{"id":145503,"date":"2021-04-29T09:00:43","date_gmt":"2021-04-29T12:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145503"},"modified":"2021-04-29T08:22:09","modified_gmt":"2021-04-29T11:22:09","slug":"florestas-primarias-o-que-sao-e-por-que-tem-importancia-para-o-ambiente-e-o-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/florestas-primarias-o-que-sao-e-por-que-tem-importancia-para-o-ambiente-e-o-clima\/","title":{"rendered":"Florestas prim\u00e1rias: O que s\u00e3o e por que t\u00eam import\u00e2ncia para o ambiente e o clima"},"content":{"rendered":"<h2><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-145504 size-medium\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma vez perdida, por queimadas ou desmatamento, vegeta\u00e7\u00e3o sin\u00f4nimo de riqueza \u00e0 biodiversidade n\u00e3o pode ser recuperada<\/h2>\n<p>Uma vegeta\u00e7\u00e3o sem interfer\u00eancia humana, conservada desde os seus prim\u00f3rdios. S\u00e3o as chamadas florestas prim\u00e1rias, que t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o com o seu ecossistema bem mais complexa do que uma floresta j\u00e1 alterada. Com copas das \u00e1rvores em pleno preenchimento e riqu\u00edssima biodiversidade, elas s\u00e3o importantes para a conserva\u00e7\u00e3o de solo e a din\u00e2mica dos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Edenise Garcia, diretora de ci\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o The Nature Conservancy (TNC), define como um processo de sincronia. \u201cEla j\u00e1 viveu por muito tempo e atingiu um cl\u00edmax, uma condi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio, com \u00e1rvores grandiosas, esp\u00e9cies que se adaptaram e estabeleceram uma rela\u00e7\u00e3o na cadeia alimentar, que contribui para a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o da floresta\u201d, conta.<\/p>\n<p>Mas essa riqueza natural vem diminuindo. O mundo perdeu mais \u00e1reas de floresta prim\u00e1ria no ano passado. De acordo com dados da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, compilados pela plataforma Global Forest Watch, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 12,2 milh\u00f5es de hectares em 2020, 12% a mais que a registrada em 2019.<\/p>\n<p>O Brasil liderou o ranking de supress\u00e3o desse tipo de \u00e1rea nos dois \u00faltimos anos. Relacionada \u00e0s queimadas e ao desmatamento, a redu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds foi de 1,7 milh\u00e3o de hectares em 2020, tr\u00eas vezes mais do que o segundo colocado e 25% maior em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.<\/p>\n<p>Uma floresta prim\u00e1ria bem conservada \u00e9 importante para a oferta de \u00e1gua, cujo ciclo \u00e9 composto pelo solo, \u00e1rvores, len\u00e7ol fre\u00e1tico e chuvas. A floresta absorve \u00e1gua do solo. Pelo processo de evapotranspira\u00e7\u00e3o, a \u00e1rvore remete essa \u00e1gua para a atmosfera, contribuindo para o microclima e tamb\u00e9m o clima regional.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea tem vegeta\u00e7\u00e3o natural, voc\u00ea intercepta essa \u00e1gua, ela tem obst\u00e1culos, tendo mais tempo para infiltrar no solo e isso faz com que o len\u00e7ol fre\u00e1tico seja abastecido e a vaz\u00e3o de rios seja mais ou menos est\u00e1vel\u201d, explica Edenise. Em um local sem vegeta\u00e7\u00e3o, florestas e com solo empobrecido, a \u00e1gua vai rapidamente para os rios, sem tempo de penetrar nas v\u00e1rias camadas do solo.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Todo esfor\u00e7o do mundo para reflorestar n\u00e3o paga a perda da derrubada da floresta prim\u00e1ria&#8221;<\/p>\n<address>Edenise Garcia, diretora de ci\u00eancia da TNC<\/address>\n<\/blockquote>\n<p>Por isso \u00e9 importante a preserva\u00e7\u00e3o. E o mais preocupante: florestas prim\u00e1rias n\u00e3o podem ser recuperadas. Reflorestamento, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas ou implanta\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais n\u00e3o s\u00e3o capazes de reviver a mesma din\u00e2mica de solo e de recursos h\u00eddricos de uma vegeta\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Edenise comenta que, \u00e0 medida que acontece o desmatamento, h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o do recurso h\u00eddrico local, a exemplo dos rios secando mais r\u00e1pido, o que afeta a agricultura mesmo com a irriga\u00e7\u00e3o. \u201cVoc\u00ea pode estar reduzindo aquele recurso e em poucos anos a reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua demora, a\u00ed a \u00e1gua na camada subterr\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 o suficiente e n\u00e3o h\u00e1 reabastecimento\u201d, resume.<\/p>\n<p>De acordo com Cristiane Mazetti, gestora ambiental pela Esalq\/USP e porta-voz de florestas do Greenpeace, as florestas prim\u00e1rias armazenam um estoque muito alto de carbono, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser sequestrado com a simples \u201csubstitui\u00e7\u00e3o\u201d de florestas. Por isso, a perman\u00eancia da vegeta\u00e7\u00e3o original \u00e9 chave para desacelerar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Toda a din\u00e2mica entre seres vivos e ambiente contribuem tamb\u00e9m para o papel da floresta na forma\u00e7\u00e3o das chuvas, como o caso da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEsses ecossistemas s\u00e3o mais resilientes aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, menos propensos a serem atingidos pelas secas e pelo fogo. Ent\u00e3o, todos esses servi\u00e7os ambientais demandam tempo, sendo fundamentais \u00e0 agricultura familiar e ao agroneg\u00f3cio. Com uma altera\u00e7\u00e3o, isso pode mudar o clima regionalmente e afetar a produtividade\u201d, observa.<\/p>\n<p>Mesmo com o replantio, n\u00e3o \u00e9 mais a mesma floresta. \u201cPelo menos n\u00e3o antes de um s\u00e9culo\u201d, acrescenta Edenise Garcia. \u201cA floresta plantada pode ter esse papel a longo prazo, mas no come\u00e7o, tem um momento em que as \u00e1rvores est\u00e3o crescendo, elas tiram bastante \u00e1gua do solo para poder crescer nessas regi\u00f5es\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, do reflorestamento, tende a apresentar menos variedade de ecossistemas, inclusive com esp\u00e9cies arb\u00f3reas chamadas de oportunistas, que crescem com facilidade.<\/p>\n<p>\u201cClaro que \u00e9 importante regenerar os ecossistemas degradados, que podem auxiliar na capacidade de reter carbono ou reverter riscos de extin\u00e7\u00e3o. De um lado temos que parar atividades de alto impacto que degradam as florestas prim\u00e1rias e, em paralelo, conduzir a restaura\u00e7\u00e3o de florestas\u201d, esclarece Cristiane, do Greenpeace.<\/p>\n<p>\u201cTodo esfor\u00e7o do mundo para reflorestar n\u00e3o paga a perda da derrubada da floresta prim\u00e1ria. Em termos de carbono e recurso h\u00eddrico, o retorno \u00e9 muito mais demorado quando h\u00e1 perda bruta da floresta prim\u00e1ria. Primeiro voc\u00ea evita [desmatamento e queimada], depois passa para uma reposi\u00e7\u00e3o da floresta secund\u00e1ria\u201d, acrescenta Edenise, da TNC.<\/p>\n<h2>Biomas<\/h2>\n<p>Com base no sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as pesquisadoras estimaram a perda da floresta prim\u00e1ria nos biomas brasileiros. Cristiane aponta que no Cerrado chega a pr\u00f3ximo de 100%, assim como na Mata Atl\u00e2ntica, onde h\u00e1 menos de 10% da \u00e1rea original. Na Amaz\u00f4nia, houve pouco menos de 20% de perda.<\/p>\n<p>Para manter a forma\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, ela ressalta a import\u00e2ncia de alocar estas \u00e1reas como Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, Terras Ind\u00edgenas e retomar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e plano para controle de forma efetiva.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma prioridade a destina\u00e7\u00e3o de \u00e1reas p\u00fablicas para interesse coletivo, com benef\u00edcios para a sociedade. A bancada ruralista diz que \u00e9 preciso regulariza\u00e7\u00e3o da terra para diminuir o desmatamento, mas, com a flexibiliza\u00e7\u00e3o proposta, os grileiros podem conseguir a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e isso \u00e9 privatizar\u201d, diz, criticando a atua\u00e7\u00e3o de parlamentares ligados ao agroneg\u00f3cio na regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;\u00c9 preciso uma vis\u00e3o a longo prazo, pensar qual ser\u00e1 legado. S\u00f3 o gr\u00e3o de soja, num ambiente quente, mais seco, com eventos clim\u00e1ticos extremos, vale a pena?&#8221;<\/p>\n<address>Edenise Garcia, diretora de ci\u00eancia da TNC<\/address>\n<\/blockquote>\n<p>No Pantanal, conta Edenise Garcia, de 18 milh\u00f5es de hectares no total, 5 milh\u00f5es s\u00e3o de floresta prim\u00e1ria suprimida, \u201cpor liga\u00e7\u00e3o com a a\u00e7\u00e3o humana, seja pelo manejo do fogo, seja pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d. Ao observar o bioma, ela lamenta a perda de sombra, baixa capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1guas e baixa presen\u00e7a de polinizadores.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea pode achar que ganhou pelos hectares para plantar, mas perdeu muitas outras riquezas. Essa percep\u00e7\u00e3o de derrubar floresta para ter \u00e1rea \u00e9 perda de tempo. \u00c9 preciso uma vis\u00e3o a longo prazo, pensar qual ser\u00e1 legado. S\u00f3 o gr\u00e3o de soja, num ambiente quente, mais seco, com eventos clim\u00e1ticos extremos, vale a pena?\u201d, questiona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez perdida, por queimadas ou desmatamento, vegeta\u00e7\u00e3o sin\u00f4nimo de riqueza \u00e0 biodiversidade n\u00e3o pode<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/floresta_primaria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma vez perdida, por queimadas ou desmatamento, vegeta\u00e7\u00e3o sin\u00f4nimo de riqueza \u00e0 biodiversidade n\u00e3o pode","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145503"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145503"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145506,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145503\/revisions\/145506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}