{"id":145664,"date":"2021-05-02T09:10:55","date_gmt":"2021-05-02T12:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145664"},"modified":"2021-05-02T09:10:55","modified_gmt":"2021-05-02T12:10:55","slug":"desmatamento-furta-cor-de-borboletas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-furta-cor-de-borboletas-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Desmatamento furta cor de borboletas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas descobrem que, nas \u00e1reas devastadas da floresta, insetos est\u00e3o menos coloridos. \u00c9 uma marca cl\u00e1ssica de mudan\u00e7a ambiental, detectada j\u00e1 no s\u00e9culo XIX ap\u00f3s a polui\u00e7\u00e3o causada pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/borboleta1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-145665\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/borboleta1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/borboleta1.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/borboleta1-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A &#8216;Prepona narcissus&#8217;: esp\u00e9cie rara em \u00e1rea de pesquisas no Amazonas Foto: Ricardo Lu\u00eds Spaniol<\/p>\n<p>O desmatamento rouba as cores da Amaz\u00f4nia. Cientistas brasileiros e brit\u00e2nicos descobriram que, nas \u00e1reas devastadas da floresta, borboletas e mariposas est\u00e3o menos coloridas. Esp\u00e9cies de asas iridescentes, vermelhas, alaranjadas e turquesas desaparecem e, na terra arrasada por queimadas, corrent\u00f5es e motosserras, predominam as pardacentas, dos tons da mata derrubada.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a nas cores dos lepid\u00f3pteros \u2014 classifica\u00e7\u00e3o que abrange borboletas e mariposas \u2014 \u00e9 um dos sinais de mudan\u00e7a ambiental mais ic\u00f4nicos, s\u00edmbolo da polui\u00e7\u00e3o causada pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, no s\u00e9culo XIX. Os insetos de asas escuras tiveram vantagem sobre os de asas claras por se camuflarem melhor na fuligem, num exemplo cl\u00e1ssico da Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o, de Darwin.<\/p>\n<p>Dois s\u00e9culos depois, num momento em que o mundo sofre com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas pela industrializa\u00e7\u00e3o e a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, as borboletas voltam a alertar para um desequil\u00edbrio ambiental: a destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical da Terra.<\/p>\n<p>\u2014 Mostramos pela primeira vez que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 ficando menos colorida e perdendo os mais vistosos de seus habitantes devido ao desmatamento \u2014 afirma o bi\u00f3logo Ricardo Spaniol, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Spaniol \u00e9 o principal autor do estudo \u201cDiscolouring the Amazon Rainforest\u201d, sobre como o desmatamento afeta a colora\u00e7\u00e3o das borboletas amaz\u00f4nicas, publicado na revista Biodiversity &amp; Conservation, uma das mais conceituadas da \u00e1rea ambiental.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 uma parceria com o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal, da Universidade Federal de Pelotas; e do Centro para a Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o da Universidade de Exeter, no Reino Unido.<\/p>\n<h2 align=\"left\">Descolora\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies<\/h2>\n<p>\u201cUm infinito n\u00famero de esp\u00e9cies raras e curiosas (&#8230;) Algumas s\u00e3o amarelas, outras vermelho vivo, verde, roxas e azuis. Podem ter linhas met\u00e1licas e manchas prateadas e douradas. Asas transparentes como vidro (&#8230;) ou na forma de p\u00e9talas de flores\u201d, escreveu em 1863 o brit\u00e2nico Henry Bates, na obra \u201cUm naturalista no Rio Amazonas\u201d. Especialista em borboletas, Bates foi parceiro de Alfred Russel Wallace, um dos pais do estudo da evolu\u00e7\u00e3o e da sele\u00e7\u00e3o natural \u2014 e que detectou a perda de cores entre lepid\u00f3pteros da Europa rec\u00e9m-industrial. Agora, o fen\u00f4meno se repete: os cientistas chamam o processo que deixaria Bates desolado de \u201cdescolora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado na \u00e1rea do Projeto de Din\u00e2mica Biol\u00f3gica de Fragmentos Florestais pertencente ao Instituto Nacional de Pesquisa da Amaz\u00f4nia (Inpa). \u00c9 uma \u00e1rea de 1.000 km, 90 quil\u00f4metros ao norte de Manaus (AM), perfeita para o estudo por apresentar de \u00e1reas devastadas a florestas originais.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 o mais antigo do mundo sobre desmatamento, em curso h\u00e1 40 anos.<\/p>\n<p>\u2014 Temos dados s\u00f3lidos da regi\u00e3o e come\u00e7amos a observar que havia mudan\u00e7a no padr\u00e3o de cores de borboletas. Resolvemos ent\u00e3o investigar e quantificar \u2014 explica Spaniol.<\/p>\n<p>Os cientistas transformaram os gradientes de cor, brilho e transpar\u00eancia das asas de 60 esp\u00e9cies de borboletas e mariposas em n\u00fameros para medir a perturba\u00e7\u00e3o causada pela a\u00e7\u00e3o humana. Enquanto as \u00e1reas de floresta prim\u00e1ria s\u00e3o coloridas pelas esp\u00e9cies mais exuberantes, nas rec\u00e9m-desmatadas reinam quase absolutas as pardacentas.<\/p>\n<p>Isso acontece porque a floresta original, com a vegeta\u00e7\u00e3o \u00edntegra, oferece maior diversidade de plantas das quais esses insetos se alimentam. A paleta exuberante \u00e9 resultado de diferen\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es que caracterizam a riqueza natural que chamamos de biodiversidade. \u00c9 um espet\u00e1culo constru\u00eddo durante milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria evolutiva.<\/p>\n<p>O desmatamento apaga a hist\u00f3ria e nas \u00e1reas desmatadas, abertas, existe uma limita\u00e7\u00e3o para as esp\u00e9cies coloridas porque ali n\u00e3o existem mais as milhares de esp\u00e9cies de plantas das quais esses insetos precisam para viver ou se proteger de predadores, tanto na fase de lagarta quando na adulta. Desaparecem as esp\u00e9cies que vivem na copa das \u00e1rvores e na serrapilheiras, a cobertura de folhas que forra o ch\u00e3o da floresta, porque esses ambientes s\u00e3o arruinados.<\/p>\n<p>Somem as esp\u00e9cies do g\u00eanero Morpho, de gigantes asas azuis, que habitam a copa da floresta. Tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais chance para as borboletas-de-asas-de-vidro, que passam a vida em meio \u00e0s folhas de secas da serrapilheira. Outras v\u00edtimas s\u00e3o as integrantes amaz\u00f4nicas do g\u00eanero Prepona: avist\u00e1-las \u00e9 considerado um pr\u00eamio, concretizado em asas vermelhas, negras e azuis sobre um corpo laranja.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas desmatadas predominam marrom ou pardo porque esp\u00e9cies dessas cores s\u00e3o como guerreiras, sobreviventes que conseguem se disfar\u00e7ar muito bem em meio \u00e0 desola\u00e7\u00e3o que toma o lugar da mata.<\/p>\n<p>Os cientistas enxergam esperan\u00e7a em projetos de restaura\u00e7\u00e3o. Pois, em \u00e1reas de pastagens e planta\u00e7\u00f5es abandonadas h\u00e1 30 anos, h\u00e1 esp\u00e9cies coloridas voltando.<\/p>\n<p>\u2014 Existe chance de trazer de volta parte da biodiversidade e resgatar um patrim\u00f4nio destru\u00eddo. Mas \u00e9 preciso investir em restaura\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u2014 Salienta o cientista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas descobrem que, nas \u00e1reas devastadas da floresta, insetos est\u00e3o menos coloridos. \u00c9 uma marca<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas descobrem que, nas \u00e1reas devastadas da floresta, insetos est\u00e3o menos coloridos. \u00c9 uma marca","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145664"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145666,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145664\/revisions\/145666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}