{"id":145032,"date":"2021-04-21T07:26:19","date_gmt":"2021-04-21T10:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=145032"},"modified":"2021-04-21T07:26:19","modified_gmt":"2021-04-21T10:26:19","slug":"os-parasitas-estao-entrando-em-extincao-descubra-por-que-e-preciso-salva-los","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-parasitas-estao-entrando-em-extincao-descubra-por-que-e-preciso-salva-los\/","title":{"rendered":"Os parasitas est\u00e3o entrando em extin\u00e7\u00e3o. Descubra por que \u00e9 preciso salv\u00e1-los"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/parasitas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-145033\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/parasitas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/parasitas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/parasitas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Eles s\u00e3o \u201crepulsivos, pegajosos, moles e serpenteantes\u201d. Mas os parasitas podem ser t\u00e3o importantes quanto os animais mais carism\u00e1ticos \u2014 e muitos podem estar prestes a desaparecer.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Quando pequena,\u00a0<a href=\"https:\/\/fish.uw.edu\/faculty\/chelsea-wood\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chelsea Wood<\/a>\u00a0sonhava em ser bi\u00f3loga marinha e estudar tubar\u00f5es ou golfinhos \u2014 os tipos de animais grandes e empolgantes considerados megafauna carism\u00e1tica pelos bi\u00f3logos. Em vez disso, durante um est\u00e1gio na faculdade, ela se viu observando as v\u00edsceras de um caramujo ao microsc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Ela conhecia bem esse caramujo. Quando crian\u00e7a, sempre recolhia caramujos da esp\u00e9cie\u00a0<em>Littorina littorea<\/em>\u00a0das rochas ao longo do litoral de Long Island e os colocava em baldes para observ\u00e1-los rastejar<em>.<\/em>\u00a0Mas nunca havia observado um por dentro. Ela abriu o caramujo, extraiu os tecidos moles e, sob sua lente de aumento, observou \u201cmilhares de larvas brancas saindo do corpo do caramujo\u201d, lembra ela.<\/p>\n<p>Essas larvas eram do verme\u00a0<em>Cryptocotyle lingua<\/em>, parasita comum de peixes. Observadas pelo microsc\u00f3pio, cada uma possu\u00eda dois olhos escuros, deixando-as surpreendentemente belas e charmosas. \u201cN\u00e3o pude acreditar que, ap\u00f3s tanto tempo observando os caramujos, n\u00e3o fazia ideia de como era interessante o seu interior\u201d, conta Wood, atualmente uma ecologista de parasitas da Universidade de Washington. \u201cSimplesmente me apaixonei pelos parasitas. Tenho um grande interesse por eles.\u201d<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Wood se tornou l\u00edder em um novo movimento de conserva\u00e7\u00e3o que busca salvar a minifauna pouco carism\u00e1tica do mundo.<\/p>\n<p>Segundo Wood, quase metade de todos os animais conhecidos na Terra s\u00e3o parasitas e,\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/3\/9\/e1602422.full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">de acordo com um estudo<\/a>, um d\u00e9cimo deles j\u00e1 pode estar fadado \u00e0 extin\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos 50 anos devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ao desaparecimento de seus hospedeiros e \u00e0s iniciativas deliberadas de sua erradica\u00e7\u00e3o. Mas, no momento, parece que poucos se importam \u2014 ou at\u00e9 mesmo notam. Dentre as mais de 37 mil esp\u00e9cies classificadas como criticamente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lista vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN)<\/a>, apenas um piolho e alguns mexilh\u00f5es de \u00e1gua doce s\u00e3o parasitas.<\/p>\n<p>Por defini\u00e7\u00e3o, parasitas vivem dentro de hospedeiros ou sobre eles e tiram seu sustento desses hospedeiros, o que os tornou os p\u00e1rias do mundo animal. Mas nem todos os parasitas causam danos percept\u00edveis aos hospedeiros e apenas um pequeno percentual afeta humanos. Os cientistas alertam para consequ\u00eancias terr\u00edveis se desconsiderarmos os parasitas que ainda restam. Podemos aprender muito sobre parasitas e maneiras de utiliz\u00e1-los para satisfazer nossas pr\u00f3prias necessidades (como\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/cePKpt5nOJ0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sanguessugas medicinais<\/a>, ainda empregados em algumas cirurgias), e estamos come\u00e7ando a entender o papel crucial desempenhado por eles em ecossistemas ao manter algumas popula\u00e7\u00f5es sob controle ao mesmo tempo em que ajudam a alimentar outras.<\/p>\n<p>Alguns especialistas afirmam que h\u00e1 um apelo est\u00e9tico para salv\u00e1-los tamb\u00e9m. Se for capaz de superar a repulsa e se dispor a conhec\u00ea-los melhor, pode ser que ache estranhamente encantadora a ousadia dos parasitas. Eles desenvolveram meios engenhosos de sobreviv\u00eancia, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/tongue-eating-fish-parasites-never-cease-to-amaze?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o crust\u00e1ceo que assume o lugar da l\u00edngua de um peixe<\/a>,\u00a0a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/141031-zombies-parasites-animals-science-halloween?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">vespa da esp\u00e9cie\u00a0<em>Ampulex compressa<\/em>\u00a0que paralisa parte do c\u00e9rebro das baratas<\/a>\u00a0e as guiam at\u00e9 um ninho utilizando suas antenas, como um cachorro com uma coleira.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-p3xum2\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=320&amp;h=480\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=360&amp;h=540\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=430&amp;h=645\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=500&amp;h=750\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=768&amp;h=1152\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=900&amp;h=1350\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=1024&amp;h=1536\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=664&amp;h=996\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=710&amp;h=1065\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"parasites\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.webp?w=710&amp;h=1065\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"parasites\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970187.jpg?w=710&amp;h=1065\" alt=\"parasites\" width=\"640\" height=\"960\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Verme tremat\u00f3deo Ribeiroia, associado a deforma\u00e7\u00f5es de membros em sapos, como essa r\u00e3-touro-americana. O verme parasita vive em v\u00e1rios hospedeiros animais, como girinos, durante seu ciclo de vida.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">ANAND VARMA, NAT GEO IMAGE COLLECTION<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>\u201cOs parasitas s\u00e3o considerados repulsivos, pegajosos, moles e serpenteantes, e, algumas vezes, \u00e9 verdade\u201d, admite Wood. \u201cMas se observ\u00e1-los ao microsc\u00f3pio, ver\u00e1 que possuem certa beleza.\u201d<\/p>\n<p>Obviamente, o movimento conservacionista moderno n\u00e3o deveria levar em considera\u00e7\u00e3o a apar\u00eancia ou o carisma das esp\u00e9cies, destaca\u00a0<a href=\"https:\/\/msi.ucsb.edu\/people\/faculty\/kevin-lafferty\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Kevin Lafferty<\/a>, ecologista da Universidade da Calif\u00f3rnia, Santa B\u00e1rbara. Existem muitas plantas sem nada demais e invertebrados feios, moles ou rastejantes que s\u00e3o protegidos. \u201cNenhuma dessas esp\u00e9cies \u00e9 bonita e fofinha\u201d, conta ele. \u201cNingu\u00e9m lhes d\u00e1 a m\u00ednima. Mas a biologia da conserva\u00e7\u00e3o moderna ainda assim reconhece sua import\u00e2ncia \u00e0 biodiversidade.\u201d<\/p>\n<h3>Mundo de parasitas<\/h3>\n<p>Em uma paisagem, seja uma savana africana ou um recife de coral australiano, as pessoas percebem apenas outras esp\u00e9cies hospedeiras, como elas mesmas. Mas le\u00f5es, zebras e peixes s\u00e3o abrigos para a maior parte das formas de vida ocultas diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ao todo, 40% dos animais conhecidos s\u00e3o parasitas, e considerando apenas os que j\u00e1 foram descritos. Os cientistas acreditam que esse percentual represente somente cerca de 10% de todos os parasitas existentes, o que poderia significar que milh\u00f5es ainda n\u00e3o foram descobertos. Apenas as vespas parasitas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/274431v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">provavelmente superam qualquer outro grupo existente de animais<\/a>, incluindo at\u00e9 os besouros.<\/p>\n<p>A maioria das esp\u00e9cies, ao que parece, \u00e9 parasitada por diversas outras. Considere os humanos, por exemplo: apesar de nossas tentativas de preven\u00e7\u00e3o, somos excelentes hospedeiros. Mais de 100 parasitas diferentes evolu\u00edram para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/article\/face-mites-the-tiny-tenants-that-likely-live-in-your-pores?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viver dentro de nossos organismos ou sobre nossos corpos<\/a>, muitos deles agora dependem de n\u00f3s para a perpetua\u00e7\u00e3o de suas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de parasitas ocorre porque cada ser vivo \u00e9 formado por um conjunto de nutrientes e energia, e ser um grande predador n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica maneira de usufruir dessa abund\u00e2ncia. Os parasitas abandonaram completamente a competi\u00e7\u00e3o acirrada entre predadores e presas e escolheram um caminho mais f\u00e1cil. \u00c9 uma estrat\u00e9gia inteligente, se pararmos para pensar, e \u00e9 exatamente por esse motivo que o parasitismo \u00e9 t\u00e3o comum. \u201cA natureza abomina o vazio. Se houver oportunidade, algu\u00e9m vai evoluir para preencher esse vazio\u201d, explica Wood.<\/p>\n<p>O parasitismo evoluiu como um modo de vida sucessivamente ao longo de bilh\u00f5es de anos, desde os menores e mais simples micr\u00f3bios at\u00e9 os vertebrados mais complexos. Existem plantas parasitas, aves parasitas, uma variedade desconcertante de vermes e insetos parasitas e at\u00e9 mesmo um mam\u00edfero parasita \u2014 o morcego-vampiro, que sobrevive sugando o sangue de vacas e outros mam\u00edferos. Das 42 ramifica\u00e7\u00f5es principais da \u00e1rvore da vida, denominadas filos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3862516\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">31 s\u00e3o compostas, em sua maioria, por parasitas<\/a>.<\/p>\n<p>Ainda assim, mal come\u00e7amos a identificar todos os parasitas ou a monitorar suas popula\u00e7\u00f5es e pouco conhecemos sobre seus estilos de vida. \u201cNunca foi nossa prioridade\u201d, justifica\u00a0<a href=\"https:\/\/cals.ncsu.edu\/applied-ecology\/people\/skylar-hopkins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Skylar Hopkins<\/a>, ecologista da Universidade Estadual da Carolina do Norte. Assim, h\u00e1 alguns anos, Hopkins reuniu um grupo de cientistas interessados na conserva\u00e7\u00e3o de parasitas que come\u00e7ou a trocar conhecimentos. Em 2018, foram apresentadas suas pesquisas na confer\u00eancia da Sociedade de Ecologia da Am\u00e9rica. Ent\u00e3o, em outubro de 2020, foi publicado o primeiro plano global para salvar parasitas em uma edi\u00e7\u00e3o especial do peri\u00f3dico\u00a0<em>Biological Conservation<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-p3xum2\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=320&amp;h=480\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=360&amp;h=540\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=430&amp;h=645\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=500&amp;h=750\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=768&amp;h=1152\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=900&amp;h=1350\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=1024&amp;h=1536\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=664&amp;h=996\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=710&amp;h=1065\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"parasites\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.webp?w=710&amp;h=1065\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"parasites\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/parasites_1970186.jpg?w=710&amp;h=1065\" alt=\"parasites\" width=\"640\" height=\"960\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Anf\u00edpode, tipo de crust\u00e1ceo aqu\u00e1tico min\u00fasculo, invadido por larva de verme acantoc\u00e9falo. Mas o objetivo final do verme \u00e9 parasitar aves marinhas, assim, o verme causa mudan\u00e7as no c\u00e9rebro do anf\u00edpode que o atraem \u00e0 luz e espa\u00e7os abertos, tornando-o presa f\u00e1cil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">ANAND VARMA, NAT GEO IMAGE COLLECTION<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Um dos aspectos notados por Hopkins e seus colegas foi o chamado paradoxo da coextin\u00e7\u00e3o. Como os parasitas, por defini\u00e7\u00e3o, s\u00e3o dependentes de outras esp\u00e9cies, s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis a esse fen\u00f4meno. Tomemos, por exemplo, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/9621\/21423551\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">piolho da esp\u00e9cie\u00a0<em>Haematopinus oliveri<\/em><\/a>, amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o. Ele vive exclusivamente em outra esp\u00e9cie criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, o porco-pigmeu, que est\u00e1 desaparecendo da pradaria habitada por ele na base do Himalaia.<\/p>\n<p>\u201cPodem existir milh\u00f5es de esp\u00e9cies de parasitas amea\u00e7adas e provavelmente muitas j\u00e1 extintas\u201d, afirma Hopkins. \u201cMas \u00e9 curioso como quase n\u00e3o s\u00e3o documentadas extin\u00e7\u00f5es de parasitas.\u201d<\/p>\n<p>Wood revela que procura dados hist\u00f3ricos sobre a abund\u00e2ncia de parasitas h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, em busca de informa\u00e7\u00f5es sobre qualquer parasita \u2014 terrestre ou aqu\u00e1tico. \u201cEstou sempre atenta\u201d, conta ela, que, at\u00e9 o momento, encontrou um total de dois grupos de dados \u00fateis: um de um cruzeiro de pesquisa no fim da d\u00e9cada de 1940 e o outro em um caderno de laborat\u00f3rio mantido por um de seus orientadores.<\/p>\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es t\u00e3o escassas, \u201cn\u00e3o fazemos ideia se os parasitas ainda desempenham atualmente a mesma fun\u00e7\u00e3o anterior\u201d, afirma Wood. \u201c\u00c9 chocante.\u201d<\/p>\n<p>A refer\u00eancia da conserva\u00e7\u00e3o dos parasitas, se \u00e9 que existe uma, \u00e9 o piolho da esp\u00e9cie\u00a0<em>Colpocephalum californici<\/em>, ironicamente, v\u00edtima do pr\u00f3prio movimento conservacionista. Na d\u00e9cada de 1970, desesperados para salvar o condor-da-calif\u00f3rnia, os bi\u00f3logos come\u00e7aram a criar essas aves em cativeiro. Parte do protocolo foi eliminar os piolhos de todas as aves com agrot\u00f3xicos, supondo que os parasitas fossem prejudiciais aos condores, embora n\u00e3o se saiba ao certo se de fato eram. O piolho dessa esp\u00e9cie nunca mais foi identificado desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a sanguessuga da esp\u00e9cie\u00a0<em>Macrobdella sestertia<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0006320719309814\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00e3o \u00e9 mais encontrada h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada<\/a>, e a pesca predat\u00f3ria\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0165783617302898\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">provavelmente exterminou<\/a>\u00a0o platelminto marinho da esp\u00e9cie\u00a0<em>Stichocotyle nephropis<\/em>, que dependia de arraias amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o para completar seu ciclo de vida. Presume-se que infind\u00e1veis outros vermes, protozo\u00e1rios e insetos parasitas tenham desaparecido com a extin\u00e7\u00e3o de seus hospedeiros.<\/p>\n<h3>Um mundo sem parasitas<\/h3>\n<p>Embora a extin\u00e7\u00e3o dos parasitas possa parecer irrelevante, ou at\u00e9 mesmo algo para se comemorar, os ecologistas alertam que erradic\u00e1-los provavelmente implicaria a destrui\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Sem o controle realizado por parasitas, haveria uma explos\u00e3o populacional de alguns animais, assim como ocorre com esp\u00e9cies invasoras ao alcan\u00e7ar novos territ\u00f3rios sem predadores naturais. Outras esp\u00e9cies provavelmente entrariam em colapso com o desequil\u00edbrio que se seguiria.<\/p>\n<p>Predadores grandes e carism\u00e1ticos tamb\u00e9m sairiam perdendo. Muitos parasitas evolu\u00edram para alcan\u00e7ar o pr\u00f3ximo hospedeiro, manipulando o hospedeiro em que est\u00e3o, o que geralmente leva esse hospedeiro \u00e0 boca de um predador. Os vermes nematomorfos, por exemplo, amadurecem no interior de grilos, mas precisam estar na \u00e1gua para acasalar. Assim, influenciam o c\u00e9rebro dos grilos, levando os insetos a pular nos riachos, onde se tornam uma importante fonte de alimento para a truta. Fen\u00f4menos semelhantes alimentam p\u00e1ssaros, peixes,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/a-nation-of-neurotics-blame-the-puppet-masters\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">gatos\u00a0<\/a>e outros predadores em todo o mundo.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a sa\u00fade humana\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/article\/viruses-can-cause-great-harm-but-we-could-not-live-without-them-feature?loggedin=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">teria algum preju\u00edzo<\/a>\u00a0com a erradica\u00e7\u00e3o dos parasitas.<strong>\u00a0<\/strong>Em pa\u00edses como os Estados Unidos, onde foi eliminada a maioria dos parasitas intestinais, existem doen\u00e7as autoimunes praticamente desconhecidas em locais onde ainda existem esses parasitas. Segundo uma vertente de pensamento, o sistema imunol\u00f3gico humano evoluiu concomitantemente com um grupo de vermes e protozo\u00e1rios parasitas e, quando eliminados, nosso sistema imunol\u00f3gico come\u00e7a a atacar nosso pr\u00f3prio organismo. Algumas pessoas com a doen\u00e7a de Crohn at\u00e9 mesmo se infectam propositalmente com vermes intestinais na tentativa de restaurar o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico intestinal, obtendo resultados variados.<\/p>\n<p>Apesar disso, os cientistas n\u00e3o anseiam por salvar\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os parasitas. O verme-da-guin\u00e9, por exemplo, \u00e9 menosprezado at\u00e9 mesmo pelos conservacionistas mais radicais. Ele atinge a idade adulta dentro da perna de uma pessoa, geralmente atingindo v\u00e1rios cent\u00edmetros de comprimento e emerge dolorosamente pelo p\u00e9. A funda\u00e7\u00e3o do ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter se prop\u00f4s a levar o verme \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, e poucos v\u00e3o sentir falta dele quando desaparecer.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m que desejaria muito se livrar de todos os parasitas \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mayo.edu\/research\/faculty\/pritt-bobbi-s-m-d\/bio-00093461\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bobbi Pritt<\/a>. Como diretora m\u00e9dica do laborat\u00f3rio de parasitologia humana da Cl\u00ednica Mayo, Pritt identifica parasitas encontrados em todo o pa\u00eds e em todas as partes do corpo. Todos os dias, ela trabalha com sangue contendo parasitas da mal\u00e1ria, tecido cerebral repleto de\u00a0<em>Toxoplasma gondii<\/em>\u00a0ou segmentos de unhas do p\u00e9 com bichos-de-p\u00e9, que penetram na sola do p\u00e9 ao se andar descal\u00e7o na praia.<\/p>\n<p>Ainda assim, at\u00e9 Pritt tem uma queda por parasitas. Ela escreve em seu\u00a0<em>blog<\/em>\u00a0\u201c<a href=\"https:\/\/parasitewonders.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Creepy Dreadful Wonderful Parasites<\/a>\u201d (\u201cMaravilhosos Parasitas Terr\u00edveis e Repugnantes\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre) e passa os fins de semana estudando os carrapatos do lado de fora de sua cabana de f\u00e9rias. Como m\u00e9dica, ela \u00e9 a favor da erradica\u00e7\u00e3o de parasitas em locais onde esses causam doen\u00e7as e sofrimento. \u201cContudo, como bi\u00f3loga, sou avessa \u00e0 ideia de tomar a iniciativa de extinguir propositalmente uma esp\u00e9cie\u201d, explica ela.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, o objetivo de promover a conserva\u00e7\u00e3o dos parasitas n\u00e3o \u00e9 torn\u00e1-los queridos por todos. Pelo contr\u00e1rio, o objetivo \u00e9 pedir uma tr\u00e9gua na guerra travada contra todos eles, pois ainda h\u00e1 muito que se desconhece sobre sua contribui\u00e7\u00e3o aos ecossistemas e talvez at\u00e9 mesmo \u00e0 humanidade. E se isso n\u00e3o o convencer da utilidade dos parasitas, reflita sobre a perspectiva de Kevin Lafferty:<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea \u00e9 uma pessoa religiosa, diria que todas as esp\u00e9cies s\u00e3o criaturas de Deus; devemos nos importar com todas elas da mesma forma\u201d, argumenta. \u201cEsse \u00e9 o tipo de abordagem adotada pela biologia da conserva\u00e7\u00e3o, com uma grande exce\u00e7\u00e3o: os parasitas.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles s\u00e3o \u201crepulsivos, pegajosos, moles e serpenteantes\u201d. 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