{"id":145294,"date":"2021-04-25T12:29:02","date_gmt":"2021-04-25T15:29:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145294"},"modified":"2021-04-25T12:29:02","modified_gmt":"2021-04-25T15:29:02","slug":"bianca-rangel-estuda-o-impacto-da-poluicao-em-tubaroes-urbanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bianca-rangel-estuda-o-impacto-da-poluicao-em-tubaroes-urbanos\/","title":{"rendered":"Bianca Rangel estuda o impacto da polui\u00e7\u00e3o em tubar\u00f5es urbanos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145295\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ap\u00f3s estudar raias que tem leite e \u00fatero como se fossem mam\u00edferos, a #MulherCientista desta semana analisou o sangue de tubar\u00f5es que moram perto de Miami \u2013 e viu que eles t\u00eam uma dieta t\u00edpica de fast-food<\/p>\n<p>Boa parte dos bi\u00f3logos que estudam animais marinhos acabam abra\u00e7ando a causa ambiental depois de fazer as primeiras pesquisas sobre eles\u00a0\u2013 e descobrir que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 das melhores.<\/p>\n<p>Com a pesquisadora Bianca Rangel, foi diferente. Ela come\u00e7ou a se interessar por conserva\u00e7\u00e3o ambiental\u00a0quando ainda trabalhava como eletricista em uma empresa, e logo depois se tornou volunt\u00e1ria do grupo ativista Sea Shepherd, que\u00a0atua\u00a0principalmente na prote\u00e7\u00e3o de baleias.<\/p>\n<p>Os mam\u00edferos marinhos s\u00e3o os queridinhos do p\u00fablico,\u00a0mas\u00a0Bianca\u00a0percebeu que pouca gente se importa com os tubar\u00f5es e raias, um grupo de peixes de esqueleto cartilaginoso denominados\u00a0<em>elasmobr\u00e2nquios<\/em>.<\/p>\n<p>Ela j\u00e1 entrou no curso de biologia da Uninove querendo estudar os elasmobr\u00e2nquios. Devido \u00e0 falta de oportunidades de pesquisa\u00a0em faculdades particulares, Bianca se juntou a uma orientadora da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) para uma inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u00a0\u2013\u00a0uma pesquisa realizada por um aluno de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>L\u00e1, ela passou a estudar\u00a0a morfologia de estruturas microsc\u00f3picas\u00a0desses animais em laborat\u00f3rio. Ap\u00f3s terminar a gradua\u00e7\u00e3o, Bianca foi fazer mestrado na USP e migrou para a\u00a0pesquisa de campo em fisiologia, o que envolve estudar raias e tubar\u00f5es vivos.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha visto, em alguma rede social, v\u00eddeos de grandes grupos de raias em migra\u00e7\u00e3o.\u00a0Muitas delas\u00a0s\u00e3o da esp\u00e9cie\u00a0<em>Rhinoptera bonasus<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de formarem imagens a\u00e9reas encantadoras, essas raias s\u00e3o interessantes por causa de sua gesta\u00e7\u00e3o. A\u00a0<em>R. bonasus<\/em>\u00a0passa 12 meses carregando um \u00fanico\u00a0filhote (em vez de p\u00f4r ovos, que \u00e9 o comum entre peixes).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ela secreta uma esp\u00e9cie de leite pela parede do \u00fatero para nutrir sua cria. Ou seja: essa raia \u00e9 um elasmobr\u00e2nquio que evoluiu, por uma via totalmente diferente, caracter\u00edsticas que n\u00f3s normalmente associamos a mam\u00edferos.<\/p>\n<p>O l\u00edquido das raias n\u00e3o chega a ser igual ao leite de humanos ou vacas, mas mesmo assim tem uma composi\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica bem complexa. No mestrado,\u00a0Bianca\u00a0quis entender como esse tipo inusitado de nutri\u00e7\u00e3o influenciava\u00a0a vida dos filhotes ao nascer.<\/p>\n<p>Alguns filhotes de\u00a0<em>Rhinoptera bonasus<\/em>\u00a0nascem na cidade de Bertioga, litoral de S\u00e3o Paulo. As m\u00e3es usam a regi\u00e3o como ber\u00e7\u00e1rio, d\u00e3o \u00e0 luz\u00a0ao filhote\u00a0por l\u00e1\u00a0e depois\u00a0migram\u00a0para outros lugares. Sem as m\u00e3es por perto, os filhos \u00fanicos criam uma comunidade para se ajudar. O comportamento social da esp\u00e9cie j\u00e1 era observado nas raias adultas, e a pesquisa de\u00a0Bianca\u00a0verificou que ele est\u00e1 presente desde o primeiro ano de vida.<\/p>\n<p>Essa ajuda m\u00fatua faz com que as raias aprendam a procurar comida bem cedo. Por causa do \u201cleite\u201d secretado no \u00fatero, elas j\u00e1 nascem com muitos nutrientes necess\u00e1rios ao desenvolvimento, como os \u00e1cidos graxos\u00a0essenciais. Os tubar\u00f5es placent\u00e1rios, por outro lado, nascem com um bom estoque de energia no f\u00edgado, mas\u00a0com poucos\u00a0\u00e1cidos graxos\u00a0essenciais. Eles demoram mais para aprender a ca\u00e7ar, e at\u00e9 l\u00e1 precisam conviver com esse d\u00e9ficit nutricional.<\/p>\n<p>Tudo isso pode ser visto apenas por an\u00e1lises do sangue\u00a0desses animais, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mat\u00e1-los. A pesquisadora fez an\u00e1lises semelhantes no doutorado, mas dessa vez verificou o impacto da polui\u00e7\u00e3o nos tubar\u00f5es que vivem pr\u00f3ximos \u00e0 cidade de Miami. A esp\u00e9cie escolhida para a pesquisa foi o tubar\u00e3o-lixa\u00a0(<em>Ginglymostoma cirratum<\/em>), j\u00e1 que esses animais tendem a permanecer em uma mesma regi\u00e3o ao longo da vida.<\/p>\n<p>O que ela verificou foram consequ\u00eancias de uma t\u00edpica dieta de fast-food: tubar\u00f5es mais gordinhos e com altos \u00edndices de gordura saturada no sangue. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que isso seja consequ\u00eancia do esgoto da regi\u00e3o. Esses tubar\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam poucos \u00e1cidos graxos essenciais, como o \u00f4mega 6, o que pode dificultar a reprodu\u00e7\u00e3o futuramente.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga\u00a0faz\u00a0o doutorado em parceria com a Universidade de Miami devido a falta de\u00a0financiamento\u00a0para estudar os\u00a0tubar\u00f5es\u00a0do Brasil. Foi s\u00f3 nos \u00faltimos anos que ela conseguiu verba para estudar cinco esp\u00e9cies de tubar\u00f5es em Fernando de Noronha, onde faz expedi\u00e7\u00f5es para coleta de tempos em tempos.<\/p>\n<p>O primeiro objetivo \u00e9 entender o b\u00e1sico: o que esses animais comem e como se reproduzem. Depois,\u00a0Bianca\u00a0pretende verificar se o aumento\u00a0do turismo na\u00a0ilha est\u00e1 tendo algum impacto sobre eles, como aconteceu com os tubar\u00f5es de Miami.<\/p>\n<p>Para o p\u00f3s-doutorado, a cientista pretende mergulhar nos impactos da urbaniza\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de ber\u00e7\u00e1rio de tubar\u00f5es e raias amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Muitas esp\u00e9cies utilizam regi\u00f5es costeiras rasas para viver nos primeiros anos de vida, e por isso acabam expostas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, sonora e luminosa. Esse estudo poder\u00e1, por exemplo, propor medidas de conserva\u00e7\u00e3o para as esp\u00e9cies e estimular melhorias no tratamento de esgoto.<\/p>\n<p>Sejam as raias que fazem cosplay de mam\u00edferos, ou tubar\u00f5es inexplorados de Fernando de Noronha, o Brasil ainda conhece pouco sobre seus elasmobr\u00e2nquios. O objetivo da pesquisadora \u00e9 contribuir com o mapeamento das esp\u00e9cies que vivem ao redor do Pa\u00eds. Afinal, o \u00fanico jeito de preservar a biodiversidade brasileira \u00e9 sabendo que ela est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s estudar raias que tem leite e \u00fatero como se fossem mam\u00edferos, a #MulherCientista desta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145295,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/bianca_rangel.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ap\u00f3s estudar raias que tem leite e \u00fatero como se fossem mam\u00edferos, a #MulherCientista desta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145294"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145296,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145294\/revisions\/145296"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}