{"id":145072,"date":"2021-04-21T14:30:33","date_gmt":"2021-04-21T17:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145072"},"modified":"2021-04-21T12:37:27","modified_gmt":"2021-04-21T15:37:27","slug":"antes-raros-raios-no-artico-agora-sao-frequentes-e-podem-remodelar-a-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/antes-raros-raios-no-artico-agora-sao-frequentes-e-podem-remodelar-a-regiao\/","title":{"rendered":"Antes raros, raios no \u00c1rtico agora s\u00e3o frequentes e podem remodelar a regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145073\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisas recentes apontam que o n\u00famero de raios na regi\u00e3o do extremo norte do planeta pode duplicar at\u00e9 o ano de 2100, e que esse aumento j\u00e1 come\u00e7ou a acontecer.<\/h2>\n<p>Raios na regi\u00e3o do \u00c1rtico eram t\u00e3o raros que algumas pessoas passavam a vida inteira sem presenci\u00e1-los. No entanto, \u00e0 medida que a regi\u00e3o aquece rapidamente, eles podem se tornar mais comuns \u2014 e seus efeitos t\u00eam o potencial de afetar outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em um estudo recente, uma proje\u00e7\u00e3o concluiu que a ocorr\u00eancia de raios no \u00c1rtico pode dobrar at\u00e9 o final deste s\u00e9culo. Outro estudo aponta que o n\u00famero de raios no \u00c1rtico pode ter triplicado durante a \u00faltima d\u00e9cada \u2014 embora essa constata\u00e7\u00e3o seja questionada por alguns pesquisadores.<\/p>\n<p>Cientistas afirmam que o aumento no n\u00famero de raios \u00e9 um sinal alarmante da acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atuais, embora eles tamb\u00e9m tenham preocupa\u00e7\u00f5es sobre o futuro: o aumento da ocorr\u00eancia de raios pode provocar in\u00fameras mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas, resultando na libera\u00e7\u00e3o de enormes reservas de carbono do \u00c1rtico na atmosfera, acelerando ainda mais o aquecimento.<\/p>\n<p>\u201cA quantidade anterior de raios \u00e9 baixa, mas pode causar um impacto grande no clima\u201d, relata Yang Chen, pesquisador da Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine e o principal autor de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-021-01011-y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um dos novos estudos<\/a>\u00a0publicado na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Nature Climate Change<\/em>.<\/p>\n<h3>Inc\u00eandios provocados por raios est\u00e3o aumentando<\/h3>\n<p>No ano de 2002, quando pesquisadores entrevistaram ind\u00edgenas idosos de uma comunidade \u00e1rtica na regi\u00e3o noroeste do Canad\u00e1, nenhum deles lembrou-se de ter presenciado mais do que algumas tempestades de raios durante suas vidas. Uma idosa lembrou-se de ter visto apenas uma tempestade na d\u00e9cada de 1930, quando tinha apenas 5 anos de idade.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, os raios na regi\u00e3o do \u00c1rtico n\u00e3o significavam uma preocupa\u00e7\u00e3o para os cientistas: era um evento t\u00e3o raro que mesmo os cientistas que passaram v\u00e1rios ver\u00f5es na regi\u00e3o talvez nunca o tenham presenciado.<\/p>\n<p>\u201cQuando comecei a visitar Fairbanks, ficava surpresa quando presenciava uma tempestade\u201d, conta Uma Bhatt, meteorologista da Universidade do Alasca em Fairbanks, que mora no estado h\u00e1 22 anos e estuda o aumento do n\u00famero de raios no \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Nos anos de 2014 e 2015, os maiores inc\u00eandios j\u00e1 registrados na regi\u00e3o queimaram faixas enormes do Alasca e dos Territ\u00f3rios do Noroeste do Canad\u00e1. Esses tamb\u00e9m foram causados por raios, assim como\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2006GL025677\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mais de 90% de todos os inc\u00eandios no \u00c1rtic<\/a>o.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a regi\u00e3o do \u00c1rtico aquece e fica mais seca, as plantas tornam-se mais inflam\u00e1veis. Por\u00e9m, ap\u00f3s os incidentes de 2014 e 2015, Sander Veravebeke, cientista clim\u00e1tico da Universidade Livre de Amsterd\u00e3 e um dos autores dos estudos recentes mencionados, passou a questionar a exist\u00eancia de outros elementos nessa hist\u00f3ria: os raios que causam os inc\u00eandios tamb\u00e9m estavam acontecendo com mais frequ\u00eancia?<\/p>\n<p>\u201cVerifiquei os dados sobre os raios que ca\u00edram durante aqueles anos e percebi que n\u00e3o era uma coincid\u00eancia\u201d, conta Veravebeke. \u201cUm aumento no n\u00famero de raios imediatamente causa um aumento no n\u00famero de inc\u00eandios.\u201d<\/p>\n<p>Em uma pesquisa realizada em 2017, ele e outros pesquisadores descobriram que o n\u00famero de inc\u00eandios causados por raios na regi\u00e3o do Alasca e Territ\u00f3rios do Noroeste tinha mais que dobrado desde 1975, resultando na\u00a0quebra do recorde de inc\u00eandios\u00a0nos dois locais durante as temporadas devastadoras de 2014 e 2015.<\/p>\n<h3>O n\u00famero de raios aumentou?<\/h3>\n<p>Mas os raios realmente estavam atingindo o \u00c1rtico com mais frequ\u00eancia? Essa \u00e9 uma quest\u00e3o complexa, j\u00e1 que n\u00e3o existem registros consistentes e continuamente analisados da ocorr\u00eancia desse fen\u00f4meno abrangendo todo o territ\u00f3rio do \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Um sat\u00e9lite lan\u00e7ado em 1995 registrou a ocorr\u00eancia de raios nos polos, mas ele foi aposentado no ano 2000. Sat\u00e9lites mais modernos e sens\u00edveis aos raios conseguem detect\u00e1-los at\u00e9 as extremidades das latitudes m\u00e9dias, mas n\u00e3o abrangem a regi\u00e3o dos polos.<\/p>\n<p>Atualmente, redes terrestres que utilizam sensores para detectar as ondas de r\u00e1dio produzidas pelos raios, conseguem registrar essas atividades no mundo inteiro. Bhatt usou uma rede regional no Alasca para detectar um\u00a0<a href=\"https:\/\/akcasc.org\/research-pubs\/lightning-variability-in-dynamically-downscaled-simulations-of-alaskas-present-and-future-summer-climate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aumento de 17% no n\u00famero de raios<\/a>\u00a0entre os anos de 1986 e 2015.<\/p>\n<p>No entanto registros que cobrem toda a extens\u00e3o do \u00c1rtico s\u00e3o escassos, com dados de apenas 20 anos e que n\u00e3o s\u00e3o conclusivos o suficiente para documentar uma tend\u00eancia consistente, explicam os cientistas clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Recentemente, uma equipe da Universidade de Washington analisou dados obtidos pela Rede Mundial de Localiza\u00e7\u00e3o de Raios, uma rede terrestre de sensores que est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o desde 2004. Eles descobriram que o n\u00famero de raios registrados ao norte da latitude de 65 graus, que era inferior a 50 mil em 2010, saltou para aproximadamente 250 mil em 2020. Os pesquisadores explicam que parte dessa diferen\u00e7a pode ser atribu\u00edda ao aumento no n\u00famero de sensores em funcionamento, mas estimam que o n\u00famero de raios que atingiu a regi\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2020GL091366\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">triplicou<\/a>\u00a0ao longo da \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m outra rede global de detec\u00e7\u00e3o de raios, administrada pela empresa Vaisala, n\u00e3o capturou esse aumento dr\u00e1stico. O Banco de Dados Global de Raios (GLD360) come\u00e7ou a operar em 2012, ent\u00e3o o n\u00famero de registros obtidos \u00e9 menor se comparado \u00e0 rede utilizada pela equipe da Universidade de Washington. Por outro lado, o GLD360 \u00e9 mais sens\u00edvel, conseguindo registrar raios mais fracos e com mais frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas, entre os anos de 2012 e 2020, nenhum aumento claro na atividade de raios foi registrado, afirma Ryan Said, engenheiro de pesquisas da Vaisala. Isso n\u00e3o quer dizer que\u00a0<em>n\u00e3o\u00a0exista<\/em>\u00a0uma tend\u00eancia, ele explica. Apenas significa que mais anos de observa\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios para realmente entender como os padr\u00f5es est\u00e3o mudando.<\/p>\n<p>\u201cEstamos apenas no in\u00edcio da jornada\u201d, ele afirma.<\/p>\n<p>A rede de raios da Vaisala vem detectando atividades anormais nos \u00faltimos anos. Durante o ver\u00e3o do hemisf\u00e9rio norte nos anos de 2019 e 2020, o GLD360 registrou mais de 100 raios ao norte da latitude de 85 graus \u2014 incluindo uma s\u00e9rie incomum de raios que aconteceu\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/article\/lightning-struck-near-north-pole-why-strange?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a 555 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do Polo Norte<\/a>.<\/p>\n<h3>\u00c9 prov\u00e1vel que o n\u00famero de raios aumente<\/h3>\n<p>Independentemente se as mudan\u00e7as j\u00e1 estejam acontecendo ou n\u00e3o, \u00e9 fato que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causar\u00e3o um aumento no n\u00famero de raios na regi\u00e3o do \u00c1rtico, afirma Chen.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de raios requer um conjunto de elementos bastante espec\u00edficos que s\u00e3o raros no extremo norte, mas que est\u00e3o se tornando comuns devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, o ar na superf\u00edcie deve estar quente e carregado de umidade, pronto para flutuar rapidamente. O ar acima da superf\u00edcie deve estar frio o suficiente para congelar a umidade trazida pelo ar quente que subiu, formando part\u00edculas de gelo min\u00fasculas. Todo o sistema tem que ser turbulento a ponto de o ar se movimentar formando redemoinhos, colidindo com as part\u00edculas de gelo com tanto vigor que os el\u00e9trons se chocam e criam uma carga el\u00e9trica. E, finamente, ocorre uma grande descarga, dentro da pr\u00f3pria nuvem ou entre a nuvem e o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>A atmosfera fria e relativamente est\u00e1vel do \u00c1rtico n\u00e3o costumava ser um ambiente prop\u00edcio para tempestades. Mas a temperatura do ar na regi\u00e3o aumentou\u00a0entre um e dois graus Celsius somente nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, mais r\u00e1pido do que em qualquer outra regi\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p>Chen e os demais pesquisadores, incluindo Veravebeke, desejavam estimar o n\u00famero de raios que poderiam ser induzidos pelas condi\u00e7\u00f5es produzidas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas at\u00e9 o fim do s\u00e9culo. Eles compararam os dados sobre rel\u00e2mpagos compilados atrav\u00e9s do sat\u00e9lite que registrou raios no \u00c1rtico na d\u00e9cada de 1990 com os dados clim\u00e1ticos do mesmo per\u00edodo, para observar quais condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas se apresentavam no momento em que aconteciam as raras ocorr\u00eancias de raios na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Modelos clim\u00e1ticos foram utilizados para projetar condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para a produ\u00e7\u00e3o de raios e, por extens\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que os raios\u2014 que s\u00e3o um pouco diferentes da probabilidade de tempestades em geral \u2014 ocorram cerca de uma vez e meia a mais nas regi\u00f5es de tundra, no futuro, e quase o dobro nas florestas setentrionais. Trata-se de uma mudan\u00e7a relativa muito maior do que\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/346\/6211\/851\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a proje\u00e7\u00e3o de 50% de aumento da ocorr\u00eancia no territ\u00f3rio continental dos Estados Unidos<\/a>. Algumas pesquisas em n\u00edvel global apontam que, na verdade, poderia haver uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-018-0072-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>diminui\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>no n\u00famero total de raios at\u00e9 o ano de 2100<\/a>, em parte porque a regi\u00e3o dos tr\u00f3picos, com grande ocorr\u00eancia de raios, tem um potencial de aquecimento maior e, consequentemente, menor forma\u00e7\u00e3o de cristais de gelo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cruzar as informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo sat\u00e9lite que Chen e outros pesquisadores usaram para estimar os raios, com as obtidas pelas redes terrestres utilizadas para detectar o aumento recente na atividade, ent\u00e3o os dois resultados n\u00e3o podem ser diretamente comparados ou integrados. Mas os dois estudos enfatizam que \u201ca ocorr\u00eancia de raios na regi\u00e3o do \u00c1rtico est\u00e1 ganhando mais import\u00e2ncia\u201d, afirma Veravebeke.<\/p>\n<p>No entanto a maior preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 com os raios em si, mas com suas consequ\u00eancias. Em qualquer lugar do mundo, inc\u00eandios florestais podem liberar o carbono armazenado em florestas e solos. Por exemplo, os inc\u00eandios florestais que aconteceram na Austr\u00e1lia em 2020 emitiram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.industry.gov.au\/data-and-publications\/estimating-greenhouse-gas-emissions-from-bushfires-in-australias-temperate-forests-focus-on-2019-20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mais de 800 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono<\/a>, um n\u00famero aproximadamente uma vez e meia maior que o total anual de emiss\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Inc\u00eandios n\u00e3o queimam apenas a madeira que est\u00e1 na superf\u00edcie do solo. \u201cQueimadas s\u00e3o tridimensionais\u201d, explica Michelle Mack, ecologista e especialista em \u00c1rtico da Universidade do Norte do Arizona. Elas queimam a mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo que fica abaixo das chamas superficiais \u2014 e o solo do \u00c1rtico \u00e9 muito mais rico em carbono em compara\u00e7\u00e3o com os solos de outras regi\u00f5es do mundo. Ele cont\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature10283?wt.ec_id=nature-20110728\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">carbono acumulado h\u00e1 d\u00e9cadas<\/a>\u00a0apenas nos primeiros metros de profundidade. Ao devastarem os solos na superf\u00edcie, os inc\u00eandios no \u00c1rtico t\u00eam o potencial de emitir pelo menos o dobro de carbono, se comparados aos inc\u00eandios na Calif\u00f3rnia, conta Veravebeke.<\/p>\n<p>Pesquisas apontam que at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, com o aumento do n\u00famero de inc\u00eandios causados por raios, a \u00e1rea queimada e a quantidade de carbono emitida pelo \u00c1rtico podem aumentar mais de 150% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia anual atual de emiss\u00f5es relacionadas ao fogo, que \u00e9 de aproximadamente 3,4 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o ainda pode piorar. Inc\u00eandios alteram o ecossistema e abrem novas \u00e1reas de terra para as florestas crescerem em dire\u00e7\u00e3o ao norte. Isso aumenta a probabilidade de ocorr\u00eancia de inc\u00eandios, porque a madeira pega fogo com mais facilidade do que a tundra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as florestas s\u00e3o mais quentes e propensas a inc\u00eandios se comparadas \u00e0s tundras, porque s\u00e3o mais escuras e, desse modo, absorvem mais luz solar. Chen e outros pesquisadores constataram que, se os inc\u00eandios causados por raios aumentarem e acelerarem o deslocamento de florestas ao norte, as emiss\u00f5es de carbono podem aumentar em uma taxa de 570% se comparadas aos n\u00edveis atuais, adicionando aproximadamente 23 milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas de CO2 na atmosfera a cada ano \u2014 cerca de um quinto da situa\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica que aconteceu na Calif\u00f3rnia em 2020.<\/p>\n<p>A equipe abordou mas n\u00e3o calculou uma quest\u00e3o ainda mais assustadora: os inc\u00eandios provocados por raios poderiam expor o permafrost rico em carbono que sustenta aproximadamente 13 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados\u00a0do \u00c1rtico, acelerando o ritmo do degelo e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/article\/arctic-permafrost-is-thawing-it-could-speed-up-climate-change-feature?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lan\u00e7ando seus imensos estoque de carbono na atmosfera<\/a>. Em outras palavras, o que significa esse aumento de 570% nas emiss\u00f5es de carbono? \u201c\u00c9 apenas a estimativa mais baixa\u201d, conclui Chen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas recentes apontam que o n\u00famero de raios na regi\u00e3o do extremo norte do planeta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145073,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/raio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisas recentes apontam que o n\u00famero de raios na regi\u00e3o do extremo norte do planeta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145072"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145072"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145072\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":145075,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145072\/revisions\/145075"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}