,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tubarao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":27,"uagb_excerpt":"Cientistas j\u00e1 suspeitavam os peixes podem navegar sentindo o campo magn\u00e9tico, mas ningu\u00e9m sabia como","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145872"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145874,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145872\/revisions\/145874"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}