{"id":145737,"date":"2021-05-03T12:15:24","date_gmt":"2021-05-03T15:15:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145737"},"modified":"2021-05-03T12:15:24","modified_gmt":"2021-05-03T15:15:24","slug":"relatorio-expoe-impactos-socioambientais-das-fibras-mais-utilizadas-na-industria-da-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/relatorio-expoe-impactos-socioambientais-das-fibras-mais-utilizadas-na-industria-da-moda\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio exp\u00f5e impactos socioambientais das fibras mais utilizadas na ind\u00fastria da moda"},"content":{"rendered":"<h4><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145738\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Relat\u00f3rio &#8220;Fios da Moda&#8221; traz informa\u00e7\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o e impactos socioambientais do algod\u00e3o, do poli\u00e9ster e da viscose<\/h4>\n<ul>\n<li>O relat\u00f3rio \u201cFios da Moda\u201d, lan\u00e7ado hoje na Semana Fashion Revolution, traz informa\u00e7\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o e os impactos ambientais do algod\u00e3o, do poli\u00e9ster e da viscose.<\/li>\n<li>O Brasil \u00e9 o segundo maior exportador de algod\u00e3o do mundo, cultura que consome o dobro de agrot\u00f3xicos aplicados no cultivo da soja; maiores impactos s\u00e3o no Cerrado.<\/li>\n<li>O descarte tamb\u00e9m \u00e9 um problema: s\u00f3 no centro de S\u00e3o Paulo estima-se que sejam descartadas mais de 60 toneladas de resi\u0301duos te\u0302xteis por dia; o polie\u0301ster pode levar ate\u0301 400 anos para se decompor.<\/li>\n<li>O algod\u00e3o org\u00e2nico no Brasil tem tido um crescimento lento, mas promissor; no Nordeste, o cultivo agroecol\u00f3gico contribui para a seguran\u00e7a alimentar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para muito al\u00e9m do pre\u00e7o que se paga por cada pe\u00e7a nova de roupa, existe um custo socioambiental invisibilizado na etiqueta. Desde a produ\u00e7\u00e3o das tr\u00eas fibras mais utilizadas pela ind\u00fastria da moda \u2013 o algod\u00e3o, a viscose e o poli\u00e9ster \u2013 at\u00e9 o descarte da pe\u00e7a de roupa h\u00e1 um longo caminho que passa pelo uso do solo, a toxicidade gerada durante os processos de plantio e fabrica\u00e7\u00e3o, o uso de \u00e1gua e energia, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE), o descarte de res\u00edduos e a m\u00e3o de obra envolvida em toda a cadeia produtiva.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.modefica.com.br\/relatorio-fios-da-moda-2\/#.YC2QOi2caYU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio \u201cFios da Moda\u201d<\/a>, com lan\u00e7amento oficial hoje durante a Semana Fashion Revolution, \u00e9 a primeira publica\u00e7\u00e3o brasileira a analisar em detalhes esses impactos. Publicado pela Modefica, plataforma de moda com foco em sustentabilidade, em parceria com a Regenerate Fashion e a Fundac\u0327a\u0303o Getulio Vargas, o relat\u00f3rio faz uma avalia\u00e7\u00e3o qualitativa e quantitativa do quanto as fibras t\u00eaxteis t\u00eam contribu\u00eddo para a crise clim\u00e1tica e a desigualdade social.<\/p>\n<p>Segundo Marina Colerato, autora do relat\u00f3rio, a escassa produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e dados sobre a ind\u00fastria da moda no Brasil \u00e9 ponto de aten\u00e7\u00e3o. \u201cSe a gente est\u00e1 vivendo na d\u00e9cada final para a quest\u00e3o do clima, para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de CO2, \u00e9 bastante alarmante que as empresas de grande porte n\u00e3o fa\u00e7am mensura\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2\u201d, alerta a tamb\u00e9m coordenadora do Modefica. \u201cSe a gente n\u00e3o est\u00e1 produzindo dados, a gente n\u00e3o est\u00e1 olhando para o problema. E se a gente n\u00e3o est\u00e1 olhando para o problema, a gente n\u00e3o vai agir sobre ele\u201d.<\/p>\n<p>O setor t\u00eaxtil brasileiro compreende todas as etapas da confec\u00e7\u00e3o, desde o plantio de algoda\u0303o at\u00e9 o varejo, e \u00e9 refer\u00eancia mundial em segmentos como jeans e moda praia. A cadeia produtiva \u00e9 fragmentada, contando com grande n\u00famero de fornecedores, o que dificulta a rastreabilidade de impactos causados ao longo das diversas etapas do processo produtivo.<\/p>\n<p>Com cerca de 9 bilh\u00f5es de pe\u00e7as de roupa produzidas por ano e destinadas sobretudo ao mercado interno, o Brasil faturou US$ 48,3 bilho\u0303es em 2018. Como exportador de vestu\u00e1rio, o pa\u00eds ocupa o 83\u00ba lugar, mas, quando se trata da exporta\u00e7\u00e3o de commodities como o algod\u00e3o, o Brasil \u00e9 o segundo maior e tamb\u00e9m est\u00e1 entre os principais exportadores de polpa de celulose sol\u00favel, mat\u00e9ria-prima que vem da madeira e d\u00e1 origem \u00e0 viscose.<\/p>\n<p>Segundo a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/industries\/retail\/our-insights\/state-of-fashion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">consultoria McKinsey<\/a>, o setor t\u00eaxtil representa 6% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa e de 10 a 20% do uso de pesticidas. Lavagem, solventes e corantes usados na fabrica\u00e7\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por um quinto da polui\u00e7\u00e3o industrial da \u00e1gua, e a moda \u00e9 respons\u00e1vel por 20 a 35% do fluxo de micropl\u00e1sticos para o oceano.<\/p>\n<h2>Algod\u00e3o consome 28 litros de agrot\u00f3xicos por hectare<\/h2>\n<p>Entre as fibras mais produzidas, o poli\u00e9ster representa 51% da produ\u00e7\u00e3o mundial, seguido pelo algod\u00e3o com 25%. O Brasil \u00e9 o quarto maior produtor mundial de algod\u00e3o e, dentre as fibras produzidas no pa\u00eds, o algod\u00e3o lidera com mais de 90% da produ\u00e7\u00e3o. Ainda que tenha a vantagem de ser uma fibra natural, o algod\u00e3o deixa um rastro pesado no meio ambiente. Segundo o relat\u00f3rio Fios da Moda, trata-se da quarta cultura que mais consome agroto\u0301xicos, sendo responsa\u0301vel por aproximadamente 10% do volume total de pesticidas utilizado no Brasil, com uma aplicac\u0327a\u0303o me\u0301dia de 28 litros de pesticidas por hectare \u2013 mais do que o dobro aplicado na soja, commodity que recebe 12 litros por hectare.<\/p>\n<p>\u201cA Abrapa (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Produtores de Algod\u00e3o) \u00e9 uma das associa\u00e7\u00f5es que mais est\u00e1 se esfor\u00e7ando politicamente para a aprova\u00e7\u00e3o da chamada PL do veneno\u201d, diz Marina, referindo-se ao projeto de lei que regulamenta o uso de novos agrot\u00f3xicos. O Brasil j\u00e1 \u00e9 conhecidamente permissivo em rela\u00e7\u00e3o ao uso de pesticidas, se comparado a outros pa\u00edses. Segundo o atlas\u00a0<a href=\"https:\/\/conexaoagua.mpf.mp.br\/arquivos\/agrotoxicos\/05-larissa-bombardi-atlas-agrotoxico-2017.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cGeografia do Uso de Agrot\u00f3xicos no Brasil e Conex\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia\u201d<\/a>, revisado em 2019 pela pesquisadora Larissa Mies Bombardi, dos 160 agrot\u00f3xicos autorizados para o cultivo do algod\u00e3o no Brasil, 47 s\u00e3o de uso proibido na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A press\u00e3o pela expans\u00e3o de \u00e1reas de cultivo \u00e9 outro aspecto que se soma ao custo socioambiental da fibra. Segundo o relat\u00f3rio \u201cPerspectivas para a Agropecu\u00e1ria 2019\/20\u201d, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a a\u0301rea para o plantio do algod\u00e3o aumentou 37,1% na safra 2018\/19 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra anterior, atingindo 1,61 milha\u0303o de hectares de \u00e1rea. O Mato Grosso e a Bahia respondem por 88% do total da a\u0301rea de cultivo do algod\u00e3o no Brasil. Isso aponta para uma grande press\u00e3o sobre o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/02\/plataforma-inedita-no-brasil-reune-dados-sobre-o-cerrado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cerrado, bioma que j\u00e1 perdeu 55% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa<\/a> e concentra a maior parte da cultura algodoeira por ter suas esta\u00e7\u00f5es de seca e chuva mais definidas, favorecendo o cultivo em regime de sequeiro, ou sem irriga\u00e7\u00e3o, predominantemente praticado no Brasil.<\/p>\n<p>O setor algodoeiro se orgulha por ter mais de 90% da safra 2018\/19 certificada no Brasil com o selo Better Cotton Initiative (BCI), que configura a produ\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel de algod\u00e3o. \u201cO BCI, como o nome j\u00e1 diz, ele \u00e9 melhor, mas ainda n\u00e3o \u00e9 bom\u201d, afirma Silvio Moraes, embaixador da certificadora Textile Exchange para a Am\u00e9rica Latina. \u201cO Brasil est\u00e1 longe de ser um bom exemplo de pa\u00eds com produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de algod\u00e3o. O selo BCI garante, na teoria, que o agrot\u00f3xico tenha registro e seja aplicado de forma correta, com equipamentos de seguran\u00e7a e tudo mais, mas ele n\u00e3o busca reduzir o uso de agrot\u00f3xico\u201d.<\/p>\n<h2>Poli\u00e9ster, campe\u00e3o em emiss\u00f5es de GEE<\/h2>\n<p>A segunda fibra produzida no Brasil \u00e9 o poli\u00e9ster, que representa 5% da produ\u00e7\u00e3o nacional e inicia sua cadeia produtiva com o refino de petr\u00f3leo e a obten\u00e7\u00e3o da nafta. O uso de combusti\u0301vel fo\u0301ssil faz dela a fibra campe\u00e3 em emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Al\u00e9m disso, o poli\u00e9ster solta micropl\u00e1sticos, que j\u00e1 foram encontrados na \u00e1gua pot\u00e1vel, no peixe servido \u00e0 mesa, e em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os do corpo humano.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2021.01.25.428144v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estudo recente<\/a>\u00a0indica que as micropart\u00edculas das roupas de material sint\u00e9tico podem prejudicar a recupera\u00e7\u00e3o dos tecidos pulmonares em pacientes com doen\u00e7as respirat\u00f3rias, como a covid-19.<\/p>\n<p>O polie\u0301ster reciclado, feito a partir de garrafas PET, cresceu nos \u00faltimos anos. A relev\u00e2ncia da reciclagem \u00e9 indiscut\u00edvel, mas o relat\u00f3rio \u201cFios da Moda\u201d aponta para o fato de que o problema n\u00e3o \u00e9 solucionado, mas muda de endere\u00e7o. Se o material oriundo da reciclagem de garrafa PET n\u00e3o volta para a produ\u00e7\u00e3o das garrafas, mas \u00e9 direcionado a outros produtos como o poli\u00e9ster, as novas garrafas PET que chegam ao mercado continuar\u00e3o demandando mat\u00e9ria-prima virgem em sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPET \u00e9 um produto bom porque voc\u00ea consegue reciclar\u201d, comenta Silvio. \u201cEle retorna para o ciclo econ\u00f4mico, mas com algum custo, e \u00e0s vezes n\u00e3o retorna 100% do material que foi colocado no mercado. Agora, quando voc\u00ea fala do algod\u00e3o, ele \u00e9 100% recicl\u00e1vel. Ou vai ser reciclado na forma de fibra, retornando para o ciclo industrial, ou ele vai apodrecer e virar um composto no fim das contas\u201d, compara.<\/p>\n<h2>Viscose, prov\u00e1vel motora do desmatamento<\/h2>\n<p>Em terceiro lugar no cen\u00e1rio das fibras est\u00e1 a viscose, fibra artificial que tem a produ\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 da celulose para papel e usa no processo materiais corrosivos, como a soda ca\u0301ustica e o a\u0301cido sulfu\u0301rico. A polpa da madeira extra\u00edda de \u00e1rvores \u00e9 transformada em fibra de celulose e, ent\u00e3o, em fios de viscose. O Brasil esta\u0301 entre os 10 principais produtores de celulose, representando cerca de 11% da produc\u0327a\u0303o mundial em 2019.<\/p>\n<p>Quando falamos em celulose, falamos na eucaliptocultura, que ocupa no Brasil territ\u00f3rio equivalente a 80% do tamanho de Portugal. Tanto a cultura do eucalipto quanto a do algod\u00e3o utilizam entre 7 a 10 dos principais tipos de agrot\u00f3xico vendidos no Brasil, incluindo o glifosato, apontado como altamente t\u00f3xico e cancer\u00edgeno.<\/p>\n<p>Somando-se a isso, a consultoria Canopy estima que 30% da viscose produzida no mundo e\u0301 proveniente de a\u0301rvores de florestas nativas e ameac\u0327adas de extinc\u0327a\u0303o, incluindo a Amazo\u0302nia. \u201cOs n\u00fameros do desmatamento ilegal refletem de alguma forma na ind\u00fastria da moda porque a gente tem uma produ\u00e7\u00e3o de celulose bastante consider\u00e1vel e baixo rastreamento\u201d afirma Marina. \u201cNingu\u00e9m me garante que a celulose sol\u00favel que est\u00e1 saindo do Brasil n\u00e3o vem de floresta desmatada\u201d.<\/p>\n<p>Um comparativo entre as fibras, no que se refere \u00e0s emiss\u00f5es de GEE, mostra que a produc\u0327a\u0303o de viscose tem emissa\u0303o menor do que o poli\u00e9ster e 50% maior que as fibras de algoda\u0303o. As emiss\u00f5es do algod\u00e3o est\u00e3o diretamente relacionadas ao uso de fertilizantes qui\u0301micos, herbicidas, inseticidas e fungicidas, al\u00e9m do uso de operac\u0327o\u0303es mecanizadas. Se comparado ao cultivo convencional, o cultivo de algoda\u0303o orga\u0302nico reduz em 58% as emisso\u0303es de GEE.<\/p>\n<h2>Demanda por algod\u00e3o org\u00e2nico brasileiro \u00e9 maior do que a oferta<\/h2>\n<p>De acordo com\u00a0<a href=\"https:\/\/textileexchange.org\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Textile-Exchange_Organic-Cotton-Market-Report_2020-20200810.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio da Textile Exchange<\/a>, o Brasil \u00e9 um dos \u00faltimos entre os 19 pa\u00edses produtores de algod\u00e3o org\u00e2nico, com 0,04% da produ\u00e7\u00e3o mundial. Ainda assim, apresentou incremento de 335% na safra 2018\/19. \u201cN\u00f3s hoje temos uma demanda de algod\u00e3o org\u00e2nico muito maior do que a produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o essa demanda est\u00e1 puxando os agricultores a produzirem mais\u201d, afirma Silvio.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o apoio de ONGs para assist\u00eancia t\u00e9cnica aos agricultores, a comercializa\u00e7\u00e3o garantida por contratos e parcerias com institui\u00e7\u00f5es e empresas preocupadas com sustentabilidade fortaleceram a cadeia de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O plantio de algod\u00e3o org\u00e2nico no Brasil ocorre predominantemente no Nordeste, dentro dos preceitos da agroecologia. \u201cEu sou muito defensor do algod\u00e3o org\u00e2nico da forma como \u00e9 produzido no Brasil ou em alguns lugares do Peru, onde \u00e9 produzido por pequeno produtor com recupera\u00e7\u00e3o do ambiente, muitas vezes de forma comunit\u00e1ria e remunerado por pre\u00e7o diferenciado pelo mercado\u201d, explica Silvio. \u201cO algod\u00e3o agroecol\u00f3gico org\u00e2nico brasileiro, todo ele \u00e9 produzido em cons\u00f3rcios alimentares. Isso d\u00e1 para o agricultor seguran\u00e7a alimentar\u201d.<\/p>\n<p>A Para\u00edba \u00e9 o estado campe\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o org\u00e2nico. Desde 2015, o Projeto Algod\u00e3o Para\u00edba, iniciativa governamental com parceria da Embrapa, apoia pequenos n\u00facleos de agricultores. \u201cEssa \u00e9 uma coisa completamente nova\u201d, afirma Silvio. \u201cO que puxava a produ\u00e7\u00e3o do algod\u00e3o org\u00e2nico eram pequenas empresas idealistas e de repente a gente v\u00ea uma iniciativa governamental. Quem dera a gente conseguisse replicar isso em outros estados\u201d.<\/p>\n<h2>Circularidade na ind\u00fastria da moda<\/h2>\n<p>A metade das empresas do segmento te\u0302xtil e de confecc\u0327a\u0303o est\u00e1 no Sudeste. Apenas na regi\u00e3o central da cidade de S\u00e3o Paulo estima-se que os bairros tradicionalmente conhecidos por formarem o maior po\u0301lo produtivo de roupas do pai\u0301s, como Bra\u0301s, Bom Retiro e Vila Maria, descartam mais de 60 toneladas de resi\u0301duos te\u0302xteis por dia.<\/p>\n<p>Enquanto o algoda\u0303o leva de 10 a 20 anos para se decompor, alguns tecidos sinte\u0301ticos demoram entre 100 e 300 anos e o polie\u0301ster pode levar ate\u0301 400 anos. Segundo o \u201cFios da Moda\u201d, a reciclagem n\u00e3o \u00e9 uma tarefa incentivada. Enquanto fazer o descarte dos res\u00edduos n\u00e3o custa nada aos produtores, eles pagam aos catadores entre R$ 0,30 e R$ 0,60 pelo quilo de res\u00edduos t\u00eaxteis recolhidos.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da economia circular na ind\u00fastria da moda seria uma alternativa para reduzir res\u00edduos e polui\u00e7\u00e3o, prolongar o uso das pe\u00e7as e regenerar sistemas naturais. Com os princ\u00edpios da reutiliza\u00e7\u00e3o, reparo e remanufatura, a reciclagem se apresenta como \u00faltimo recurso. A economia circular inclui ainda a regenera\u00e7\u00e3o de terras agri\u0301colas e florestais, diminui\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE, cuidados com o uso e polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, e valoriza\u00e7\u00e3o das pessoas nas diversas etapas da cadeia produtiva. \u201cA gente n\u00e3o pode deixar de pensar que a economia circular tamb\u00e9m precisa ser restaurativa e regenerativa para com a sociedade. A gente precisa pensar em restaura\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o por princ\u00edpios: das pessoas, da sociedade e do meio ambiente. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 falando de regenera\u00e7\u00e3o socioambiental\u201d, explica Marina.<\/p>\n<p>Algumas iniciativas caminham nessa dire\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso da\u00a0<a href=\"https:\/\/reroupa.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Re-Roupa<\/a>, metodologia para reaproveitamento de tecidos e transforma\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as que \u00e9 aplicada em oficinas de cria\u00e7\u00e3o coletiva e capacita\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m praticado por novas marcas, o conceito de upciclyng prega a reutiliza\u00e7\u00e3o criativa de pe\u00e7as em vez do descarte. O movimento\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fashionrevolution.org\/south-america\/brazil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fashion Revolution<\/a>\u00a0busca conscientizar sobre os impactos socioambientais do setor e criou a Brasil Eco Fashion Week, semana dedicada \u00e0 moda sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o \u00f3bvia quando se fala de sustentabilidade de verdade \u00e9 a circularidade. Qualquer fibra, qualquer produto que seja usado, ele tem que ter dois fins: ou ele retorna para o ciclo econ\u00f4mico, ou ele retorna para o ciclo natural\u201d, diz Silvio. \u201cFibras org\u00e2nicas sempre v\u00e3o ser preferenciais. E entre elas, no meu ponto de vista, o algod\u00e3o, o c\u00e2nhamo e o linho\u201d, acrescenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio &#8220;Fios da Moda&#8221; traz informa\u00e7\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o e impactos socioambientais do algod\u00e3o, do poli\u00e9ster<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145738,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/algodao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Relat\u00f3rio &#8220;Fios da Moda&#8221; traz informa\u00e7\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o e impactos socioambientais do algod\u00e3o, do poli\u00e9ster","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145737"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145737"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145737\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145739,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145737\/revisions\/145739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145738"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}