{"id":144932,"date":"2021-04-18T19:55:42","date_gmt":"2021-04-18T22:55:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=144932"},"modified":"2021-04-18T19:55:42","modified_gmt":"2021-04-18T22:55:42","slug":"artigo-maioridade-do-carro-flex-e-responsabilidade-ambiental-por-joao-guilherme-sabino-ometto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/artigo-maioridade-do-carro-flex-e-responsabilidade-ambiental-por-joao-guilherme-sabino-ometto\/","title":{"rendered":"Artigo: Maioridade do carro flex e responsabilidade ambiental Por Jo\u00e3o Guilherme Sabino Ometto*"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"news-subtit margin-bottom-20\">Hoje, mais de 85% da frota nacional conta com esse tipo de motor, cuja contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 imensa para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de poluentes locais e de gases de efeito estufa, com benef\u00edcios significativos para a sa\u00fade e a luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/h3>\n<p>H\u00e1 dezoito anos, em 24 de mar\u00e7o de 2003, era apresentado o autom\u00f3vel flex, uma revolucion\u00e1ria tecnologia brasileira que, pela primeira vez no mundo, possibilitava o abastecimento de um ve\u00edculo com etanol, gasolina ou a mistura de ambos em qualquer propor\u00e7\u00e3o. Hoje, mais de 85% da frota nacional conta com esse tipo de motor, cuja contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 imensa para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de poluentes locais e de gases de efeito estufa, com benef\u00edcios significativos para a sa\u00fade e a luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O carro flex atinge sua maioridade sendo respons\u00e1vel. Sim, ambientalmente respons\u00e1vel, como se pode comprovar com clareza nos \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o da capital paulista nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Dados sobre o consumo de combust\u00edveis divulgados pela Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP) mostram que em 2020, considerando o anidro misturado \u00e0 gasolina, e o hidratado utilizado nos motores, o etanol substituiu 47% de toda a gasolina consumida no Brasil; em S\u00e3o Paulo, a substitui\u00e7\u00e3o foi de 64%. Estes \u00edndices, inigualados em todo o mundo, s\u00e3o resultado da op\u00e7\u00e3o dos consumidores propiciada pela tecnologia do carro flex.<\/p>\n<p>O impacto positivo \u00e9 inconteste. Dentre outras qualidades ambientais e \u00e0 sa\u00fade, o etanol gera emiss\u00e3o zero de material particulado. O resultado \u00e9 que, segundo especialistas do Conselho Superior do Agroneg\u00f3cio da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (FIESP), em 2000 registravam-se na capital paulista 60 microgramas de part\u00edculas por metro c\u00fabico de ar; hoje, s\u00e3o 19, abaixo do \u00edndice de 20 recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Cabe salientar que, nesses 20 anos, a frota existente no munic\u00edpio cresceu 80%. Fica muito claro como o etanol, somado \u00e0 disruptiva tecnologia criada pela engenharia automotiva desenvolvida no Brasil, contribui de modo significativo para que tenhamos um ar muito mais limpo, o que \u00e9 de especial import\u00e2ncia nesses tempos de pandemia causada pelo Covid-19.<\/p>\n<p>A resposta do Pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca do encarecimento do petr\u00f3leo provocado pelos conflitos no Oriente M\u00e9dio, em especial a Segunda Guerra do Golfo P\u00e9rsico em 2003, tornou-se de modo paulatino uma solu\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter ecol\u00f3gico. Essa hist\u00f3ria, a rigor, havia come\u00e7ado muito antes, h\u00e1 46 anos, quando, em novembro de 1975, foi criado o Programa Nacional do \u00c1lcool (Pro\u00e1lcool), tamb\u00e9m como alternativa \u00e0 majora\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel f\u00f3ssil no mercado global.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos a produzir ve\u00edculos motivos a \u00e1lcool, tecnologia tamb\u00e9m genuinamente nossa, e a construir uma infraestrutura nacional de abastecimento com a multiplica\u00e7\u00e3o de usinas produtoras, em especial no Sudeste e Centro-Oeste, e uma rede nacional de postos de distribui\u00e7\u00e3o. Hoje, temos mais de 42 mil pontos de abastecimento em todo o nosso continental territ\u00f3rio, onde se pode abastecer os ve\u00edculos com etanol.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Pro\u00e1lcool, do carro a \u00e1lcool, dos emblem\u00e1ticos 18 anos do flex, a base nacional de fabrica\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos, de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dessa moderna, limpa e renov\u00e1vel fonte de energia para transporte n\u00e3o tem apenas grande valor hist\u00f3rico, e n\u00e3o se constitui somente em refer\u00eancia de um processo din\u00e2mico que gerou desenvolvimento, investimentos, empregos e renda. Representa, agora, o alicerce de uma nova frente de combate ao aquecimento da Terra.<\/p>\n<p>Para se entender melhor essa quest\u00e3o, \u00e9 importante conhecer algo at\u00e9 agora pouco difundido: na compara\u00e7\u00e3o entre o carro a etanol brasileiro e o el\u00e9trico a bateria, considerando a avalia\u00e7\u00e3o do ciclo de vida desde a produ\u00e7\u00e3o da energia at\u00e9 o seu uso pelo consumidor final, o n\u00edvel de emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa \u00e9 muito menor para a motoriza\u00e7\u00e3o usando etanol.<\/p>\n<p>Isso porque, para se aferir o grau efetivo de emiss\u00e3o gerada por um ve\u00edculo, \u00e9 necess\u00e1rio considerar o ciclo completo de emiss\u00f5es totais. A\u00ed est\u00e1 a vantagem da motoriza\u00e7\u00e3o usando o etanol, pois, \u00e9 quase neutro em emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, e com novas tecnologias sendo aplicadas na produ\u00e7\u00e3o tende em breve a se tornar neutro, ou at\u00e9 gerar emiss\u00e3o negativa, em grande medida porque sua fonte \u00e9 renov\u00e1vel e os canaviais sequestram carbono da atmosfera durante a fase de crescimento da lavoura.<\/p>\n<p>As compara\u00e7\u00f5es s\u00e3o conclusivas: um carro movido a gasolina sem adi\u00e7\u00e3o de etanol emite 145 gramas de di\u00f3xido de carbono (CO2) por quil\u00f4metro rodado; o autom\u00f3vel el\u00e9trico a bateria utilizado atualmente na Europa emite 92 gramas; e um carro movido 100% a etanol emite somente 58 gramas. Al\u00e9m disso, a baixa emiss\u00e3o do etanol \u00e9 propiciada com uma tecnologia acess\u00edvel ao consumidor.<\/p>\n<p>Agora, estamos dando mais um passo relevante, pois o etanol pode ser usado como para parceiro na eletrifica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos h\u00edbridos flex &#8211; uma realidade j\u00e1 presente em nosso Pa\u00eds. E no futuro tamb\u00e9m na c\u00e9lula a combust\u00edvel usando etanol. A eletrifica\u00e7\u00e3o, com etanol, gera emiss\u00f5es menores ainda. Na avalia\u00e7\u00e3o do ciclo de vida (ACV), os h\u00edbridos a etanol emitem apenas 29 gramas de CO2 por km, e a c\u00e9lula a combust\u00edvel usando etanol emite 27 gramas por km. Outra grande vantagem desta rota de eletrifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que o etanol utiliza a infraestrutura de distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente. Estudo da Empresa de Planejamento Energ\u00e9tico (EPE) indica que seriam necess\u00e1rios investimentos de 210 a 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para criar uma rede de recarga de baterias (smart-grid) no Brasil.<\/p>\n<p>No futuro, diferentes rotas de motoriza\u00e7\u00e3o ir\u00e3o conviver no mercado. Mas, a sinergia entre a ind\u00fastria automobil\u00edstica e o setor sucroenerg\u00e9tico brasileiro, que possibilitou todos os avan\u00e7os at\u00e9 agora verificados desde o carro a \u00e1lcool, segue decisiva para que o etanol e a tecnologia a ele agregada sejam amplamente utilizados como solu\u00e7\u00e3o correta, escal\u00e1vel e replic\u00e1vel para a mobilidade sustent\u00e1vel do planeta.<\/p>\n<p>*Jo\u00e3o Guilherme Sabino Ometto \u00e9 engenheiro (Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos &#8211; EESC\/USP), empres\u00e1rio e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, mais de 85% da frota nacional conta com esse tipo de motor, cuja contribui\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Hoje, mais de 85% da frota nacional conta com esse tipo de motor, cuja contribui\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144932"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144932"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":144933,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144932\/revisions\/144933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}