{"id":145734,"date":"2021-05-03T12:10:07","date_gmt":"2021-05-03T15:10:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145734"},"modified":"2021-05-03T12:10:57","modified_gmt":"2021-05-03T15:10:57","slug":"sensor-nao-invasivo-comprova-relacao-entre-hipertensao-arterial-e-aumento-da-pressao-intracraniana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sensor-nao-invasivo-comprova-relacao-entre-hipertensao-arterial-e-aumento-da-pressao-intracraniana\/","title":{"rendered":"Sensor n\u00e3o invasivo comprova rela\u00e7\u00e3o entre hipertens\u00e3o arterial e aumento da press\u00e3o intracraniana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145735\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>De uma tacada s\u00f3, pesquisadores conseguiram mostrar a rela\u00e7\u00e3o existente entre hipertens\u00e3o arterial e aumento da press\u00e3o intracraniana, validaram um m\u00e9todo de pesquisa n\u00e3o invasivo para o monitoramento do enc\u00e9falo e um tratamento para press\u00e3o arterial que tamb\u00e9m tem efeito para a hipertens\u00e3o intracraniana.<\/p>\n<p>O estudo, publicado na revista\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/HYPERTENSIONAHA.120.16217\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hypertension<\/a><\/b>, monitorou durante seis semanas a evolu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial em ratos. A pesquisa, realizada por equipe da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com a startup\u00a0<b><a href=\"https:\/\/brain4.care\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brain4care<\/a><\/b>, teve o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/94326\/fisiopatologia-experimental-mecanismos-centrais-de-controle-cardiovascular-e-respiratorio-envolvidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP e pode resultar em novos tratamentos para hipertens\u00e3o intracraniana e complica\u00e7\u00f5es decorrentes, entre elas o acidente vascular cerebral.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos responder \u00e0\u00a0pergunta de como a hipertens\u00e3o intracraniana\u00a0evolui durante o per\u00edodo em que o animal est\u00e1 ficando hipertenso. De maneira in\u00e9dita, conseguimos monitorar essa evolu\u00e7\u00e3o por um m\u00e9todo n\u00e3o invasivo e acompanhamos as altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas da curva da press\u00e3o intracraniana [PIC]. Nosso estudo sugere que a hipertens\u00e3o intracraniana pode ser prevenida por meio do diagn\u00f3stico precoce e do tratamento com o medicamento Losartana, amplamente utilizado para hipertens\u00e3o. O f\u00e1rmaco bloqueia as a\u00e7\u00f5es da angiotensina 2 [pept\u00eddeo que participa do controle press\u00f3rico], algo que provamos ser importante tamb\u00e9m para a press\u00e3o intracraniana\u201d, conta\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/5904\/eduardo-colombari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Colombari<\/a><\/b>, professor da Faculdade de Odontologia de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), coordenador do estudo.<\/p>\n<p>O aumento da press\u00e3o intracraniana ocorre geralmente em decorr\u00eancia de problemas como tumores, encefalite, meningite ou trombose. No entanto, os pesquisadores demonstraram que a hipertens\u00e3o cr\u00f4nica pode trazer consequ\u00eancias tamb\u00e9m para a press\u00e3o no enc\u00e9falo, prejudicando a complac\u00eancia cerebral.<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores utilizaram clipes para simular a obstru\u00e7\u00e3o da art\u00e9ria renal de ratos, diminuindo assim o fluxo sangu\u00edneo para um dos rins do animal. A redu\u00e7\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o fez com que o rim disparasse um conjunto de pept\u00eddeos, enzimas e receptores (todos ligados ao sistema renina-angiotensina, que controla a press\u00e3o), causando vasoconstri\u00e7\u00e3o e aumento da press\u00e3o arterial em todo o organismo. J\u00e1 na terceira semana de monitoramento, quando o animal j\u00e1 era considerado hipertenso, a press\u00e3o arterial aumentou ainda mais, ocasionando reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos e, sobretudo, aumento do fluxo de sangue para o enc\u00e9falo.<\/p>\n<p>\u201cSe a hipertens\u00e3o n\u00e3o for tratada, a doen\u00e7a pode se tornar ainda mais grave. Com o aumento da press\u00e3o intracraniana causado pela hipertens\u00e3o sist\u00eamica, ocorre a perda da capacidade do enc\u00e9falo em estabilizar a press\u00e3o [autorregula\u00e7\u00e3o cerebral]. Isso pode acarretar ainda a ruptura da barreira hematoencef\u00e1lica, protetora do enc\u00e9falo. No estudo, mostramos que a barreira hematoencef\u00e1lica dos ratos j\u00e1 est\u00e1 comprometida na terceira semana. Quando ela se rompe, subst\u00e2ncias e produtos do sistema renina-angiotensina bem como subst\u00e2ncias pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, presentes nos vasos sangu\u00edneos, podem ir para o espa\u00e7o intersticial, onde est\u00e3o presentes os neur\u00f4nios, principalmente nas regi\u00f5es importantes para o ajuste neuro-humoral integrativo,\u00a0como sistemas cardiovascular, respirat\u00f3rio, renal, entre outros\u201d, afirma Colombari.<\/p>\n<p><b>Tratando a press\u00e3o intracraniana<\/b><\/p>\n<p>As rupturas na barreira hematoencef\u00e1lica fragilizam \u00e1reas do sistema nervoso importantes para o controle da press\u00e3o cardiovascular como um todo. \u201cComo a hipertens\u00e3o intracraniana \u00e9 tratada hoje? Por coma induzido ou com diur\u00e9tico para resolver a reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquido principalmente no enc\u00e9falo, envolvido pela caixa craniana. S\u00e3o m\u00e9todos pouco espec\u00edficos e muito sist\u00eamicos. Com a maior compreens\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre hipertens\u00e3o arterial e hipertens\u00e3o intracraniana, abre-se a possibilidade de um novo campo de estudo na farmacologia\u201d, avalia\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/53423\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Frigieri<\/a><\/b>, diretor cient\u00edfico da Brain4care, startup que desenvolveu o sensor n\u00e3o invasivo.<\/p>\n<p>Parte do estudo envolveu a compara\u00e7\u00e3o entre as medi\u00e7\u00f5es de PIC realizadas pelo sensor n\u00e3o invasivo e as feitas com o m\u00e9todo invasivo. O dispositivo do tipo vest\u00edvel, desenvolvido pela Brain4care, tem sido utilizado para medir a press\u00e3o intracraniana de pacientes com comprometimentos sist\u00eamicos, j\u00e1 possuindo autoriza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e da Food and Drug Administration (FDA, dos Estados Unidos).<\/p>\n<p>Dessa forma, o trabalho marca uma nova fase da empresa, que se volta tamb\u00e9m para o campo da pesquisa fundamental. \u201cAo comparar os resultados do estudo realizado com o m\u00e9todo invasivo e o n\u00e3o invasivo, validamos nossa tecnologia para uso em pesquisas cient\u00edficas com pequenos animais. Com isso, ser\u00e1 poss\u00edvel preencher algumas lacunas que antes estavam em aberto devido \u00e0 agressividade do m\u00e9todo convencional. Com ele, era preciso furar o cr\u00e2nio e incluir um sensor dentro do enc\u00e9falo, o que tamb\u00e9m gera um grande risco de infec\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p><b>Fluxo sangu\u00edneo e horm\u00f4nios<\/b><\/p>\n<p>No final do estudo, os pesquisadores trataram os animais com um medicamento antagonista dos receptores tipo 1 da angiotensina (Losartana) e, com isso, al\u00e9m de baixar a press\u00e3o arterial dos animais houve tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o intracraniana. \u201cN\u00e3o se trata de uma rela\u00e7\u00e3o de causa e consequ\u00eancia, pois quando baixamos a press\u00e3o arterial dos animais com um vasodilatador [Hidralazina]\u00a0n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o intracraniana. Foi observado um comprometimento muito grande no enc\u00e9falo e o inibidor de angiotensina [Losartana]\u00a0melhora n\u00e3o s\u00f3 a press\u00e3o sangu\u00ednea, como tamb\u00e9m a perfus\u00e3o sangu\u00ednea cerebral\u201d, diz Colombari.<\/p>\n<p>Na sexta semana do experimento, antes de receberem o tratamento medicamentoso, a press\u00e3o arterial dos animais estava alta (190 por 100 mmHg) e a press\u00e3o intracraniana tamb\u00e9m tinha aumentado significativamente. Os pesquisadores descobriram que nesse est\u00e1gio ocorrem altera\u00e7\u00f5es inclusive nas ondas de pulso da press\u00e3o intracraniana. A cada batimento card\u00edaco (s\u00edstole\/di\u00e1stole), ocorre o bombeamento do sangue para o enc\u00e9falo, originando o primeiro pico dessa onda (P1). Em sequ\u00eancia, ocorre uma segunda onda (P2), que est\u00e1 diretamente correlacionado ao volume arterial intracraniano e complac\u00eancia cerebral, fatores importantes observados imediatamente antes da di\u00e1stole ventricular.<\/p>\n<p>Os pesquisadores explicam que a segunda onda est\u00e1 relacionada com a complac\u00eancia do tecido cerebral e a capacidade el\u00e1stica das art\u00e9rias, dentro do cr\u00e2nio, de absorver a energia daquela primeira onda. No entanto, como h\u00e1 o rompimento da barreira hematoencef\u00e1lica e perda da complac\u00eancia cerebral, torna-se mais dif\u00edcil controlar a P2 e ela acaba se tornando maior do que a P1.<\/p>\n<p>\u201cNesse est\u00e1gio, notamos a P2 maior do que a P1, ou seja, exatamente o contr\u00e1rio de uma situa\u00e7\u00e3o normal. Isso acontece porque o c\u00e9rebro come\u00e7a a perder a prote\u00e7\u00e3o da barreira hematoencef\u00e1lica e se expande, extravasando l\u00edquido para o interst\u00edcio\u201d, relata.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Intracranial Pressure During the Development of Renovascular Hypertension<\/i>\u00a0(doi:10.1161\/HYPERTENSIONAHA.120.16217), de Marcos Vinicius Fernandes, Mariana Rosso Melo, Francesca Elisabeth Mowry, Gabriela Maria Lucera, Mariana Ruiz Lauar, Gustavo Frigieri, Vinicia Campana Biancardi, Jose V. Menani, D\u00e9bora Sim\u00f5es Almeida Colombari, Eduardo Colombari, pode ser lido em\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/HYPERTENSIONAHA.120.16217\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/HYPERTENSIONAHA.120.16217<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De uma tacada s\u00f3, pesquisadores conseguiram mostrar a rela\u00e7\u00e3o existente entre hipertens\u00e3o arterial e aumento<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/hipertensao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"De uma tacada s\u00f3, pesquisadores conseguiram mostrar a rela\u00e7\u00e3o existente entre hipertens\u00e3o arterial e aumento","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145734"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145734"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145734\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145736,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145734\/revisions\/145736"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}