{"id":145743,"date":"2021-05-03T12:26:21","date_gmt":"2021-05-03T15:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145743"},"modified":"2021-05-03T12:26:21","modified_gmt":"2021-05-03T15:26:21","slug":"fossil-de-1-bilhao-de-anos-pode-ser-organismo-multicelular-mais-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fossil-de-1-bilhao-de-anos-pode-ser-organismo-multicelular-mais-antigo\/","title":{"rendered":"F\u00f3ssil de 1 bilh\u00e3o de anos pode ser organismo multicelular mais antigo"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145744\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Segundo os pesquisadores, esse elo perdido ajuda a a explicar como ocorreu a transi\u00e7\u00e3o dos organismos unicelulares para os animais que conhecemos.<\/h2>\n<p>F\u00f3sseis microsc\u00f3picos que datam de 1 bilh\u00e3o de anos atr\u00e1s podem pertencer a um dos primeiros seres multicelulares da Terra. Eles foram encontrados no Lago Torridon, ao norte da Esc\u00f3cia, por pesquisadores da\u00a0Universidade de Sheffield (Reino Unido) e da Faculdade\u00a0de Boston (EUA). O organismo cont\u00e9m dois tipos de c\u00e9lulas distintas, e \u00e9 o f\u00f3ssil mais antigo j\u00e1 registrado com essa caracter\u00edstica.<\/p>\n<p>O organismo tem o formato de uma esfera e foi nomeado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(21)00424-3#%20\"><i>Bicellum brasieri<\/i><\/a>. Ele mede apenas 30 micr\u00f4metros \u2013 de duas a tr\u00eas vezes menor que o di\u00e2metro de um fio de cabelo. Os pesquisadores acreditam que o organismo seja um membro primitivo do grupo Holozoa, que inclui desde os animais at\u00e9 seus parentes unicelulares mais pr\u00f3ximos. O novo organismo pode elucidar um dos eventos mais importantes da evolu\u00e7\u00e3o da vida: a origem da multicelularidade complexa.<\/p>\n<p>A vida na Terra surgiu h\u00e1 pelo menos 3,5 bilh\u00f5es de anos. No princ\u00edpio, de acordo com a hip\u00f3tese dominante, s\u00f3 havia mol\u00e9culas de RNA. O RNA, hoje, \u00e9 parte do maquin\u00e1rio das c\u00e9lulas de todos os seres vivos. Mas, nessa \u00e9poca long\u00ednqua, essas mol\u00e9culas formadas pelas bases uracila, adenina, citosina e guanina faziam parte de um mundo puramente qu\u00edmico.<\/p>\n<p>Tudo mudou quando, em algum momento, alguma dessas mol\u00e9culas de RNA conseguiu catalisar uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que gerava c\u00f3pias de si mesma. Ela come\u00e7ou a se\u00a0<em>reproduzir<\/em>.<\/p>\n<p>Esse foi o primeiro salto para o mundo biol\u00f3gico, em que a sele\u00e7\u00e3o natural passa a agir favorecendo as mol\u00e9culas que se multiplicam com mais efici\u00eancia. Se uma dessas mol\u00e9culas estiver envolta por uma prote\u00e7\u00e3o, por exemplo, ela tem menos chances de ser destru\u00edda.<\/p>\n<p>Assim, lentamente, come\u00e7a a surgir algo semelhante ao que seria uma c\u00e9lula: um pacotinho envolto por uma membrana, dentro do qual ocorrem as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas autossustent\u00e1veis que chamamos de vida.<\/p>\n<p>Os seres vivos mais antigos dos quais se tem registro s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/pubs.geoscienceworld.org\/gsa\/geology\/article-abstract\/573756\/nano-porous-pyrite-and-organic-matter-in-3-5\">arqueas<\/a>\u00a0de 3,5 bilh\u00f5es de anos. Arqueas s\u00e3o parecidas com as bact\u00e9rias em tudo que um estudante de Ensino M\u00e9dio saberia identificar: n\u00e3o possuem n\u00facleo para guardar seu DNA, por exemplo, nem mitoc\u00f4ndrias.\u00a0A quest\u00e3o \u00e9 que o DNA em si \u00e9 muito diferente \u2013 do ponto de vista gen\u00e9tico, arqueas s\u00e3o t\u00e3o distantes das bact\u00e9rias quanto n\u00f3s somos.<\/p>\n<p>Arqueas e bact\u00e9rias formam o grupo dos procariontes.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo grande salto veio com os organismos eucariontes \u2013 que provavelmente surgiram quando um procarionte engoliu outro procarionte e, em vez de digeri-lo, o incorporou em seu metabolismo. Assim nasceram as mitoc\u00f4ndrias que acabamos de mencionar: elas originalmente eram bact\u00e9rias independentes; hoje prestam servi\u00e7os para c\u00e9lulas maiores.<\/p>\n<p>O terceiro salto na compreens\u00e3o da hist\u00f3ria evolutiva \u00e9 a multicelularidade: quando v\u00e1rias c\u00e9lulas eucariontes resolveram ganhar a vida juntas. Enquanto algumas algas e fungos podem ser compostos por milhares de c\u00e9lulas id\u00eanticas com o mesmo material gen\u00e9tico, o maior passo ocorre quando as c\u00e9lulas come\u00e7am a se diferenciar e assumir fun\u00e7\u00f5es. Os humanos t\u00eam centenas de c\u00e9lulas diferentes \u2013 de neur\u00f4nios a hem\u00e1cias.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia de entender a origem das c\u00e9lulas diferenciadas e como ocorreu esse salto. Os f\u00f3sseis de\u00a0<i>Bicellum brasieri\u00a0<\/i>estavam bem preservados sob pedras no fundo do lago escoc\u00eas. E mais: os organismos foram conservados em diferentes est\u00e1gios de vida. O\u00a0<em>Bicellum<\/em>\u00a0\u201cadulto\u201d era uma mini-esfera formada por c\u00e9lulas redondas, que por sua vez eram cobertas por uma camada de c\u00e9lulas alongadas, em forma de salsicha.<\/p>\n<p>Alguns f\u00f3sseis encontrados, no entanto, mostram esses dois tipos de c\u00e9lulas misturados no meio da esfera. Os pesquisadores acreditam que o bicellum estivesse em um est\u00e1gio juvenil nesse momento, quando as c\u00e9lulas-salsicha ainda estavam se diferenciando e migrando para o exterior da esfera.<\/p>\n<figure id=\"attachment_322593\" class=\"wp-caption alignnone  \" style=\"width: 638px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-322593\" title=\"gr2\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/gr2.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"Bicellum brasieri. (Strother et al., Curr. Biol., 2021)\" width=\"638\" height=\"619\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Bicellum brasieri. (Strother et al., Curr. Biol., 2021)\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bicellum brasieri. (Strother et al., Curr. Biol., 2021)\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO que vemos no\u00a0<em>B<\/em><em>icellum<\/em>\u00a0\u00e9 um sistema gen\u00e9tico que inclui ades\u00e3o entre c\u00e9lulas e diferencia\u00e7\u00e3o celular. Isso pode ter sido incorporado no genoma animal 500 milh\u00f5es de anos depois [<em>quando surgiram os primeiros animais<\/em>]\u201d disse\u00a0Paul Strother, pesquisador da Faculdade de Boston, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sheffield.ac.uk\/news\/billion-year-old-fossil-reveals-missing-link-evolution-animals\">nota<\/a>.<\/p>\n<p>O\u00a0<i>Bicellum brasieri\u00a0<\/i>tamb\u00e9m pode ajudar a entender onde a vida evoluiu. J\u00e1 \u00e9 consenso cient\u00edfico que os primeiros seres surgiram na \u00e1gua, mas ainda h\u00e1 debate sobre qual ambiente teria dado origem \u00e0 vida: os lagos de \u00e1gua doce ou oceanos de \u00e1gua salgada. A hip\u00f3tese dos mares \u00e9 a mais plaus\u00edvel, mas o\u00a0<em>B<\/em><em>icellum<\/em>\u00a0mostra que, pelo menos para o surgimento dos seres multicelulares, os lagos n\u00e3o podem ser ignorados.<\/p>\n<p>\u201cA descoberta desse f\u00f3ssil sugere que a evolu\u00e7\u00e3o dos seres multicelulares ocorreu h\u00e1 pelo menos um bilh\u00e3o de anos, e que outros eventos anteriores \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o dos animais podem ter ocorrido em lagos terrestres, e n\u00e3o no oceano\u201d, disse o pesquisador\u00a0Charles Wellman, da\u00a0Universidade de Sheffield. A equipe pretende continuar investigando o\u00a0Lago Torridon\u00a0em busca de mais f\u00f3sseis e informa\u00e7\u00f5es que possam preencher as lacunas na hist\u00f3ria de transi\u00e7\u00e3o dos seres unicelulares aos multicelulares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo os pesquisadores, esse elo perdido ajuda a a explicar como ocorreu a transi\u00e7\u00e3o dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145744,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/microbio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Segundo os pesquisadores, esse elo perdido ajuda a a explicar como ocorreu a transi\u00e7\u00e3o dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145743"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145743"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145745,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145743\/revisions\/145745"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}