{"id":145594,"date":"2021-05-01T00:00:34","date_gmt":"2021-05-01T03:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145594"},"modified":"2021-04-30T11:30:11","modified_gmt":"2021-04-30T14:30:11","slug":"entrevista-com-john-s-dryzek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-com-john-s-dryzek\/","title":{"rendered":"Entrevista com John S. Dryzek"},"content":{"rendered":"<h1>O voto da Terra: rumo a uma democracia ecol\u00f3gica.<\/h1>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/planeta-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-145595\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/planeta-1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/planeta-1.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/planeta-1-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>John S. Dryzek<\/strong>\u00a0(1953), professor honor\u00e1rio do\u00a0<strong>Centro de Democracia Deliberativa e Governan\u00e7a Global<\/strong>, na\u00a0<strong>Universidade de Camberra<\/strong>, doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela\u00a0<strong>Universidade de Maryland<\/strong>, Washington D.C., \u00e9 um dos cientistas pol\u00edticos de refer\u00eancia em\u00a0<strong>sustentabilidade<\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/592172-desordem-na-governanca-global-e-o-caos-nas-mudancas-climaticas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">governan\u00e7a global<\/a>.<\/p>\n<p>Sempre apoiado na ci\u00eancia e se antecipando aos acontecimentos, contribuiu, desde os Estados Unidos e a Austr\u00e1lia, para o desenvolvimento filos\u00f3fico e \u00e9tico de uma teoria pol\u00edtica que tratasse de situa\u00e7\u00f5es como a que sofremos desde que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/597069-pandemia-em-tempos-de-antropoceno-coronavirus-pode-nos-ensinar-a-enfrentar-a-verdadeira-emergencia-o-clima\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pandemia<\/a>\u00a0foi declarada. Conversamos com ele.<\/p>\n<p>\u201cA primeira coisa que devemos fazer \u00e9 n\u00e3o desanimar quando as ci\u00eancias sociais criticam a limitada capacidade de avalia\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cEstamos apenas \u00e0s portas do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/564316-antropoceno-a-forca-destruidora-de-uma-especie\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Antropoceno<\/a>, a atividade humana amea\u00e7a os par\u00e2metros do sistema terrestre, e as institui\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas herdadas podem n\u00e3o estar \u00e0 altura das exig\u00eancias desta \u00e9poca emergente, raz\u00e3o pela qual dever\u00edamos pensar em termos de\u00a0<strong>sistemas socioecol\u00f3gicos<\/strong>\u00a0e n\u00e3o tratar nossas institui\u00e7\u00f5es como se o\u00a0<strong>mundo natural<\/strong>\u00a0n\u00e3o existisse\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Entre os seus livros mais not\u00e1veis est\u00e3o\u00a0<strong>The Politics of the Anthropocene\u00a0<\/strong>[A Pol\u00edtica do Antropoceno],\u00a0<strong>Rational ecology\u00a0<\/strong>[Ecologia racional]\u00a0e\u00a0<strong>The politics of the Earth\u00a0<\/strong>[A pol\u00edtica da Terra].<\/p>\n<p>Os professores\u00a0<strong>Carmen Velayos<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Javier Romero<\/strong>\u00a0contribu\u00edram, pela\u00a0<strong>Universidade de Salamanca<\/strong>, para difundir a obra de\u00a0<strong>Dryzek<\/strong>, destacando sua ideia de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/591623-ecossocialismo-democracia-e-nova-sociedade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">democracia ecol\u00f3gica<\/a>\u00a0e sua amplia\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/607493-a-democracia-deliberativa-e-a-verdadeira-medida-anti-covid\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">democracia deliberativa<\/a>\u00a0para o\u00a0<strong>mundo natural<\/strong>. Para isso,\u00a0<strong>Dryzek<\/strong>\u00a0desenvolveu a\u00a0<strong>raz\u00e3o comunicativa<\/strong>\u00a0de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/507493-mais-democracia-menos-mercado-artigo-de-juergen-habermas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Habermas<\/a>, contraposta \u00e0 atual\u00a0<strong>raz\u00e3o instrumental<\/strong>\u00a0dominante, mostrando que a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0\u00a0<strong>linguagem humana<\/strong>, mas tamb\u00e9m inclui agentes naturais que a pol\u00edtica n\u00e3o leva em conta, mas que a ci\u00eancia nos urge a interpretar.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>biosfera<\/strong>\u00a0est\u00e1 impregnada de sinais n\u00e3o verbais \u2013 acrescenta \u2013, sejam bi\u00f3ticos (olfato, gestos, ferom\u00f4nios) ou abi\u00f3ticos (desertifica\u00e7\u00e3o, descolora\u00e7\u00e3o, degelo), raz\u00e3o pela qual o reconhecimento desta \u201cag\u00eancia\u201d implica uma \u00e9tica que solicita que os escutemos com o tipo de respeito que conferimos \u00e0\u00a0<strong>comunica\u00e7\u00e3o humana<\/strong>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 40 anos trabalhando nestas propostas, a crise atual coloca \u00e0 prova sua cr\u00edtica institucional e o reconhecimento do papel ativo do sistema terrestre na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/598127-a-era-da-imprecisao-e-incerteza-artigo-de-alfredo-serrano-mancilla\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ordem geopol\u00edtica<\/a>. Em seu artigo\u00a0<strong>Democracy needs more trees and less Trump<\/strong>\u00a0[A democracia precisa de mais \u00e1rvores e menos Trump],\u00a0<strong>Dryzek<\/strong>\u00a0nos prevenia dos riscos como o de que as elei\u00e7\u00f5es nem sempre seguem o que as pessoas pensam, mas o que sentem.<\/p>\n<h3>Eis a entrevista.<\/h3>\n<p><strong>Voc\u00ea disse que a democracia liberal enfrenta, hoje, uma crise sem precedentes, amea\u00e7ada pela ascens\u00e3o do populismo e de l\u00edderes autorit\u00e1rios, que, diferente de outros tempos, utilizam as tecnologias e as redes sociais. Tamb\u00e9m acrescenta que frente \u00e0 liberdade de express\u00e3o, hoje, temos uma \u201csobrecarga de express\u00e3o\u201d e uma infinidade de opini\u00f5es que os demagogos utilizam para polarizar a ideologia e minar o conceito de verdade: \u201cO comportamento incivil das elites e a comunica\u00e7\u00e3o de massas patol\u00f3gica se refor\u00e7am mutuamente (&#8230;). \u00c9 muito f\u00e1cil se expressar, mas muitas vezes estas mensagens s\u00e3o informativamente falsas. Este \u00e9 o problema mais grave da crise contempor\u00e2nea da democracia\u201d. Tivemos uma prova disso com a invas\u00e3o ao Capit\u00f3lio dos Estados Unidos. Como a democracia deliberativa poderia responder melhor a estes desafios?<\/strong><\/p>\n<p>Tradicionalmente, a\u00a0<strong>democracia deliberativa<\/strong>\u00a0foi vista como uma forma de se aprofundar nas qualidades das\u00a0<strong>democracias liberais<\/strong>\u00a0existentes, mas certamente assistimos a uma situa\u00e7\u00e3o bastante nova com o desafio do\u00a0<strong>populismo<\/strong>, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/563940-a-era-da-pos-verdade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pol\u00edtica da p\u00f3s-verdade<\/a>\u00a0e os\u00a0<strong>l\u00edderes autorit\u00e1rios<\/strong>, e tudo isso est\u00e1 acontecendo nas\u00a0<strong>redes sociais<\/strong>.\u00a0<strong>Andr\u00e9 B\u00e4chtiger<\/strong>\u00a0e eu escrevemos sobre isso em um artigo publicado na\u00a0<strong>Science<\/strong>\u00a0com o t\u00edtulo\u00a0<strong>The crisis of democracy and the science of deliberation<\/strong>\u00a0[A crise da democracia e a ci\u00eancia da delibera\u00e7\u00e3o]. A primeira coisa que devemos fazer \u00e9 n\u00e3o desanimar quando as\u00a0<strong>ci\u00eancias sociais<\/strong>\u00a0criticam a limitada capacidade de avalia\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Na\u00a0<strong>ci\u00eancia pol\u00edtica<\/strong>, h\u00e1 uma longa tradi\u00e7\u00e3o que questiona a capacidade das pessoas em avaliar com efic\u00e1cia sobre pol\u00edtica. O que agora sabemos \u00e9 que as pessoas avaliam muito melhor juntas do que individualmente, mas apenas em circunst\u00e2ncias adequadas, e eu diria que essas circunst\u00e2ncias devem ser deliberativas. H\u00e1 muitas experi\u00eancias das quais \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar efic\u00e1cia em ambientes de pequena escala, como p\u00fablicos reduzidos,\u00a0<strong>assembleias cidad\u00e3s<\/strong>\u00a0ou<strong>\u00a0j\u00faris de cidad\u00e3os<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O que agora sabemos \u00e9 que as pessoas avaliam muito melhor juntas do que individualmente, mas apenas em circunst\u00e2ncias adequadas, e eu diria que essas circunst\u00e2ncias devem ser deliberativas &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=O%20que%20agora%20sabemos%20%C3%A9%20que%20as%20pessoas%20avaliam%20muito%20melhor%20juntas%20do%20que%20individualmente,%20mas%20apenas%20em%20circunst%C3%A2ncias%20adequadas,%20e%20eu%20diria%20que%20essas%20circunst%C3%A2ncias%20devem%20ser%20deliberativas%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por exemplo, a delibera\u00e7\u00e3o em tais ambientes reduz a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/599741-a-falsa-polarizacao-e-a-definicao-de-esquerda-e-direita\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">polariza\u00e7\u00e3o<\/a>, e isto vale mesmo quando os participantes de determinada ideologia s\u00f3 falam com pessoas afins e n\u00e3o com os do outro lado. Quando atuam em\u00a0<strong>condi\u00e7\u00f5es deliberativas<\/strong>, temos evid\u00eancias de que se tornam muito mais moderados em seu pensamento sobre a outra parte. Tais formas de p\u00fablicos reduzidos oferecem oportunidades para a reflex\u00e3o e para pensar as coisas com calma. E isto pode ajudar a neutralizar a \u201c<strong>sobrecarga de express\u00e3o<\/strong>\u201d que vemos em redes sociais e em outros lugares. A quest\u00e3o \u00e9 que podemos identificar estes efeitos em delibera\u00e7\u00f5es de pequena escala, mas, claro, o desafio da democracia deliberativa \u00e9 como ampliar isto para um p\u00fablico mais amplo.<\/p>\n<p>O conceito de \u201c<strong>ci\u00eancia da delibera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d neste artigo, sugere que a delibera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais pr\u00f3xima a uma forma cient\u00edfica de pensar: consciente de nossa falibilidade, procura racionalizar o\u00a0<strong>debate democr\u00e1tico<\/strong>, t\u00e3o carregado de r\u00f3tulos. Voc\u00ea destaca que os meios de comunica\u00e7\u00e3o contribuem para refor\u00e7ar as opini\u00f5es ou os preconceitos das pessoas, e que a\u00a0<strong>democracia deliberativa<\/strong>\u00a0busca romper essa polariza\u00e7\u00e3o, o que me lembra seu artigo sobre a \u201cret\u00f3rica ponte\u201d. Segundo o que li em outro artigo,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578694-juergen-habermas-nao-pode-haver-intelectuais-se-nao-ha-leitores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Habermas<\/a>\u00a0reconhece que os consensos que n\u00e3o conseguimos na \u201c<strong>linguagem p\u00fablica<\/strong>\u201d poder\u00edamos conseguir, caso fa\u00e7amos o esfor\u00e7o de traduzir nossas \u201c<strong>linguagens privadas<\/strong>\u201d, \u00e0s quais estamos apegados emocionalmente (por exemplo, os crentes com a no\u00e7\u00e3o de \u201cpecado\u201d nos debates sobre o aborto). Vemos, no entanto, uma pregui\u00e7a que nos polariza em\u00a0<strong>redes sociais<\/strong>, ao passo que sua ideia de \u201cret\u00f3rica ponte\u201d tenta ir al\u00e9m de nossas\u00a0<strong>bolhas sem\u00e2nticas<\/strong>\u00a0para chegar at\u00e9 o outro.<\/p>\n<p>Escrevi o artigo sobre a ret\u00f3rica h\u00e1 onze anos e a ideia b\u00e1sica \u00e9 que as pessoas que pensam na delibera\u00e7\u00e3o, muitas vezes, t\u00eam uma ideia muito negativa sobre a ret\u00f3rica, porque n\u00e3o apela \u00e0 raz\u00e3o, mas \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e foi historicamente utilizada pelos demagogos. Mesmo que isso esteja correto, a ideia do artigo \u00e9 diferenciar dois tipos de ret\u00f3rica: a\u00a0<strong>ret\u00f3rica do apego<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>ret\u00f3rica ponte<\/strong>. A do apego \u00e9 a ret\u00f3rica que tenta refor\u00e7ar a solidariedade entre um grupo particular de pessoas. A \u201cponte\u201d \u00e9 a que tenta chegar at\u00e9 as pessoas que t\u00eam um ponto de partida diferente, uma religi\u00e3o diferente, uma ideologia diferente, uma nacionalidade diferente&#8230;<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Mesmo quando o Twitter ou o Facebook tomam medidas que parecem positivas, est\u00e3o exercendo um enorme poder pol\u00edtico e esse poder pol\u00edtico n\u00e3o presta contas a ningu\u00e9m &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Mesmo%20quando%20o%20Twitter%20ou%20o%20Facebook%20tomam%20medidas%20que%20parecem%20positivas,%20est%C3%A3o%20exercendo%20um%20enorme%20poder%20pol%C3%ADtico%20e%20esse%20poder%20pol%C3%ADtico%20n%C3%A3o%20presta%20contas%20a%20ningu%C3%A9m%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Algu\u00e9m como\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/604528-maravilha-e-limites-da-derrocada-de-trump\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Trump<\/a>, por exemplo, especializa-se em uma ret\u00f3rica do apego, criando esta imagem de uma s\u00f3 comunidade estadunidense nacionalista branca. Mesmo que a ret\u00f3rica ponte busque transcender as divis\u00f5es, \u00e9 muito mais dif\u00edcil, mas podemos avaliar esse tipo de ret\u00f3rica em termos do que faz pelos\u00a0<strong>sistemas deliberativos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre o controle da liberdade de express\u00e3o pelas redes sociais e o debate que foi reaberto desde que bloquearam a conta de Trump?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez o problema esteja em que mesmo quando o\u00a0<strong>Twitter<\/strong>\u00a0ou o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/594194-facebook-usou-os-dados-pessoais-de-seus-usuarios-como-moeda-de-troca-para-manipular-seus-concorrentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a>\u00a0tomam medidas que parecem positivas, est\u00e3o exercendo um enorme poder pol\u00edtico e esse poder pol\u00edtico n\u00e3o presta contas a ningu\u00e9m. Talvez a solu\u00e7\u00e3o seja a\u00a0<strong>democratiza\u00e7\u00e3o do controle das redes sociais<\/strong>, integrando\u00a0<strong>Twitter<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Facebook<\/strong>\u00a0e outros em sistemas democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u00c9 claro, estas empresas n\u00e3o t\u00eam o menor interesse nisso, e \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar os governos as obrigando a isso. Mas \u00e9 poss\u00edvel tentar imaginar o\u00a0<strong>Facebook<\/strong>\u00a0estabelecendo algum tipo de mecanismo participativo que determinaria os princ\u00edpios pelos quais a empresa opera. De fato, uma de minhas colegas,\u00a0<strong>Nicole Curato<\/strong>, est\u00e1 trabalhando em um projeto para propor um\u00a0<strong>j\u00fari cidad\u00e3o global<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Facebook<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Hoje, vemos uma crescente evid\u00eancia cient\u00edfica sobre a comunica\u00e7\u00e3o significativa dos sistemas naturais, o que nos conduz \u00e0 democracia em sistemas n\u00e3o humanos &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Hoje,%20vemos%20uma%20crescente%20evid%C3%AAncia%20cient%C3%ADfica%20sobre%20a%20comunica%C3%A7%C3%A3o%20significativa%20dos%20sistemas%20naturais,%20o%20que%20nos%20conduz%20%C3%A0%20democracia%20em%20sistemas%20n%C3%A3o%20humanos%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Em seus livros, fala da biosfera como um \u201cagente\u201d que condiciona nossas vidas e isso se acentuar\u00e1 ainda mais no Antropoceno, motivo pelo qual devemos reaprender a escutar ou a ler seus sinais, pois a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um tra\u00e7o exclusivamente humano, mas da intera\u00e7\u00e3o natural da qual fazemos parte. Como come\u00e7ou a relacionar a \u201craz\u00e3o comunicativa\u201d de Habermas com os sinais da natureza?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo, quando eu era estudante no doutorado, descobri\u00a0<strong>Habermas<\/strong>\u00a0e achei sua abordagem fascinante. Influenciou-me muito. Mas, ao mesmo tempo, est\u00e1 bastante claro que para ele a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/543560-o-novo-ecossistema-e-a-urgencia-de-repensar-a-cidadania-liberdade-e-assimetrias-artigo-de-piero-dominici\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">racionalidade comunicativa<\/a>\u00a0deveria ser limitada \u00e0s\u00a0<strong>comunidades humanas<\/strong>, e quando se tratava do mundo n\u00e3o humano, uma\u00a0<strong>domina\u00e7\u00e3o instrumental<\/strong>\u00a0deveria ser adotada. Para mim, isso era muito arbitr\u00e1rio. Naquele momento, eu j\u00e1 era ambientalista e estava interessado na\u00a0<strong>\u00e9tica ambiental<\/strong>, que era algo incipiente em fins dos anos 1970 e in\u00edcios dos anos 1980.<\/p>\n<p>Na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/160-noticias\/cepat\/601337-a-crise-ecologica-e-uma-expressao-da-crise-etica-nas-relacoes-humanas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e9tica ambiental<\/a>, o dom\u00ednio humano da natureza \u00e9 um problema. Se \u00e9 um problema para a \u00e9tica, deveria ser tamb\u00e9m para a pol\u00edtica. E se queremos contrapor a\u00a0<strong>domina\u00e7\u00e3o humana da natureza<\/strong>, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de\u00a0<strong>\u00e9tica ambiental<\/strong>, deve ser tamb\u00e9m de\u00a0<strong>pol\u00edtica ambiental<\/strong>. Foi ent\u00e3o que comecei a pensar mais seriamente em como a natureza poderia ser um \u201csujeito\u201d na pol\u00edtica e n\u00e3o apenas na \u00e9tica. Isso me levou \u00e0\u00a0<strong>democracia ecol\u00f3gica<\/strong>.<\/p>\n<p>Foi h\u00e1 mito tempo, h\u00e1 cerca de 40 anos, mas, hoje, vemos uma crescente evid\u00eancia cient\u00edfica sobre a comunica\u00e7\u00e3o significativa dos sistemas naturais, o que nos conduz \u00e0\u00a0<strong>democracia em sistemas n\u00e3o humanos<\/strong>. O desafio \u00e9 como conectar formas de comunica\u00e7\u00e3o humanas e n\u00e3o humanas.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Poder\u00edamos imaginar institui\u00e7\u00f5es deliberativas que se fa\u00e7am respons\u00e1veis pelo desenvolvimento local e que n\u00e3o apenas aceitem os ditados das corpora\u00e7\u00f5es &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Poder%C3%ADamos%20imaginar%20institui%C3%A7%C3%B5es%20deliberativas%20que%20se%20fa%C3%A7am%20respons%C3%A1veis%20pelo%20desenvolvimento%20local%20e%20que%20n%C3%A3o%20apenas%20aceitem%20os%20ditados%20das%20corpora%C3%A7%C3%B5es%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Sugere tamb\u00e9m que qualquer comunidade pode se organizar mais ou menos de maneira racional e que a comunidade bi\u00f3tica n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual devemos promover esta racionalidade: a capacidade desta comunidade para produzir o sustento vital do qual dependem todos os seus membros (inclu\u00eddo o ser humano). Como integrar esse n\u00edvel biorregional com o geopol\u00edtico? Como empoderar a regi\u00f5es em desenvolvimento em rela\u00e7\u00e3o a seus recursos naturais, se atualmente dependem de outros pa\u00edses e grandes empresas, ou encontrar um equil\u00edbrio entre essas empresas, comunidades e ecossistemas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma grande quest\u00e3o, porque as empresas s\u00e3o muito poderosas e, muitas vezes, muito dominantes quando operam em pa\u00edses em desenvolvimento&#8230; Suas atividades deveriam ser democratizadas e talvez existam mais oportunidades para isso com as funda\u00e7\u00f5es do que com as empresas, porque as funda\u00e7\u00f5es querem ser vistas como \u00e9ticas, ao passo que as empresas tentam ganhar dinheiro. \u00c9 um grande desafio. Qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o? Realmente n\u00e3o sei, mas podemos ver algumas iniciativas democr\u00e1ticas locais que poderiam ser constitu\u00eddas para exigir que as empresas prestem contas.<\/p>\n<p>Por exemplo, no contexto dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/602787-os-cinco-anos-dos-objetivos-do-desenvolvimento-sustentavel-ods\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/a>, houve um projeto que n\u00e3o fazia parte do processo da\u00a0<strong>ONU<\/strong>, aconteceu por fora, e que se chamava\u00a0<strong>Participa<\/strong>, organizando pain\u00e9is nas ruas de pa\u00edses em desenvolvimento. Era um tipo de\u00a0<strong>democracia deliberativa<\/strong>\u00a0tentando averiguar o que as pessoas realmente querem quando falamos em\u00a0<strong>Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/strong>. O que pode ser muito diferente dos negociadores em Nova York.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, as pessoas dizem que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578005-livros-defendem-que-as-eleicoes-nao-fazem-bem-a-democracia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">democracia deliberativa<\/a>\u00a0\u00e9 algo apenas para pa\u00edses desenvolvidos e ricos ocidentais, mas a maior institui\u00e7\u00e3o deliberativa do mundo est\u00e1 na \u00cdndia e \u00e9 o\u00a0<strong>sistema de delibera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0das aldeias ou \u201cconselhos de aldeias\u201d, chamados\u00a0<strong>Gram Sabhas<\/strong>. Em algumas partes da \u00cdndia, s\u00e3o exemplos de uma\u00a0<strong>democracia local<\/strong>\u00a0muito vibrante e, o que \u00e9 mais importante, envolveram a participa\u00e7\u00e3o das pessoas em n\u00edvel local. Poder\u00edamos imaginar institui\u00e7\u00f5es deliberativas que se fa\u00e7am respons\u00e1veis pelo desenvolvimento local e que n\u00e3o apenas aceitem os ditados das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/597227-a-pandemia-fortalece-sobretudo-as-corporacoes-tecnologicas-e-a-economia-de-plataformas-entrevista-com-jose-maria-lassalle\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">corpora\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A \u201cressurrei\u00e7\u00e3o da natureza\u201d \u00e9 apenas outra forma de expressar a ideia de que a natureza deve ser tomada como um sujeito, quando falamos em comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=A%20%E2%80%9Cressurrei%C3%A7%C3%A3o%20da%20natureza%E2%80%9D%20%C3%A9%20apenas%20outra%20forma%20de%20expressar%20a%20ideia%20de%20que%20a%20natureza%20deve%20ser%20tomada%20como%20um%20sujeito,%20quando%20falamos%20em%20comunica%C3%A7%C3%A3o%20pol%C3%ADtica%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>As institui\u00e7\u00f5es, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria e filantropos como Elon Musk, Jeff Bezos e Bill Gates v\u00e3o orientando nossa forma de lutar contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e conceber o desenvolvimento sustent\u00e1vel: reduzindo emiss\u00f5es ou mudando nosso sistema alimentar. Voc\u00ea alerta: \u201cQuanto mais assiduamente cultivarmos os princ\u00edpios \u00e9ticos para uma a\u00e7\u00e3o benigna sobre o meio ambiente, mas ainda instrumental, menos prov\u00e1vel ser\u00e1 que sejamos capazes de nos reconciliar com esse meio de modo produtivo. Ou seja, a natureza se tornar\u00e1 ainda mais firmemente esse \u2018outro\u2019 do qual estamos distantes, ainda que nossas a\u00e7\u00f5es instrumentais sobre ela tenham boas motiva\u00e7\u00f5es. O desafio \u00e9 encontrar uma epistemologia menos propensa \u00e0 subvers\u00e3o da \u00e9tica ambiental (&#8230;) ou buscar o que Habermas desdenha como a \u2018ressurrei\u00e7\u00e3o da natureza\u2019\u201d. Parece que a forma como enfrentamos o progresso segue a l\u00f3gica instrumental. Poderia explicar a ideia de \u2018ressurrei\u00e7\u00e3o da natureza\u2019 e como faria a diferen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>A \u201c<strong>ressurrei\u00e7\u00e3o da natureza<\/strong>\u201d \u00e9 apenas outra forma de expressar a ideia de que a natureza deve ser tomada como um sujeito, quando falamos em\u00a0<strong>comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong>. Se voc\u00ea olha ao seu redor, hoje, inclusive muitas pessoas que tentam mudar as coisas, como\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583100-como-elon-musk-quer-criar-vida-eterna-transferindo-informacoes-do-cerebro-para-o-computador\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Elon Musk<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/601174-jeff-bezos-ceo-da-amazon-ganhou-13-bilhoes-de-dolares-em-um-so-dia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jeff Bezos<\/a>\u00a0ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/602880-bill-gates-a-pandemia-acabou-com-25-anos-de-progresso-em-25-semanas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bill Gates<\/a>, pode ser que tenham inten\u00e7\u00f5es muito boas. Mas se pensa em como triunfaram em sua pr\u00f3pria vida empresarial e ganharam milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, fizeram isso utilizando a raz\u00e3o instrumental de um modo implac\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Jeff Bezos<\/strong>, em particular, em termos de eliminar todos os tipos de neg\u00f3cios que alguma vez tenham competido com o que ele tentava fazer. Parece, ent\u00e3o, que todos t\u00eam uma atitude instrumental no\u00a0<strong>desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong>, que em muitos sentidos implica simplesmente em maior\u00a0<strong>domina\u00e7\u00e3o da natureza<\/strong>.<\/p>\n<p>Por exemplo, penso na\u00a0<strong>Funda\u00e7\u00e3o Gates<\/strong>, que \u00e9 imensa. Acredito que gasta 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Mas o que faz n\u00e3o \u00e9 de modo algum democr\u00e1tico. N\u00e3o presta contas a ningu\u00e9m, exceto ao pr\u00f3prio\u00a0<strong>Gates<\/strong>\u00a0e talvez ao seu conselho. Informado pela ci\u00eancia, parece muito mais orientada aos enfoques da domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das coisas que\u00a0<strong>Gates<\/strong>\u00a0buscou fazer, nos \u00faltimos anos, gira em torno da engenharia gen\u00e9tica, em particular adaptando a\u00a0<strong>edi\u00e7\u00e3o do genoma<\/strong>\u00a0dos mosquitos para controlar a mal\u00e1ria, o que envolve a libera\u00e7\u00e3o de mosquitos geneticamente modificados na \u00c1frica. Mas fez isso sem consultar as popula\u00e7\u00f5es locais e sem ter informa\u00e7\u00f5es suficientes sobre os poss\u00edveis efeitos secund\u00e1rios no\u00a0<strong>meio ambiente<\/strong>, que desconhecemos.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A primeira coisa que \u00e9 preciso fazer \u00e9 democratizar as atividades que pessoas como Gates e as grandes funda\u00e7\u00f5es controlam &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=A%20primeira%20coisa%20que%20%C3%A9%20preciso%20fazer%20%C3%A9%20democratizar%20as%20atividades%20que%20pessoas%20como%20Gates%20e%20as%20grandes%20funda%C3%A7%C3%B5es%20controlam%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Isto me faz pensar no fil\u00f3sofo Nassim Taleb, autor de termos como \u201ccisne negro\u201d e \u201cantifr\u00e1gil\u201d, que acredito que de alguma forma se aproximam dos princ\u00edpios que voc\u00ea prop\u00f5e para as institui\u00e7\u00f5es do Antropoceno, como a resili\u00eancia ou a reflexividade ecossist\u00eamica. Afirma que nossas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito r\u00edgidas, inconscientes da fragilidade e incerteza em que atuam, sem levar em considera\u00e7\u00e3o como funciona a estat\u00edstica e o risco, e defende, por exemplo, aplicar o Princ\u00edpio da Precau\u00e7\u00e3o aos transg\u00eanicos. Na Science, voc\u00ea tem outro artigo, \u2018Global citizen deliberation on genome editing\u2019 [Delibera\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 global sobre a edi\u00e7\u00e3o do genoma], que mostra como as \u201cassembleias cidad\u00e3s\u201d melhorariam estes debates.<\/strong><\/p>\n<p>A primeira coisa que \u00e9 preciso fazer \u00e9 democratizar as atividades que pessoas como\u00a0<strong>Gates<\/strong>\u00a0e as grandes funda\u00e7\u00f5es controlam. Escrevi outro artigo sobre as atividades das grandes funda\u00e7\u00f5es com um de meus ex-bolsistas de p\u00f3s-doutorado, intitulado\u00a0<strong>Democratic altruism\u00a0<\/strong>[Altru\u00edsmo democr\u00e1tico], publicado na<strong>\u00a0International Theory<\/strong>, e, como digo, a primeira coisa \u00e9 integrar as atividades destas funda\u00e7\u00f5es em\u00a0<strong>processos democr\u00e1ticos<\/strong>\u00a0que envolvem os cidad\u00e3os. A partir da\u00ed, \u00e9 claro, eu acrescentaria que devemos pensar na\u00a0<strong>democratiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong>\u00a0dessas atividades, na medida em que tamb\u00e9m afetam o sistema\u00a0<strong>Terra<\/strong>\u00a0e o resto dos seres vivos.<\/p>\n<p><strong>Diante da depend\u00eancia do caminho ou da in\u00e9rcia das r\u00edgidas institui\u00e7\u00f5es tradicionais do Holoceno, voc\u00ea prop\u00f5e novas institui\u00e7\u00f5es caracterizadas por essa reflexividade ecossist\u00eamica, a resili\u00eancia, a preven\u00e7\u00e3o&#8230; O que nos ensina a rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante a pandemia sobre esses novos princ\u00edpios?<\/strong><\/p>\n<p>De algum modo, ensina-nos algumas coisas positivas, como algumas coisas que pens\u00e1vamos que n\u00e3o poderiam mudar muito rapidamente, como o que os governos podem fazer. Os governos se dispuseram a fechar grande parte da economia para enfrentar a\u00a0<strong>pandemia<\/strong>, mas se viram obrigados a fazer isso em um curto espa\u00e7o de tempo e almejando retornar \u00e0s\u00a0<strong>abordagens econ\u00f4micas convencionais<\/strong>, sem questionar os fundamentos do sistema. Por isso, na perspectiva da reflexividade \u00e9 um pouco amb\u00edguo. Um tra\u00e7o da reflexividade \u00e9 a previs\u00e3o e a capacidade de antecipar as crises e tomar medidas para preveni-las.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Os cientistas alertaram para a possiblidade de pandemias, durante d\u00e9cadas, e os governos deram muito pouca aten\u00e7\u00e3o. Pode ser que os governos, agora, pensem um pouco mais no que se aproxima &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Os%20cientistas%20alertaram%20para%20a%20possiblidade%20de%20pandemias,%20durante%20d%C3%A9cadas,%20e%20os%20governos%20deram%20muito%20pouca%20aten%C3%A7%C3%A3o.%20Pode%20ser%20que%20os%20governos,%20agora,%20pensem%20um%20pouco%20mais%20no%20que%20se%20aproxima%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Acredito que o que ilustra a\u00a0<strong>pandemia<\/strong>\u00a0\u00e9 a falta de previs\u00e3o na maioria dos governos. Porque os cientistas alertaram para a possiblidade de\u00a0<strong>pandemias<\/strong>, durante d\u00e9cadas, e os governos deram muito pouca aten\u00e7\u00e3o. Pode ser que os governos, agora, pensem um pouco mais no que se aproxima.<\/p>\n<p>Na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/595414-incendios-na-australia-e-na-amazonia-tem-causas-distintas-entenda-as-diferencas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Austr\u00e1lia<\/a>, foi um pouco deprimente, porque imediatamente antes da pandemia tivemos um dos ver\u00f5es mais secos e quentes de nossa hist\u00f3ria, nesta regi\u00e3o do pa\u00eds. Tivemos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/595451-incendios-florestais-na-australia-relacao-com-as-mudancas-climaticas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">inc\u00eandios florestais<\/a>\u00a0em massa, grande parte desta regi\u00e3o ficou em chamas e em Camberra nos afogamos em fuma\u00e7a, durante tr\u00eas meses. Muitas pessoas relacionaram o fato \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/597120-o-que-o-coronavirus-tem-a-ver-com-as-mudancas-climaticas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/a>, porque isto nunca havia acontecido. Inc\u00eandios, sim, mas nada como isto. Isso reiniciou o debate pol\u00edtico na Austr\u00e1lia sobre a\u00a0<strong>mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas depois veio a\u00a0<strong>pandemia<\/strong>, tivemos talvez duas semanas entre o final dos inc\u00eandios e o in\u00edcio da\u00a0<strong>pandemia<\/strong>, e a abordagem do governo e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o se deslocou para a\u00a0<strong>pandemia<\/strong>. Os\u00a0<strong>inc\u00eandios florestais<\/strong>\u00a0pareciam esquecidos, desse modo, a\u00a0<strong>mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong>\u00a0foi deixada novamente de lado.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 ainda pior, o primeiro-ministro nomeou um comit\u00ea de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ap\u00f3s a\u00a0<strong>pandemia<\/strong>, dirigido por algu\u00e9m da\u00a0<strong>ind\u00fastria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong>. Seu relat\u00f3rio dizia: \u201cO g\u00e1s deve impulsionar a recupera\u00e7\u00e3o, sendo assim, consumam mais g\u00e1s, mais\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/604710-para-o-g20-a-saida-da-crise-e-voltar-aos-combustiveis-fosseis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/a>\u201d. Isto \u00e9 uma esp\u00e9cie de antirreflexividade: tentar prender a Austr\u00e1lia na velha economia padr\u00e3o baseada em\u00a0<strong>combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Cita um artigo na Science escrito por Frank Biermann e outros membros do Earth System Governance Project, ressaltando que o principal problema da governan\u00e7a global \u00e9 a falta de integra\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas econ\u00f4micas e ambientais, al\u00e9m da fragmenta\u00e7\u00e3o institucional e a fragilidade dos pilares do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Como melhorar esses pilares e a governan\u00e7a global?<\/strong><\/p>\n<p>O artigo de\u00a0<strong>Biermann<\/strong>\u00a0destaca que a resposta \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es globais centralizadas mais fortes, embora muitos de seus coautores n\u00e3o necessariamente concordem com a ele. Eu concordo em que um grande problema \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o atual da\u00a0<strong>governan\u00e7a ambiental<\/strong>\u00a0\u00e0 econ\u00f4mica, em n\u00edvel mundial. Escrevi muito sobre como melhorar a\u00a0<strong>governan\u00e7a global<\/strong>\u00a0e a tornar mais deliberativa e democr\u00e1tica.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">H\u00e1 muitas formas de fazer com que a governan\u00e7a global seja mais democr\u00e1tica sem elei\u00e7\u00f5es globais, que n\u00e3o s\u00e3o fact\u00edveis em um futuro pr\u00f3ximo &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=H%C3%A1%20muitas%20formas%20de%20fazer%20com%20que%20a%20governan%C3%A7a%20global%20seja%20mais%20democr%C3%A1tica%20sem%20elei%C3%A7%C3%B5es%20globais,%20que%20n%C3%A3o%20s%C3%A3o%20fact%C3%ADveis%20em%20um%20futuro%20pr%C3%B3ximo%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As possibilidades incluem: um papel aprimorado para a\u00a0<strong>sociedade civil global<\/strong>;\u00a0<strong>assembleias cidad\u00e3s globais<\/strong>; fazer com que os regimes internacionais sejam mais abertos, transparentes e respons\u00e1veis;\u00a0<strong>democratizar os pain\u00e9is cient\u00edficos<\/strong>\u00a0(como o\u00a0<strong>IPCC<\/strong>) ao incluir a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 informada em rela\u00e7\u00e3o a eles; e pensar em envolver os cidad\u00e3os nas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596087-1230-cientistas-pedem-acao-global-para-restaurar-governanca-ambiental-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">redes de governan\u00e7a<\/a>. H\u00e1 muitas formas de fazer com que a\u00a0<strong>governan\u00e7a global<\/strong>\u00a0seja mais democr\u00e1tica sem elei\u00e7\u00f5es globais, que n\u00e3o s\u00e3o fact\u00edveis em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea destaca que nossa cultura se baseia em uma raz\u00e3o instrumental herdada da dial\u00e9tica do Iluminismo, que legitima a domina\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. O ecofeminismo v\u00ea nessa domina\u00e7\u00e3o uma epistemologia patriarcal; a ecologia espiritualista, o resultado da religi\u00e3o judaico-crist\u00e3 que coloca o homem acima da natureza. Certamente, existem diferentes causas sist\u00eamicas, e h\u00e1 aqueles que ver\u00e3o uma consequ\u00eancia evolutiva da pr\u00f3pria Natureza, a partir da perspectiva do darwinismo social. Voc\u00ea se posiciona com a ci\u00eancia e toma certa dist\u00e2ncia de todos eles, do espiritualismo ao totalitarismo ecol\u00f3gico, explicando que a natureza muitas vezes foi utilizada para justificar modelos sociais. Como a no\u00e7\u00e3o de \u201climites planet\u00e1rios\u201d, proposta por Johan Rockstr\u00f6m, pode nos ajudar a definir um marco racional de progresso respeitando a natureza?<\/strong><\/p>\n<p>Tenho desacordos pontuais com o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/602416-ecofeminismo-artigo-de-vandana-shiva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ecofeminismo<\/a>\u00a0e com o\u00a0<strong>espiritualismo<\/strong>, mas tamb\u00e9m tenho uma consider\u00e1vel simpatia por eles em rela\u00e7\u00e3o aos problemas de domina\u00e7\u00e3o que identificam. Sobre os modelos tomados da natureza, foram utilizados por muitos, de fascistas \u00e0 anarquistas, para justificar suas pr\u00f3prias posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Sendo assim, acredito que devemos tomar cuidado e n\u00e3o olhar a natureza como uma fonte de modelos. Dever\u00edamos pensar nela como um agente que podemos tentar compreender e com o qual coexistir. E isso \u00e9 muito diferente. Pense nos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583361-a-humanidade-ja-ultrapassou-os-limites-da-resiliencia-do-planeta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">limites planet\u00e1rios<\/a>\u00a0em particular.<\/p>\n<p>Na verdade, um dos principais defensores dos\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>\u00a0\u00e9\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581584-estudo-indica-que-o-aquecimento-global-de-2-c-pode-desencadear-processos-de-retroalimentacao-e-mais-aquecimento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Will Steffen<\/a>, meu amigo aqui em Camberra. Existe uma esp\u00e9cie de potencial amb\u00edguo quando falamos das implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>. Penso que para algumas pessoas, os\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>\u00a0parecem muito\u00a0<strong>tecnocr\u00e1ticos<\/strong>, identificados por cientistas. Implicitamente, dever\u00edamos dar algum grau de poder pol\u00edticos \u00e0s pessoas que compreendem os\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>\u00a0para que sejam respeitadas. Acredito que\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/576286-mudancas-climaticas-quando-o-alarme-nao-vem-dos-catastrofistas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rockstr\u00f6m<\/a>\u00a0e\u00a0<strong>Steffen<\/strong>\u00a0falam de uma institui\u00e7\u00e3o de \u201c<strong>arbitragem global<\/strong>\u201d. No entanto, os\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m podem ser utilizados de muitas outras formas, como uma esp\u00e9cie de \u201cdramatiza\u00e7\u00e3o\u201d das amea\u00e7as do sistema terrestre e, nesse sentido, s\u00e3o geniais.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Tamb\u00e9m acredito que \u00e9 poss\u00edvel integrar os limites planet\u00e1rios em um di\u00e1logo mais democr\u00e1tico, porque n\u00e3o s\u00e3o em si mesmos um conceito cient\u00edfico. S\u00e3o um apelo ou crit\u00e9rio informado pela ci\u00eancia &#8211; John S. Dryzek<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Tamb%C3%A9m%20acredito%20que%20%C3%A9%20poss%C3%ADvel%20integrar%20os%20limites%20planet%C3%A1rios%20em%20um%20di%C3%A1logo%20mais%20democr%C3%A1tico,%20porque%20n%C3%A3o%20s%C3%A3o%20em%20si%20mesmos%20um%20conceito%20cient%C3%ADfico.%20S%C3%A3o%20um%20apelo%20ou%20crit%C3%A9rio%20informado%20pela%20ci%C3%AAncia%20-%20John%20S.%20Dryzek%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F608816-o-voto-da-terra-rumo-a-uma-democracia-ecologica-entrevista-com-john-s-dryzek+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>E para voc\u00ea, na verdade, n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos desafios que o Antropoceno nos apresenta&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 verdade, n\u00e3o refletem tudo, mas tamb\u00e9m acredito que \u00e9 poss\u00edvel integrar os\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>\u00a0em um di\u00e1logo mais democr\u00e1tico, porque n\u00e3o s\u00e3o em si mesmos um conceito cient\u00edfico. S\u00e3o um apelo ou crit\u00e9rio informado pela ci\u00eancia, mas n\u00e3o um conceito cient\u00edfico em si. H\u00e1 um grande artigo argumentando isto, escrito por meu colega\u00a0<strong>Jonathan Pickering<\/strong>, com quem escrevi\u00a0<strong>The politics of the Anthropocene<\/strong>\u00a0[A pol\u00edtica do Antropoceno].<\/p>\n<p>Ele escreveu junto com\u00a0<strong>\u00c5sa Persson<\/strong>\u00a0e tem como t\u00edtulo\u00a0<strong>Democratising planetary boundaries<\/strong>\u00a0[Democratizando os limites planet\u00e1rios].\u00a0<strong>\u00c5sa Persson<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 uma das coautoras do artigo original sobre limites planet\u00e1rios de\u00a0<strong>Rockstr\u00f6m<\/strong>. O que argumentam \u00e9 que podemos conceber um\u00a0<strong>di\u00e1logo democr\u00e1tico<\/strong>\u00a0sobre como especificar os\u00a0<strong>limites planet\u00e1rios<\/strong>\u00a0e quais seriam as implica\u00e7\u00f5es para as pr\u00e1ticas humanas, as institui\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n<p><strong>Em seu livro \u2018Onde aterrar\u2019, Bruno Latour sugere que devemos superar a velha dicotomia esquerda-direita, pois uma realidade transversal como a natureza pode integrar as identidades tradicionais localistas ou nacionalistas com a Terra, assim como o progressismo global. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o a respeito dessa divis\u00e3o esquerda-direita e da possibilidade de integr\u00e1-las?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta interessante. Muitas vezes, o meio ambiente foi associado \u00e0 ala esquerda. Mas h\u00e1 muito tempo, quando os\u00a0<strong>Verdes alem\u00e3es<\/strong>\u00a0foram fundados, disseram: \u201cn\u00e3o estamos nem \u00e0 esquerda e nem \u00e0 direita, estamos \u00e0 frente\u201d. Acredito que em muitos sentidos \u00e9 assim que gostaria de ver as preocupa\u00e7\u00f5es ambientais, nem \u00e0 esquerda, nem \u00e0 direita, mas \u00e0 frente. Devo dizer que n\u00e3o li o livro de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/598158-bruno-latour-nicolas-hulot-francois-ruffin-como-a-covid-19-pode-recrudescer-a-mutacao-ecologica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Latour<\/a>, apenas resenhas, mas pelo que compreendi cont\u00e9m uma forte recomenda\u00e7\u00e3o de que n\u00f3s, humanos, devemos ser seres \u201cterrestres\u201d e a pol\u00edtica deveria se mobilizar em torno disso. E \u00e9 claro que concordo com isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O voto da Terra: rumo a uma democracia ecol\u00f3gica. John S. 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