{"id":145478,"date":"2021-04-28T12:30:51","date_gmt":"2021-04-28T15:30:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145478"},"modified":"2021-04-28T10:13:29","modified_gmt":"2021-04-28T13:13:29","slug":"o-bioma-caatinga-precisa-ser-conhecida-valorizada-e-respeitada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-bioma-caatinga-precisa-ser-conhecida-valorizada-e-respeitada\/","title":{"rendered":"O\u00a0bioma Caatinga precisa ser conhecida, valorizada e respeitada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145479\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O\u00a0<strong>bioma Caatinga<\/strong>\u00a0ocupa 850.000 quil\u00f4metros quadrados, cerca de 10% do territ\u00f3rio nacional, e engloba oito dos nove estados do Nordeste, com exce\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o: Alagoas, Bahia, Cear\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte e Sergipe ; e\u00a0 parte de Minas Gerais, j\u00e1 no Sudeste do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A palavra\u00a0<strong>Caatinga<\/strong>\u00a0tem origem\u00a0<strong>ind\u00edgena<\/strong>. Em\u00a0<strong>Tupi<\/strong>\u00a0ka\u2019a quer dizer mata; e tinga, branca.\u00a0<strong>Mata Branca<\/strong>\u00a0refere-se \u00e0 paisagem esbranqui\u00e7ada apresentada pela vegeta\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo de\u00a0<strong>estiagem<\/strong>, quando a maioria das plantas perde as folhas e os troncos tornam-se esbranqui\u00e7ados. Mas quem conhece a regi\u00e3o sabe que basta sentir o cheirinho da chuva para tudo ficar verdinho a cada ano.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Dia Nacional da Caatinga<\/strong>\u00a0\u00e9 celebrado em 28 de abril. A data foi criada para n\u00e3o apenas homenagear este bioma \u00fanico, mas tamb\u00e9m conscientizar as pessoas sobre a import\u00e2ncia da sua conserva\u00e7\u00e3o. Foi oficializado, por meio de Decreto, em 2003, em homenagem ao professor\u00a0<strong>Jo\u00e3o de Vasconcelos Sobrinho<\/strong>\u00a0(1908 \u2013 1989).<\/p>\n<p>Professor, engenheiro agr\u00f4nomo e ec\u00f3logo, Vasconcelos Sobrinho \u00e9 considerado pioneiro na \u00e1rea dos estudos ambientais no Brasil, e uma das maiores autoridades em\u00a0<strong>Ecologia<\/strong>\u00a0da Am\u00e9rica Latina. Foi um dos fundadores da\u00a0<strong>Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)<\/strong>, onde introduziu a disciplina \u201c<strong>Ecologia Conservacionista<\/strong>\u201c, a primeira do g\u00eanero ministrada no Brasil.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao estudo da Caatinga o professor Vasconcelos Sobrinho se destacou como pioneiro, j\u00e1 que antes dele o bioma era considerado sin\u00f4nimo de\u00a0<strong>mis\u00e9ria<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>escassez de recursos ambientais<\/strong>. Ele conseguiu provar que, al\u00e9m de ser muito rico, o\u00a0<strong>patrim\u00f4nio biol\u00f3gico<\/strong>\u00a0da Caatinga\u00a0<strong>\u00fanico<\/strong>\u00a0no Planeta por incluir in\u00fameras esp\u00e9cies que s\u00f3 s\u00e3o encontradas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Aproveitando a data, n\u00f3s convidamos dois especialistas, de diferentes \u00e1reas das\u00a0<strong>Ci\u00eancias Naturais<\/strong>, ambos da\u00a0<strong>Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)<\/strong>, para comentar alguns aspectos do bioma predominante no\u00a0<strong>Nordeste<\/strong>\u00a0do Brasil.<\/p>\n<h2>Import\u00e2ncia<\/h2>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais biodiversos do Mundo. Possui seis biomas terrestres, cada um com as suas riquezas naturais: Amaz\u00f4nia, Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado, Pampa, Pantanal e Caatinga, que tem como caracter\u00edsticas as secas, clima Semi\u00e1rido \/ Semi\u00famido, com vegeta\u00e7\u00e3o perde as folhas na seca e fica verdinha com as chuvas. H\u00e1 um mito de que h\u00e1 da baixa riqueza biol\u00f3gica\u201d, alerta Carlos Roberto Fonseca, do\u00a0<strong>Departamento de Ecologia<\/strong>\u00a0da UFRN, lembrando que a Universidade Potiguar tem o mais antigo curso de gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia em uma federal brasileira.<\/p>\n<h4>Flora \/ Fauna da Caatinga<\/h4>\n<ul>\n<li>3.150 Esp\u00e9cies de Plantas (702 end\u00eamicas)<\/li>\n<li>371 Esp\u00e9cies de Peixes (203 end\u00eamicas)<\/li>\n<li>98 Esp\u00e9cies de Anf\u00edbios (20 end\u00eamicas)<\/li>\n<li>79 Esp\u00e9cies de Lagartos (49 end\u00eamicas)<\/li>\n<li>548 Esp\u00e9cies de Aves (67 end\u00eamicas)<\/li>\n<li>183 Mam\u00edferos (11 end\u00eamicos)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sobre essas esp\u00e9cies, nos\u00a0<strong>per\u00edodos extremos de estiagem<\/strong>, o pesquisador destaca que h\u00e1 duas grandes estrat\u00e9gias:\u00a0<strong>fugir ou ficar<\/strong>. \u201cOs que ficam, enfrentam a seca. As plantas perdem as folhas para perderem menos \u00e1gua, fotossintetizam com os troncos, estocam recursos e \u00e1gua nas ra\u00edzes, o insetos entram em dorm\u00eancia \/ pupa, sapos se enterram, peixes tamb\u00e9m, mam\u00edferos se mudam para locais mais \u00famidos, encosta de montanhas. A Caatinga n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea e muitas esp\u00e9cies se deslocam para \u00e1reas menos secas. O ciclo anual de muda entre regi\u00f5es. A\u00a0<strong>arriba\u00e7\u00e3<\/strong>, por exemplo, se desloca de local em local seguindo \u00e1reas mais produtivas\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Luiz Antonio Cestaro, ec\u00f3logo, doutor em Ci\u00eancias pela UFSCar, professor do Departamento de Geografia da UFRN assim resume a import\u00e2ncia da Caatinga: \u201cest\u00e1 na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais com um conjunto de adapta\u00e7\u00f5es bem particular, esp\u00e9cies end\u00eamicas com um\u00a0<strong>potencial de uso pelo ser humano que muitas vezes nem se conhece<\/strong>, plantas que podem ser usadas futuramente num cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u00a0<strong>Manter \u00e9 um caminho que pode levar \u00e0 sustentabilidade<\/strong>\u201c.<\/p>\n<h2>Adapta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>\u201c\u00c9 um grande ecossistema regional, formado por um conjunto de plantas, animais, microrganismos, bact\u00e9rias, fungos, v\u00edrus, que vivem de uma forma relativamente equilibrada ao longo de milhares de anos, fruto de uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do ambiente que permanecem relativamente inalteradas. De gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, novas esp\u00e9cies v\u00e3o surgindo e outras desaparecendo, numa din\u00e2mica natural que mant\u00e9m um equil\u00edbrio com as condi\u00e7\u00f5es de acordo com o tipo de solo e o clima. Geralmente, \u00e9 o clima que vai determinar o tipo de ecossistema, animais e vegetais que v\u00e3o viver nesse ambiente\u201d, define Cestaro.<\/p>\n<p>O professor destaca que a Caatinga \u00e9 um bioma bem adaptado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de um clima bastante rigoroso em termos de esta\u00e7\u00e3o seca, muito longa, que se estende por oito \/ dez meses ao longo do ano e com temperaturas elevadas o ano inteiro: \u201cPara plantas e animais sobreviverem nessas condi\u00e7\u00f5es precisaram de uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es. Para as plantas, perder as folhas, por exemplo, \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o para enfrentar longos per\u00edodos de seca. Isso\u00a0<strong>n\u00e3o significa que vivam desfavoravelmente<\/strong>. \u00c9 o normal delas. Ningu\u00e9m quer fugir ou est\u00e1 insatisfeito se esses organismos vivem e est\u00e3o adaptados\u201d.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, n\u00f3s, seres humanos,\u00a0<strong>podemos entender e buscar estrat\u00e9gias para viver nesses ambientes de forma menos conflitiva<\/strong>: \u201cO ser humano sempre viveu de uma forma conflitiva,\u00a0<strong>sem entender essas condi\u00e7\u00f5es naturais<\/strong>.\u00a0<strong>Um dos problemas<\/strong>\u00a0\u00e9 querer\u00a0<strong>enfrentar o ambiente Semi\u00e1rido<\/strong>,\u00a0<strong>confrontar o bioma Caatinga<\/strong>,\u00a0<strong>tentar alterar a sua forma de ser<\/strong>. Para sermos sustent\u00e1veis nesses lugares, precisamos nos adaptar, at\u00e9 porque \u00e9 um dos biomas mais habitados do Planeta. As cisternas, por exemplo, j\u00e1 deveriam estar embutidas em quem vive na Caatinga. A necessidade de um programa evidencia a nossa<strong>\u00a0falta de preparo para viver nesse ambiente<\/strong>. Outra coisa \u00e9 que a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se recupera rapidamente e muitas vezes as interven\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas, cortando as plantas e fazendo pastoreio impedem a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade original e\u00a0<strong>coloca em instabilidade esse ecossistema<\/strong>\u00a0que j\u00e1 vive numa press\u00e3o muito grande em termos clim\u00e1ticos\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9918\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-9918\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-9918 lazyautosizes lazyloaded\" src=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca.jpg\" sizes=\"670px\" srcset=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca.jpg 900w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-300x200.jpg 300w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-450x300.jpg 450w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-225x150.jpg 225w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-20x13.jpg 20w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca.jpg\" data-sizes=\"auto\" data-srcset=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca.jpg 900w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-300x200.jpg 300w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-450x300.jpg 450w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-225x150.jpg 225w, https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Serra-Da-Capivara-Carlos-Roberto-Fonseca-20x13.jpg 20w\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9918\" class=\"wp-caption-text\">O Parque Nacional Serra da Capivara \u00e9 uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral nos munic\u00edpios piauienses de Canto do Buriti, Coronel Jos\u00e9 Dias, S\u00e3o Jo\u00e3o do Piau\u00ed e S\u00e3o Raimundo Nonato | Foto: Carlos Roberto Fonseca \/ UFRN<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Desafios<\/h2>\n<p>O professor Carlos Roberto Fonseca relaciona, entre os principais desafios da Caatinga, a\u00a0<strong>alta densidade populacional<\/strong>, com pelo menos 30 milh\u00f5es de pessoas demandando recursos;\u00a0<strong>estradas com acesso para retirada de recursos<\/strong>;<strong>\u00a0ca\u00e7a e persegui\u00e7\u00e3o de aves e mam\u00edferos<\/strong>;\u00a0<strong>desmatamento<\/strong>\u00a0na procura por madeira que j\u00e1 levou ao desaparecimento de grandes \u00e1rvores; pecu\u00e1ria com gado bovino mais perto do litoral, sem contar com\u00a0<strong>19 milh\u00f5es de cabras e carneiros<\/strong>;\u00a0<strong>desertifica\u00e7\u00e3o<\/strong>; e ser\u00a0<strong>uma das \u00e1reas mais suscet\u00edveis do mundo \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/strong>.<\/p>\n<p>Cestaro, por sua vez, refor\u00e7a as limita\u00e7\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o ampla: \u201ca pecu\u00e1ria em larga escala tem contribu\u00eddo para degradar o solo do bioma. Na\u00a0<strong>explora\u00e7\u00e3o extensiva<\/strong>\u00a0\u00e9 incentivada a\u00a0<strong>retirada da vegeta\u00e7\u00e3o lenhosa<\/strong>, substitu\u00edda pelas gram\u00edneas para dar espa\u00e7o ao gado, com a\u00a0<strong>redu\u00e7\u00e3o da diversidade das esp\u00e9cies<\/strong>,\u00a0<strong>redu\u00e7\u00e3o da cobertura do solo<\/strong>\u00a0e pastoreio. A chuva encontra solo descoberto e provoca\u00a0<strong>eros\u00e3o<\/strong>. Uma eros\u00e3o mais intensa vai arrastar material que vai se depositar no leito dos rios e dos a\u00e7udes e\u00a0<strong>reduz a a capacidade de armazenamento de \u00e1gua<\/strong>, aumentando mais a vulnerabilidade nessas regi\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, a sa\u00edda \u00e9 tentar manter o solo nos locais mais altos com uma maior recupera\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal: \u201cum dos grandes desafios, al\u00e9m de conhecer,\u00a0<strong>conviver com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong>, o ambiente, \u00e9\u00a0<strong>reduzir a interfer\u00eancia na cobertura do solo<\/strong>. O fato \u00e9 que, ao longo da nossa ocupa\u00e7\u00e3o, trabalhamos numa press\u00e3o muito grande de sobre-explora\u00e7\u00e3o. Tanto que hoje n\u00e3o se consegue retirar da terra o que se retirava h\u00e1 algum tempo, tanto em termos de pecu\u00e1ria, quanto de agricultura. Estamos nos concentrando em torno dos corpos d\u2019\u00e1gua, como a\u00e7udes, para poder sobreviver. J\u00e1 chegamos ao ponto de exaust\u00e3o em alguns lugares, com\u00a0<strong>n\u00facleos de desertifica\u00e7\u00e3o<\/strong>, onde a pr\u00f3pria natureza n\u00e3o consegue restabelecer o equil\u00edbrio anterior\u201d.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>concentra\u00e7\u00e3o das pessoas nos ambientes urbanos<\/strong>\u00a0pode reduzir essa press\u00e3o, na sua opini\u00e3o. \u201cMas precisamos de\u00a0<strong>estrat\u00e9gias de recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas degradadas<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>intensificaremos ainda mais o processo de aridifica\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>ampliaremos os per\u00edodos secos<\/strong>. \u00c9 um desafio grande que precisa ser atacado com uma\u00a0<strong>Educa\u00e7\u00e3o Ambiental<\/strong>\u00a0mais intensa, educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 com o ambiente natural onde as cidades est\u00e3o inseridas. Isso passa pela valoriza\u00e7\u00e3o da cultura do morador do bioma. Desafios n\u00e3o s\u00f3 de conhecimento, mas de cultura\u201d.<\/p>\n<p>E prossegue: \u201cA perman\u00eancia dos nativos passa por um est\u00edmulo maior \u00e0 perman\u00eancia nas cidades. As\u00a0<strong>cidades do interior<\/strong>\u00a0est\u00e3o se transformando em\u00a0<strong>polos em migra\u00e7\u00e3o reversa<\/strong>, reproduzindo o\u00a0<strong>sistema de vida urbano<\/strong>. Mas\u00a0<strong>a identidade com o ambiente natural est\u00e1 se perdendo<\/strong>. Uma forma de reduzir os impactos \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o que valorize os ambientes naturais. Isso passa tamb\u00e9m pelas\u00a0<strong>\u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o<\/strong>. As\u00a0<strong>unidades de conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0s\u00e3o extremamente importantes para manter grandes \u00e1reas nas\u00a0<strong>condi\u00e7\u00f5es naturais de preserva\u00e7\u00e3o<\/strong>. E desempenham tamb\u00e9m papel importante de educa\u00e7\u00e3o para resgatar a identidade com os ambientes naturais, uma minimiza\u00e7\u00e3o do impacto da ocupa\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o do ambiente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe tivermos mudan\u00e7as clim\u00e1ticas acentuadas, \u00e9 prov\u00e1vel que as estrat\u00e9gias n\u00e3o poder\u00e3o ser aplicadas de uma forma mais ampla. Neste sentido, precisamos atuar com educa\u00e7\u00e3o, passando pela educa\u00e7\u00e3o ambiental e redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sobre os ambientes naturais. A explora\u00e7\u00e3o de uma forma abrangente, como no caso da pecu\u00e1ria extensiva, remo\u00e7\u00e3o de madeira para lenha e carv\u00e3o, teria que ser estancada e reduzida\u201d, resume.<\/p>\n<h2>Conviv\u00eancia<\/h2>\n<p>O professor Cestaro refor\u00e7a os desafios relacionados \u00e0 conviv\u00eancia: \u201cN\u00f3s sempre tivemos uma\u00a0<strong>estrat\u00e9gia de enfrentamento<\/strong>, sobretudo pelas pol\u00edticas de Estado. A cria\u00e7\u00e3o da Inspetoria que depois virou\u00a0<strong>Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs)<\/strong>\u00a0\u00e9 um paradoxo. Como vamos enfrentar a seca se ela \u00e9 um fen\u00f4meno regional? Na verdade dever\u00edamos ter outra \u00f3tica, de\u00a0<strong>conviv\u00eancia com a seca<\/strong>. A\u00ed entra a particularidade da\u00a0<strong>cisterna<\/strong>, uma coisa t\u00e3o \u00f3bvia que deveria ter sido feita desde o in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. \u00c9 claro que sempre existiu, mas n\u00e3o na abund\u00e2ncia que a gente s\u00f3 vai ver na virada do s\u00e9culo XX\u201d.<\/p>\n<p>Ele refor\u00e7a a necessidade de uma\u00a0<strong>redu\u00e7\u00e3o na depend\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais<\/strong>, \u201csobretudo da cobertura vegetal, da fauna local, tipos de explora\u00e7\u00e3o pouco nobres e que degradam ainda mais o ambiente; uma redu\u00e7\u00e3o dessas a\u00e7\u00f5es que vem ocorrendo naturalmente em fun\u00e7\u00e3o da exaust\u00e3o. N\u00e3o se consegue manter um grande n\u00famero de cabe\u00e7as se alimentando da vegeta\u00e7\u00e3o natural cada vez mais escassa. O caminho \u00e9 reverter essa press\u00e3o, diminuir a velocidade de expans\u00e3o dos n\u00facleos de degrada\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o v\u00e3o ter como retornar\u201d.<\/p>\n<h2>Academia<\/h2>\n<p>O professor Cestaro tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de pesquisas voltadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, conten\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o, da movimenta\u00e7\u00e3o de sedimentos, em dire\u00e7\u00e3o aos rios e a\u00e7udes: \u201cEstudando \u00e9 melhor para enfrentar\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o papel da academia, o professor Carlos Roberto informa que\u00a0<strong>o conhecimento sobre o bioma aumentou consideravelmente<\/strong>, sobretudo na \u00faltima d\u00e9cada, com descri\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e mapas de suas distribui\u00e7\u00f5es; lista de esp\u00e9cies end\u00eamicas amea\u00e7adas; estudos para cria\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Priorit\u00e1rias para Conserva\u00e7\u00e3o, Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, \u00c1reas Priorit\u00e1rias para Restaura\u00e7\u00e3o; T\u00e9cnicas de Restaura\u00e7\u00e3o; e T\u00e9cnicas de Manejo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que vivem nessas regi\u00f5es, al\u00e9m da Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, ele destaca a import\u00e2ncia de se estimular a valoriza\u00e7\u00e3o da Caatinga e da sua Biodiversidade, o manejo adequado dos recursos florestais; o manejo adequado da pecu\u00e1ria, evitando o sobre pastoreio; que os propriet\u00e1rios de terras sigam o C\u00f3digo Florestal, respeitem Reservas Legais e plantem \u00e1rvores para garantir o consumo futuro; n\u00e3o cacemos animais para permitir que as popula\u00e7\u00f5es cres\u00e7am novamente; e sugere investimento em\u00a0<strong>Ecoturismo<\/strong>.<\/p>\n<p>O professor Carlos Roberto Fonseca \u00e9 o entrevistado do\u00a0<strong>EcoCastNordeste #021<\/strong>, que vai ao ar no pr\u00f3ximo dia 30 de abril. Acompanhem!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0bioma Caatinga\u00a0ocupa 850.000 quil\u00f4metros quadrados, cerca de 10% do territ\u00f3rio nacional, e engloba oito dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145479,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/piriquito.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O\u00a0bioma Caatinga\u00a0ocupa 850.000 quil\u00f4metros quadrados, cerca de 10% do territ\u00f3rio nacional, e engloba oito dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145478"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145478\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145481,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145478\/revisions\/145481"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}